Seder Tehorot · Massechet Mikvaot · Perek Chet · Mishná 5 de 5 — encerrando o Perek Chet

As moedas na boca, a saliva da menstruada e as dobras do corpo — encerrando o Perek Chet

נִדָּה שֶׁנָּתְנָה מָעוֹת בְּפִיהָ וְיָרְדָה וְטָבְלָה, טְהוֹרָה מִטֻּמְאָתָהּ, אֲבָל טְמֵאָה הִיא עַל גַּב רֻקָּהּ. נָתְנָה שְׂעָרָהּ בְּפִיהָ, קָפְצָה יָדָהּ, קָרְצָה שִׂפְתוֹתֶיהָ, כְּאִלּוּ לֹא טָבְלָה. הָאוֹחֵז בְּאָדָם וּבְכֵלִים וּמַטְבִּילָן, טְמֵאִין. וְאִם הֵדִיחַ אֶת יָדוֹ בַּמַּיִם, טְהוֹרִים. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, יְרַפֶּה, כְּדֵי שֶׁיָּבֹאוּ בָהֶם מָיִם. בֵּית הַסְּתָרִים, בֵּית הַקְּמָטִים, אֵינָן צְרִיכִין שֶׁיָּבֹאוּ בָהֶן מָיִם:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A menstruada que colocou moedas na boca permanece impura apenas pela saliva; cabelo na boca, mão fechada ou lábios apertados invalidam a imersão; quem segura outra pessoa ou utensílios ao imergi-los; disputa de Rabi Shimon; os lugares ocultos e as dobras do corpo não precisam de contato direto da água — encerrando o Perek Chet

A menstruada que colocou moedas em sua boca e desceu e imergiu é pura de sua impureza, mas é impura por causa de sua saliva. [Se] colocou seu cabelo em sua boca, fechou sua mão, apertou seus lábios, é como se não tivesse imergido. Aquele que segura uma pessoa ou utensílios e os imerge, permanecem impuros; mas se lavou sua mão na água, ficam puros. Rabi Shimon diz: deve afrouxar, para que a água entre neles. Os lugares ocultos, os lugares de dobras, não precisam que a água entre neles.

A última mishná do Perek Chet reúne uma série de casos em que algo se interpõe, ou parece se interpor, entre o corpo e a água do mikvê, e define em cada um se a imersão é válida.

Uma menstruada que, antes de imergir, colocou moedas na boca — por exemplo, para guardá-las em segurança durante o banho — e desceu e imergiu, torna-se pura de sua impureza de menstruada, pois as moedas na boca não constituem uma barreira que impeça a água de tocar o corpo. Ainda assim, ela permanece impura por outro motivo: sua própria saliva, que ficou sobre as moedas antes da imersão, transmite impureza por contato, como a saliva de qualquer pessoa impura, e essa impureza secundária não é resolvida pela imersão do corpo.

Já se, durante a imersão, ela colocou o próprio cabelo na boca, ou fechou a mão, ou apertou os lábios com força, a imersão é considerada inválida, como se ela não tivesse imergido: em todos esses casos, cria-se uma barreira real que impede a água de alcançar uma parte do corpo — o cabelo preso na boca, o interior da mão fechada, ou o espaço entre os lábios cerrados.

A mishná trata também de um caso técnico: alguém que, ao imergir outra pessoa ou utensílios, os segura firmemente com a mão — permanecem impuros, porque o próprio lugar onde a mão segura fica protegido do contato direto com a água. Mas se, antes, quem segura já molhou sua própria mão na água do mikvê, o líquido que reveste sua mão se une às águas do mikvê, e deixa de haver barreira — tornando válida a imersão. Rabi Shimon propõe uma solução alternativa: que se segure frouxamente, de modo que a própria água consiga penetrar por entre os dedos; mas a halachá não segue Rabi Shimon, e sim a opinião de que a mão deve ser molhada antes.

