Quarta halachá do Perek Bet de Massechet Pessachim, Kol Shaá (toda hora). A Mishná enumera as coisas com que se cumpre a obrigação da matzá no Pessach: os cinco cereais, o demai, o primeiro dízimo de que se tirou a sua teruma, o segundo dízimo e o hekdesh resgatados, e, para os kohanim, a chalá e a teruma; exclui o tevel e o que não foi resgatado, e distingue as chalot todá e os rekikei nazir feitos para si dos feitos para vender no mercado. A guemará tira os cinco cereais de “pão”, dito no Pessach e na chalá, pelo relato de Rabi Mana em Cesareia; traz a keramit de Rabi Yochanan ben Nuri e a maçã amassada na massa; inclui a chalá, a teruma e o maaser sheni e exclui os bikurim por “toda habitação”, com as perguntas de Rabi Bun bar Chiya e de Rabi Shimon ben Lakish; exclui as chalot todá e os rekikei nazir por “sete dias”, com Nov e Guivon e o nazir; discute a matzá sem líquidos, a matzá temperada e o “pão da aflição”; e termina com a matzá grossa, a mal assada, a velha e os serikin decorados de Baitos ben Zonin.
Mishná: Estas são as coisas com que o homem cumpre a sua obrigação no Pessach: com chitim (trigo), e com seorim (cevada), e com kusmin (espelta), e com shibolet shual (aveia), e com shifon (centeio); e com demai (o produto de que se duvida se foi dizimado), e com maaser rishon (o primeiro dízimo, do levita) do qual se tirou a sua teruma, e com maaser sheni (o segundo dízimo) e hekdesh (os bens consagrados ao Templo) que foram resgatados; e os kohanim (os sacerdotes) cumprem com chalá (a porção da massa dada ao kohen) e com teruma (a porção do kohen).
Mas não com tevel (o produto de que ainda não se separaram as porções devidas), nem com maaser rishon do qual não se tirou a sua teruma, nem com maaser sheni e hekdesh que não foram resgatados. Chalot todá (os pães da oferta de agradecimento) e rekikei nazir (as obreias do nazir): se os fez para si mesmo, não cumpre a obrigação com eles; se os fez para vender no mercado, cumpre a obrigação com eles.
Está escrito: “e será, quando comerdes do pão da terra, separareis uma teruma para o Eterno”.
Eu diria: que todas as coisas estejam obrigadas na chalá. Ensina o versículo: “do pão”, e não todo pão.
Se é “do pão”, não todo pão, não tenho senão chitim e seorim somente. As outras espécies, de onde se aprendem?
Ensina o versículo: “as primícias das vossas massas”: incluiu. E incluiu tudo?
Rabi Yossi em nome de Rabi Shimon: assim ensinou Rabi Yishmael.
Rabi Yoná, Rabi Zeura, Rabi Shimon ben Lakish transmitiram-no em nome de Rabi Yishmael.
Disse Rabi Mana: fui a Cesareia e ouvi Rabi Achavá bar Zeura dizê-lo; meu pai (Rabi Yoná) o dizia em nome de Rabi Yishmael:
Está dito “pão” no Pessach, e está dito “pão” na chalá.
Assim como o pão que está dito no Pessach é coisa que chega a ser matzá (o pão ázimo) e chametz (o fermentado), também o pão que está dito na chalá é coisa que chega a ser matzá e chametz.
E examinaram e acharam que não há para ti coisa que chegue a ser matzá e chametz senão as cinco espécies somente; e todas as outras espécies não chegam a ser matzá e chametz, senão à podridão.
Rabi Yochanan ben Nuri disse: a keramit (uma planta de grão, de identificação discutida) está obrigada na chalá, pois ela chega a ser matzá e chametz.
E os rabanan (os sábios) dizem: não chega a ser matzá e chametz.
E que a examinem! Sobre o próprio exame dela é que divergem.
