A sétima mishná registra um período intermediário e algo surpreendente: depois da destruição de Shiló, antes da construção do Templo em Jerusalém, o Tabernáculo passou por Nov e por Guivon — e, nesse intervalo entre "o repouso" e "a herança" mencionados na Torá, os altares particulares voltaram a ser permitidos.
Chegaram a Nov e a Guivon, os altares particulares foram permitidos. — Depois que Shiló foi destruída, o Tabernáculo foi levado sucessivamente a Nov e depois a Guivon. Nesse período intermediário — entre a queda de Shiló e a construção do Templo em Jerusalém —, os altares particulares voltaram a ser permitidos, pois o texto bíblico separa a proibição definitiva em duas etapas distintas: o repouso e a herança.
As oferendas de santidade suprema são comidas dentro das cortinas. As oferendas de santidade leve, em todas as cidades de Israel. — Como nesse período os altares particulares eram novamente permitidos, as oferendas de santidade leve — que podiam ser oferecidas em qualquer altar particular — também podiam ser comidas em qualquer cidade de Israel, e não apenas nas proximidades de Nov ou Guivon; a mesma regra se aplicava ao segundo dízimo, associado pela Torá à mesma condição.
Rambam narra que, após a destruição do santuário de Shiló pelos pecados dos antepassados, o mesmo Tabernáculo construído no deserto foi erguido em Nov; depois de destruída Nov, foi erguido em Guivon, onde permaneceu, somando entre os dois lugares cinquenta e sete anos — e durante todo esse tempo a oferenda em altares particulares era permitida, pois Shiló é "o repouso" a que o verso alude, e Jerusalém é "a herança", como se explicará adiante. Se a intenção do verso fosse dizer que, ao chegar ao repouso, os altares particulares ficariam proibidos para sempre, não haveria necessidade de mencionar também "a herança" — a intenção é que, ao chegar ao repouso, todos os altares particulares foram proibidos, e ao chegar à herança, foram proibidos novamente, provando que entre um e outro eles eram permitidos; e é exatamente essa a razão de o verso os separar, para conceder essa permissão intermediária.
Bartenura detalha a cronologia: Shiló foi destruída após trezentos e sessenta e nove anos de existência do Tabernáculo ali, com a captura da Arca nos dias de Eli; o Tabernáculo foi então erguido em Nov, destruída nos dias de Shaul, e depois em Guivon — somando cinquenta e sete anos entre os dois lugares, período em que os altares particulares eram permitidos, pois a Torá menciona "repouso" (Shiló) e "herança" (Jerusalém) separadamente precisamente para conceder essa permissão intermediária entre um e outro. Confirma que a mesma regra vale para o segundo dízimo, comparado pela Torá às oferendas de santidade leve.
Rashi identifica as fontes bíblicas para a sequência histórica: a menção ao "pão sagrado" oferecido a David em Nov, em Shmuel I, prova que ali havia mesa e altar; e a menção à "grande bamá" em Guivon, em Melachim I, confirma a existência do santuário ali após a destruição de Nov nos dias de Shaul. Sobre a permissão dos altares particulares, remete à derivação detalhada da Guemará; e sobre as oferendas de santidade leve em todas as cidades de Israel, explica que, sendo os altares particulares permitidos em qualquer lugar onde alguém se encontrasse, também as oferendas podiam ser comidas em qualquer uma dessas cidades.