Por fim, a mishná esclarece que os lugares ocultos do corpo — como o interior do nariz, do ouvido e da boca — e os lugares de dobras — como as axilas e as partes genitais — não exigem que a água efetivamente penetre neles: basta que a pessoa esteja numa posição que permita à água alcançá-los, caso ela se movesse ou se abrisse. Como ensina o Rambam, essa halachá deriva do versículo sobre o zav, que fala apenas das mãos "à vista" como modelo para toda purificação corporal — excluindo, por dedução, as partes ocultas —, e ainda assim os Sábios recomendam que, na prática, a mulher enxágue suas dobras no momento da imersão, para maior segurança.

נִדָּה שֶׁנָּתְנָה מָעוֹת בְּפִיהָ וְיָרְדָה וְטָבְלָה, טְהוֹרָה מִטֻּמְאָתָהּ, אֲבָל טְמֵאָה הִיא עַל גַּב רֻקָּהּ. נָתְנָה שְׂעָרָהּ בְּפִיהָ, קָפְצָה יָדָהּ, קָרְצָה שִׂפְתוֹתֶיהָ, כְּאִלּוּ לֹא טָבְלָה. הָאוֹחֵז בְּאָדָם וּבְכֵלִים וּמַטְבִּילָן, טְמֵאִין. וְאִם הֵדִיחַ אֶת יָדוֹ בַּמַּיִם, טְהוֹרִים. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, יְרַפֶּה, כְּדֵי שֶׁיָּבֹאוּ בָהֶם מָיִם. בֵּית הַסְּתָרִים, בֵּית הַקְּמָטִים, אֵינָן צְרִיכִין שֶׁיָּבֹאוּ בָהֶן מָיִם:
Vayikrá 15:11
וְכֹל אֲשֶׁר יִגַּע־בּוֹ הַזָּב וְיָדָיו לֹא־שָׁטַף בַּמָּיִם וְכִבֶּס בְּגָדָיו וְרָחַץ בַּמַּיִם וְטָמֵא עַד־הָעָרֶב
E todo aquele em quem tocar o que tem fluxo, sem que este tenha lavado as mãos na água, lavará suas roupas e se banhará na água, e será impuro até a tarde.
O Rambam liga a esta halachá a origem da regra sobre os lugares ocultos (bet hasetarim) e as dobras do corpo (bet hakmatim): o versículo fala apenas das mãos do zav “à vista” como condição para a purificação, e daí se deduz, por analogia, que toda purificação corporal exige apenas que a água alcance o que está visível — excluindo, portanto, o que está oculto por natureza.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Mikvaot 8:5
טמאה ע"ג רוקה. שהוא כמו איש טהור שנגע ברוק הנדה…

Impura por causa de sua saliva: pois isso é como um homem puro que tocou na saliva da menstruada, o qual se torna primeiro grau de impureza, conforme já esclarecemos na introdução; e ela ficará permitida a seu marido [quanto à impureza de menstruada, mas não quanto a este contato].

E disse "como se não tivesse imergido" — que ela permanece como fonte primária de impureza e fica proibida a seu marido. E, segundo Rabi Shimon, que ele afrouxe suas mãos e a água entre em suas mãos e nesses utensílios; mas o Tana Kama diz que eles são impuros, como decreto, para o caso de não afrouxar.

E bet hasetarim (os lugares ocultos) são as partes internas do corpo, como o interior do nariz, do ouvido e da boca.

E bet hakmatim (os lugares de dobras): é a nudez [as partes genitais]; e recebeu esta indicação da palavra (Vayikrá 15:11): "e todo aquele que o zav tocar sem ter lavado as mãos na água..."; e é sabido que ao zav não aproveita a lavagem das mãos enquanto permanece impuro; mas a intenção, ao dizer "e suas mãos não lavou na água", é que ele não se purificou; e disse "suas mãos" para te ensinar que não se exige purificação senão daquilo que se vê do corpo, no momento em que o corpo se purifica; e é o que disseram: "e lavará sua carne" — poderia entender-se que também os lugares ocultos; ensina o versículo, dizendo "e suas mãos não lavou na água": assim como as mãos estão à vista, também toda a carne há de estar à vista — excluindo os lugares ocultos.