Rabi Yochanan ben Nuri disse: examinaram-na e acharam-na tal que chega a ser matzá e chametz; e os rabanan dizem: examinaram-na e não a acharam tal que chegue a ser matzá e chametz.
Lá ensinamos: uma maçã que alguém amassou e pôs dentro de uma massa, e ela a fez fermentar: eis que esta massa está proibida.
Seorin (grãos de cevada) que caíram dentro do poço de água: embora tenham feito cheirar mal as suas águas, são permitidas.
Ensinou-se: Rabi Yossi diz: é permitido.
Rabi Achá, Rabi Abahu, em nome de Rabi Yossi bar Chanina: em que divergem? No que fermenta pelas suas águas (o suco da maçã); mas, no que fermenta pelo seu corpo (a polpa), segundo as palavras de todos é permitido.
Rabi Yossi segue a sua opinião: assim como ele diz lá (sobre o ovo, no Shabat): o seu cozimento não é cozimento claro, assim ele diz aqui: a sua fermentação não é chametz claro.
Ensinou-se: uma pagá (o figo ainda verde) que alguém escondeu na palha, e uma charará (o bolo assado sobre as brasas) que alguém escondeu nas brasas: se parte deles estava descoberta, são retirados no Shabat; e, se não, não são retirados.
De onde se aprende que os kohanim cumprem a sua obrigação com chalá e com teruma, e Israel com maaser sheni, no Pessach? Ensina o versículo: “comereis matzot (os pães ázimos)”: incluiu.
Seria possível que cumpram a sua obrigação com bikurim (as primícias)? Ensina o versículo: “em todas as vossas habitações comereis matzot”: matzá que se come em toda habitação; excluem-se os bikurim, que não se comem em toda habitação (mas só em Jerusalém).
Objetaram: eis o maaser sheni; eis que não se come em toda habitação! Ele é apto a ser resgatado e a ser comido em toda habitação.
Rabi Bun bar Chiya perguntou: o que foi comprado com o dinheiro do maaser sheni e se tornou impuro, segundo Rabi Yudá, qual é a lei?
Pois se ensinou: o que foi comprado com o dinheiro do maaser e se tornou impuro, seja resgatado. Rabi Yehudá diz: seja enterrado.
Disseram a Rabi Yudá: se o próprio maaser sheni que se tornou impuro, eis que é resgatado, o que foi comprado com o dinheiro do maaser e se tornou impuro, não é de lei que seja resgatado?
Disse-lhes: não! Se o dissestes do maaser sheni, que é resgatado quando puro, na distância do lugar (longe de Jerusalém), direis do que foi comprado com o dinheiro do maaser, que não é resgatado quando puro, na distância do lugar?
Visto que não é apto a ser resgatado e a ser comido em toda habitação, não se cumpre a obrigação com ele.
Rabi Shimon ben Lakish perguntou: sendo assim, a chalá de uma massa de maaser sheni em Jerusalém, visto que não é apta a ser resgatada e a ser comida em toda habitação, não se cumpre a obrigação com ela?
Seria possível que cumpram a sua obrigação com chalot todá e rekikei nazir? Ensina o versículo: “sete dias comereis matzot”: matzá que se come todos os sete dias; e chalot todá e rekikei nazir não se comem todos os sete dias.
Rabi Yoná em nome de Rabi Shimon ben Lakish: pelo fato de que se comeram chalot todá e rekikei nazir em todo o território da Terra de Israel (no tempo de Nov e Guivon), aquele que ensina não precisou excluí-los por “habitação”.
Rabi Yossi em nome de Rabi Shimon ben Lakish: isto diz que se comeram chalot todá e rekikei nazir em todas as cidades de Israel; por isso aquele que ensina não precisou excluí-los por “habitação”.
Está bem quanto às chalot todá; mas os rekikei nazir, não é assim.
Disse Rabi Yochanan: não há aqui nezirut (o nazireado); a nezirut é obrigação.
