Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Guimel · Halachá 3
שַׁבָּת

O ovo ao lado do meicham e os banhos de Tiberíades

Perek Guimel, Kirá, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Terceira halachá do Perek Guimel de Massechet Shabbat, Kirá. A Mishná trata do cozimento pelo calor que não é fogo: não se coloca um ovo ao lado do meicham para que fique levemente cozido, nem se rompe sobre panos aquecidos, e Rabi Yossi permite; nem se enterra na areia ou na poeira dos caminhos para que se asse. Traz também o fato dos habitantes de Tiberíades, que fizeram passar um cano de água fria por dentro do canal de água quente, e a regra do mulyar varrido e da antichi. A guemará discute a opinião de Rabi Yossi a partir da maçã esmagada na massa; o figo verde escondido na palha e a cama arrastada no chão, segundo Rabi Shimon; o sol e o derivado do sol, ali e aqui; a história dos banhos de Tiberíades e das toalhas de linho; o borrifar nas águas quentes; o frasco de óleo e o kli sheni; o filósofo que perguntou a Bar Kapara; e as razões da proibição do mulyar e da antichi. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 38b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אֵין נוֹתְנִין בֵּיצָה בְּצַד הַמֵּיחַם בִּשְׁבִיל שֶׁתִּתְגַּלְגֵּל וְלֹא יַפְקִיעֶנָּה בְּסוּדָרִין וְרִבִּי יוֹסֵי מַתִּיר. וְלֹא יַטְמִנֶנָּה בַחוֹל וּבַאֲבַק דְּרָכִים בִּשְׁבִיל שֶׁתִּיצָּלֶה: מַעֲשֶׂה שֶׁעָשׂוּ אַנְשֵׁי טִיבֵּרְיָא הֵבִיאוּ סִילוֹן שֶׁל צוֹנִין בְּתוֹךְ אַמָּה שֶׁל חַמִּין. אָמְרוּ לָהֶן חֲכָמִים אִם בְּשַּׁבָּת כְּחַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ בְּשַּׁבָּת וְאֲסוּרִין בִּרְחִיצָה וּבִשְׁתִיָיה. וְאִם בְּיוֹם טוֹב כְּחַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ בְּיוֹם טוֹב וַאֲסוּרִין בִּרְחִיצָה וּמוּתָּרִין בִּשְׁתִיָיה. מוּלְיָיאר הַגָּרוּף שׁוֹתִין הֵימֶינּוּ בְּשַּבָּת. אַנְטִיכִי אַף עַל פִּי שֶׁגְּרוּפָה אֵין שׁוֹתִין הֵימֶּינָּה:

Mishná: Não se coloca um ovo ao lado do meicham (o aquecedor de água quente) para que ele fique rolante (levemente cozido), e que não o rompa sobre sudarin (panos aquecidos ao sol), para que se coza com o calor deles; e Rabi Yossi permite. E que não o enterre na areia nem na poeira dos caminhos para que se asse com o seu calor. Houve um fato que fizeram os habitantes de Tiberíades: trouxeram um silon (cano) de tzonin (água fria) por dentro de uma amá shel chamin (canal de água quente das fontes termais), para que a água fria se aquecesse no Shabat. Disseram-lhes os sábios: se isso foi feito no Shabat, a água é como água quente que foi aquecida no Shabat, e é proibida para banho e para beber. E se foi feito no Yom Tov, ela é como água quente que foi aquecida no Yom Tov, e é proibida para banho e permitida para beber. Do mulyar (o recipiente de água quente com brasas embaixo) que foi garuf (varrido das suas brasas), bebe-se dele no Shabat. Da antichi (a caldeira antioquena), ainda que esteja varrida, não se bebe dela, porque as suas paredes continuam a aquecer a água.

A Halachá · הֲלָכָה ג

01A maçã esmagada na massa e a opinião de Rabi Yossi
Yerushalmi · Shabbat 3:3
מתני׳. אֵין נוֹתְנִין בֵּיצָה בְּצַד הַמֵּיחַם כול׳. תַּמָּן תַּנִּינָן. תַּפּוּחַ שֶׁרִיסְּקוֹ וּנְתָנוֹ לְתוֹךְ הָעִיסָּה וְחִימִּיצָהּ הֲרֵי זוֹ אֲסוּרָה. תַּנֵּי. רִבִּי יוֹסֵי מַתִּיר. רִבִּי אָחָא רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בַּר חֲנִינָה. מַה פְלִיגִין. בִּמְחַמֵּץ בְּמֵימָיו. אֲבָל הַמְחַמֵּץ בְּגוּפוֹ דִּבְרֵי הַכֹּל מוּתָּר. רִבִּי יוֹסֵי כְּדַעְתֵּיהּ. כְּמַה דוּ אָמַר תַּמָּן. אֵין חִימּוּצוֹ בָּרוּר. כֵּן הוּא אָמַר הָכָא. אֵין תַּבְשִׁילוֹ תַבְשִׁיל בָּרוּר.

