Seder Tehorot · Massechet Mikvaot · Perek Dalet · Mishná 5 de 5 — encerrando o Perek Dalet

A cocheira na rocha e o buraco do tamanho do bocal do odre — encerrando o Perek Dalet

הַשֹּׁקֶת שֶׁבַּסֶּלַע, אֵין מְמַלְּאִין מִמֶּנָּה, וְאֵין מְקַדְּשִׁין בָּהּ, וְאֵין מַזִּין מִמֶּנָּה, וְאֵינָהּ צְרִיכָה צָמִיד פָּתִיל, וְאֵינָהּ פּוֹסֶלֶת אֶת הַמִּקְוֶה. הָיְתָה כְלִי וְחִבְּרָהּ בְּסִיד, מְמַלְּאִין בָּהּ, וּמְקַדְּשִׁין בָּהּ, וּמַזִּין מִמֶּנָּה, וּצְרִיכָה צָמִיד פָּתִיל, וּפוֹסֶלֶת אֶת הַמִּקְוֶה. נִקְּבָה מִלְּמַטָּה אוֹ מִן הַצַּד וְאֵינָהּ יְכוֹלָה לְקַבֵּל מַיִם כָּל שֶׁהֵם, כְּשֵׁרָה. וְכַמָּה יִהְיֶה בַנֶּקֶב. כִּשְׁפוֹפֶרֶת הַנּוֹד. אָמַר רַבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתֵירָא, מַעֲשֶׂה בְשֹׁקֶת יֵהוּא שֶׁהָיְתָה בִירוּשָׁלַיִם, וְהָיְתָה נְקוּבָה כִשְׁפוֹפֶרֶת הַנּוֹד, וְהָיוּ כָל הַטָּהֳרוֹת שֶׁבִּירוּשָׁלַיִם נַעֲשׂוֹת עַל גַּבָּהּ, וְשָׁלְחוּ בֵית שַׁמַּאי וּפְחָתוּהָ, שֶׁבֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, עַד שֶׁיִּפְחֲתוּ רֻבָּהּ:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A cocheira escavada na rocha não é vaso e não invalida o mikvê; ligada com cal como vaso, invalida; o buraco do tamanho do bocal do odre a desqualifica de vaso, e o relato da cocheira de Yehu em Jerusalém

A cocheira na rocha: não se enche a partir dela, nem se santifica com ela, nem se asperge dela, e não precisa de tampa bem fechada, e não invalida o mikvê. Se era um vaso e foi ligada com cal, enche-se a partir dela, e santifica-se com ela, e asperge-se dela, e precisa de tampa bem fechada, e invalida o mikvê. Se foi perfurada por baixo ou pelo lado e não pode conter água alguma, é válida. E qual é a medida do buraco? Como o bocal do odre. Disse Rabi Yehuda ben Beteira: aconteceu com a cocheira de Yehu, que estava em Jerusalém, e estava perfurada como o bocal do odre, e todas as purificações de Jerusalém eram feitas sobre ela, e Bet Shamai enviaram e a diminuíram, pois Bet Shamai dizem: até que diminuam a maior parte dela.

A mishná final do Perek Dálet trata da shoket — uma cocheira ou tanque escavado na própria rocha, junto a uma fonte, usado para dar de beber aos animais. Por estar entalhada diretamente na pedra natural, e não ter tido, antes de sua fixação ao solo, o estatuto de vaso independente, a cocheira não é considerada um kli para nenhum dos efeitos que exigem um vaso genuíno: não se pode tirar dela água para as águas da purificação (mei chatat), não se pode misturar nela as cinzas da vaca vermelha, não se pode aspergir dela na purificação do impuro por contato com morto, e ela não precisa de tampa bem fechada (tzamid patil) para proteger seu conteúdo da impureza sob uma tenda com cadáver — sendo tratada, nesse aspecto, como uma cisterna ou poço, protegidos apenas por cobertura simples. E, pela mesma razão, a água de chuva que passa por ela não se torna água trazida, e não invalida o mikvê.

