Superior a estas são as águas de escorrimentos que não cessaram. Bebeu um impuro e bebeu um puro, este fica puro. Bebeu um impuro e encheu com elas um utensílio puro, este fica puro. Bebeu um impuro e caiu nelas um pão de teruma, ainda que o tenha lavado, permanece puro. Encheu com um utensílio impuro e bebeu um puro, este fica puro. Encheu com um utensílio impuro e encheu com elas um utensílio puro, este fica puro. Encheu com um utensílio impuro e caiu nelas um pão de teruma, ainda que o tenha lavado, permanece puro. Caíram nelas águas impuras e bebeu um puro, este fica puro. Caíram nelas águas impuras e encheu com elas um utensílio puro, este fica puro. Caíram nelas águas impuras e caiu nelas um pão de teruma, ainda que o tenha lavado, permanece puro. São válidas para a teruma e para lavar delas as mãos.
A sexta mishná sobe ao segundo grau da escala: as águas de escorrimentos de montanha (mei tamtziyot) enquanto ainda não cessaram de fluir — isto é, enquanto a chuva já parou de cair, mas a água ainda escorre pela encosta, alimentada pela umidade acumulada no próprio monte. Este fluxo contínuo, mesmo depois de a chuva ter cessado no céu, tem o poder de anular qualquer gota de impureza que caia nas águas já ajuntadas embaixo — e por isso a mishná repete, ponto por ponto, os mesmos nove casos já vistos nas três primeiras mishnayot (impureza por pessoa, por utensílio, por líquido, cruzada com bebida, enchê-lo e pão de teruma), mas agora com o resultado sempre invertido: em todos os nove, a água permanece pura, mesmo quando o pão de teruma foi lavado ali de propósito.
Esta é precisamente a superioridade deste segundo grau sobre o primeiro: ali, a imersão (ou lavagem) na água contaminada não tinha efeito purificador sobre a própria água impura; aqui, o fluxo constante da montanha já a purifica de antemão, de modo que estas águas passam a ser válidas não apenas para a chalá (como no primeiro grau), mas até para a própria teruma — ainda que, como esclarecem os comentários, não sejam válidas para a imersão de pessoas, utensílios ou mãos, privilégio reservado a graus superiores.
Este é o segundo grau, e já se explicou que é maior que o primeiro, pois estas águas não se tornam impuras nem por um homem impuro, nem por um utensílio impuro, nem por líquidos impuros, mesmo intencionalmente — de modo que é permitido usá-las para a teruma, o que não é o caso das águas de poças e do que se assemelha a elas. E também nestas águas não há quarenta seá, e não são trazidas (por mãos humanas).
“Águas de escorrimentos que não cessaram”: os montes (ainda não cessaram) de seu fluxo, e ainda estão borbulhando as águas da chuva que caíram sobre eles — estas anulam a primeira gota impura que havia na poça. Por isso, bebeu um impuro e bebeu um puro, enquanto (os montes) não cessaram, (o puro) fica puro, pois as águas impuras que ali caíram se purificaram. E esta é a superioridade (deste grau): que, nas (águas) mencionadas acima, a imersão não foi eficaz para (anular) as águas impuras, ao passo que aqui foi eficaz. Mas não são válidas para a imersão de pessoa, de utensílios e de mãos.