Na Mishná: “Não se coloca um ovo ao lado do meicham” etc. Ali ensinamos na Mishná (Terumot 10:2): “Uma maçã de terumá que alguém esmagou e pôs dentro da massa de pão comum, e ela a fez fermentar: eis que esta massa é proibida aos que não são sacerdotes.” Ensinou-se numa baraita: Rabi Yossi permite essa massa. Rabi Achá, Rabi Abahu em nome de Rabi Yossi bar Chanina: em que divergem? Naquele que fermenta a massa com o seu suco; mas aquele que fermenta com o seu corpo, com a própria polpa da maçã, segundo as palavras de todos a massa é permitida. Rabi Yossi segue a sua opinião: assim como ele diz ali que a sua fermentação não é uma fermentação clara, assim diz ele aqui que o seu cozimento pelo calor do sol não é um cozimento claro.

02O figo verde na palha e o arrastar da cama
Yerushalmi · Shabbat 3:3
תַּנָּא. אָמַר רִבִּי יוֹחָנָן בַּר מַרְיָיא. בְּשֶׁלֹּא הֶעֱבִיר יָדוֹ מִמֶּנּוּ. אֲבָל הֶעֱבִיר אָסוּר. פַּגָּה שֶׁטְּמָנָהּ בְּתֶבֶן וַחֲרָרָה שֶׁטְּמָנָהּ בִּגְחָלִים. אִם הָיוּ מִקְצָתָן מְגוּלִּין נִיטָּלִין בַּשַּׁבָּת. וְאִם לָאו אֵין נִיטָּלִין. רִבִּי לָעְזָר בֶּן תַּדַּאי אוֹמֵר. בֵּין כָּךְ וּבֵין כָּךְ תּוֹחֵב בִּשְׁפוּד וּבְסַכִּין וְנוֹטֵל. אַתְיָיא דְרִבִּי לָעְזָר בַּר תַּדַּאי כְּרִבִּי שִׁמְעוֹן. דְּתַנֵּי. לֹא יְגָרֵר אָדָם אֶת הַמִּיטָּה וְאֶת הַכִּסֵּא וְאֶת הַסַּפְסָל וְאֶת הַקַּתֵידְרָה מִפְּנֵי שֶׁהוּא עוֹשֶׂה חָרִיץ. וְרִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר.

Ensinou o tanna; disse Rabi Yochanan bar Maryá: isso vale quando ele não tirou a sua mão dela; mas se a tirou, é proibido. Uma pagá (figo verde) que alguém escondeu na palha para que amadurecesse, e uma charará (pão achatado) que escondeu nas brasas: se parte deles estava descoberta, podem ser tomados no Shabat; e se não, não podem ser tomados. Rabi Elazar ben Tadai diz: tanto num caso como no outro, espeta neles um espeto ou uma faca e os toma. Vem a opinião de Rabi Elazar bar Tadai a ser como Rabi Shimon, pois foi ensinado numa baraita: “Não arraste uma pessoa a cama, nem a cadeira, nem o banco, nem a katedra (poltrona) no Shabat, porque ela faz um sulco no chão; e Rabi Shimon permite.”

03A cadeira afundada na lama
Yerushalmi · Shabbat 3:3
רִבִּי בָּא בְשֵׁם רִבִּי חוּנָא רִבִּי חַגַּיי בְשֵׁם רִבִּי זְעִירָה רִבִּי יוֹסֵה בְשֵׁם רִבִּי אִילָא. מוֹדִין חֲכָמִים לְרִבִּי שִׁמְעוֹן בְּכִסֵּא שֶׁרַגְלָיו מְשׁוּקָּעוֹת בַּטִּיט שֶׁמּוּתָּר לְטַלְטְלוֹ. כְּמַא דְאַתְּ אָמַר. מוּתָּר לְטַלְטְלוֹ. וְדִכְוָותָהּ. מוּתָּר לְהַחֲזִירוֹ. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי. אַף אֲנָן תַּנִּינָן. נִיטָּלִין בַּשַּׁבָּת. אָמַר רִבִּי יוֹסֵה בֵּירִבִּי בּוּן. דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן הִיא. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי. מַתְנִיתָה אָמְרָה כֵן. כָּל הַכֵּלִים אֵינָן נִגְרָרִין חוּץ מִן הָעֲגָלָה מִפְּנֵי שֶׁהִיא כוֹבֶשֶׁת.

Rabi Ba em nome de Rabi Chuná, Rabi Chagai em nome de Rabi Zeira, Rabi Yossi em nome de Rabi Ila: os sábios concordam com Rabi Shimon a respeito de uma cadeira cujos pés estão afundados na lama, que é permitido movê-la no Shabat. Assim como tu dizes que é permitido movê-la, do mesmo modo também é permitido devolvê-la ao seu lugar. Disse Rabi Yossi: também nós ensinamos na Mishná (Kilayim 1:9), sobre os nabos e os rabanetes escondidos sob a videira: “e podem ser tomados no Shabat”, ainda que a terra se mova. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: essa Mishná é de Rabi Shimon. Disse Rabi Yossi: uma Mishná diz assim (Beitzah 2:10): “Nenhum dos utensílios se arrasta no chão, exceto a carroça, porque ela comprime a terra, e não abre um sulco.”

