Primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Pessachim, que abre o terceiro capítulo, VeElu Ovrin (e estes transgridem), assim chamado pelas primeiras palavras da sua Mishná. Depois do capítulo do proveito do chametz e da sua eliminação, o capítulo passa ao chametz misturado e ao que está a ponto de fermentar: às coisas de uso comum que levam cereal e transgridem no Pessach; à massa nas fendas da amassadeira, que se anula se não tem um kezait num só lugar, e à massa surda, de que não se sabe se fermentou; à separação da chalá em impureza no Yom Tov, em que divergem Rabi Eliezer, Rabi Yehudá ben Beteira e Rabi Yehoshua; às três mulheres que amassam e assam, segundo Raban Gamliel, os sábios e Rabi Akiva; ao siur e ao saduk, a massa que começou a levedar e a fendida; ao catorze que cai no Shabat; a quem sai para abater o seu Pessach, circuncidar o filho ou comer o banquete do noivado e se lembra de que tem chametz em casa, e o anula no coração; e a quem saiu de Jerusalém com carne consagrada e volta para queimá-la, com a medida pela qual se volta. A Mishná enumera o kutach babilônico, a cerveja da Média, o vinagre de Edom, o zitom egípcio, o zuman dos tintureiros, o amilan dos cozinheiros e o kolan dos escribas; Rabi Eliezer acrescenta os adornos das mulheres; e a regra é que tudo o que é espécie de cereal transgride no Pessach, sob advertência e sem karet. A guemará diz, em nome de Rabi Mana, que todos transgridem quando a mistura se faz com água; explica cada um dos itens, um por um; traz as duas versões, tachshitei e tipulei, da palavra de Rabi Eliezer; aprende de “todo fermentado não comereis” a advertência, e de “todo o que come chametz” o karet, com a pergunta dos colegas a Rabi Yoná, a matzá temperada, o rakik desfeito e a fermentação que não é clara; discute se quem os come é açoitado, com a baraita da mistura que recebe os quarenta; e termina com a panela em que se cozinhou antes do Pessach e com as instruções aos moleiros. O Bavli discute esta mesma Mishná em Pessachim 42a, no início do seu capítulo Elu Ovrin. O capítulo tem oito halachot no Yerushalmi, e a Mishná avulsa, oito mishnayot.
Mishná: E estes transgridem no Pessach (isto é, por eles se transgride, e devem ser eliminados): o kutach (um molho fermentado com migalhas de pão) babilônico, e o shechar (a cerveja) da Média, e o vinagre de Edom, e o zitom (um preparado de cevada) egípcio, e o zuman (a água de trabalho) dos tintureiros, e o amilan (o amido) dos cozinheiros, e o kolan (a cola) dos escribas.
Rabi Eliezer diz: também os tachshitei nashim (os adornos das mulheres).
Esta é a regra: tudo o que é espécie de cereal, eis que isto transgride no Pessach. Eis que estes estão sob advertência (a proibição de comê-los), e não há neles a pena de karet (a extirpação).
E estes transgridem no Pessach etc. Disse Rabi Mana: e todos eles transgridem só quando a mistura se faz por meio de água (e não de sucos de frutas, que não fazem fermentar).
O kutach babilônico: porque quem o faz põe nele migalhas de massa amassada.
O shechar da Média: porque quem o faz põe nele farinha de cevada.
O vinagre de Edom: bessimá derumiyá (o aromático do sul, ou dos romanos).
Antigamente, quando faziam o vinho em pureza para as libações (no tempo do Templo), o vinho não azedava.
E punham nele cevada, para que avinagrasse; e chamavam-no bessimá derumiyá.
O zitos egípcio: zayitiyá (assim o chamavam).
E o zimei dos tintureiros: porque o tintureiro põe nele kutzam (um aditivo de identificação incerta), para que a lã absorva a tinta.
O amilan dos cozinheiros: disse Rabi Chiya bar Ba: o cozinheiro traz espigas que não chegaram a um terço do seu crescimento, e pila-as, e faz delas como bolos de chariá (açafrão),
e põe os bolos na panela; e ele faz kiladin (palavra de sentido discutido).