Disse Rabi Bun bar Kahana: explica-o no caso em que a sua chatat (oferta pelo pecado) foi oferecida em Shiló, e a sua olá (oferta de elevação) e os seus shelamim (ofertas de paz), em Nov e Guivon.
Rabi Chananiá e Rabi Ezra perguntaram diante de Rabi Mana: não disse assim Rabi em nome de Rabi Yossi: os shelamim da chaguigá (a oferta festiva) que vêm em uma bamá (um altar fora do santuário) são válidos, só que não valeram aos donos como cumprimento da obrigação?
Antes, é segundo Rabi Yehudá, pois Rabi Yehudá disse: chatat e Pessach (a oferta de Pessach) há para o indivíduo na bamá grande; não há chatat e Pessach para o indivíduo na bamá pequena.
Não vem senão segundo Rabi Shimon, pois Rabi Shimon disse: desde que se aspergiu por ele um dos sangues (das suas ofertas), o nazir está permitido a beber vinho e a tornar-se impuro pelos mortos.
Rabi Simon em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: aquele kezait (o volume de uma azeitona) com que o homem cumpre a sua obrigação no Pessach precisa que não haja nele mashkin (líquidos).
Rabi Yirmeyá disse: foi dito como mitzvá (o modo preferível). Rabi Ba disse: foi dito como mitzvá. Rabi Yudá bar Pazi disse: foi dito como ikuv (condição indispensável).
A palavra de Rabi Bun bar Chiya diz: foi dito como ikuv.
Objetou Rabi Bun bar Chiya: e eis que ensinamos na Mishná: “chalot todá”! Tens como dizer: chalot todá em que não há líquidos?
Disse Rabi Yossi: lá é um quarto (de log de azeite), e um quarto se divide em várias espécies (de pães).
E qual ensino diz isto? Seria possível que cumpra a sua obrigação com revichá (a massa escaldada e frita no azeite)? Ensina o versículo: “e guardareis as matzot”: matzá que precisa de guarda; exclui-se esta, que não precisa de guarda.
É porque não precisa de guarda; logo, se precisasse de guarda, cumprir-se-ia a obrigação com ela.
E eis que se ensinou: cumpre-se a obrigação com matzá metubelet (temperada), embora não haja nela sabor de grão, contanto que a maior parte dela seja grão.
Pensavam dizer: temperada com líquidos. Digamos: temperada com gergelim, temperada com nozes.
E qual ensino diz isto? Seria possível que não se cumpra a obrigação no Pessach senão com pão hudraá (de farinha grossa); de onde se aprende que se cumpre mesmo com uma matzá como a matzá de Shlomo? Ensina o versículo: “comereis matzot”: incluiu.
Se é assim, que ensina o versículo ao dizer “pão da aflição”? Exceto os sursin (um bolo de massa escaldada, de identificação incerta), e a chalat hamasret (o pão da frigideira), e a ashishá (o bolo grande).
Cumpre-se a obrigação com matzá grossa até um tefach (palmo), como o lechem hapanim (pão da proposição).
Cumpre-se a obrigação com matzá mal assada, contanto que se parta e não se faça em fios e fios.
A matzá velha (feita muito antes do Pessach) é a divergência de Beit Shamai e Beit Hilel.
Disse Rabi Yossi: é segundo as palavras de todos: visto que não a fez em nome do Pessach, é coisa certa que não teve cuidado com ela.
Cumpre-se a obrigação com serukin (matzot finas), quer decorados, quer não decorados, embora tenham dito: não se fazem serikin decorados no Pessach.
Ensinou-se: disse Rabi Yudá: Baitos ben Zonin perguntou a Raban Gamliel e aos sábios em Yavne: qual é a lei quanto a fazer os serikin decorados no Pessach?
Disseram-lhe: é proibido, porque a mulher se demora com eles, e eles chegam a ser chametz.
Disse-lhes: se é assim, que os façam com um tipus (molde).