04A shevi'it e a opinião de Rabi Shimon
Yerushalmi · Shabbat 3:3
וְהָא תַנִּינָן. שְׁבִיעִית. אִית לָךְ מֵימַר. שְׁבִיעִית כְּרִבִּי שִׁמְעוֹן. דְּפָתַר לָהּ שְׁבִיעִית כְּרִבִּי שִׁמְעוֹן. דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר בִּסְפִיחֵי שְׁבִיעִית. וְאַתְּ אָמַר הָכֵין. אַף עַל גַּב דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר בִּסְפִיחֵי שְׁבִיעִית אִית לֵיהּ מִשּׁוּם שְׁבִיעִית וּמִשּׁוּם קְדוּשַּׁת שְׁבִיעִית. וְתַנִּינָן עַל דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן. טִהֲרוֹ מִלְּטַמֵּא אֵינוֹ חוֹשֵׁשׁ לֹא מִשּׁוּם שְׁבִיעִית וְלֹא מִשּׁוּם קְדוּשַּׁת שְׁבִיעִית.

Mas não ensinamos na mesma Mishná: “nem por causa da shevi'it (o ano sabático)”? Tens como dizer que a cláusula da shevi'it é como Rabi Shimon? Sim, pois ele explica a shevi'it como Rabi Shimon, porque Rabi Shimon permite os sefichin (as plantas que brotam por si mesmas) da shevi'it. E tu dizes assim? Ainda que Rabi Shimon permita os sefichin da shevi'it, ele mantém sobre eles a proibição por causa da shevi'it e por causa da santidade da shevi'it! E ensinamos sobre a opinião de Rabi Shimon: uma vez que o declarou puro, de modo que não pode tornar-se impuro, ele não se preocupa nem por causa da shevi'it nem por causa da santidade da shevi'it.

05O sol e o derivado do sol
Yerushalmi · Shabbat 3:3
תַּמָּן אָמְרִין. חַמָּה מוּתֶּרֶת. תּוֹלְדַת חַמָּה אֲסוּרָה. רַבָּנִן דְּהָכָא אָמְרִין. בֵּין חַמָּה בֵּין תּוֹלְדַת חַמָּה מוּתֶּרֶת. מַתְנִיתִין פְלִיגָא עַל רַבָּנִין דְּהָכָא. לֹא יַטְמִנֶינָּה בַחוֹל וּבַאֲבַק דְּרָכִים בִּשְׁבִיל שֶׁתִּצָּלֶה. שַׁנְיָיא הִיא. שֶׁהוּא עוֹשֶׂה חָרִיץ. אִילּוּ אָמַר. בְּקֶמַח. יְאוּת. מַתְנִיתָא פְלִיגָא עַל רַבָּנִין דְּתַמָּן. דְּתַנֵּי. רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר. מְגַלְגְּלִין בֵּצִים עַל גַּב גַּג שֶׁלְּסִיד רוֹתֵח וְאֵין מְגַלְגְּלִין בֵּצִים עַל גַּבֵּי עָפָר רוֹתֵחַ. מֶה עָבְדִין לָהּ רַבָּנִן דְּתַמָּן. פָּתְרִין לָהּ. חֲלוּקִין עַל רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל. עַל דַּעְתִּין דְּרַבָּנִין דְּתַמָּן. מַעֲשֶׂה שֶׁעָשׂוּ אַנְשֵׁי טִיבֵּרְיָא. וְעַל דַּעְתִּין דְּרַבָּנִין דְּהָכָא. סָלְקַת מַתְנִיתָא. כְּמַעֲשֶׂה שֶׁעָשׂוּ אַנְשֵׁי טִיבֵּרְיָא.

Ali, na Babilônia, dizem: o calor do sol é permitido, mas um derivado do sol é proibido. Os rabinos daqui, da Terra de Israel, dizem: tanto o sol quanto o derivado do sol são permitidos. A nossa Mishná diverge dos rabinos daqui: “E que não o enterre na areia nem na poeira dos caminhos para que se asse”! Mas há uma diferença, porque ele faz um sulco no chão. Se tivesse dito “na farinha”, a objeção estaria certa. Uma baraita diverge dos rabinos de lá, pois foi ensinado (Tosefta Shabbat 2:22): “Rabban Shimon ben Gamliel diz: rolam-se ovos para cozê-los levemente sobre um telhado de cal fervente, e não se rolam ovos sobre terra fervente.” Que fazem com ela os rabinos de lá? Explicam-na dizendo que os sábios divergem de Rabban Shimon ben Gamliel. Segundo a opinião dos rabinos de lá, a Mishná prossegue com “houve um fato que fizeram os habitantes de Tiberíades”, como prova de que o derivado do sol é proibido; e segundo a opinião dos rabinos daqui, a Mishná terminou antes disso, e o que segue é outro assunto: “Quanto ao fato que fizeram os habitantes de Tiberíades”.

