Seder Moed · Massechet Pessachim · Perek Bet · Mishná 6 de 8

As cinco espécies de maror

וְאֵלּוּ יְרָקוֹת שֶׁאָדָם יוֹצֵא בָהֶן יְדֵי חוֹבָתוֹ בְּפֶסַח
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

As cinco espécies de vegetais amargos com que se cumpre a obrigação de maror; sua aceitação frescos ou secos, mas exclusão dos que foram conservados em vinagre, muito cozidos ou cozidos comuns.

E estes são os vegetais com que o homem cumpre sua obrigação em Pessach: com chazeret, com ulchin, com tamcha, com charchavina e com maror. Cumpre-se com eles frescos ou secos, mas não em conserva, nem cozidos demais, nem cozidos comuns.A mitzvá de comer maror na noite do Seder se cumpre especificamente com um destes cinco vegetais de gosto amargo, cada um identificado por seu nome próprio na linguagem da mishná. Esses vegetais servem tanto em seu estado fresco quanto seco, mas perdem sua aptidão para a mitzvá se forem conservados em vinagre, cozidos até se desfazerem, ou mesmo apenas cozidos da maneira comum — pois em qualquer desses processos, o amargor característico se dissipa ou se transforma.

וְאֵלּוּ יְרָקוֹת שֶׁאָדָם יוֹצֵא בָהֶן יְדֵי חוֹבָתוֹ בְּפֶסַח, בַּחֲזֶרֶת וּבְעֻלָשִׁין וּבְתַמְכָא וּבְחַרְחֲבִינָה וּבְמָרוֹר. יוֹצְאִין בָּהֶן בֵּין לַחִין בֵּין יְבֵשִׁין, אֲבָל לֹא כְבוּשִׁין וְלֹא שְׁלוּקִין וְלֹא מְבֻשָּׁלִין:
Estas cinco espécies se combinam para completar a medida mínima de um kazait; o caule também é válido, assim como demai e dízimos já separados.

E combinam-se para o tamanho de uma azeitona. E cumpre-se com seu caule, e com demai, e com primeiro dízimo do qual já se retirou sua teruma, e com segundo dízimo e consagrado que foram resgatados.Se a pessoa não tem uma quantidade suficiente de uma única espécie para completar a medida mínima exigida — do tamanho de uma azeitona —, pode juntar porções de duas ou mais dessas cinco espécies para chegar à medida total. Além das folhas, também o caule dessas plantas serve para a mitzvá; e, quanto ao status de propriedade, aplicam-se as mesmas permissões já estabelecidas para a matzá: cumpre-se a obrigação com demai, com primeiro dízimo do qual já se separou a teruma, e com segundo dízimo e bens consagrados já resgatados.

וּמִצְטָרְפִין לְכַזָּיִת. וְיוֹצְאִין בַּקֶּלַח שֶׁלָּהֶן, וּבִדְמַאי, וּבְמַעֲשֵׂר רִאשׁוֹן שֶׁנִּטְּלָה תְרוּמָתוֹ, וּבְמַעֲשֵׂר שֵׁנִי וְהֶקְדֵּשׁ שֶׁנִּפְדּוּ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 12:8
וְאָכְלוּ אֶת הַבָּשָׂר בַּלַּיְלָה הַזֶּה, צְלִי אֵשׁ וּמַצּוֹת, עַל מְרֹרִים יֹאכְלֻהוּ.
E comerão a carne nesta noite, assada ao fogo, e pães ázimos; com ervas amargas a comerão.

Rambam funda a obrigação de maror diretamente nesta expressão, "com ervas amargas o comerão" — no plural, "merorim" — que os Sábios entenderam como abrangendo especificamente estas oito, e não apenas uma, espécie de vegetal amargo. O uso do plural em "merorim" sugere que a Torá não restringe a mitzvá a um único tipo de erva, mas permite — e a mishná detalha — várias espécies equivalentes quanto ao seu propósito ritual: proporcionar, na noite do Seder, o sabor amargo que evoca a amargura da escravidão no Egito, associado ao korban Pessach, com o qual originalmente era comido junto.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam codifica as espécies válidas de maror e reafirma que a exigência de combinação para completar a medida, e a exclusão dos vegetais cozidos ou em conserva, valem mesmo nos dias em que não há korban Pessach.

Rambam · Mishné Torá, Hilchot Chametz U'Matzá 7:13
יְרָקוֹת שֶׁיּוֹצְאִין בָּהֶן יְדֵי חוֹבָה בְּמָרוֹר חֲמִשָּׁה מִינִים הֵם, וְאֵלּוּ הֵן, הַחֲזֶרֶת וְהָעֻלְשִׁין וְהַתַּמְכָא וְהַחַרְחֲבִינָא וְהַמָּרוֹר. וְכֻלָּן יוֹצְאִין בָּהֶן יְרָקִים אוֹ יְבֵשִׁין, אֲבָל לֹא כְבוּשִׁין וְלֹא שְׁלוּקִין וְלֹא מְבֻשָּׁלִין, שֶׁהַבִּשּׁוּל מְאַבֵּד אֶת הָעֹקֶץ שֶׁלָּהֶם:

Os vegetais com os quais se cumpre a obrigação de maror são cinco espécies, a saber: chazeret, ulchin, tamcha, charchavina e maror. E com todos eles se cumpre a obrigação, frescos ou secos, mas não em conserva, nem muito cozidos, nem cozidos comuns, pois o cozimento faz perder seu ardor característico.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam identifica cada uma das cinco espécies e explica a combinação para o kazait; Bartenura acrescenta identificações vernaculares das plantas e detalha a diferença entre folha e caule; Rashi, na Guemará, remete a explicação detalhada de cada termo à discussão do próprio Talmud.

