Quinta halachá do Perek Yud, HaMotzei Tefillin (quem encontra tefilin), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que a pessoa está no domínio privado e move no domínio público, e o contrário, desde que não tire para fora de quatro amot; mas não urine nem cuspa de um domínio para o outro, e Rabi Yehudá diz que quem tem a saliva desprendida na boca não ande quatro amot até cuspir. A guemará traz a mishná de Rabi Meir sobre quem está num domínio e abre no outro; a palavra pichá, dita por Rav e por Rabi Yochanan sobre Rabi Yudá; e as águas que rolam de um domínio para o outro, com a palavra de Rabi Yassa sobre o cano no domínio público. O Bavli discute esta Mishná em Eruvin 98b e 99a.
Mishná: A pessoa está no domínio privado e move no domínio público; no domínio público, e move no domínio privado; desde que não tire para fora de quatro amot (côvados).
Não esteja a pessoa no domínio privado e urine no domínio público; no domínio público, e urine no domínio privado. E assim também não cuspa. Rabi Yehudá diz: Também aquele cuja saliva se desprendeu da sua boca não ande quatro amot até que cuspa.
Não só “está no domínio privado e move no domínio público; no domínio público, e move no domínio privado; desde que não tire para fora de quatro amot”.
Disse Rav: Uma mishná diz assim: “Não esteja a pessoa no domínio privado e abra no domínio público; no domínio público, e abra no domínio privado; a não ser que tenha introduzido e feito para si uma divisória alta de dez palmos. Palavras de Rabi Meir.”
Rav disse: Em pichá (termo de leitura disputada). Rabi Yochanan disse: Em pichá. Pois, se não for assim, estaria Rabi Yudá conforme a sua opinião, ele que disse: mashké tofeach (líquido que umedece) é conexão?
Não só quando está no domínio privado e urina no domínio público; mas mesmo quando está no domínio público e urina no domínio público, e as águas rolam e descem para o domínio privado, é proibido.
Disse Rabi Yossi beRabi Bun: Não só quando está no domínio público e urina no domínio privado; mas mesmo quando está no domínio privado e urina no domínio privado, e rolam e descem para o domínio público, é proibido.
Disse Rabi Yassa: Isto diz: um silon (cano) que está no domínio público, alto de dez e largo de quatro: não se derramam para dentro dele águas que rolam e descem.
Esta é a quinta halachá do Perek Yud, HaMotzei Tefillin, de Massechet Eruvin. A halachá ocupa quatro segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, aqui dividida em dois pares de hebraico e português, e os outros três são as seções 01, 02 e 03 desta página, uma por segmento. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá corresponde a duas mishnayot avulsas: עוֹמֵד אָדָם בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד até אַרְבַּע אַמּוֹת é o resto da avulsa Eruvin 10:4, cuja primeira frase, sobre o ziz, ficou no Yerushalmi na Halachá 10:4; e לֹא יַעֲמוֹד אָדָם até עַד שֶׁיָרוֹק é a avulsa inteira Eruvin 10:5. O Sefaria liga este segmento a “Mishnah Eruvin 10:4-5”. A avulsa escreve חוּץ מֵאַרְבַּע אַמּוֹת, onde o Yerushalmi tem חוּץ לְאַרְבַּע אַמּוֹת; e אַף מִשֶּׁנִּתְלַשׁ רֻקּוֹ בְּפִיו, “também desde que se desprendeu a sua saliva na boca”, onde o Yerushalmi tem אַף מִי שֶׁנִּתְלַשׁ רוּקּוֹ מִפִּיו, “também aquele cuja saliva se desprendeu da sua boca”. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 98b, com as leituras da avulsa, e a guemará está em 98b e 99a. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b, e por isso esta página não traz link para essas folhas.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que a pessoa está na casa ou no telhado, se inclina, toma o objeto no domínio público e o põe ali mesmo, e não se decreta que talvez o traga para junto de si; que “desde que não tire para fora de quatro amot” é do lugar em que o objeto estava pousado, e que, se tirou, é isento, porque ele está em outro domínio. Sobre urinar e cuspir, diz que, se urinou ou cuspiu, deve um chatat (oferenda pelo pecado), e que, embora se requeira arrancar de um lugar de quatro por quatro, aqui o seu pensamento o torna lugar de quatro por quatro, e ele tira do domínio privado para o domínio público. Sobre Rabi Yehudá, diz que é quando a saliva se arredondou e se juntou para sair, e então ele pensa que, como está posta para ser lançada, é como uma carga; e que a halachá não é como Rabi Yehudá. O Korban HaEdah explica do mesmo modo, e diz que a saliva desprendida é a que se arredondou e se revirou na boca. No Bavli Eruvin 99a, Rav Yosef diz que, se urinou ou cuspiu, deve um chatat, porque o seu pensamento lhe faz lugar. O Rambam, nas Leis do Shabat 13:3, escreve que quem está num de dois domínios e urinou ou cuspiu no segundo é culpado; e, em 15:1, que a pessoa está no domínio público e move em todo o domínio privado, e está no domínio privado e move no domínio público, desde que não tire para fora de quatro amot, com a ordem inversa da Mishná. O Shulchan Aruch, Orach Chayim 350:1, traz a regra de mover de um domínio no outro; 350:2, que não urine nem cuspa de um domínio no outro; e 350:3, a saliva desprendida, como opinião de “há quem diga”.
Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que a regra da Mishná não é coisa em que todos concordam, porque Rabi Meir discorda, como conclui Rav da mishná do fim deste perek, sobre quem está num domínio e abre no outro, em que Rabi Meir decreta que talvez traga a chave para junto de si. O Korban HaEdah diz que a leitura עוֹמֵד אָדָם da Mishná não é correta e que é preciso corrigir para לֹא יַעֲמוֹד אָדָם, “não esteja a pessoa”, e que assim receberam do seu mestre; a prova é que, como o fim é de Rabi Meir, também o começo é de Rabi Meir. O Sheyarei Korban compara com o Bavli Eruvin 98b, onde Rav Chinená bar Shelemyá ensinou diante de Rav “não esteja a pessoa”, e Rav lhe disse que deixava os Sábios para fazer como Rabi Meir; observa que no Bavli Rav lê עוֹמֵד אָדָם, e aqui, segundo o Korban HaEdah, Rav lê לֹא יַעֲמוֹד. O Shaarei Torat Eretz Yisrael corrige a leitura, invertendo os domínios, “a pessoa está no domínio público e move no domínio privado; no domínio privado e move no domínio público”, e lê “Rav disse: a Mishná não é como Rabi Meir”; diz que לֹא סוֹף דָּבָר veio para cá do trecho de baixo. O Noam Yerushalmi entende לֹא סוֹף דָּבָר como “não só isto, mas também aquilo”, como em outros lugares do Yerushalmi, e anota que se deve ler עָשָׂה לוֹ מְחִיצָה, sem הִכְנִיס. A mishná citada por Rav está no Yerushalmi na Halachá 10:9, com עָשׂוּ לוֹ מְחִיצָה e sem הִכְנִיס, e na avulsa Eruvin 10:9, com עָשָׂה מְחִצָּה.
Sobre a seção 02. O Penei Moshe lê בְּפִיחָה como בהפיכה, “quando revirou”, e o refere a Rabi Yehudá na Mishná: só quando revirou a saliva na boca ela é como desprendida; e, se não for assim, Rabi Yehudá não obrigaria, porque segue a sua opinião de que líquido que umedece é conexão, e não é como desprendido. O Korban HaEdah lê pichá como saliva grossa que sai com força: a palavra de Rabi Yehudá não fala da saliva fina, que não tem substância; דִּלֹ כֵן é “pois, se não for assim”; e, se fosse a saliva fina, Rabi Yehudá não seguiria a sua opinião, pois para ele o líquido que umedece é conexão, e o que se arredondou na boca ainda estaria ligado à saliva que fica na boca. No Bavli Eruvin 99a, Rabi Yochanan diz que a opinião de Rabi Yehudá foi trocada, e Reish Lakish diz que se trata de כִּיחוֹ, o seu escarro; e a baraita ali traz כִּיחוֹ שֶׁנִּתְלַשׁ, וְכֵן רוּקּוֹ שֶׁנִּתְלַשׁ. A Tosefta Kifshutah, sobre a Tosefta Eruvin, cita esta passagem do Yerushalmi e diz que por isso a firmaram em כיחה, como corrigiu o Mashbir HeChadash, e como Reish Lakish. A Tosefta Eruvin 8:4, na numeração comum do Sefaria, que é 8:7 na edição de Lieberman, diz: הכוהה ברה"ר וכל מי שנתלש רוקו בפיו לא יהלך ד' אמות עד שירוק. A Tosefta Kifshutah remete, para “líquido que umedece é conexão”, à Tosefta Tahorot, no fim do capítulo 9, que o Sefaria liga a Tahorot 9:8. A mesma construção, דִּלֹא כֵן רִבִּי יְהוּדָה כְדַעְתֵּיהּ, está no Yerushalmi Eruvin 10:2, dita por Reish Lakish em nome de Levi Sochaya.
Sobre a seção 03. O Penei Moshe explica que não só quem está num domínio e urina em outro, mas mesmo quem está e urina num só domínio, e as águas rolam e descem logo para outro domínio, é proibido; que Rabi Yossi beRabi Bun diz algo ainda mais forte, porque mesmo no domínio privado, onde não é costume que rolem e saiam para fora, se rolam e descem logo para o domínio público, é proibido; e que o silon no domínio público, alto de dez e largo de quatro, é domínio privado, e quem derrama nele águas que rolam e descem para fora é como quem derrama do domínio privado para o domínio público; ensina-se que, embora não se compare a quem urina, porque ele derrama no cano que está junto dele, ainda assim, como descem logo, é proibido. O Korban HaEdah diz que וְהֵן מִתְגַּלְגְּלִין são as águas dos seus pés, e que o silon é um cano alto de dez e largo de quatro, que por isso é domínio privado.