Disseram-lhe: dirão: todos os serikin são proibidos, e os serikin de Baitos ben Zonin são permitidos!
Ensinou-se: Rabi Yossi diz: fazem-se serikin como rekikin (obreias), e não se fazem rekikin como kluskaot (pães grossos).
Esta é a quarta halachá do Perek Bet, Kol Shaá (toda hora), de Massechet Pessachim. A halachá ocupa doze segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros onze é uma seção desta página, de 01 a 11, divididas em pares de hebraico e português. Nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá corresponde à Mishná avulsa Pessachim 2:5. O Yerushalmi diz אֵילּוּ, בַפֶּסַח, לְעֲצְמוֹ, אֵין יוֹצֵא בָהֶן, לַשּׁוּק e יוֹצֵא בָהֶן, onde a avulsa diz אֵלּוּ, בְּפֶסַח, לְעַצְמוֹ, אֵין יוֹצְאִין בָּהֶן, בַּשּׁוּק e יוֹצְאִין בָּהֶן; o Yerushalmi põe a aveia antes do centeio, e não tem o וְיוֹצְאִין antes do demai. As glosas dos cinco cereais seguem a Mishná avulsa do site e o Penei Moshe, que dá em língua estrangeira espelta para kusmin, aveia para shibolet shual e centeio para shifon. No Bavli, a Mishná está em Pessachim 35a, e a guemará sobre ela vai de 35a a 38b (conferidos). O Bavli deste site não tem Pessachim; por isso esta página não traz links para o Bavli.
Sobre a Mishná. A obrigação é a de comer matzá na primeira noite, como está escrito “à tarde comereis matzot”, Shemot 12:18, conferido (Penei Moshe, Korban HaEdah). O demai é o grão comprado de um am haaretz (quem não é confiável quanto aos dízimos), de que os sábios mandaram separar os dízimos por dúvida (Korban HaEdah). “A sua teruma”, no maaser rishon, é a terumat maaser (a teruma do dízimo, dada pelo levita ao kohen) (Korban HaEdah). O maaser sheni e o hekdesh resgatados valem mesmo que se tenha dado o principal sem o quinto (Korban HaEdah; Bavli 35b, conferido). Os kohanim cumprem com chalá e teruma, embora não sejam aptas a quem não é kohen; poder-se-ia pensar que é preciso matzá apta a todos (Penei Moshe, Korban HaEdah). As chalot todá e os rekikei nazir feitos para si não servem, porque foram guardados em nome do sacrifício e não em nome da matzá, como está escrito “e guardareis as matzot”; os feitos para vender servem, porque quem vende pensa: se se venderem, que se vendam; se não, eu os comerei como matzá da mitzvá (Penei Moshe, Korban HaEdah; Bavli 38b, conferido).
Sobre a seção 01. Os versículos são Bamidbar 15:19 e 15:20 (conferidos); o Yerushalmi escreve בַּאֲכָלְכֶם e עֲרִיסוֹתֵיכֶם. “Eu diria”: pois “ao comerdes” inclui tudo, até o arroz e o painço (Penei Moshe, Korban HaEdah). Chitim e seorim, porque “pão da terra” se diz das espécies com que a terra foi louvada, “terra de trigo e de cevada”, Devarim 8:8, conferido (Penei Moshe, Korban HaEdah). As palavras [שְׁאָר מִינִין מְנַיִין.], “as outras espécies, de onde se aprendem?”, estão entre colchetes no Sefaria, como acréscimo do corretor, e foram traduzidas sem colchetes. “E incluiu tudo?”: se a palavra inclui, incluiria até o que não é das cinco espécies; a resposta vem na seção 02 (Penei Moshe). A frase final, sem verbo, diz que os três amoraim transmitiram o mesmo em nome de Rabi Yishmael; daí o “transmitiram-no”. Guggenheimer entende que o Rabi Shimon citado por Rabi Yossi é Rabi Shimon ben Lakish. O mesmo trecho está no Yerushalmi Chalá 1:1, conferido no Sefaria, com outras grafias (lá: כוסמין שיבולת שועל ושיפון מניין e רבי זעירא). As Mishnayot das cinco espécies na chalá e do kezait de matzá são Chalá 1:1 e Chalá 1:2, conferidas.
