Um balde que está cheio de vasos, e foram imersos: eis que estes ficam puros. Mas se não foi imerso, a água não é considerada misturada, a menos que estejam misturadas como o bocal do odre.
Esta mishná trata de um caso particular do princípio anterior: um balde impuro, cheio de vasos igualmente impuros, é descido ao mikvê para ser imergido. Como o próprio balde precisa de imersão, a lei aplica um raciocínio de dependência (migo): já que a imersão vale para o balde, vale também automaticamente para o que está dentro dele — mesmo que a boca do balde seja extremamente estreita, muito menor que a medida do bocal do odre.
O caso muda quando o próprio balde já está puro e não precisa ser imerso: nessa situação, a água dentro do balde não se beneficia automaticamente da proximidade do mikvê. Ela só é considerada “misturada” — e portanto capaz de purificar os vasos nela guardados — quando a boca do balde tiver a largura do bocal do odre, permitindo a comunicação plena entre as duas massas de água, como se fossem uma só.
Disse que, se imergiu o balde e nele havia vasos, os vasos ficam purificados, mesmo que a boca do balde fosse extremamente estreita — isso quando o próprio balde também estava impuro, pois dizemos: já que a imersão se aplica ao balde, aplica-se também ao que está dentro dele. Porém, se o balde estava puro, a imersão não beneficia os vasos que estão dentro dele, a menos que a boca do balde seja da largura do bocal do odre.
E isso é o que disseram: “e se não foi imerso” — ou seja, se o balde não precisa de imersão, mas estava puro, e não houve entrada nessas águas por meio de imersão — a água não é considerada misturada, a menos que estejam misturadas como o bocal do odre. Tudo isso vale para a teruma; mas para o sagrado (kodashim), o princípio entre nós é que não se imerge um vaso dentro de vasos para o sagrado, como explicamos no fim de Massechet Chaguigá (fl. 21b).
E foram imersos, eis que ficam puros: mesmo que a boca do balde não seja larga como o bocal do odre. E isso quando o próprio balde está impuro e precisa de imersão, pois, já que a imersão se aplica ao balde, aplica-se também ao que está dentro dele.
E se não foi imerso: assim lemos o texto; isto é, se o balde está puro e não é imerso, por não precisar de imersão.
A menos que estejam misturadas como o bocal do odre: os vasos que estão dentro dele não ficam puros, a menos que a boca do balde seja como o bocal do odre.