Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Yud · Halachá 4
עֵרוּבִין

A saliência diante da janela: uma e não duas, e a largura de quatro

Perek Yud, HaMotzei Tefillin, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Quarta halachá do Perek Yud, HaMotzei Tefillin (quem encontra tefilin), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que sobre o ziz (saliência) que está diante da janela se põe e dele se toma no Shabat. A guemará diz que a Mishná não falou senão de uma, mas duas são proibidas, porque dois domínios não se servem de um só domínio; e isto quando não há nelas largura de quatro; mas, se há nelas largura de quatro, vale o que disse Rabi Achá em nome de Rabi Yochanan: saliências e paredes altas de dez e largas de quatro são permitidas para cá e para cá, desde que não troque. O Bavli discute esta Mishná em Eruvin 98b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

זִיז שֶׁלִּפְנֵי הַחַלּוֹן נוֹתְנִין עָלָיו וְנוֹטְלִין מִמֶּנּוּ בַשַּׁבָּת.

Mishná: O ziz (saliência) que está diante da janela: põem sobre ele e tomam dele no Shabat.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01Uma e não duas, e a largura de quatro segundo Rabi Yochanan
Yerushalmi · Eruvin 10:4
לֹא אָמַר אֶלָּא אַחַת אֲבָל שְׁתַּיִם אָסוּר. שֶׁאֵין שְׁתֵּי רְשׁוּיוֹת מִשְׁתַּמְּשׁוֹת בִּרְשׁוּת אַחַת. בְּשֶׁאֵין בָּהֶן רוֹחָב אַרְבָּעָה.

Não disse senão uma; mas duas, é proibido, pois dois domínios não se servem de um só domínio. Quando não há nelas largura de quatro.

אֲבָל יֵשׁ בָּהֶן רוֹחָב אַרְבָּעָה הָדָא דָמַר רִבִּי אָחָא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. זִיזִין וּכְתָלִין שֶׁגְּבוֹהִין עֲשָׂרָה וּרְחָבִין אַרְבָּעָה מוּתָּר לְכָאן וּלְכָאן. וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יַחֲלִיף.

Mas, se há nelas largura de quatro, é isto o que disse Rabi Achá em nome de Rabi Yochanan: Saliências e paredes que são altas de dez palmos e largas de quatro, é permitido para cá e para cá, desde que não troque.

Nota

Esta é a quarta halachá do Perek Yud, HaMotzei Tefillin, de Massechet Eruvin. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a seção 01 desta página, dividida aqui em dois pares de hebraico e português. Conferiu-se no Sefaria que a sua Mishná é a primeira frase da Mishná avulsa Eruvin 10:4; o resto da avulsa, עוֹמֵד אָדָם בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד, abre no Yerushalmi a Halachá 10:5. A avulsa escreve שֶׁלִּפְנֵי חַלּוֹן, sem o artigo, onde o Yerushalmi tem שֶׁלִּפְנֵי הַחַלּוֹן, e בְשַׁבָּת, onde o Yerushalmi tem בַשַּׁבָּת. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 98b, também sem o artigo, e a guemará sobre o ziz está na mesma folha; a frase seguinte da Mishná, sobre quem está no domínio privado e move no domínio público, é discutida em Eruvin 98b e 99a. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b, e por isso esta página não traz link para essas folhas.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que o ziz é uma pedra ou uma madeira que sobressai da parede e sai para o ar que está sobre o domínio público, acima de dez palmos; é permitido pôr sobre ele e tomar dele no Shabat pela janela aberta para ele, porque o domínio público não toma senão dez palmos, e por isso é permitido usar toda a parede até os dez palmos de baixo. Ele acrescenta que só é permitido com objetos que se quebram, como os de barro e de vidro, que, se caírem no domínio público, se quebram; mas os outros objetos e os alimentos são proibidos, para que não caiam no domínio público e se chegue a trazê-los; e que nisto não há diferença entre o ziz largo de quatro e o que não é largo de quatro. O Korban HaEdah, cujo lema traz a grafia זוז, diz também que é pedra ou madeira que sobressai da parede sobre o ar do domínio público, e que os que põem sobre ele são os moradores do andar de cima, que é domínio privado. No Bavli Eruvin 98b, a guemará pergunta para onde sai o ziz: se para o domínio público, deveria temer que caia e se chegue a trazê-lo; e, se para o domínio privado, é óbvio; e Abaye responde que sai para o domínio público, e que se trata de objetos que se quebram. A baraita ali traz קערות וכוסות, קיתוניות וצלוחיות, “tigelas e copos, jarros e frascos”. O Rambam, nas Leis do Shabat 15:4, escreve que o ziz que está diante da janela e sai para o ar sobre o domínio público, se está acima de dez palmos, é permitido usá-lo, porque o domínio público não toma senão dez palmos.

Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que a Mishná não falou senão quando há ali um só ziz, que sai acima de dez junto à janela aberta para ele, dos moradores do andar de cima; mas, se há outro ziz abaixo dele, no domínio dos moradores de baixo, embora ambos estejam acima de dez, é proibido usar o de cima, porque é domínio por si, e o ziz que está abaixo dele é outro domínio, e proíbem um ao outro. O Korban HaEdah traz duas leituras: na primeira, “uma” é uma só janela, e as duas são duas janelas de duas pessoas, que não podem usar o ziz; na outra, que ele diz ser a principal, “uma” é um só ziz, e as duas são dois ziz, um em cima e outro embaixo, e os domínios do de cima e do de baixo não se servem de um só domínio. Sobre בְּשֶׁאֵין בָּהֶן רוֹחָב אַרְבָּעָה, o Korban HaEdah diz que a proibição dos dois ziz é só quando não têm largura de quatro, porque então são como o próprio domínio privado e se anulam diante da parede; e que, se têm largura de quatro, são makom petur (lugar isento), e é permitido usá-los mesmo a muitos domínios. Sobre “desde que não troque”, diz que é proibição dos Sábios, porque não há culpa da Torá, que requer arrancar do domínio público e pousar no privado, ou o contrário, e aqui o arrancar ou o pousar é no lugar isento. O Penei Moshe diz que, segundo a leitura do livro, é preciso dizer que este pensa que, mesmo largas de quatro, não se consideram karmelit (domínio intermediário), mas lugar isento, permitido para cá e para cá, desde que não troque. O Shaarei Torat Eretz Yisrael corrige a leitura: בשיש בו רוחב ארבעה אבל אין בו רוחב ארבעה, “quando há nele largura de quatro; mas, se não há nele largura de quatro”, e, na palavra de Rabi Yochanan, ואין רחבין ארבעה, “e não são largas de quatro”. O hebraico ficou aqui como está no Sefaria, e a tradução o segue.

A palavra de Rabi Yochanan está também no Yerushalmi Eruvin 7:2, na seção 01, dita por Rabi Achá e Rabi Chinená em nome de Rabi Yochanan, com וּכְתָלִים שֶׁהֵן גְּבוֹהִין e מוּתָּר לְכָאן וּמוּתָּר לְכָאן; ali também o Sefaria tem וּרְחָבִין אַרְבָּעָה, e o Penei Moshe e o Korban HaEdah leem que não são largas de quatro. No Yerushalmi Shabbat 1:1, Rav Chisda diz, em nome de Assi, de uma vara fincada no domínio público, alta de dez palmos e não larga de quatro, מוּתָּר לְכָאן וּלְכָאן. וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יַחֲלִיף. No Bavli Shabbat 8b, Rav Dimi diz em nome de Rabi Yochanan que um lugar que não tem quatro por quatro é permitido à gente do domínio privado e à gente do domínio público para apoiar a carga nele, ובלבד שלא יחליפו, “contanto que não troquem”. No Bavli Eruvin 98b, a baraita diz que se usa toda a parede até os dez de baixo, e que, se há um ziz abaixo dele, usa-se o de baixo, e o de cima não se usa senão diante da sua janela; e Abaye explica que o de baixo tem quatro, e o de cima não tem quatro, e a janela o completa até quatro. O Rambam, nas Leis do Shabat 15:5, escreve que, se há na parede dois ziz, um abaixo do outro, embora ambos acima de dez, e o ziz de cima, diante da janela, tem largura de quatro por quatro, é proibido usá-lo, porque é domínio por si, e o ziz que está abaixo dele é outro domínio, e proíbem um ao outro, pois dois domínios não se servem de um só domínio. Assim também está no Shulchan Aruch, Orach Chayim 353:2.

