As Cartas do Rambam — a coletânea crescente das cartas pessoais e históricas de Rabeinu Moshe ben Maimon (1138–1204), escritas a comunidades judaicas em momentos de crise
Além de suas grandes obras legais e filosóficas — o Comentário à Mishná, o Mishneh Torá, o Moreh Nevuchim — o Rambam escreveu ao longo da vida um conjunto de cartas pessoais dirigidas a comunidades e indivíduos em momentos de crise, dúvida ou necessidade de orientação. Estas cartas revelam uma faceta diferente do sábio: não o codificador sistemático, mas o pastor, o conselheiro, o homem que responde com urgência e calor humano a perguntas concretas de gente concreta, sob pressão real.
Iggerot HaRambam reúne estas cartas em tradução integral, hebraico e português lado a lado. Esta coleção, ainda em crescimento, começa pela mais célebre e historicamente significativa delas — a Iggeret Teiman, a Carta ao Iêmen, escrita por volta de 1172 para reconfortar e orientar a comunidade judaica do Iêmen, então sob ameaça de conversão forçada e às voltas com um pretendente messiânico. A ela se soma o Maamar Kiddush HaShem, o Tratado sobre a Santificação do Nome, escrito ainda jovem, durante a perseguição almóada em Sefarad e no Magrebe, sobre os judeus obrigados a professar o islã sob ameaça de morte. Agora a coleção se amplia com três tratados de gênero muito distinto: o Pirkei HaHatzlakhah, um tratado ético-filosófico sobre a felicidade última da alma; o Maamar HaIbur, um manual técnico sobre o cálculo do calendário hebraico; e o Maamar Neged Galinos, um tratado polêmico-científico contra o médico grego Galeno. Outras cartas serão incorporadas à coleção nas próximas etapas.