A almofada e o travesseiro de couro — eis que estes precisam que as águas entrem neles. O travesseiro redondo, e a bola, e a forma de sapateiro, e o amuleto, e a filactéria não precisam que as águas entrem neles. Esta é a regra geral: tudo aquilo que não é seu costume ser aberto e fechado imerge fechado.
A segunda mishná distingue dois tipos de objetos de couro quanto à necessidade de a água penetrar em seu interior no momento da imersão.
A almofada e o travesseiro de couro, cujo enchimento costuma ser retirado e recolocado por seus donos, são tratados como recipientes abertos: a água precisa alcançar também o espaço interno onde fica o enchimento, e não apenas a superfície externa de couro.
Já o travesseiro redondo, a bola, a forma usada pelos sapateiros, o amuleto revestido de couro e a filactéria — ainda que todos tenham uma cavidade interna com enchimento — não têm esse enchimento normalmente retirado e recolocado; por isso são tratados como corpos maciços, bastando que a água toque sua superfície externa.
A mishná fecha com a regra geral que rege todos esses casos: tudo aquilo cujo costume não é ser aberto e fechado para retirar e recolocar seu conteúdo pode imergir fechado, sem que isso constitua chatzitzá.
Travesseiro redondo: feito de couro em círculo; a maioria dos que o fazem são os comerciantes e os cavaleiros, que o colocam sob os seus assentos quando param para comprar e vender. É costurado de todos os lados, sem abertura por onde saia o seu enchimento, e é costurado já cheio, como as demais roupas de cama.
E a bola: a bola com que brincam os que se divertem.
E a forma de sapateiro, e o amuleto — a proteção —, e a filactéria, que é o tefilin da cabeça ou do braço: ainda que todos estes tenham cavidades, como não foram feitos para serem enchidos e esvaziados, mas para permanecerem cheios até serem cortados, seu estatuto é como o de um corpo sem cavidade, conforme já se explicou nos princípios gerais mencionados anteriormente.
A almofada (kar): aquela sobre a qual se deita. O travesseiro (keset): aquele que se coloca sob a cabeceira. Que as águas entrem neles: em seu interior, pois o costume da almofada e do travesseiro de couro é que se retire e se recoloque o que está dentro deles.
Travesseiro redondo: pequeno, que os nobres fazem para colocar sob suas cabeceiras. A bola: pilota, em língua estrangeira. E a forma de sapateiro: molde sobre o qual se faz o calçado, feito de couro e enchido com pelo ou estopa. E o amuleto: de escrita ou de raízes, revestido de couro. E a filactéria: da mão ou da cabeça.
Não precisam que as águas entrem neles: porque não é costume retirar e recolocar o que está dentro deles.