Sobre a seção 02. As palavras (אֲמַר וַאֲנָא), “disse, e eu”, estão entre parênteses no Sefaria, como apagadas pelo corretor, e não foram traduzidas; a palavra [אַבָּא], “meu pai”, está entre colchetes, como acréscimo do corretor, e foi traduzida sem colchetes. O Korban HaEdah lê o texto do copista: “ouvi Rabi Achavá bar Zeura dizer, em seu próprio nome, este paralelo de pão com pão, e eu o dizia em nome de Rabi Yishmael”. O texto do corretor segue o Yerushalmi Chalá 1:1: וְשָׁמְעִית רִבִּי אֲחַוָוה בֶּן רִבִּי זְעִירָא וְאַבָּא הֲוָה אָמַר לֵיהּ. O pai de Rabi Mana é Rabi Yoná (Penei Moshe); daí a glosa. O hebraico desta seção diz זְעוֹרָא, e por isso Zeura, como o site grafa זעורה. O “pão” do Pessach é o “pão da aflição”, Devarim 16:3, e o da chalá é o “pão da terra”, Bamidbar 15:19 (Korban HaEdah; conferidos). As outras espécies, como o arroz e o painço, não fermentam, só apodrecem (Penei Moshe). No Bavli 35a (conferido), Rabi Shimon ben Lakish tira a regra de Devarim 16:3: o que chega a fermentar serve para a matzá.
Sobre a seção 03. A keramit, segundo o Penei Moshe, é o קצח, e o Korban HaEdah acrescenta que é como o painço; há quem diga que é uma espécie que cresce no meio do centeio, e o Aruch diz que é uma erva. No Bavli 35a (conferido), Abaye a chama שיצניתא. A pergunta “e que a examinem!” é: por que divergir sobre o que se pode verificar? A resposta: examinaram, e divergem sobre o resultado do exame (Penei Moshe, Korban HaEdah). O trecho está também no Yerushalmi Chalá 1:1 e na Tosefta Pessachim 2:10 da numeração comum do Sefaria (2:17 na edição Lieberman, conferidas), onde Rabi Yochanan ben Nuri diz que com a keramit se cumpre a obrigação no Pessach. O hebraico diz אָמְרְי na primeira vez e אָמְרִין na segunda; mantiveram-se as duas grafias. Antes de קְרָמִית está a marca Vilna 17a.
Sobre a seção 04. “Lá” é a Mishná Terumot 10:2, conferida no Sefaria: a maçã é de teruma e a massa é de chulin, e a massa fica proibida a quem não é kohen, porque fermentou por causa da teruma (Korban HaEdah). A frase dos grãos de cevada está entre colchetes no Sefaria, como acréscimo do corretor tirado da mesma Mishná, e foi traduzida sem colchetes; Guggenheimer a considera desnecessária. A pontuação segue o Sefaria, que liga מֵימָיו ao verbo anterior; a Mishná avulsa lê “embora tenham feito cheirar mal, as suas águas são permitidas”. Rabi Yossi permite, porque o suco das frutas não faz fermentar (Korban HaEdah). Os rabanan proíbem quando fermenta pelo suco, que consideram como água; pela polpa, todos concordam que é permitido, pois não é fermentação, mas podridão (Korban HaEdah); as glosas seguem esta explicação. “Lá”, na segunda vez, é a Mishná Shabat 3:3, conferida: não se quebra o ovo sobre panos aquecidos, e Rabi Yossi permite, porque o seu cozimento não é cozimento completo (Korban HaEdah). O trecho está também no Yerushalmi Shabat 3:3 e no Yerushalmi Terumot 10:1, na numeração do Sefaria (conferidos); em Shabat, as duas frases finais vêm na ordem inversa. O hebraico diz רִבִּי יוֹסֵי e רִבִּי יוֹסֵה בַּר חֲנִינָה; ambos foram vertidos Rabi Yossi. Mantiveram-se as grafias בּמְחַמֵּץ e כָּךִ.
