Seder Tehorot · Massechet Mikvaot · Perek Alef · Mishná 7 de 8

Terceiro e quarto graus: a mikvê de quarenta seá, e a fonte com águas trazidas

לְמַעְלָה מֵהֶן, מִקְוֶה שֶׁיֶּשׁ בּוֹ אַרְבָּעִים סְאָה, שֶׁבּוֹ טוֹבְלִין וּמַטְבִּילִין. לְמַעְלָה מֵהֶן, מַעְיָן שֶׁמֵּימָיו מֻעָטִין וְרַבּוּ עָלָיו מַיִם שְׁאוּבִין, שָׁוֶה לַמִּקְוֶה לְטַהֵר בְּאַשְׁבֹּרֶן, וְלַמַּעְיָן לְהַטְבִּיל בּוֹ בְּכָל שֶׁהוּא:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Terceiro grau: a mikvê de quarenta seá — e quarto grau: a fonte com águas trazidas

Superior a estas é a mikvê que tem nela quarenta seá, na qual imergem (pessoas) e imergem (utensílios). Superior a esta é a fonte cujas águas são poucas e sobre a qual predominam águas trazidas (por mãos humanas): é igual à mikvê para purificar estando parada, e é igual à fonte para nela imergir com qualquer quantidade.

A sétima mishná dá um salto qualitativo importante: até aqui, nenhum dos dois primeiros graus era válido para a imersão de pessoas ou utensílios — apenas para usos menores, como a chalá ou a teruma. O terceiro grau, a mikvê propriamente dita, com sua medida mínima de quarenta seá de água ajuntada sem ser trazida por mãos humanas, é o primeiro grau válido também para a imersão — tanto de uma pessoa inteira quanto de utensílios, e mesmo das mãos, nos casos que exigem imersão e não apenas lavagem.

O quarto grau é um caso híbrido: uma fonte natural cujas águas próprias são poucas, mas à qual se acrescentaram águas trazidas (por baldes ou canos) em quantidade maior que a água original da fonte. Este ajuntamento combina as regras de dois sistemas distintos: a fonte pura, que purifica em qualquer quantidade e mesmo estando fluente, e a mikvê, que exige quarenta seá e só purifica estando parada. Como agora a maior parte da água é trazida (o que desqualificaria uma mikvê comum), este quarto grau assemelha-se à mikvê e só purifica estando parado (ashboren); mas, como ainda há uma fonte natural em sua origem, assemelha-se também à fonte e dispensa a medida mínima de quarenta seá, purificando com qualquer quantidade de água.

לְמַעְלָה מֵהֶן, מִקְוֶה שֶׁיֶּשׁ בּוֹ אַרְבָּעִים סְאָה, שֶׁבּוֹ טוֹבְלִין וּמַטְבִּילִין. לְמַעְלָה מֵהֶן, מַעְיָן שֶׁמֵּימָיו מֻעָטִין וְרַבּוּ עָלָיו מַיִם שְׁאוּבִין, שָׁוֶה לַמִּקְוֶה לְטַהֵר בְּאַשְׁבֹּרֶן, וְלַמַּעְיָן לְהַטְבִּיל בּוֹ בְּכָל שֶׁהוּא:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Mikvaot 1:7
מעלה שלישית שיהיו המים מכונסין נתקבצו בלי שאיבה ויש בו מ' סא…

O terceiro grau é que as águas estejam ajuntadas, reunidas sem serem trazidas (por mãos humanas), e que haja nelas quarenta seá — eis que ele é válido para nele purificar os impuros e purificar nele os utensílios impuros, e é o que se disse “imergem (pessoas) e imergem (utensílios)”. E também imergem nele as mãos para as coisas que necessitam de imersão das mãos; e já se explicou em Chaguigá (18b) que, para as (coisas) sagradas, imergem as mãos, e não bastam para elas a simples lavagem. E a linguagem da Tosefta (capítulo 1): esta é a regra — em todo lugar onde uma pessoa (pode) imergir, mãos e utensílios (podem) imergir; onde uma pessoa não (pode) imergir, mãos e utensílios não (podem) imergir.

E o quarto grau é que haja uma fonte de águas escassas, e (a ela) se acrescentaram águas trazidas e nela se derramaram até que as águas (trazidas) se tornassem maioria e predominassem — eis que estas águas compartilham a regra entre a regra da mikvê e a regra da fonte, assemelhando-se à fonte em uma coisa e à mikvê em outra coisa. E convém que expliquemos antes disto as regras da fonte e da mikvê, e digamos que a fonte — que são as águas que brotam — purifica em qualquer quantidade, mesmo que seja a menor medida; aquilo que ela purifica é puro. E há uma segunda regra: que as águas que fluem da fonte, que saem dela, também purificam com ela, e todo aquele que nelas imergiu é puro. Eis, pois, estas duas regras na fonte: uma delas, que ela purifica em qualquer quantidade; e a segunda, que ela purifica estando fluente (zochalin).

Já na mikvê — que é o ajuntamento de águas que não brotam — há duas regras: uma delas, que ela não purifica os impuros senão com quarenta seá exatas, e o que for menos que isso não purifica os impuros; e a segunda, que as águas que fluem dela para fora — eis que aquilo que se chama zochalin (fluente) não purifica, mas purifica apenas em um lugar côncavo onde as águas repousam e permanecem paradas, que é o que se chama ashboren (parada). E disse que, se a fonte de águas escassas — se nela se derramaram águas trazidas —, o (ajuntamento) reunido disto purifica em qualquer quantidade como a fonte que não tem nela águas trazidas, mas não purifica senão estando parado (ashboren), como a mikvê que não tem fonte nela.

Bartenura · Mikvaot 1:7
טוֹבְלִין. בְּנֵי אָדָם כָּל גּוּפוֹ:

“Imergem (pessoas)”: pessoas, todo o seu corpo.

“E imergem (utensílios)”: os utensílios; e as mãos, para aquilo que necessita de imersão das mãos, para o qual não basta a simples lavagem — como, por exemplo, para (as coisas) sagradas.

“Fonte”: cujas águas brotam, e as águas que brotam são poucas em comparação com as águas trazidas que despejaram dentro dela.

“É igual à mikvê para purificar estando parada”: mas não estando fluente — pois estabelecemos que a fonte purifica estando fluente, e a mikvê purifica estando parada; e isto, por causa das muitas águas trazidas que há nela, iguala-se à mikvê para purificar estando parada, mas não estando fluente.

“E é igual à fonte para nela imergir com qualquer quantidade”: e não necessita de quarenta seá como a mikvê, pois a mikvê não purifica com menos de quarenta seá, e este grau purifica com qualquer quantidade, como a fonte.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Mikvaot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.