E o kolan dos escribas: em Alexandria fazem ambatiot (tinas) de massa (de que se tira para colar as folhas).
Rabi Eliezer diz: também os adornos das mulheres.
Há tanaim (os que recitam as baraitot) que ensinam: tachshitei (adornos); e há tanaim que ensinam: tipulei (emplastros, que se aplicam sobre o corpo).
Quem diz tipulei inclui com mais razão os tachshitei; quem diz tachshitei, eis que os tipulei não (precisam ser eliminados).
Está escrito: “Todo fermentado não comereis” (Shemot 12:20); isto vem para incluir o kutach babilônico, e o shechar da Média, e o vinagre de Edom, para que estejam sob advertência.
Poderia ser que estejam sob extirpação? Diz o ensinamento: “pois todo o que come chametz, será extirpada aquela alma” (Shemot 12:15).
Os chaverim (os colegas) perguntaram diante de Rabi Yoná: aqui está escrito “todo”, e aqui está escrito “todo”; aqui (na advertência) tu incluis, e aqui (no karet) tu excluis?
Disse-lhes: aqui a Escritura incluiu entre os que comem (as mulheres, no karet), e aqui incluiu entre as coisas comidas (as misturas, na advertência).
Objetaram: e eis que se ensinou: cumpre-se a obrigação com matzá metubelet (temperada), embora não haja nela sabor de grão, contanto que a maior parte dela seja grão. E estes, já que a maior parte deles é chametz, quem os come seja culpado de karet!
Disse-lhes: é diferente, pois está escrito “pão” (a respeito da matzá), e estes não são pão.
Objetou Rabi Yossi: e eis que se ensinou: em si mesmo, não é chamado pão senão a matzá: “sete dias comerás com ele matzot, pão da aflição” (Devarim 16:3). E aqui tu aprendes a matzá do chametz?
E mais, desta que se ensinou: cumpre o homem a sua obrigação com um rakik (uma obreia) de molho e com um rakik cozido que não se desfez.
Não disse senão: que não se desfez; eis que, se se desfez, não cumpre. E a respeito do chametz tu dizes: se desfez o chametz e o sorveu, é culpado!
Como é, então? Rabi Yossi disse em nome de Rabi Idi: a fermentação dele (do que está na Mishná) não é fermentação clara.
O que é a lei quanto a ser açoitado quem os come? Rabi Yirmeyá disse em nome de Rabi Lazar, e Rabi La em nome de Rabi Shimon ben Lakish: também ser açoitado, não é açoitado.
E o que se ensinou: por chametz claro é culpado de karet, e pela mistura dele recebe os quarenta açoites?
Rav disse: isto é o siur (a massa que começou a levedar). E disse: isto é o kutach babilônico e o shechar da Média.
Disse Rabi Bun bar Kahana diante de Rabi La: explica-a (a baraita) com chametz e matzá que se misturaram.
Disse Rabi Yossi: levantei a dificuldade contra esta palavra de Rabi Bun bar Kahana: em que estamos? Se a maior parte dele é chametz, é culpado de karet; se a maior parte dele é matzá, cumpre com eles a sua obrigação no Pessach (e não há por que açoitá-lo).
Disse Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: ensinou Rabi Yehoshua Oniyá: explica-a quando há nele chametz, e não há nele um kezait (o volume de uma azeitona); é conforme Rabi Shimon, pois Rabi Shimon disse: a mínima quantidade basta para os açoites.
Rabi Yirmeyá, Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, em nome de Rav: uma panela em que alguém cozinhou mudá (um preparado de leitura incerta), não cozinhe nela daquela mesma espécie senão depois do Pessach.
Eis que de outra espécie é permitido mesmo no Pessach, contanto que seja depois de três cozidos.
Assim como ele se anula diante do que não é da sua espécie, assim se anule diante da sua espécie! Responde-se: a espécie desperta a sua espécie para ser proibida.
Disse Rabi Yaakov bar Zavdi: Rabi Abahu ordenava aos moleiros que não pusessem os cestos de farinha uns sobre os outros, para que não se aquecessem e fermentassem.