Sobre a seção 05. O Korban HaEdah diz que esta baraita não pertence aqui e que foi copiada por arrasto do tratado de Shabat, onde vem logo depois do trecho da maçã; o Penei Moshe remete à sua explicação no Yerushalmi Shabat. Foi traduzida porque faz parte do segmento. Está no Yerushalmi Shabat 3:3, no Yerushalmi Kilayim 1:9 e no Bavli Shabat 123a (conferidos).
Sobre a seção 06. “Comereis matzot” é Shemot 12:18 e 12:20 (conferidos); “incluiu”, porque o versículo é supérfluo (Korban HaEdah). No Bavli 36a (conferido), Rabi Akiva inclui o maaser sheni por מצות מצות ריבה. As seções 06, 07 e 08 estão também no Yerushalmi Megilá 1:12, na numeração do Sefaria (conferido; o Penei Moshe diz “no fim do primeiro perek de Megilá”); o Yerushalmi Megilá ainda não está neste site.
Sobre a seção 07. O versículo é Shemot 12:20 (conferido). Os bikurim só se comem em Jerusalém (Penei Moshe), e precisam ser levados ao lugar, como na Mishná Bikurim 2:2, conferida. O maaser sheni pode ser resgatado fora de Jerusalém e comido lá (Penei Moshe); o Korban HaEdah traz também a leitura “se se tornou impuro”. A palavra (מֵעַתָּה), “sendo assim”, antes da pergunta de Rabi Bun bar Chiya, está entre parênteses no Sefaria, como apagada pelo corretor, e não foi traduzida. O trecho de [מָהוּ até מָקוֹם.] está entre colchetes, como acréscimo do corretor, e foi traduzido sem colchetes; é a Mishná Maaser Sheni 3:10 na numeração do Sefaria (conferida), que diz בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר שֵׁנִי e בְטָהוֹר. Guggenheimer julga o acréscimo um erro e lê a frase de Rabi Bun bar Chiya como afirmação. O Korban HaEdah explica a pergunta: segundo Rabi Yehudá, o comprado não tem resgate; se alguém o resgatou e comeu como matzá, cumpriu? E resolve: visto que agora não é apto a ser comido em toda habitação, não se cumpre com ele; a tradução segue esta leitura, como afirmação. O Penei Moshe lê tudo como pergunta. A pergunta de Rabi Shimon ben Lakish está no Bavli 38a (conferido: בעי רבי שמעון בן לקיש: מהו שיצא אדם ידי חובתו בחלה של מעשר שני בירושלים). A chalá do maaser sheni em Jerusalém não tem resgate: se é pura, já entrou nos muros; se se torna impura, deve ser queimada; e, no entanto, a Mishná diz sem distinção que os kohanim cumprem com chalá (Penei Moshe, Korban HaEdah); por isso a frase foi vertida como pergunta, e a leitura é incerta. O hebraico diz שֵׂינִי, מוּשָׁב e בִירוּשָׁלִַם; mantiveram-se as grafias.