Tudo se inverte se a cocheira era originalmente um vaso independente, fabricado como tal e só depois fixado ao solo com cal: nesse caso, ela conserva plenamente o estatuto de vaso, e todas as regras se invertem — serve para as águas da purificação, para a mistura das cinzas, para a aspersão, precisa de tampa bem fechada, e invalida o mikvê. A mishná acrescenta ainda uma exceção final: se a cocheira de rocha foi perfurada por baixo ou pelo lado a ponto de não conseguir reter água alguma, ela é válida para os fins mais estritos mesmo que originalmente fosse um vaso, pois um buraco dessa medida — do tamanho do bocal de um odre de couro, isto é, a largura de dois dedos — anula seu estatuto de vaso. A mishná encerra com o relato histórico de Rabi Yehuda ben Beteira sobre a célebre cocheira de Yehu em Jerusalém, ligada a um mikvê completo através de um buraco dessa medida, e cujo furo Bet Shamai mandaram alargar para garantir que sua maior parte estivesse rompida, segundo seu próprio critério mais rigoroso.

Com esta mishná encerra-se o Perek Dálet, que tratou, do início ao fim, dos modos técnicos precisos pelos quais as águas se tornam “trazidas” e assim capazes de invalidar um mikvê: os vasos deixados ou esquecidos sob o cano de escoamento, ainda que de materiais que não recebem impureza (4:1); a tábua com ou sem borda, e a distinção entre recolher e apenas escorrer (4:2); a cavidade escavada no próprio cano para reter pedrinhas, com suas medidas conforme o material, e o cano largo apenas no meio que não foi feito para receber (4:3); a regra da maioria na mistura de águas trazidas e águas de chuva antes de chegarem ao mikvê, e o critério cronológico de quarenta seá já presentes antes dos três log trazidos (4:4); e, por fim, a cocheira escavada na rocha, que só se torna vaso capaz de invalidar quando fabricada como tal, e cujo buraco do tamanho do bocal do odre a devolve à condição de mera rocha (4:5) — encerrando um perek que, como todo o tratado, exige a mais fina atenção às circunstâncias físicas exatas de cada caso concreto.

הַשֹּׁקֶת שֶׁבַּסֶּלַע, אֵין מְמַלְּאִין מִמֶּנָּה, וְאֵין מְקַדְּשִׁין בָּהּ, וְאֵין מַזִּין מִמֶּנָּה, וְאֵינָהּ צְרִיכָה צָמִיד פָּתִיל, וְאֵינָהּ פּוֹסֶלֶת אֶת הַמִּקְוֶה. הָיְתָה כְלִי וְחִבְּרָהּ בְּסִיד, מְמַלְּאִין בָּהּ, וּמְקַדְּשִׁין בָּהּ, וּמַזִּין מִמֶּנָּה, וּצְרִיכָה צָמִיד פָּתִיל, וּפוֹסֶלֶת אֶת הַמִּקְוֶה. נִקְּבָה מִלְּמַטָּה אוֹ מִן הַצַּד וְאֵינָהּ יְכוֹלָה לְקַבֵּל מַיִם כָּל שֶׁהֵם, כְּשֵׁרָה. וְכַמָּה יִהְיֶה בַנֶּקֶב. כִּשְׁפוֹפֶרֶת הַנּוֹד. אָמַר רַבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתֵירָא, מַעֲשֶׂה בְשֹׁקֶת יֵהוּא שֶׁהָיְתָה בִירוּשָׁלַיִם, וְהָיְתָה נְקוּבָה כִשְׁפוֹפֶרֶת הַנּוֹד, וְהָיוּ כָל הַטָּהֳרוֹת שֶׁבִּירוּשָׁלַיִם נַעֲשׂוֹת עַל גַּבָּהּ, וְשָׁלְחוּ בֵית שַׁמַּאי וּפְחָתוּהָ, שֶׁבֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, עַד שֶׁיִּפְחֲתוּ רֻבָּהּ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Mikvaot 4:5
שׁוֹקֶת שֶׁבַּסֶּלַע. גּוֹלֶה שֶׁבָּהָר וּכְבָר קָדַם פֵּרוּשׁ זֹאת הַהֲלָכָה…

Shoket shebasela (cocheira na rocha): é uma calha que está no monte, e já precedeu a explicação desta halachá em Massechet Pará (perek 7) — busca-a ali.