Rabi Chinena bar Papa foi ele mesmo até os moleiros.
Rabi Yossi beRabi Bun: moeu-lhe tzaraf (palavra de sentido discutido).
Rabi Avun instruiu os moleiros a pôr um tarton (um quarto, uma medida) de água por causa das medidas, e a suspendê-la quatro vezes.
Rabi Chananiá e Rabi Mana: um disse: com ervas é permitido; metanana (com umidade) é proibido. E o outro inverte.
Disse Rabi Chananiá, filho de Rabi Hilel: e mesmo conforme quem diz: com ervas é permitido, é quando as colhe da sexta hora em diante. Por quê? Porque o orvalho já se dissipou delas.
Esta é a primeira halachá do Perek Guimel, VeElu Ovrin (e estes transgridem), de Massechet Pessachim. A halachá ocupa doze segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros onze é uma seção desta página, de 01 a 11; as seções longas foram divididas em pares de hebraico e português. Nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá corresponde à Mishná avulsa Pessachim 3:1. O Yerushalmi diz וָאֵילּוּ עוֹבְרִין בַּפֶּסַח, וְזִיתוֹם, וְזוּמָן שֶׁל צַבָּעִין, טַבָּחִין e כָּל שֶׁהוּא מִין דָּגָן, onde a avulsa diz אֵלּוּ עוֹבְרִין בְּפֶסַח, וְזֵתוֹם, וְזוֹמָן שֶׁל צַבָּעִים, טַבָּחִים e מִמִּין דָּגָן; nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No Bavli, a Mishná está em Pessachim 42a (conferido), com וְאֵלּוּ עוֹבְרִין בַּפֶּסַח e וְזֵיתוֹם, e a guemará sobre cada item está em 42a e 42b, e sobre Rabi Eliezer e a regra, em 42b e 43a (conferidos). O Bavli deste site não tem Pessachim; por isso esta página não traz links para o Bavli. A glosa do kutach segue a página 2:7 deste tratado; a Mishná avulsa deste site escreve cutach, zaitom e cosméticos, e aqui se seguiu o hebraico do Yerushalmi e a grafia já usada nas halachot anteriores.
Sobre a Mishná. “Transgridem”: o Penei Moshe explica que a palavra quer dizer que passam do mundo, e é preciso eliminá-los; e que, se ficam no Pessach, há entre eles aqueles pelos quais se transgride o não será visto e o não será achado, os que têm mistura de chametz completo e são próprios para comer; o Korban HaEdah diz só que se eliminam do mundo. A glosa reúne as duas coisas. Os quatro primeiros são chametz de cereal completo por mistura, e os três últimos são nukshé (chametz endurecido, impróprio para comer) em si mesmos (Korban HaEdah; o Penei Moshe divide do mesmo modo). Segundo o Penei Moshe, o kutach se faz de pão mofado e leite, e nele se molha a comida; o shechar da Média, de trigo ou de cevada postos de molho na água; o vinagre de Edom, de cevada posta no vinho até virar vinagre; o zitom egípcio, de um terço de cevada, um terço de açafrão-bravo e um terço de sal, como diz Rav Yosef no Bavli 42b (conferido); o zuman, da água de que os tintureiros se servem no seu trabalho, em que põem farelo; o amilan, da farinha de cereal que não chegou a um terço da sua maturação, para cobrir a panela e chupar a escuma; e o kolan, do pó do moinho amassado com água, com que os escribas colam os seus papéis. As glosas da Mishná ficaram neutras, e as identificações estão aqui. Rabi Eliezer acrescenta o que é nukshé por mistura (Korban HaEdah), e a halachá não segue Rabi Eliezer (Penei Moshe). “Sob advertência” quer dizer que quem os come transgride um lav, o de “todo fermentado não comereis”; o karet é só por um kezait de chametz completo (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí as glosas. O Korban HaEdah enumera as cinco espécies de cereal: trigo, cevada, espelta, aveia e centeio.