Sobre a seção 08. O versículo é Shemot 12:15 (conferido). As chalot todá e os rekikei nazir só se comem por um dia e uma noite (Penei Moshe, Korban HaEdah). No Bavli 38b (conferido), Rav Yossef tira a regra de “sete dias”, e Rabi Shimon ben Lakish diz זאת אומרת חלות תודה ורקיקי נזיר נאכלין בנוב וגבעון. Em Nov e Guivon as bamot eram permitidas, e os sacrifícios menos sagrados se comiam em todas as cidades de Israel: Mishná Zevachim 14:7, conferida; daí a glosa. “Não precisou excluí-los por ‘habitação’”: o que ensina não os pôde excluir por “em todas as vossas habitações”, pois também eles se comeram em toda parte, e por isso os excluiu por “sete dias” (Korban HaEdah; Penei Moshe). Para Rabi Yoná, Rabi Shimon ben Lakish tinha isto por evidente; para Rabi Yossi, ele o deduziu da baraita (Penei Moshe). Só o que se oferece por voto ou por doação sobe na bamá: Mishná Megilá 1:10, conferida; as ofertas do nazir são obrigatórias, e por isso Rabi Yochanan diz que não há aqui nazireado (Penei Moshe). O Korban HaEdah lê לא כן אמר רבי יוחנן, como no Yerushalmi Megilá, onde a frase se refere à bamá particular. Rabi Bun bar Kahana: o nazir trouxe a chatat em Shiló, que depois foi destruída, e a olá e os shelamim, com os quais vêm os rekikei, em Nov e Guivon (Penei Moshe, Korban HaEdah). “Rabi em nome de Rabi Yossi”: o hebraico diz só רִבִּי. A frase “antes, é segundo Rabi Yehudá” é uma proposta, que se recusa: Rabi Yehudá só fala da chatat, e os shelamim do nazir ainda seriam obrigatórios (Penei Moshe); a solução é Rabi Shimon, para quem, aspergido o sangue da primeira oferta, o nazir já está livre, e as outras deixam de ser obrigação (Penei Moshe, Korban HaEdah). A frase de Rabi Shimon é a Mishná Nazir 6:9 na numeração do Sefaria (conferida). Guggenheimer propõe ler Rabi Azariá em vez de Rabi Ezra. Antes de וּרְקִיקֵי, na primeira frase, está a marca Vilna 17b.
Sobre a seção 09. “Líquidos”: o Penei Moshe entende qualquer líquido, mesmo os que não fazem fermentar; o Korban HaEdah entende os que não são água, porque seria matzá ashirá (matzá rica), e a Torá diz “pão da aflição”. No Bavli 36a (conferido), Rabi Akiva exclui a massa amassada com vinho, azeite e mel. Mitzvá é o que se deve fazer de início; ikuv é o que invalida mesmo depois de feito (Penei Moshe, Korban HaEdah). A objeção de Rabi Bun bar Chiya: a Mishná diz que se cumpre com chalot todá feitas para vender, e elas são amassadas com azeite, Vayikra 7:12 (conferido). A resposta de Rabi Yossi: a Mishná Menachot 9:3 (conferida) dá meio log de azeite para a todá e um quarto de log para o nazir, e essa medida se divide entre muitos pães, de modo que o azeite não se nota em cada um (Penei Moshe, Korban HaEdah). A revichá é feita na frigideira com muito azeite e escaldada, e não precisa de guarda, porque a massa escaldada não fermenta (Korban HaEdah); o versículo é Shemot 12:17 (conferido). O Penei Moshe lê וְהָא תַנֵּי como afirmação tranquila, não como objeção. A baraita da matzá temperada está na Tosefta Pessachim 2:13 da numeração comum (2:21 na edição Lieberman, conferidas), com outra redação: יוצאין במצה מתובלת בין שנתבלה באלפס בין שנתבלה בקדרה. A palavra (חֲרָרָה), “bolo assado nas brasas”, está entre parênteses no Sefaria, como apagada pelo corretor, e não foi traduzida; [הֻדְרָאָה] está entre colchetes, como acréscimo do corretor, e foi traduzida sem colchetes; Guggenheimer prefere a palavra do copista. O pão hudraá é o pão de farinha grossa, de que se tirou a flor da farinha (Korban HaEdah); a matzá de Shlomo era de flor de farinha e temperada (Korban HaEdah). O Bavli 36b (conferido) traz a mesma baraita, com פת הדראה, a matzá de Shlomo e פרט לחלוט ולאשישה. Os sursin são, segundo o Korban HaEdah, uma massa mole escaldada e depois assada no forno; segundo o Penei Moshe, massas feitas com vinho e outros líquidos; a chalat hamasret é a feita na frigideira, pois מסרת é a tradução aramaica de מחבת; a ashishá é um pão grande (Korban HaEdah). O versículo é Devarim 16:3 (conferido). A Tosefta Pessachim 2:13 (2:20 na edição Lieberman, conferidas) exclui também o chalut e os iskeritin. O hebraico diz יוֹשׁוּעַ, יוּדְה, אוֹתֹוֹ, מֵפְּנֵי e שׁומְשְׁמִין; mantiveram-se as grafias. Antes de הָא אִם está a marca Vilna 18a.