Leituras incertas. לֹא אָמַר אֶלָּא אַחַת ficou “não disse senão uma”, com o feminino do hebraico e sem substantivo, porque o Penei Moshe o lê como um ziz, e o Korban HaEdah, numa leitura, como uma janela. בְּשֶׁאֵין בָּהֶן e יֵשׁ בָּהֶן ficaram “não há nelas” e “há nelas”, com o feminino plural do hebraico. בְּשֶׁאֵין בָּהֶן רוֹחָב אַרְבָּעָה ficou frase à parte, como no Sefaria, que delimita o caso das duas. מוּתָּר לְכָאן וּלְכָאן ficou “é permitido para cá e para cá”, isto é, aos dois lados. שֶׁלֹּא יַחֲלִיף ficou “que não troque”, sem dizer o objeto, que é passar de um domínio ao outro por meio do lugar isento. A palavra palmos, em itálico, completa “dez”, que o hebraico diz sem a unidade.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer escreve “Rebbi Aḥa” e “Rebbi Joḥanan”, e aqui ficaram Rabi Achá e Rabi Yochanan. Ele traduz לֹא אָמַר com “it speaks”, e o hebraico tem “não disse”. Na sua nota sobre a Mishná, diz que o ziz largo de quatro e alto de dez é domínio por si, que se pode usar da casa e da rua; o Penei Moshe diz que, para a Mishná, não há diferença entre o largo de quatro e o que não é. A sua nota 81, “Discussion of Mishnah 4”, aponta no Sefaria para o Yerushalmi Eruvin 10:5, segmento 1; a Mishná discutida aqui é a do segmento 1 desta halachá, a primeira frase da avulsa Eruvin 10:4. A sua nota 83 remete ao capítulo 7, nota 49, que no Sefaria é o Yerushalmi Eruvin 7:2, segmento 2, e foi confirmada; ali ele remete a Shabbat 1, nota 170, que é o Yerushalmi Shabbat 1:1, segmento 26, e ao Bavli Shabbat 8b, ambos confirmados; a remissão seguinte, a 99b, que o Sefaria liga ao Bavli Eruvin 99b, não foi confirmada para esta regra. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.

Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 10:4; Yerushalmi Eruvin 7:2 e 10:5; Yerushalmi Shabbat 1:1; Bavli Eruvin 98b e 99a; Bavli Shabbat 8b; Rambam, Leis do Shabat 15:4 e 15:5; Shulchan Aruch, Orach Chayim 353:2; Penei Moshe, Korban HaEdah e Shaarei Torat Eretz Yisrael nesta halachá. O Sheyarei Korban e o Mareh HaPanim não têm comentário nesta halachá no Sefaria. Há links para a Mishná avulsa Eruvin 10:4, para o Yerushalmi Eruvin 7:2 e Shabbat 1:1 e para o Bavli Shabbat 8b, que este site já tem; não há link para o Bavli Eruvin 98b e 99a, porque o Bavli deste site vai em Eruvin até 61b, nem para o Rambam e o Shulchan Aruch.

Nomes nesta página: Rabi Achá, רִבִּי אָחָא, e Rabi Yochanan, רִבִּי יוֹחָנָן, na seção 01. Na nota: Rabi Chinená e Rav Chisda, do Yerushalmi; Assi, do Yerushalmi Shabbat; Rav Dimi e Abaye, do Bavli.

Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos. Não há nesta halachá marcador de página da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza; o marcador seguinte, de Vilna 61a, está na Mishná da Halachá 10:5. Não há marcador numérico, parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. Não há aqui as marcas פיס׳, כול׳ nem כו׳. Foram mantidas as grafias do Sefaria, como רוֹחָב, דָמַר, וּכְתָלִין e שֶׁגְּבוֹהִין.

A Mishná seguinte, que no Yerushalmi abre a Halachá 10:5, é o resto da avulsa Eruvin 10:4: “עוֹמֵד אָדָם בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד וּמְטַלְטֵל בִּרְשׁוּת הָרַבִּים…”, a pessoa está no domínio privado e move no domínio público, desde que não tire para fora de quatro amot.