Ad sheyifchatu ruba (até que diminuam a maior parte dela): até que se quebre e falte de sua grandeza, e então as águas que escoam para ela são válidas e não são consideradas trazidas, porque então ela já não permanece com o estatuto de vaso.

Bartenura · Mikvaot 4:5
הַשֹּׁקֶת. אֶבֶן חֲלוּלָה שֶׁעַל שְׂפַת הַמַּעְיָן…

“A cocheira”: pedra oca que está à beira da fonte, e a água entra nela por um buraco em sua parede, e dão de beber às bestas nela. “Não se enche a partir dela”: água para as águas da purificação. “Nem se santifica com ela”: não se colocam as cinzas da vaca sobre a água que está dentro dela, pois não é considerada vaso. E aqui se fala de uma rocha fixada ao solo que foi escavada, e mesmo uma solta que foi fixada e só depois escavada — já que não tinha sobre si o nome de vaso enquanto estava solta, não é considerada vaso.

“E não precisa de tampa bem fechada”: se está na tenda do morto, protege o que está dentro dela apenas com uma cobertura, sem tampa bem fechada, pois não é considerada vaso, mas como uma cisterna ou um poço, que protegem o que está dentro deles apenas com uma cobertura.

“E não invalida o mikvê”: se caíram águas de chuva de dentro dela no mikvê, não são consideradas águas trazidas para invalidar o mikvê.

“E qual medida há de ter o buraco”: para anulá-la do estatuto de vaso, de modo que não invalide o mikvê pela razão da água trazida. “Como o bocal do odre”: e sua medida é que dois dedos da mão, os próximos ao polegar, voltem em sua largura com folga dentro do buraco.

“Cocheira de Yehu”: assim se chamava. “E todas as purificações de Jerusalém eram feitas sobre ela”: que imergiam nela e faziam as purificações; e não havia na cocheira quarenta seá, mas um mikvê completo estava a seu lado, e as águas da cocheira se misturavam com ele através do buraco como o bocal do odre.

“Até que diminuam a maior parte dela”: ainda que haja no buraco a medida do bocal do odre, sempre permanece sobre ela o estatuto de vaso até que se quebre a maior parte dela.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Mikvaot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.

Encerrando o Perek Dalet · סִיּוּם פֶּרֶק ד’

O Perek Dálet, com suas cinco mishnayot, está agora completo: tratou, do início ao fim, dos modos técnicos precisos pelos quais as águas se tornam “trazidas” e assim capazes de invalidar um mikvê — os vasos deixados ou esquecidos sob o cano de escoamento, ainda que de materiais que não recebem impureza, e a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre o esquecido (4:1); a tábua com ou sem borda, e a distinção entre recolher água e apenas escorrê-la (4:2); a cavidade escavada no próprio cano para reter pedrinhas, com suas medidas conforme o material, e o cano largo apenas no meio, que não foi feito para receber (4:3); a regra da maioria na mistura de águas trazidas e águas de chuva antes de chegarem ao mikvê, e o critério cronológico de quarenta seá já presentes antes dos três log trazidos (4:4); e, por fim, a cocheira escavada na rocha, que só se torna vaso capaz de invalidar quando fabricada como tal, e cujo buraco do tamanho do bocal do odre a devolve à condição de mera rocha, ilustrado pelo relato histórico da cocheira de Yehu em Jerusalém (4:5). O tratado prossegue no Perek Hei.