E, ainda assim, disseram os Sábios que o homem deve sempre ensinar em sua casa que a mulher, no momento da imersão, enxágue suas dobras; pois, embora ensinaram (Nidá 66b) que os lugares de dobras e os lugares ocultos não precisam que a água entre neles, ainda que não exijamos que a água entre neles, exigimos que seja um lugar apto para que a água entre — isto é, que ela prepare essas dobras para que a água possa entrar nelas. E, dentre o que se deve evitar no momento da imersão, que não salte no mikvê; e a expressão da Tosefta (cap. 5): "aquele que salta no mikvê, eis que isto é repugnante; e aquele que imerge duas vezes no mikvê, eis que isto é repugnante; e aquele que diz a seu companheiro: pressiona tua mão sobre mim no mikvê, eis que isto é repugnante." E a halachá não é como Rabi Shimon.

Bartenura · Mikvaot 8:5
טְהוֹרָה מִטֻּמְאָתָהּ. מִטֻּמְאַת נִדָּה, וּמֻתֶּרֶת לְבַעֲלָהּ…

Pura de sua impureza: da impureza de menstruada, e fica permitida a [ter relações com] seu marido. Mas é impura por causa de sua saliva: por causa das moedas antes da imersão. E é impura pela lei do contato, pois sua saliva contamina por contato e por carregar.

Colocou seu cabelo em sua boca: e a água não chegou ao seu cabelo. Apertou seus lábios: apertou-os fortemente, um contra o outro. É como se não tivesse imergido: e fica proibida a seu marido como estava antes.

Aquele que segura uma pessoa ou utensílios e os imerge, permanecem impuros: pois no lugar onde ele os segurava a água não chegou. Mas se lavou sua mão na água, ficam puros: porque o líquido que está em suas mãos se une às águas do mikvê, e não há ali mais separação.

Rabi Shimon diz: deve afrouxar [para que a água entre em contato com eles]. Mas a halachá não é como Rabi Shimon.

Os lugares ocultos: como o interior da orelha, o interior do nariz e o interior da boca. Os lugares de dobras: da axila e da nudez; ou, alternativamente, as dobras do velho e da velha, cuja carne é enrugada.

Não precisam que a água entre neles: pois está escrito (Vayikrá 15): "e todo aquele que o zav tocar, sem ter lavado as mãos na água..."; e acaso é pela lavagem das mãos que o zav se purifica? Não precisa ele imergir todo o corpo em água viva? Mas o versículo vem ensinar: assim como as mãos estão à vista, também toda a sua carne há de estar à vista — excluindo os lugares ocultos. E, ainda assim, disseram os Sábios que o homem deve sempre ensinar em sua casa que a mulher enxágue suas dobras no momento da imersão; pois, ainda que não seja necessário que a água entre neles, exigimos que seja um lugar apto para que a água entre.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Mikvaot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.

Encerrando o Perek Chet · סִיּוּם פֶּרֶק ח’

O Perek Chet, com suas cinco mishnayot, está agora completo: tratou da presunção de validade dos mikvaot conforme a localização — a Terra de Israel e seus mikvaot em presunção de pureza, os mikvaot dos povos fora da terra válidos apenas para quem teve emissão seminal, e a distinção entre os que estão dentro e fora da entrada da cidade, com a maior severidade de Rabi Eliezer quanto à proximidade da cidade e do caminho (8:1); o diagnóstico da emissão seminal pelo padrão da urina — gotas separadas ou turvas no início, no meio ou no fim —, e a disputa de Rabi Yosei sobre a urina branca (8:2); as gotas espessas segundo Rabi Elazar Chisma, o sonho noturno com o corpo quente, e os prazos da pureza da mulher que expele sémen, com a disputa entre Rabi Elazar ben Azaryá, Rabi Yishmael e Rabi Akiva sobre a contagem dos onot (8:3); a distinção entre o sémen de origem israelita e não-israelita, a mulher que não varreu a casa, o homem que não urinou antes de imergir, e a disputa de Rabi Yosei sobre doente, idoso, criança e saudável (8:4); e, por fim, a menstruada que colocou moedas na boca, os obstáculos que invalidam a imersão, o cuidado ao imergir outra pessoa ou utensílios segurando-os, a disputa de Rabi Shimon, e os lugares ocultos e as dobras do corpo que não exigem contato direto da água (8:5). O tratado prossegue no Perek Tet, que continuará a tratar das condições do corpo e dos objetos que determinam a validade da imersão.