Sobre a seção 01. “Por meio de água”: todos os que a Mishná conta como mistura de chametz transgridem só quando foram misturados com água, e não com sucos de frutas, que não fazem fermentar (Penei Moshe); o Korban HaEdah diz o mesmo dos quatro que são chametz completo por mistura. A glosa vem daí. Sobre os sucos de frutas, veja-se o Yerushalmi Pessachim 2:7.
Sobre as seções 02, 03 e 04. As glosas do Yerushalmi são diferentes das do Bavli. O kutach leva aqui migalhas de massa amassada (Penei Moshe: pedaços pequenos de massa, na água; Korban HaEdah: migalhas de massa amassada); no Bavli 42a (conferido), o kutach se faz com soro de leite, sal e קוֹמָנִיתָא דְאוּמָא, o pão mofado. O shechar leva aqui farinha de cevada (Korban HaEdah); no Bavli 42b, מֵי שְׂעָרֵי, água de cevada (conferido). בְּסִימָה דְרוּמִיָּא: o Penei Moshe explica que em Roma se faz assim, pondo cevada no vinho até que se torne aromático e por fim vinagre, e que o chamavam assim pelo costume dali; o Korban HaEdah diz vinagre aromático dos romanos, ou, segundo outra leitura, dos homens do sul; Guggenheimer traduz “aromático do sul”. A tradução transliterou o nome, e a glosa dá as duas leituras. Sobre o vinho feito em pureza para as libações, o Korban HaEdah explica que, enquanto o Templo existia, traziam libações da Judeia, e pelo mérito das libações o vinho não azedava; daí a glosa. No Bavli 42b (conferido), Rav Nachman diz que, no começo, quando traziam libações da Judeia, o vinho da Judeia não azedava até que lhe pusessem cevada, e chamavam-no vinagre simplesmente; e que agora é o vinho dos edomitas que não azeda sem cevada, e chamam-no vinagre de Edom. O hebraico escreve דְרוּמִיָּא na primeira vez e דְרוּמִיָּה na segunda; manteve-se.
Sobre a seção 05. A Mishná do Yerushalmi diz זִיתוֹם, e a glosa diz זִיתוֹס; cada uma ficou conforme o hebraico, zitom e zitos. Guggenheimer liga a palavra ao grego ζῦθος, uma espécie de cerveja. Sobre זַיְיתִיָּה, o Penei Moshe diz só que assim o chamavam, e daí a glosa; o Korban HaEdah diz que é uma comida chamada assim, de três de cevada, três de açafrão-bravo e três de sal, como no Bavli 42b.
Sobre a seção 06. Na Mishná o hebraico diz וְזוּמָן, e aqui וְזִימֵי שֶׁלְצַבָּעִין; transliterou-se zimei, conforme o hebraico. O קוּצָם é de identificação incerta, e a glosa ficou neutra: o Penei Moshe diz que é uma das espécies de tinturas, e remete a uma Mishná de Shevi’it, que é a Mishná Shevi’it 7:1 (conferida: וּמִמִּין הַצּוֹבְעִים, סְפִיחֵי אִסְטִיס, וְקוֹצָה); o Korban HaEdah diz que se põe água de farelo, para que a lã absorva a tinta, e daí o sujeito “a lã”; Guggenheimer cita Lieberman, segundo o qual, na leitura do texto, a palavra é siríaca e quer dizer farinha de cevada. No Bavli 42b (conferido), o zuman é מַיָּא דְּחִיוָּרֵי דְּצָבְעִי בְּהוּ לִבָּא, a água de farelo com que se tinge.
Sobre a seção 07. As espigas que não chegaram a um terço não cresceram um terço do seu crescimento (Korban HaEdah); daí a glosa. חָרִיעַ é açafrão-bravo (Penei Moshe) ou açafrão (Korban HaEdah); Guggenheimer também traduz açafrão. כִילָדִין é palavra de sentido discutido, e a glosa ficou neutra: o Penei Moshe explica que são as bolhas de água que sobem com o cozimento e levantam a escuma, para chupá-la; o Korban HaEdah, que é uma coisa estimada, digna de príncipes; Guggenheimer, que é a sujeira que a massa absorve, do grego χλῆδος. No Bavli 42b (conferido), o amilan é pão de cereal que não chegou a um terço, que se põe na boca da panela e chupa a escuma. Manteve-se a grafia do Sefaria מְלִילֹות.
