Sefarim · Ética e Homilética · Séc. XIV

Kad HaKemach

כַּד הַקֶּמַח

"A Jarra de Farinha" — coletânea alfabética de ensaios sobre os valores fundamentais da vida judaica

AutorRabeinu Bachya ben Asher
Datasc. 1255–1340, Saragoça, Espanha
Estrutura~61 ensaios organizados pelo alef-bet
TraduçãoDo hebraico; texto-fonte: Sefaria

Rabeinu Bachya ben Asher foi um dos grandes expoentes do pensamento judaico ibérico medieval, mais conhecido por seu vasto comentário à Torá que entrelaça peshat, midrash, filosofia e cabalá. O Kad HaKemach — "A Jarra de Farinha", em alusão ao milagre da jarra inesgotável da viúva de Tzarfat (I Reis 17) — é sua obra ético-homilética independente: uma coletânea de cerca de sessenta e um ensaios, cada um dedicado a uma virtude, um mandamento ou um conceito central da vida religiosa, organizados pela ordem do alfabeto hebraico — como um dicionário de valores judaicos.

Cada ensaio parte de um versículo bíblico e se desenvolve através de midrash, exegese talmúdica, numerologia (guematria) e, por vezes, elementos cabalísticos — território natural para o autor do grande comentário místico à Torá. O resultado é uma obra ao mesmo tempo erudita e devocional, escrita para uma "geração cansada pelo exílio e pelas tribulações", nas palavras do próprio autor em sua introdução.

Esta edição segue o texto hebraico completo, disponível no Sefaria, com tradução fiel e literal para o português, hebraico e português lado a lado.

Coleção em crescimento. O Kad HaKemach completo reúne cerca de sessenta e um ensaios — um para (quase) cada letra e som do alef-bet, cobrindo temas que vão da fé e do amor até a alegria, a humildade, o arrependimento e a santidade. Dezoito destes ensaios já estão publicados: a introdução do autor e os ensaios sobre , Amor, Confiança e Providência — os pilares sobre os quais os demais se apoiam — seguidos por Hospitalidade, Luto, Bênção, Roubo, Soberba, o Convertido, a Redenção, as Leis, a Submissão, o Envergonhar em Público, a Confissão, a Lisonja e o Desejo. Novos capítulos serão publicados progressivamente, completando a obra ao longo do tempo.

Os Ensaios

IntroduçãoIntrodução do autor
הַקְדָּמַת הַמְּחַבֵּר
Rabeinu Bachya explica o propósito da obra, a origem do nome "Kad HaKemach" e a lógica de sua organização alfabética — um mapa para "todo aquele que busca e pergunta".
Letra AlefSobre a Fé
אֱמוּנָה
A fé como raiz de toda a Torá. A verdade na fala e no negócio, a força da resposta de Amém, e a fidelidade de Israel no exílio.
Letra AlefSobre o Amor
אַהֲבָה
O amor a D'us, superior ao temor. A Akedá como paradigma do amor supremo, o amor de D'us por Israel, e o chesheq — a paixão que ultrapassa o amor.
Letra BetSobre a Confiança
בִּטָּחוֹן
A confiança como fruto da fé. Por que não se deve temer o homem, o exemplo de Chizkiyáhu, e a pedagogia diária do maná no deserto.
Letra Hei · ISobre a Providência (parte I)
הַשְׁגָּחָה
Providência geral e particular em Tehilim. O livro de Iyov como irmão de Bereshit, e o início do debate entre Iyov e seus três amigos.
Letra Hei · IISobre a Providência (parte II)
הַשְׁגָּחָה
Os discursos de Elihu, a resposta de D'us "desde a tempestade", e a restauração final de Iyov — a resolução do problema do justo que sofre.
Letra HeiSobre a Hospitalidade
הַכְנָסַת אוֹרְחִים
Avraham planta um eshel em Beer Sheva; a mulher de Shunem prepara câmara, mesa, cadeira e candeeiro para Elisha — a hospitalidade como fruto que rende filhos.
Letra AlefSobre o Luto
אֵבֶל
A casa de luto como escola da submissão do coração, a mortalidade decretada sobre Adam, e a parábola dos três amigos que acompanham o homem até o fim.
Letra BetSobre a Bênção
בְּרָכָה
D'us, fonte de toda bênção, não precisa das bênçãos das criaturas; as oito bênçãos da mesa, as cem bênçãos diárias, e a bênção sacerdotal que sustenta o mundo.
Letra GuimelSobre o Roubo
גְּזֵלָה
A gravidade única do roubo entre as transgressões, a obrigação de restituir, e por que roubar o gentio é ainda mais grave, por profanação do Nome.
Letra GuimelSobre a Soberba
גַּאֲוָה
A soberba como veste exclusiva do Rei dos reis; a geração do dilúvio, Sedoma, Faraó e Sancheriv, julgados pelo fogo; e o caminho oposto, da humildade extrema.
Letra GuimelSobre o Convertido
גֵּר
A porta de Iyov aberta ao forasteiro, os trinta e seis lugares em que a Torá adverte sobre o convertido, e o convertido justo que se une às asas da Presença Divina.
Letra GuimelSobre a Redenção
גְּאֻלָּה
Por que Israel não foi exterminado como as gerações antigas, mas disperso e subjugado; as três promessas de Yirmiyahu; e a esperança redobrada de David no exílio.
Letra DaletSobre as Leis
דִּינִין
O mundo criado e sustentado pelo juízo, o trono da glória fundado em justiça, e por que o roubo e a profanação do Nome são mais graves que o assassinato.
Letra HeiSobre a Submissão
הַכְנָעָה
A submissão como raiz da Torá e do coração partido; Achav e Menashé perdoados ao se submeterem; e a submissão dos marinheiros de Yoná em meio à tempestade.
Letra HeiSobre o Envergonhar em Público
הַלְבָּנַת פָּנִים
Melhor lançar-se à fornalha ardente do que envergonhar o companheiro em público; a vergonha como metade do assassinato; Tamar e Yossef como paradigmas de silêncio.
Letra VavSobre a Confissão
וִדּוּי
A confissão como preceito positivo da Torá; Achan e Adoni-Bezek perdoados ao se confessarem; os filhos de Korach que se confessaram em silêncio; a lágrima como selo do arrependimento.
Letra ChetSobre a Lisonja
חֲנֻפָּה
Por que o lisonjeador é mais grave que o idólatra; a destruição de Israel causada pela lisonja a Agripas; e a exceção limitada de Yaakov diante de Essav.
Letra ChetSobre o Desejo
חֶמְדָּה
O pecado primordial nasceu da cobiça; Gechazi leproso e Achav condenado por cobiçarem o que não lhes pertencia; e “não cobiçarás” como síntese de todos os mandamentos.