06Os banhos de Tiberíades
Yerushalmi · Shabbat 3:3
מתני׳. מַעֲשֶׂה שֶׁעָשׂוּ אַנְשֵׁי טִיבֵּרְיָא כול׳. בָּרִאשׁוֹנָה הָיוּ סוֹתְמִין אֶת הַקָּמִין מֵעֶרֶב שַׁבָּת וְנְכְנָסִין וְרוֹחֲצִין בַּשַּׁבָּת. נֶחְשְׁדוּ לִהְיוֹת מְמַלְּין אוֹתוֹ עֵצִים מֵעֶרֶב שַׁבָּת וְהִיא דְלֵיקָה וְהוֹלֶכֶת בַּשַּׁבָּת. וְאָסְרוּ לָהֶן רְחִיצָה וְהִתִּירוּ לָהֶן זִיעָה. נֶחְשְׁדוּ לִהְיוֹת נִכְנָסִין וְרוֹחֲצִין. וְאוֹמְרִים. מַזִּיעִין הָיִינוּ. וְאָסְרוּ לָהֶן רְחִיצָה וְזִיעָה. הָיוּ שָׁם שְׁתֵּי אַמְבַּטִּיּוֹת. אַחַת שֶׁלְּמְתוּקִין וְאַחַת שֶׁלְּמְלוּחִין. נֶחְשְׁדוּ לִהְיוֹת מְגַלִּין אֶת הַנְסָרִין וְרוֹחֲצִין בִּמְתוּקִין. וְהֵן אוֹמְרִים. בִּמְלוּחִין רָחַצְנוּ. וְאָסְרוּ לָהֶן אֶת הַכֹּל. כֵּיוָן שֶׁנִּתְגַּדְּרוּ הָיוּ מַתִּירִין לָהֶן וְהוֹלְכִין מַתִּירִין לָהֶן וְהוֹלְכִין עַד שֶׁהִתִּירוּ לָהֶן מֵי מְעָרָה וְחַמֵּי טִיבֵּרִיָּא. וְלֹא הִתִּירוּ הֲבָאַת לוּנְטִיּוֹת. וּמִי הִתִּיר הֲבָאַת לוּנְטָיוֹת. רִבִּי חֲנִינָה בֶן עֲקַבְיָה. דְּתַנֵּי. שְׁלֹשָׁה דְבָרִים הִתִּיר רִבִּי חֲנִינָה בֶן עֲקַבְיָה. הִתִּיר עַצָּה שֶׁבַּיָּם וְהִתִּיר כְּצוֹצְרָה וְהִתִּיר הֲבָאַת לוּנְטִיּוֹת.

Na Mishná: “Houve um fato que fizeram os habitantes de Tiberíades” etc. No início, tapavam o kamin (a fornalha do banho) na véspera do Shabat, e entravam e se banhavam no Shabat. Foram suspeitos de enchê-lo de lenha na véspera do Shabat, e ele ficava ardendo continuamente no Shabat; e os sábios proibiram-lhes o banho e permitiram-lhes o suor. Foram suspeitos de entrar e se banhar, e diziam: estávamos suando; e proibiram-lhes o banho e o suor. Havia ali duas ambatiot (banheiras), uma de água doce e uma de água salgada. Foram suspeitos de descobrir as tábuas que as cobriam e de se banhar na água doce, e eles diziam: banhamo-nos na salgada; e proibiram-lhes tudo. Quando se cercaram com as cercas dos sábios, iam-lhes permitindo cada vez mais, iam-lhes permitindo cada vez mais, até que lhes permitiram a água da caverna e as águas quentes de Tiberíades; mas não permitiram trazer luntiot (toalhas de linho). E quem permitiu trazer luntiot? Rabi Chanina ben Akavya, pois foi ensinado numa baraita: três coisas permitiu Rabi Chanina ben Akavya: permitiu a etzá (alga) que está no mar, e permitiu a ketzotzrá (o balcão sobre a água), e permitiu trazer luntiot.

07As toalhas e o borrifar nas águas quentes
Yerushalmi · Shabbat 3:3
תַּמָּן תַּנִּינָן. הָרוֹחֵץ בִּמְעָרָה אוֹ בְּמֵי טִיבֵרְיָא מִסְתַּפֵּג אֲפִילוּ בְעֶשֶׂר לוּנְטִיּוֹת וְלֹא יְבִיאֵם בְּיָדוֹ. שְׁמוּאֵל אָמַר. מַה יַעֲבִיד הָדֵין סַבּוֹרָא דְלָא יְלִיף וְלָא שִׁימֵּשׁ. וְהָדָא מַתְנִיתָא קוֹדֶם עַד שֶׁלֹּא הִתִּירוּ הֲבָאַת לוּנְטִיּוֹת. רִבִּי יִרְמְיָה וְרִבִּי זְעִירָה רַב יִהוּדָה בְשֵׁם שְׁמוּאֵל. רִבִּי הִתִּיר לוּנְטִיָאוֹת. תַּנֵּי. אֵין מִשְׁתַטְּפְין לֹא בַחַמִּין וְלֹא בַצּוֹנִין. אָמַר רִבִּי יוּדָה בַּר פָּזִי. וְדָא מַתְנִיתָא קוֹדֶם עַד שֶׁלֹּא הִתִּירוּ חֲכָמִים חַמֵּי טִיבֵּרִיָּא. דְּתַנֵּי הָרוֹחֵץ בְּחַמֵּי טִיבֵּרִיָּא הוּא מְזַלֵּף עַל עַצְמוֹ. אֲבָל אֲחֵרִים לֹא יִזַלְּפוּ לוֹ. רִבִּי שִׁמְעוֹן בֵּן מְנַסְּיָא אוֹמֵר. אַף הוּא לֹא יְזַלֵּף עַל עַצְמוֹ. מִפְּנֵי שֶׁהוּא מְרַבֶּה אֶת הַהֲבָל וּמְכַבֵּד אֶת הַקַּרְקַע.