Sobre a seção 08. O Penei Moshe explica as אַמְבַּטִּיּוֹת שֶׁל בָּצֵק como massas grudadas, à maneira de uma tina, das quais se tira para colar os papéis; daí a glosa. O Korban HaEdah lê אטביות, uma espécie de pau com que se segura o pergaminho para que não se vire. Guggenheimer diz que a cola com que se fazia o papiro era de cereal. No Bavli 42b (conferido), o kolan é פֵּרוּרָא דְאוּשְׁכָּפֵי, a cola dos sapateiros, e Rav Oshaiá explica que se chama dos escribas porque também os escribas colam com ela os seus papéis.
Sobre a seção 09. Segundo o Penei Moshe, tipulei é o que fazem as filhas dos pobres para tirar os pelos, a maior parte de cal com um pouco de sêmola, e tachshitei é o das filhas dos ricos, com muita sêmola; por isso, quem diz tipulei, com mais razão tachshitei. Segundo o Korban HaEdah, tachshitei é a sêmola que se põe no rosto para amaciar a pele, e tipulei, a sêmola que se gruda no corpo para tirar os pelos; quem diz tipulei obriga a eliminar, embora seja muito repugnante; e quem diz tachshitei não obriga nos tipulei, que, por serem tão repugnantes, são como o que já não serve nem para o cão. A glosa “precisam ser eliminados” vem daí. No Bavli 42b e 43a (conferidos), pergunta-se como poderia ser adornos das mulheres, e lê-se אַף טִיפּוּלֵי נָשִׁים, com a palavra de Rav Yehudá em nome de Rav sobre as filhas dos pobres, que se untam com cal, as dos ricos, com sêmola, e as dos reis, com óleo de mirra.
Sobre a seção 10. Os versículos são Shemot 12:20, כׇּל־מַחְמֶצֶת לֹא תֹאכֵלוּ, Shemot 12:15, כִּי כׇּל־אֹכֵל חָמֵץ וְנִכְרְתָה, e Devarim 16:3, שִׁבְעַת יָמִים תֹּאכַל־עָלָיו מַצּוֹת לֶחֶם עֹנִי, todos conferidos. A baraita do começo está no Bavli 43a (conferido), com o zitom egípcio na lista e com a conclusão עַל חָמֵץ דָּגָן גָּמוּר — עָנוּשׁ כָּרֵת, וְעַל עֵירוּבוֹ — בְּלָאו; e ali também “todo” serve para incluir as mulheres (conferido). O Korban HaEdah explica que o versículo do karet diz “chametz”, e não “fermentado”, para ensinar que o karet é pelo chametz completo e a mistura fica sob o lav. Os colegas perguntam a Rabi Yoná por que “todo”, na advertência, inclui a mistura, e “todo”, no karet, a exclui; o Penei Moshe lembra que também Shemot 12:19 diz כִּי כׇּל־אֹכֵל מַחְמֶצֶת וְנִכְרְתָה (conferido). A resposta: o “todo” do karet fala dos que comem e inclui as mulheres; o “todo” da advertência fala das coisas comidas e inclui a mistura (Penei Moshe, Korban HaEdah); as glosas vêm daí. O Penei Moshe acrescenta que as mulheres, incluídas na proibição de comer chametz, ficam por isso obrigadas também a comer matzá. A baraita da matzá temperada já apareceu no Yerushalmi Pessachim 2:4, e a tradução segue a daquela página; o Penei Moshe a localiza na Tosefta, e a Tosefta Pessachim 2:13, na numeração comum, e 2:21, na edição de Lieberman (conferidas), diz só que se cumpre com matzá temperada, sem a cláusula da maior parte de grão. A objeção (Korban HaEdah): se a matzá temperada vale como pão porque a maior parte é grão, estes, cuja maior parte é chametz, deveriam ter karet; a resposta é que a palavra “pão” está escrita na matzá, e estes não têm forma de pão. Rabi Yossi objeta que só na matzá a Escritura exige pão, e quem aprende daí o chametz aprende ao contrário (Penei Moshe, Korban HaEdah). O rakik de molho e o cozido que não se desfez estão na Tosefta Pessachim 2:11, na numeração comum, e 2:19, na edição de Lieberman, e no Bavli Pessachim 41a e Berachot 38b (todos conferidos), como palavras de Rabi Meir, das quais Rabi Yossi diverge quanto ao cozido. O chametz desfeito e sorvido está no Bavli Chulin 120a (conferido): הִמְחָהוּ וּגְמָעוֹ – אִם חָמֵץ הוּא, עָנוּשׁ כָּרֵת; אִם מַצָּה הִיא, אֵין אָדָם יוֹצֵא בָּהּ יְדֵי חוֹבָתוֹ בַּפֶּסַח. Daí “não cumpre”. O Penei Moshe conclui que não se aprende o chametz da matzá; o Korban HaEdah, que sorver é como comer.