Sobre a seção 10. O lechem hapanim não podia fermentar, e tinha um tefach de espessura (Korban HaEdah); no Bavli 37a (conferido), Rav Huna mede a “pão grosso” em um tefach, pelo lechem hapanim, mas ali o assunto é assar pão grosso no Yom Tov. A matzá mal assada é a que, partida, não solta fios: Bavli 37a (conferido), כל שפורסה ואין חוטין נמשכין הימנה. A matzá velha é a feita trinta dias antes do Pessach, e a divergência é a da sucá velha na Mishná Sucá 1:1, conferida (Penei Moshe, Korban HaEdah). Para Rabi Yossi, todos concordam que não se cumpre com ela, pois quem não a fez para o Pessach não teve cuidado contra a fermentação (Penei Moshe, Korban HaEdah); a Tosefta Pessachim 2:13 (2:21 na edição Lieberman) permite a matzá velha feita desde o início para o Pessach. Os serukin são matzot finas (Korban HaEdah); fazê-los decorados é proibido de início, mas, se feitos, cumpre-se com eles (Penei Moshe, Korban HaEdah). O hebraico diz סְרוּקִין e depois סְרִיקִין, e as duas grafias foram mantidas na transliteração. Antes da última palavra, מְצוּיָירִין, está a marca Veneza 29c.
Sobre a seção 11. A baraita está na Tosefta Pessachim 2:12 da numeração comum (2:19 na edição Lieberman) e no Bavli 37a (conferidos); nas duas, Baitos ben Zonin pergunta aos sábios, sem menção de Raban Gamliel nem de Yavne, e no Bavli quem a relata é Rav Yehudá. A mulher se demora a decorá-los, e a massa fermenta; com um molde, imprimiria o desenho de uma vez (Penei Moshe, Korban HaEdah). “Dirão”: é exclamação, pois a maioria dos padeiros não tem molde (Korban HaEdah). A frase final de Rabi Yossi, na Tosefta e no Bavli, diz ואין עושין סריקין כמין גלוסקאות, e Guggenheimer diz que o fragmento da Guenizá também lê serikin; o hebraico do Sefaria diz רְקִיקִין, e a tradução o segue. Os serikin decorados podem ser finos, como obreias, que não fermentam logo, mas não grossos, como os pães grandes (Korban HaEdah). O hebraico escreve בֳּיֵיתּוֹס בֶּן זּוֹנִין; mantiveram-se as grafias.
Do hebraico retiraram-se só os rótulos משנה: e הלכה:, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e as marcas das edições: Vilna 17a, na seção 03; Vilna 17b, na seção 08; Vilna 18a, na seção 09; e Veneza 29c, na seção 10. As grafias do Sefaria foram mantidas, como בַטִֵּבֶל na Mishná e ושְׁאָר na seção 02.
A Mishná seguinte, Pessachim 2:5 no Yerushalmi, começa com a Mishná avulsa Pessachim 2:6: “וְאֵילּוּ יְרָקוֹת שֶׁאָדָם יוֹצֵא בָהֶן יְדֵי חוֹבָתוֹ בַפֶּסַח…”, estas são as verduras com que se cumpre a obrigação no Pessach.