Ali ensinamos na Mishná (Shabbat 22:5): “Quem se banha numa caverna ou nas águas de Tiberíades enxuga-se mesmo com dez luntiot, e que não as traga na sua mão.” Disse Shmuel: que fará então este sabora (o que só opina), que não estudou nem serviu aos sábios? Pois esta Mishná é anterior, de antes que os sábios permitissem trazer luntiot. Rabi Yirmiyá e Rabi Zeira, Rav Yehudá em nome de Shmuel: Rabi, isto é, Rabi Yehudá HaNassi, permitiu trazer luntiot. Ensinou-se numa baraita (Tosefta Shabbat 3:4): não se toma ducha no Shabat nem com água quente nem com água fria. Disse Rabi Yudá bar Pazi: e esta baraita é anterior, de antes que os sábios permitissem as águas quentes de Tiberíades. Pois foi ensinado: quem se banha nas águas quentes de Tiberíades borrifa água sobre si mesmo, mas outros não borrifem água sobre ele. Rabi Shimon ben Menasya diz: nem ele mesmo borrife sobre si mesmo, porque aumenta o vapor do banho e lava o chão da casa de banho.

08O homem que borrifava sobre si mesmo
Yerushalmi · Shabbat 3:3
רִבִּי אָחָא בַּר יִצְחָק עָאַל מִיסְחֵי עִם בָּא בַּר מָמָל בִּטְרֵיס בר יטסס. חֲמַא חַד בַּר נַשׁ מַזְלִיף עַל גַּרְמֵיהּ. אָמַר לֵיהּ. כָּזֶה אָסוּר בַּשַּׁבָּת מִפְּנֵי שֶׁהוּא מְרַבֶּה אֶת הַהֲבָל וּמְכַבֵּד אֶת הַקַּרְקַע. רִבִּי אַבָּהוּ. חוֹרֵנִין מְזַלְּפִין וּנְפַל עֲלוֹי. וְהוּא אָמַר. וְהָא רִבִּי לְוָונְטִי עָאַל מִיסְחֵי עִם רִבִּי יוֹנָה. חֲמַא חַד בַּר נַשׁ מַזְלִיף עַל גַּרְמֵיהּ. אָמַר לֵיהּ. לֵית אֲנָן צְרִיכִין חָשְׁשִׁין לִיחִידַיָיא.

Rabi Achá bar Yitzchak entrou para se banhar com Ba bar Mamal em Treis bar Yatsas (nome de lugar). Viu um homem borrifando água sobre si mesmo. Disse-lhe: fazer assim é proibido no Shabat, porque aumenta o vapor e lava o chão. Rabi Abahu: outros estavam borrifando, e a água caiu sobre ele, e por isso não há proibição. E ele disse: mas eis que Rabi Levanti entrou para se banhar com Rabi Yoná; viu um homem borrifando água sobre si mesmo; disse-lhe: não precisamos nos preocupar com a opinião isolada, a de Rabi Shimon ben Menasya.

09O frasco de óleo e o kli sheni
Yerushalmi · Shabbat 3:3
רִבִּי יִצְחָק רוֹבָא עָאַל מִיסְחֵי עִם רִבִּי. אֲמַר לֵיהּ. מָהוּ מִיתֵּן צְלוֹחִיתָא גַּוְא עֲגַלְתָא. אֲמַר לֵיהּ. הָכָא גַו נַטְלָא הִיא נַעֲשֵׂית כִּכְלִי שֵׁינִי.

Rabi Yitzchak Rová (o Grande) entrou para se banhar com Rabi. Disse-lhe: que tal pôr um frasco de óleo dentro da agaltá (a bacia onde jorra a água quente), para aquecê-lo no Shabat? Disse-lhe: aqui, dentro do natla (a vasilha de tirar água), ela se torna como um kli sheni (utensílio secundário), que não cozinha.

10Perguntar as leis do banho na casa de banho
Yerushalmi · Shabbat 3:3
רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אִידִי בְשֵׁם רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי. שׁוֹאֲלִין הִילְכוֹת הַמֶּרְחָץ בְּבֵית הַמֶּרְחָץ וְהִילְכוֹת בֵּית הַכִּסֵּא בְּבֵית הַכִּסֵּא. כְּהָדָא רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר עָאַל מִיסְחֵי עִם רִבִּי מֵאִיר. אָמַר לֵיהּ. מַהוּ לְקַנֵּחַ. אָמַר לֵיהּ. אָסוּר. מַהוּ לְהַדִּיחַ. אָמַר לֵיהּ. אָסוּר. וְלֹא כֵן שְׁמוּאֵל שָׁאֵיל לְרַב. מָהוּ לַעֲנוֹת אָמֵן בְּמָקוֹם מְטונָּף. וְהוּא אָמַר. אָסוּר. וְאָסוּר דְּאָמְרִית לָךְ אָסוּר. אַשְׁכָּח תָּנָּא תַנֵּי. אֵין שׁוֹאֲלִין הִילְכוֹת הַמֶּרְחָץ בַּמֶּרְחָץ וְהִילְכוֹת הַכִּסֵּא בְּבֵית הַכִּסֵּא.

Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: perguntam-se as leis da casa de banho na casa de banho, e as leis do banheiro no banheiro. Como esta história: Rabi Shimon ben Elazar entrou para se banhar com Rabi Meir. Disse-lhe: que tal enxugar-se no Shabat? Disse-lhe: é proibido. Que tal enxaguar-se? Disse-lhe: é proibido. Mas não é assim que Shmuel perguntou a Rav: que tal responder amen num lugar sujo? E ele disse: é proibido; e é proibido até que eu te diga “proibido”. Encontrou-se um tanna que ensinava: não se perguntam as leis da casa de banho na casa de banho, nem as leis do banheiro no banheiro.

11A água aquecida no Yom Tov e na véspera do Shabat
Yerushalmi · Shabbat 3:3
אִם בְּיוֹם טוֹב כְּחַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ בְּיוֹם טוֹב כול׳. חַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ בְּיוֹם טוֹב וְכֵן חַמִּין שֶׁהוּחַמּוּ מֵעֶרֶב שַׁבָּת לַשַּׁבָּת. רַב וּשְׁמוּאֵל. חַד אָמַר. מַרְחִיץ בָּהֶן פָּנָיו יָדָיו וְרַגְלָיו. וְחָרָנָה אָמַר. מַרְחִיץ בָּהֶן כָּל גּוּפוֹ אֵיבָרִים אֵיבָרִים. וְלָא יָדְעִין מָאן אָמַר דָּא וּמָאן אָמַר דָּא. מִן מַה דְתַנֵּי שְׁמוּאֵל. מַרְחִיץ בָּהֶן פָּנָיו יָדָיו וְרַגְלָיו. הֲוֵי רַב דּוּ אָמַר. מַרְחִיץ בָּהֶן כָּל גּוּפוֹ אֵיבָרִים אֵיבָרִים.

Na Mishná: “Se no Yom Tov, é como água quente que foi aquecida no Yom Tov” etc. A respeito da água quente que foi aquecida no Yom Tov, e assim também da água quente que foi aquecida na véspera do Shabat para o Shabat, Rav e Shmuel divergem. Um deles disse: lava com ela o seu rosto, as suas mãos e os seus pés. E o outro disse: lava com ela todo o seu corpo, membro por membro, e não todo de uma vez. E não sabemos quem deles disse isto e quem disse aquilo. Mas, pelo que ensinou Shmuel numa baraita: “lava com ela o seu rosto, as suas mãos e os seus pés”, conclui-se que é Rav quem diz: lava com ela todo o seu corpo, membro por membro.

12O filósofo e o eunuco
Yerushalmi · Shabbat 3:3
חַד פִילוֹסֹפִיוֹס שָׁאַל לְבַר קַפָּרָא. אַבְלָּט שָׁאַל לְלֵוִי סָרִיסָא. מוּתָּר לִשְׁתּוֹת וְאָסוּר לִרְחוֹץ. אָמַר לֵיהּ. אִם תִּרְאֶה סָרִיס מְחַבֵּק עִם אִשְׁתְּךָ שֶׁמָּא אֵינוֹ רַע לָךְ. אָמַר לֵיהּ אִין. אָמַר לֵיהּ. וּמָכִי הוּא לָהּ כְּלוּם. אָמַר לוֹ. שֶׁלֹּא תִתְפָּרֵץ. אָמַר לֵיהּ. וְהָכָא שֶׁלֹּא יִתְפָּרְצוּ כֵּיוָן שֶׁיָּצָא אָמְרוּ לוֹ תַלְמִידָיו. רִבִּי. לָזֶה דָּחִיתָה בְּקָנֶה. לָנוּ מָה אַתְּ מֵשִׁיב. אָמַר לוֹ. וַהֲלֹא כְּבָר נֶאֱמַר אַךְ אֲשֶׁר יֵאָכֵל לְכָל נֶפֶשׁ הוּא לְבַדּוֹ יֵעָשֶׂה לָכֶם.

Um filósofo perguntou a Bar Kapara; e, segundo outra versão, Avlat perguntou a Levi Sarisa (Levi, o eunuco): a água aquecida no Yom Tov é permitida para beber e proibida para banhar-se? Disse-lhe: se vires um eunuco abraçado com a tua mulher, acaso isso não te será mau? Disse-lhe: sim, seria mau. Disse-lhe: e acaso ele lhe faz alguma coisa de fato? Disse-lhe: é proibido para que ela não se torne licenciosa. Disse-lhe: também aqui, proibiram o banho para que as pessoas não se tornem licenciosas. Quando ele saiu, disseram-lhe os seus alunos: Rabi, a este repeliste com um caniço, com uma resposta fraca; a nós, que respondes de verdade? Disse-lhe: e não está já dito: “somente o que é comido por toda alma, só isso será feito para vós” (Shemot 12:16)? Só o que serve a todos, como a bebida, é permitido no Yom Tov, e não o banho, que não serve a todos.