Continuação da seção 10. “Como é, então?”: se a mistura é na maior parte chametz, por que não há karet? Rabi Yossi, em nome de Rabi Idi, responde que a fermentação dos que estão na Mishná não é fermentação clara, mas se parece com o nukshé (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí a glosa. A pergunta sobre os açoites é sobre quem come os da Mishná (Korban HaEdah); daí “quem os come”. O hebraico diz אַף לִלְקוֹת אֵין לוֹקֶה, “também ser açoitado, não é açoitado”, e assim se traduziu, com o Penei Moshe, que lê a baraita seguinte como objeção; o Korban HaEdah lê ללקות לוקה, “ser açoitado, é açoitado”, e lê a baraita como prova. O e inicial e o ponto de interrogação da baraita seguem o Penei Moshe. A palavra de Rav: o Penei Moshe explica que Rav entende a mistura como o siur da Mishná Pessachim 3:5 (conferida: שִׂאוּר, יִשָּׂרֵף, וְהָאוֹכְלוֹ פָטוּר), e que há quem diga que é o kutach babilônico e o shechar da Média, de onde se vê que há neles açoites; o Korban HaEdah lê רב אמר זה שיאור וזה כותח הבבלי; Guggenheimer traduz o segundo “disse” como “poderia ter dito”. A tradução ficou literal, “e disse”. No Bavli 43a (conferido), a baraita do siur que é queimado, que se dá ao cão e pelo qual quem o come recebe os quarenta, é de Rabi Meir, segundo Rav Yehudá em nome de Rav, e a baraita da mistura sob lav é de Rabi Eliezer, segundo Rav Nachman. Rabi Bun bar Kahana explica a baraita com chametz completo e matzá misturados, e não com os da Mishná (Penei Moshe); daí a glosa “a baraita”. Rabi Yossi objeta: se a maior parte é matzá, por que não se anula o pouco chametz para isentar dos açoites? (Penei Moshe); daí a glosa final. Rabi Yehoshua Oniyá explica que há chametz, mas menos que um kezait, e por isso não há karet; e há açoites conforme Rabi Shimon, que diz que a mínima quantidade basta para os açoites, e que o kezait só se disse para o korban (Penei Moshe, Korban HaEdah). No Bavli Makot 17a (conferido): רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר: כׇּל שֶׁהוּא לְמַכּוֹת, לֹא אָמְרוּ כְּזַיִת אֶלָּא לְעִנְיַן קׇרְבָּן. Os nomes seguem o hebraico: Rabi Yossi traduz יוֹסֵה e יוֹסֵי; Rabi Yirmeyá, יִרְמָיָה aqui e יִרְמְיָה na seção 11; Rabi Lazar, לָעְזָר; Rabi Yehoshua Oniyá, יוֹשׁוּעַ אוֹנִיָיה, que Guggenheimer chama de Joshua de Ono. Mantiveram-se as grafias do Sefaria זָה סִיעוֹר, קַּשִּׂיָיתָהּ, ואֵין, לֹא אַמַר e שֶׁנְִּתְעָרְבוּ, com dois sinais vocálicos sob o nun.