Leituras incertas. לֹא סוֹף דָּבָר ficou “não só”, e na seção 01 a frase que segue ficou entre aspas, porque repete a Mishná; o sentido da seção é disputado pelos comentaristas, como se disse acima. בְּפִיחָה ficou “em pichá”, transliterado, porque a palavra tem leituras diferentes: revirar, segundo o Penei Moshe; saliva grossa, segundo o Korban HaEdah; e כיחה, segundo os que corrigem pelo Bavli. As duas falas, de Rav e de Rabi Yochanan, são idênticas no Sefaria, e assim ficaram. דִּלֹ כֵן ficou “pois, se não for assim”, com o Korban HaEdah, e a frase ficou pergunta. הִכְנִיס ficou “tenha introduzido”, sem objeto, como no hebraico. וְהֵן מִתְגַּלְגְּלִין ficou “e as águas rolam”, com “as águas” em itálico, segundo o Korban HaEdah. הָדָא אָמְרָה ficou “isto diz”, sem dizer de qual frase se tira a regra. Dez e quatro são palmos, que o hebraico diz sem a unidade na seção 03.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer escreve “Rebbi Jehudah”, “Rebbi Joḥanan”, “Rebbi Meïr”, “Rebbi Yose ben Rebbi Abun” e “Rebbi Yasa”, e aqui ficaram Rabi Yehudá, Rabi Yudá, Rabi Yochanan, Rabi Meir, Rabi Yossi beRabi Bun e Rabi Yassa. Na sua nota 87, ele lê Rabi Yossi no lugar de Rabi Yassa; o hebraico tem רִבִּי יָסָא, e assim ficou. Na nota 86, ele chama בְּפִיחָה de ininteligível, traduz “about soot” e lê כִּיחוֹ; aqui ficou a palavra do Sefaria. Na nota 84, ele diz que é preciso ler “a pessoa não esteja”, ou que a Mishná é de outro mestre, e remete à “Mishnah 8”; na nota 85, à “Mishnah 10:8”; o Sefaria liga ambas ao Yerushalmi Eruvin 10:9, segmento 1, e foi confirmado que ali está a mishná de quem abre de um domínio no outro, que é a avulsa Eruvin 10:9. Ele traduz o fim da seção 03 com “and exit”, e o hebraico tem só וְיוֹרְדִין, “e descem”. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 10:4, 10:5 e 10:9; Yerushalmi Eruvin 10:2, 10:6 e 10:9; Bavli Eruvin 98b e 99a; Tosefta Eruvin 8:4, que é 8:7 em Lieberman; Tosefta Tahorot 9:8; Rambam, Leis do Shabat 13:3 e 15:1; Shulchan Aruch, Orach Chayim 350:1 a 350:3; Penei Moshe, Korban HaEdah, Sheyarei Korban, Shaarei Torat Eretz Yisrael e Noam Yerushalmi nesta halachá; Tosefta Kifshutah e Masoret HaTosefta sobre a Tosefta Eruvin. O Mareh HaPanim não tem comentário nesta halachá no Sefaria, e o Sheyarei Korban só comenta a seção 01. Há links para as mishnayot avulsas Eruvin 10:4, 10:5 e 10:9 e para o Yerushalmi Eruvin 10:2 e 10:4, que este site já tem; não há link para o Bavli Eruvin 98b e 99a, porque o Bavli deste site vai em Eruvin até 61b, nem para a Tosefta, o Rambam e o Shulchan Aruch.
Nomes nesta página: Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה, na Mishná; Rav, רַב, e Rabi Meir, רִבִּי מֵאִיר, na seção 01; Rav, Rabi Yochanan, רִבִּי יוֹחָנָן, e Rabi Yudá, רִבִּי יוּדָה, na seção 02; Rabi Yossi beRabi Bun, רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן, e Rabi Yassa, רִבִּי יָסָא, na seção 03. Rabi Yehudá e Rabi Yudá são o mesmo nome, com as duas grafias do Sefaria. Na nota: Rav Yosef, Rav Chinená bar Shelemyá e Reish Lakish, do Bavli; Levi Sochaya, do Yerushalmi Eruvin 10:2.
Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e o marcador de página da edição de Vilna, 61a, que está na Mishná antes de וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יוֹצִיא. Não há marcador de coluna da edição de Veneza nesta halachá, nem parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. Foi mantida a marca פיס׳, no começo da seção 01, que não se traduz, como nas outras páginas deste site. Foram mantidas as grafias do Sefaria, como דִּלֹ, מַיְִם, הַיָחִיד ao lado de הַיָּחִיד, טוֹפַח e יְהַלֵּךְ.
A Mishná seguinte, que no Yerushalmi abre a Halachá 10:6, é a avulsa Eruvin 10:6: “לֹא יַעֲמוֹד אָדָם בִּרְשׁוּת הַיָחִיד וְיִשְׁתֶּה בִרְשׁוּת הָרַבִּים…”, não esteja a pessoa no domínio privado e beba no domínio público, a não ser que tenha introduzido a cabeça e a maior parte do corpo no lugar em que bebe.