Seder Tehorot · Massechet Mikvaot · Perek Zayin · Mishná 7 de 7 — encerrando o Perek Zayin

A cama na lama, o mikvê raso e a agulha na onda — encerrando o Perek Zayin

הִטְבִּיל בּוֹ אֶת הַמִּטָּה, אַף עַל פִּי שֶׁרַגְלֶיהָ שׁוֹקְעוֹת בַּטִּיט הֶעָבֶה, טְהוֹרָה, מִפְּנֵי שֶׁהַמַּיִם מְקַדְּמִין. מִקְוֶה שֶׁמֵּימָיו מְרֻדָּדִין, כּוֹבֵשׁ אֲפִלּוּ חֲבִילֵי עֵצִים, אֲפִלּוּ חֲבִילֵי קָנִים, כְּדֵי שֶׁיִּתְפְּחוּ הַמַּיִם, וְיוֹרֵד וְטוֹבֵל. מַחַט שֶׁהִיא נְתוּנָה עַל מַעֲלוֹת הַמְּעָרָה, הָיָה מוֹלִיךְ וּמֵבִיא בַמַּיִם, כֵּיוָן שֶׁעָבַר עָלֶיהָ הַגַּל, טְהוֹרָה:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A cama pura apesar do lodo espesso; o mikvê raso elevado com feixes de lenha e canas; a agulha purificada pela passagem da onda — encerrando o Perek Zayin

Imergiu nele a cama: ainda que suas pernas afundem no lodo espesso, ela é pura, porque a água as antecede. Um mikvê cujas águas são rasas: pressiona-se, mesmo feixes de lenha, mesmo feixes de canas, para que as águas se elevem, e desce-se e imerge-se. Uma agulha que está colocada nos degraus da caverna: movia-se a água de um lado para outro; assim que passou sobre ela a onda, ela está pura.

A última mishná do Perek Zayin reúne três situações práticas em que a imersão completa é dificultada por algum obstáculo físico, e mostra como, em cada caso, a halachá considera a purificação alcançada.

No primeiro caso, a cama — cujas pernas altas impedem que ela seja totalmente coberta de uma vez num mikvê de medida exata — tem suas pernas afundando no lodo espesso do fundo, um material que, sendo espesso e não fino como o lodo mencionado em 7:1, não purifica por si só. Ainda assim, a cama é considerada pura, porque a água toca e purifica as pernas antes que elas se afundem no lodo — a purificação já ocorreu no instante do contato com a água, independentemente do que vem depois.

No segundo caso, um mikvê cujas águas se espalham rasas sobre uma grande área — de modo que, apesar de ter a medida de quarenta se'á, não é fundo o suficiente para cobrir todo o corpo de uma vez — permite uma solução engenhosa: pressionar feixes de lenha ou de canas (segurados por pedras, já que boiam) contra um dos lados, deslocando e elevando a água ali até uma profundidade suficiente para a imersão. Embora pareça dividir o mikvê, isso não constitui divisão real, pois a água continua a circular livremente entre os feixes.

No terceiro caso, uma agulha impura, pequena demais para ser manuseada com segurança sobre os degraus de uma caverna que serve de mikvê, é purificada não sendo submersa diretamente, mas por meio de uma onda: agita-se a água com as mãos até formar ondas, e, assim que uma delas passa sobre a agulha, cobrindo-a, ela está pura — pois esse contato já constitui uma imersão válida em água de mikvê corrente.

Com esta mishná encerra-se o Perek Zayin, que dedicou suas sete mishnayot a um novo bloco de temas dentro de Massechet Mikvaot: a classificação tripla das substâncias que elevam, invalidam, ou nem elevam nem invalidam o mikvê — a neve, o granizo, a geada, o gelo, o sal e o lodo fino que elevam sem invalidar, com a disputa sobre a neve entre Rabi Akiva e Rabi Yishmael e a maior severidade de Rabi Yochanan ben Nuri quanto à pedra de granizo (7:1); a água tirada, a água de conservas, a água de cozimento e o tamad ainda não azedado, que invalidam sem nunca elevar, e os demais líquidos, que ora elevam ora não (7:2); a mudança de aparência da água do mikvê pelo enxágue de cestos, pela água de tinta segundo Rabi Yosei, e pela queda de vinho ou mochal, com os dois remédios possíveis — esperar a chuva ou completar com água carregada no ombro (7:3); a exigência de que a porção do mikvê com aparência de água, mesmo após mudança parcial de cor, tenha sozinha quarenta se'á (7:4); o papel decisivo da aparência na identificação dos três login de água que invalidam, com a disputa de Rabi Yochanan ben Nuri sobre se a aparência por si só basta (7:5); a imersão sucessiva de duas pessoas num mikvê de medida exata, a leniência de Rabi Yehudá quanto ao contato residual da água, e o cuidado necessário ao erguer travesseiros e almofadas de couro (7:6); e, por fim, os métodos de garantir uma imersão válida apesar de obstáculos físicos — a cama sobre o lodo espesso, o mikvê raso elevado com feixes de lenha e canas, e a pequena agulha purificada pela passagem de uma onda (7:7). O tratado prossegue no Perek Chet, que continuará a tratar das águas e das condições que determinam a validade do mikvê.