Sobre a seção 11. A palavra [מוּדָה] está entre colchetes do corretor, isto é, acrescentada; traduziu-se sem colchetes, e a identificação é incerta: o Penei Moshe lê מורה, isto é, מורייס, a salmoura; o Korban HaEdah lê חמירא, fermento; Guggenheimer entende “com água”, a partir do árabe. Daí a glosa neutra. O Yerushalmi diz “Rabi Yirmeyá, Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, em nome de Rav”, sem verbo, e assim ficou. De outra espécie é permitido cozinhar na panela mesmo no Pessach, contanto que antes se tenham cozido nela três outros cozidos (Penei Moshe, Korban HaEdah; o Korban HaEdah diz que os três são antes do Pessach); daí as glosas. Pergunta-se por que, se o sabor absorvido se anula diante de outra espécie, não se anula também diante da sua; e responde-se que a espécie desperta o sabor da sua espécie (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí “Responde-se”. Rabi Abahu proibia pôr os cestos de farinha (Penei Moshe), ou os sacos de trigo (Korban HaEdah), uns sobre os outros; Rabi Chinena bar Papa ia ele mesmo ao moinho, para vigiar (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí as glosas. צְרָף é de sentido discutido: o Penei Moshe entende que moía pouco a pouco, até juntar o que precisava; o Korban HaEdah, que um ourives lhe moía, porque as roupas dos moleiros estão cheias do pó da farinha de chametz; Guggenheimer, que moía como hóspede. Rabi Avun: טַרְטוֹן é uma medida, um quarto (Guggenheimer, do grego τέταρτον); o Penei Moshe entende que permitiu aos moleiros pôr na balança um vaso de água para acertar o peso da medida, e suspendê-lo até quatro vezes, sem temer que a água caia na farinha; o Korban HaEdah, que se põe um vaso cheio de água dentro da medida e se vira quatro vezes. A tradução ficou literal. Rabi Chananiá e Rabi Mana: segundo o Penei Moshe, pôr ervas, mesmo úmidas, na balança para acertar o peso é permitido, e uma coisa úmida por si, como água, é proibida; segundo o Korban HaEdah, pôr o trigo sobre ervas úmidas é permitido, e sobre terra úmida, proibido. A glosa de מְטָנָנָה ficou neutra, “com umidade”. Rabi Chananiá, filho de Rabi Hilel, exige que as ervas tenham sido colhidas depois do meio-dia, quando o orvalho já se dissipou (Penei Moshe, Korban HaEdah); o Korban HaEdah compara פְיָיגָא com וַיָּפׇג לִבּוֹ, de Bereshit 45:26 (conferido).
Do hebraico retiraram-se só os rótulos משנה: e הלכה:, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e as marcas das edições: Vilna 19b, na Mishná, antes de כָּל שֶׁהוּא מִין דָּגָן; Veneza 29d, na seção 01, antes de וָאֵילּוּ עוֹבְרִין; Vilna 20a, na seção 10, antes de כָּל עַצְמוֹ; Veneza 30a, na seção 11, antes de קוּפַּיָיא; e Vilna 20b, também na seção 11, antes de אֲזַל לֵיהּ. Nada foi acrescentado ao hebraico. Não há, nesta halachá, parênteses do corretor; o único colchete, [מוּדָה], ficou no hebraico e foi traduzido sem colchetes. Mantiveram-se as grafias do Sefaria, como כול׳, מוֹיי, שֶׁלְצַבָּעִין, שֶׁלְּסוֹפְרִין, בְּאַלֶכְסַנְדְּרִיָּאה e פַּפֻּא.
A Mishná seguinte, Pessachim 3:2 no Yerushalmi, corresponde à Mishná avulsa Pessachim 3:2: “בָּצֵק שֶׁבְּסִדִיקֵי הָעֲרֵיבָה…”, “a massa que está nas fendas da amassadeira…”: se há um kezait num só lugar, é obrigado a eliminar; menos que isso, anula-se pela sua pequenez; e assim quanto à impureza; e a massa surda, se há outra como ela que fermentou, é proibida.
Com esta halachá, abre-se o Perek Guimel de Massechet Pessachim, VeElu Ovrin (פֶּרֶק וְאֵלּוּ עוֹבְרִין).