13O mulyar varrido
Yerushalmi · Shabbat 3:3
מוּלְיָיר הַגָּרוּף שׁוֹתִין מִמֶּנּוּ בְּשַּבָּת. הָא אִם אֵינוּ גָרוּף לֹא. אָמַר רִבִּי שִׁיָין. מִפְּנֵי שֶׁהַגְּחָלִים נוֹגְעוֹת בְּגוּפוֹ. אָמַר רִבִּי חֲנִינָה בְרֵיהּ דְּרִבִּי הִילֵּל. מִפְּנֵי שֶׁהָרוּחַ נִכְנֶסֶת בְּגוּפוֹ וְהַגְּחָלִים בּוֹעֲרוֹת. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן. מִפְּנֵי שֶׁהוּא עָשׂוּי פְרָקִים פְּרָקִים וְהוּא מִתְיָירֵא שֶׁמָּא נִתְאַכָּל דִּיבּוּקוֹ וְהוּא מוֹסִיף מַיִם.

Na Mishná: “Do mulyar que foi varrido bebe-se dele no Shabat.” Daí se conclui que, se não está varrido, não. Disse Rabi Shiyan: é porque as brasas tocam no seu corpo. Disse Rabi Chanina, filho de Rabi Hilel: é porque o vento entra no seu corpo e as brasas ardem. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: é porque ele é feito de peças soldadas umas às outras, e ele teme que a sua soldadura se tenha consumido, e então ele acrescenta água fria para protegê-la, e essa água se aquece no Shabat.

14A antichi
Yerushalmi · Shabbat 3:3
אַנְטִיכִי אַף עַל פִּי שֶׁגְּרוּפָה אֵין שׁוֹתִין מִמֶּנָּה. רִבִּי חֲנַנְיָה רִבִּי יוֹסֵי רִבִּי אָחָא אַבָּא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. מִפְּנֵי שֶׁהִיא מִתְחַמֶּמֶת מִכָּתְלֶיהָ. רַבָּנִן דְּקַיְסָרִין רַב הוּנָא בְשֵׁם רַב. אִם הָיְתָה גְרוּפָה וּפְתוּחָה מוּתָּר.

Na Mishná: “Da antichi, ainda que esteja varrida, não se bebe dela.” Rabi Chananyá, Rabi Yossi, Rabi Achá Abba em nome de Rabi Yochanan: é porque ela se aquece pelas suas paredes, que guardam o calor. Os rabinos de Cesareia, Rav Huna em nome de Rav: se a antichi estava varrida e aberta, é permitido beber dela.

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Guimel de Massechet Shabbat, Kirá. A sua Mishná corresponde às Mishnayot Shabbat 3:3 e 3:4 da Mishná avulsa, que no Yerushalmi formam uma só Mishná. A halachá anterior terminou com Rabi Yossi: no Shabat se segue o aquecimento do fogareiro, e na impureza, o gipuf, o seu fechamento. A Mishná desta halachá passa do fogo ao calor que vem de outras fontes: o calor do meicham, dos panos aquecidos ao sol, da areia e da poeira dos caminhos. Segundo Guggenheimer, “romper” o ovo sobre os panos é fazer com ele uma omelete com o calor do sol; e mesmo Rabi Yossi concorda que não se pode enterrá-lo na areia para assá-lo. O mulyar, do latim miliarium, tem segundo Guggenheimer um pequeno compartimento de brasas no fundo; a antichi, a caldeira de Antioquia, tem um compartimento grande, que conserva o calor por muito tempo.

Na seção 01, a Mishná citada é Terumot 10:2: a maçã de terumá esmagada e posta numa massa comum que ela fez fermentar torna a massa proibida aos que não são sacerdotes. Rabi Yossi permite, porque a fermentação com o suco da maçã não é uma fermentação clara; do mesmo modo, aqui, o cozimento pelo sol não é um cozimento claro. O hebraico desta edição diz que, quando a fermentação vem da polpa, “segundo as palavras de todos” a massa é permitida; traduzimos assim, como está, e Guggenheimer traduz da mesma maneira.

Na seção 02, a primeira frase, de Rabi Yochanan bar Maryá, repete a regra com que terminou a halachá 3:1, sobre a panela pendurada numa estaca ou posta sobre um banco, que só pode ser devolvida quando ele não tirou a mão dela; aqui o hebraico escreve “bar Maryá”. Guggenheimer remete ao Bavli, Shabbat 38b, onde se diz que isso só vale quando a panela ainda está na mão. O figo verde escondido na palha para amadurecer mostra que o dono ainda não o considera pronto; se parte dele está descoberta, conta como alimento. Rabi Elazar ben Tadai permite tirá-lo com um espeto ou uma faca, porque o movimento da palha ou das brasas não é intencional, e por isso a sua opinião é como a de Rabi Shimon, que permite arrastar a cama ainda que se faça um sulco. Na Tosefta Beitzah 2:18 aparece só a opinião de Rabi Shimon: arrasta-se a cama, a cadeira, o banco e a katedra.

Na seção 03, a Mishná Kilayim 1:9 ensina que quem esconde nabos e rabanetes sob a videira, se parte das folhas está descoberta, não se preocupa nem com kilayim, nem com a shevi'it, nem com os dízimos, e eles podem ser tomados no Shabat. A Mishná Beitzah 2:10, citada por Rabi Yossi, traz estas palavras em nome de Rabi Yehudá: nenhum utensílio se arrasta exceto a carroça, porque ela comprime a terra. Segundo Guggenheimer, esta Mishná não segue Rabi Shimon, e por isso contradiz a Mishná de Kilayim. Na seção 04, a guemará pergunta como a mesma Mishná de Kilayim pode seguir Rabi Shimon também quanto à shevi'it; a permissão de Rabi Shimon para os sefichin está na Mishná Shevi'it 9:1: todos os sefichin são permitidos, exceto os sefichin de couve. Guggenheimer explica que, mesmo para Rabi Shimon, os sefichin continuam sujeitos às leis da shevi'it e à sua santidade.