הִטְבִּיל בּוֹ אֶת הַמִּטָּה, אַף עַל פִּי שֶׁרַגְלֶיהָ שׁוֹקְעוֹת בַּטִּיט הֶעָבֶה, טְהוֹרָה, מִפְּנֵי שֶׁהַמַּיִם מְקַדְּמִין. מִקְוֶה שֶׁמֵּימָיו מְרֻדָּדִין, כּוֹבֵשׁ אֲפִלּוּ חֲבִילֵי עֵצִים, אֲפִלּוּ חֲבִילֵי קָנִים, כְּדֵי שֶׁיִּתְפְּחוּ הַמַּיִם, וְיוֹרֵד וְטוֹבֵל. מַחַט שֶׁהִיא נְתוּנָה עַל מַעֲלוֹת הַמְּעָרָה, הָיָה מוֹלִיךְ וּמֵבִיא בַמַּיִם, כֵּיוָן שֶׁעָבַר עָלֶיהָ הַגַּל, טְהוֹרָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Mikvaot 7:7
המטה היא רבת הגובה וזה המקוה קטן לפי שהוא ארבעים סאה מכוונות…

A cama é de grande altura, e esse mikvê é pequeno, por ser de quarenta se'á exatas; sendo impossível que a água cubra a cama e transborde sobre ela até que suas pernas afundem no barro coagulado que há no mikvê — eis que ela é pura, porque essas pernas, que afundam no barro, não chegam ao barro antes que a água as purifique; e é isto o que disse: “porque a água as antecede”. E o significado de “rasas” é “estendidas sobre a face da terra” — em tradução (Targum): “e estenderam” (Êxodo 39, sobre “vayerak'u”).

“Para que as águas se elevem”: isto é, que subam e cresçam; quer dizer que ele pressiona a água de todos os lados com feixes de lenha e canas, os quais reúnem a água num só lugar, formando ali uma elevação, e então imerge nela. Depois disse que, se moveu a água com a mão até que se formassem ondas, e passou delas uma onda sobre esta agulha, por exemplo, que está sobre os degraus do mikvê, eis que essa agulha se purificou; e segundo isso deduzirás [casos semelhantes].

Bartenura · Mikvaot 7:7
הִטְבִּיל בּוֹ אֶת הַמִּטָּה. שֶׁרַגְלֶיהָ גְבוֹהוֹת…

Imergiu nele a cama: cujas pernas são altas, e é impossível imergi-la toda de uma vez num mikvê pequeno como este, cuja medida é exata, a menos que suas pernas afundem no lodo.

Espesso: que não é fino, e não se imerge nele. Porque a água as antecede: para imergir as pernas antes que afundem no lodo, e elas já foram imersas na água.

Cujas águas são rasas: que a água não é profunda, porque o mikvê é largo e a água se espalha por toda a sua extensão; e, ainda que tenha quarenta se'á, todo o corpo não fica coberto pela água de uma só vez.

Pressiona: para um lado do mikvê. Mesmo feixes de lenha e canas: e, ainda que pareça um mikvê dividido, mesmo assim, já que a água entra entre eles, não há divisão. E disse “pressiona” porque a lenha e as canas flutuam sobre a face da água, e é necessário pressionar sobre elas pedras para que entrem sob a água.

Movia a água de um lado para outro: agitava a água com as mãos.

Assim que passou a onda: da água sobre o degrau do mikvê em que a agulha estava colocada, e as águas da onda flutuaram sobre a agulha, ela está pura. E, como a agulha é fina e pequena, e há receio de que caia na água, o costume é imergi-la desse modo.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Mikvaot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.

Encerrando o Perek Zayin · סִיּוּם פֶּרֶק ז’

O Perek Zayin, com suas sete mishnayot, está agora completo: dedicou-se a um novo bloco de temas dentro de Massechet Mikvaot — a classificação tripla das substâncias que elevam, invalidam, ou nem elevam nem invalidam o mikvê, com a neve, o granizo, a geada, o gelo, o sal e o lodo fino que elevam sem invalidar, a disputa sobre a neve entre Rabi Akiva e Rabi Yishma’el e a maior severidade de Rabi Yochanan ben Nuri quanto à pedra de granizo (7:1); a água tirada, a água de conservas, a água de cozimento e o tamad ainda não azedado, que invalidam sem nunca elevar, e os demais líquidos, que ora elevam ora não (7:2); a mudança de aparência da água do mikvê pelo enxágue de cestos, pela água de tinta segundo Rabi Yosei, e pela queda de vinho ou mochal, com os dois remédios possíveis (7:3); a exigência de que a porção do mikvê com aparência de água, mesmo após mudança parcial de cor, tenha sozinha quarenta se’á (7:4); o papel decisivo da aparência na identificação dos três login de água que invalidam, com a disputa de Rabi Yochanan ben Nuri (7:5); a imersão sucessiva de duas pessoas num mikvê de medida exata, a leniência de Rabi Yehudá, e o cuidado necessário ao erguer travesseiros e almofadas de couro (7:6); e, por fim, os métodos de garantir uma imersão válida apesar de obstáculos físicos — a cama sobre o lodo espesso, o mikvê raso elevado com feixes de lenha e canas, e a pequena agulha purificada pela passagem de uma onda (7:7). O tratado prossegue no Perek Chet, que continuará a tratar das águas e das condições que determinam a validade do mikvê.