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Pessachim 2:6
וְאֵלּוּ יְרָקוֹת שֶׁאָדָם יוֹצֵא בָּהֶן יְדֵי חוֹבָתוֹ כוּ': כְּמוֹ שֶׁאֲכִילַת מַצָּה בְּלֵיל פֶּסַח מִצְוַת עֲשֵׂה, כָּךְ אֲכִילַת מָרוֹר מִצְוַת עֲשֵׂה בִּזְמַן שֶׁכֶּבֶשׂ הַפֶּסַח נֶאֱכָל, הוּא מַה שֶּׁאָמַר יִתְבָּרַךְ עַל מַצּוֹת וּמְרֹרִים יֹאכְלֻהוּ. וְאָמְרוּ מְרֹרִים נוֹפֵל עַל אֵלּוּ שְׁמֹנֶה. חֲזֶרֶת, חַסָּא. עֻלָשִׁין, יָדוּעַ. תַּמְכָא, מִין מִמִּינֵי עֻלָשִׁין אֶלָּא שֶׁהוּא גָּדֵל בַּגַּנּוֹת. מָרוֹר, מִין כֻּזְבַּרְתָּא מַר בְּיוֹתֵר. וְאָמְרוּ בֵּין לַחִין בֵּין יְבֵשִׁין, רוֹצֶה בּוֹ הַקֶּלַח שֶׁלָּהֶם כַּאֲשֶׁר הוֹדִיעֲךָ, וְיוֹצְאִין בַּקֶּלַח שֶׁלָּהֶן, אֲבָל הֶעָלִין אֵינוֹ יוֹצֵא בָּהֶם יְדֵי חוֹבָתוֹ אֶלָּא אִם הָיוּ לַחִין.

"E estes são os vegetais com que o homem cumpre sua obrigação, etc.": assim como comer matzá na noite de Pessach é preceito positivo, também comer maror é preceito positivo, no tempo em que o cordeiro pascal é comido — é o que disse o Altíssimo: "com pães ázimos e ervas amargas o comerão". E os Sábios ensinaram que "merorim" recai sobre estas oito espécies mencionadas na Guemará. Chazeret é a alface; ulchin é conhecida; tamcha é uma das espécies de chicória, mas que cresce nas hortas; maror é uma espécie de coentro, muito amarga.

E quando ensinaram "frescos ou secos", referem-se ao caule dessas plantas, como já se explicou; e cumpre-se a obrigação com o caule delas, mas com as folhas só se cumpre a obrigação se estiverem frescas.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Pessachim 2:6
וּבְתַמְכָא. סִיב הַגָּדֵל סְבִיבוֹת הַדֶּקֶל. וּבְמָרוֹר. מִין כֻּסְבַּרְתָא הוּא מַר בְּיוֹתֵר. בֵּין לַחִין בֵּין יְבֵשִׁין. דַּוְקָא בַּקֶּלַח שֶׁלָּהֶן, כִּדְאָמְרִינַן בַּסֵּיפָא וְיוֹצְאִים בַּקֶּלַח שֶׁלָּהֶן, אֲבָל עָלִין, לַחִין אֵין, יְבֵשִׁין לֹא. וּמִצְטָרְפִין לְכַזָּיִת. לָצֵאת יְדֵי חוֹבַת מָרוֹר, וְהוּא הַדִּין בַּחֲמֵשֶׁת מִינֵי דָּגָן שֶׁמִּצְטָרְפִין בְּכַזַּיִת לָצֵאת יְדֵי חוֹבַת מַצָּה, וְאַתַּרְוַיְהוּ קָאֵי.

"E com tamcha" — fibra que cresce ao redor da tamareira. "E com maror" — uma espécie de coentro, muito amarga.

"Frescos ou secos" — refere-se especificamente ao caule delas, como se ensina na cláusula seguinte, "cumpre-se com seu caule"; já as folhas, frescas sim, secas não.

"E combinam-se para o tamanho de uma azeitona" — para cumprir a obrigação de maror; e a mesma regra vale para os cinco tipos de grão, que se combinam no tamanho de uma azeitona para cumprir a obrigação de matzá — pois este ensinamento da mishná se refere a ambas as mitzvot juntas.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Pessachim 39a
מַתְנִי' אֵלּוּ יְרָקוֹת שֶׁאָדָם יוֹצֵא בָּהֶן יְדֵי חוֹבָתוֹ בַּחֲזֶרֶת וּבְתַמְכָא וּבְעֻלָשִׁין וּבְחַרְחֲבִינָא וּבְמָרוֹר — כֻּלְּהוּ מְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא. כְּבוּשִׁין — בְּחֹמֶץ. שְׁלוּקִין — מְבֻשָּׁלִין הַרְבֵּה מְאֹד עַד שֶׁנִּמּוֹחִים. מְבֻשָּׁלִין — כְּדֶרֶךְ בִּשּׁוּל.

"Nossa mishná: estes são os vegetais com que o homem cumpre sua obrigação: com chazeret, com tamcha, com ulchin, com charchavina e com maror" — explica Rashi que a identificação precisa de cada uma dessas cinco espécies é discutida pela própria Guemará, que as detalha uma a uma.

"Em conserva" — em vinagre. "Cozidos demais" — cozidos em excesso, até se desfazerem por completo. "Cozidos comuns" — cozidos da maneira usual de preparo.