Na seção 05, “ali” é a Babilônia, e “aqui” é a Terra de Israel. Guggenheimer explica que, para os rabinos de lá, pode-se cozer um ovo diretamente ao sol, mas não com um pano aquecido ao sol e depois enrolado no ovo. No Bavli, em Shabbat 39a, Rav Nachman explica que a disputa entre Rabi Yossi e os sábios é justamente sobre os derivados do sol; ali se cita também, numa forma um pouco diferente, a palavra de Rabban Shimon ben Gamliel. A areia é proibida, segundo os rabinos daqui, não por causa do sol, mas porque se faz um sulco no chão. A leitura do final segue Lieberman, como diz Guggenheimer: para os rabinos daqui, o fato de Tiberíades é outro assunto e não fala do calor do sol.

Na seção 06, o Bavli traz uma história paralela em Shabbat 40a, em nome de Bar Kapara: no início banhavam-se com água aquecida na véspera do Shabat; quando os encarregados dos banhos começaram a aquecer no Shabat, os sábios foram proibindo cada vez mais, e por fim permitiram as águas quentes de Tiberíades. Na seção 07, a Mishná citada é a Mishná Shabbat 22:5 (Guggenheimer a chama 22:8, segundo a sua numeração própria). A baraita “não se toma ducha nem com água quente nem com água fria” está na Tosefta Shabbat 3:4, em nome de Rabi Meir. Na seção 08, o nome do lugar está escrito “betreis bar yatsas”; Guggenheimer segue Lieberman, que o lê como Treis Charites, “as Três Graças”, e cita o Aruch, que o entende como as termas. No hebraico, o companheiro de Rabi Achá bar Yitzchak é Ba bar Mamal, sem o título de Rabi.

Na seção 09, o Bavli, em Shabbat 40b, conta a mesma história: Rabi disse para tirar a água com um kli sheni e então colocar nela o frasco, e daí se aprende que o kli sheni não cozinha. Na seção 10, Guggenheimer explica que não se fala de assuntos sagrados no banho nem no banheiro, e a pergunta é se se pode responder ali a uma dúvida urgente. O hebraico desta edição diz, na frase final, “não se perguntam”; Guggenheimer põe a palavra “não” entre parênteses porque duas das suas fontes não a têm. Na seção 11, a disputa de Rav e Shmuel está no Bavli em Shabbat 40a, onde Rav diz que se lava todo o corpo membro por membro, e Shmuel, que só o rosto, as mãos e os pés.

Na seção 12, o versículo é Shemot 12:16: no Yom Tov só se pode fazer o que é comido por toda alma; por isso a água aquecida no Yom Tov pode ser bebida, e o banho, que não é de todos, fica proibido. Ao filósofo, Bar Kapara deu uma resposta só de cerca rabínica; aos alunos, deu a razão da Torá. O verbo “machi”, que traduzimos “faz alguma coisa”, significa apertar; Lieberman o entende como diminuir o valor dela. O hebraico diz “disse-lhe”, no singular, quando ele responde aos alunos; Guggenheimer corrige para “disse-lhes”, segundo o texto paralelo de Beitzah. Guggenheimer sugere que “sarisa”, o eunuco, seja um erro de copista. Nas seções 13 e 14, a Mishná do mulyar e da antichi é discutida no Bavli em Shabbat 41a. Guggenheimer lê, na seção 14, “Rabi Yassa” em vez de Rabi Yossi, por razões de cronologia; seguimos o hebraico desta edição.

Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi apresenta grafias e leituras próprias, conservadas no hebraico: “hameicham” com yod; “Tiberya” com yod; “tzonin” onde a Mishná avulsa diz “tzonen”; “betoch amá”, por dentro do canal, onde a Mishná avulsa diz “letoch”; “ve’im beyom tov”, com “e se”; e no fim “heimeyná”, onde a Mishná avulsa diz “mimená”. Na seção 13, a citação escreve “mulyar” sem o alef e “mimenu” no lugar de “heimenu”; e na seção 14, “mimená” no lugar de “heimená”. As abreviações “matni’” e “kul’”, que traduzimos “etc.”, indicam a Mishná e que a citação continua.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer verte “meicham” como “hot water container”, “sudarin” como “tissue”, e “luntiot” como “linen towels”. Na seção 02, ele escreve “Rebbi Joḥanan ben Rebbi Marius”; o hebraico diz “Rabi Yochanan bar Maryá”. Na seção 07, onde o hebraico diz “Rabi Yudá bar Pazi”, ele escreve “Rebbi Jehudah bar Pazi”. Na seção 13, ele chama o mestre de “Rebbi Ashian”; o hebraico diz “Rabi Shiyan”. A halachá seguinte, Shabbat 3:4, começa com a Mishná: “O meicham que alguém esvaziou, não ponha nele água fria para que se aqueça.”