Aquele que deixa uma tábua sob o cano: se ela tem borda, invalida o mikvê; e se não, não invalida o mikvê. Se a colocou de pé para escorrer, de um modo ou de outro, não invalida o mikvê.
Esta mishná continua o tema da anterior, tratando agora de uma tábua plana (tavla) colocada sob o cano para conduzir a água ao mikvê. O critério decisivo é se a tábua tem uma borda erguida (livzez) ao redor de seus quatro lados: só uma borda desse tipo transforma a tábua plana num verdadeiro receptáculo, capaz de reter água e, portanto, de fazê-la “trazida” caso escoe dali para o mikvê. Sem essa borda, a tábua não retém água alguma — a água apenas escorre sobre ela e continua seu curso — e por isso não a torna trazida.
A segunda parte da mishná trata de uma situação distinta: alguém coloca a tábua de pé, não para recolher água, mas apenas para lavá-la da sujeira acumulada. Neste caso, diz a mishná, tanto faz se a tábua tem borda ou não — ela nunca invalida o mikvê, porque, estando de pé, não se encontra na posição própria de recepção de água; a água que escorre por ela ali não é retida como num vaso, mas apenas passa e cai, exatamente como no cano comum.
Livzez: é uma armação elevada, como já explicamos algumas vezes — que, quando a tábua tem essa armação ao redor, ela se torna como um vaso, como já precedeu em Massechet Kelim (perek 2, mishná 3). E o sentido de “a colocou de pé para escorrer” é que a colocou de lado para que escorresse e se enxaguasse.
“Aquele que deixa uma tábua sob o cano”: para conduzir as águas ao mikvê. “Se ela tem borda”: uma aba ao redor dos quatro lados, para que tenha um receptáculo.
“Invalida o mikvê”: pois as águas se tornam trazidas; e por causa do cano em si não invalidaria o mikvê, pois se fala de um cano que foi fixado ao solo e só depois escavado, como já explicamos na mishná anterior.
“Se a colocou de pé para escorrer”: para que se lave da sujeira que há nela. “Não invalida o mikvê”: porque não permanece na posição própria de sua recepção.