Se'or, deve ser queimado, e quem o come está isento; rachada, deve ser queimada, e quem a come é sujeito a carét. — A mishná distingue dois estágios da fermentação: o se'or é a massa que ainda não fermentou completamente — está apenas no início do processo — e, embora deva ser queimada como qualquer chametz proibido, seu consumo não acarreta a pena de carét, por não ser ainda considerado chametz gamur (fermentado por completo). Já a massa "rachada" — que já apresenta fendas visíveis de fermentação avançada — é chametz completo em todos os sentidos, e seu consumo acarreta a pena máxima de carét.
Qual é o se'or? Como chifres de gafanhoto. Rachada, quando suas rachaduras se entrelaçam umas nas outras, palavras de Rabi Yehudá. E os Sábios dizem: esta e aquela, quem a come é sujeito a carét. — A mishná define visualmente o se'or: pequenas fendas finas e separadas na superfície da massa, semelhantes aos chifres retos e distintos de um gafanhoto. Rabi Yehudá considera que a massa só se torna chametz completo — sujeito a carét — quando essas fendas iniciais se entrelaçam e se conectam entre si, formando um padrão mais complexo. Os Sábios discordam radicalmente: para eles, mesmo o estágio inicial das fendas em forma de chifres de gafanhoto já é suficiente para classificar a massa como chametz completo, tornando seu consumo sujeito a carét.
E qual é o se'or, segundo os Sábios? Todo aquele cujo rosto embranqueceu, como uma pessoa cujos cabelos se arrepiaram. — Uma vez que os Sábios já classificam as rachaduras em forma de chifres de gafanhoto como chametz completo, eles precisam redefinir o próprio termo "se'or" para um estágio ainda mais precoce: o momento em que a superfície da massa apenas começa a embranquecer e perder o brilho, um sinal sutil semelhante à palidez de uma pessoa tomada de pavor, cujos pelos se arrepiam de medo — mas ainda sem qualquer fenda visível.
A Torá emprega o termo "se'or" (fermento) para a proibição de posse, e o termo "machmétzet" (o fermentado) para a pena de carét, e a Guemará extrai dessa distinção terminológica a base para a disputa da mishná sobre os dois estágios da fermentação. O se'or bíblico — o fermento propriamente dito, ainda em processo — está proibido de ser mantido em casa, mas seu consumo não acarreta necessariamente carét; já o "machmétzet" — o produto já plenamente fermentado — é o que a Torá pune com extirpação quando consumido, e é sobre a fronteira exata entre esses dois estágios que Rabi Yehudá e os Sábios divergem.
O Rambam decide a halachá conforme os Sábios contra Rabi Yehudá, estabelecendo que a massa se torna chametz completo, sujeito a carét, já no estágio de rachaduras em forma de chifres de gafanhoto.
E qual é o se'or que se queima e cujo consumidor está isento? Todo aquele cujo rosto embranqueceu, como uma pessoa cujos cabelos se arrepiaram por doença ou frio. E a partir do momento em que se altera e se fazem nele rachaduras como chifres de gafanhoto, eis que é chametz completo, e quem o come é sujeito a carét.
Rambam explica o momento exato em que aparecem as rachaduras finas; Bartenura detalha a disputa entre Rabi Yehudá e os Sábios sobre a definição de se'or que escapa de carét; Rashi, na Guemará, ilustra os termos técnicos "kutach" e o significado da comparação com os chifres de gafanhoto.
"Se'or, deve ser queimado, e quem o come está isento; rachada, deve ser queimada, etc.": "como chifres de gafanhoto" — seu sentido é que a massa se racha em rachaduras finas quando a fermentação começa a nela entrar, mesmo que sejam como chifres de gafanhoto. E a halachá é conforme os Sábios.
"Se'or" — que não fermentou por completo. "Rachada" — o costume da massa, quando fermenta, é fazer-se em várias rachaduras. "Como chifres de gafanhoto" — uma fenda para um lado e uma fenda para o outro.
"Esta e aquela, quem a come é sujeito a carét" — pois os chifres de gafanhoto também já são rachadura. E qual é o se'or que é isento? Aquele em que não há rachadura alguma, mas seu rosto embranqueceu como uma pessoa cujos cabelos se arrepiaram. E a halachá é conforme os Sábios.
"Se'or" — o que não fermentou por completo; sobre o se'or há disputa na mishná: Rabi Meir chama de se'or aquele cujo rosto embranqueceu, e este é o início de sua fermentação; e para Rabi Yehudá, se'or é aquele que já começou a se rachar, com pequenas rachaduras como chifres de gafanhoto.
"Ensinou-se: os Sábios" — na beraita, é Rabi Yehudá quem aparece na mishná, e os "Sábios" da mishná é Rabi Meir. Rashi esclarece assim que, por trás da disputa anônima entre Rabi Yehudá e os Sábios registrada na mishná, encontra-se, na tradição paralela da beraita, a atribuição explícita da posição mais rigorosa a Rabi Meir, o que ajuda a situar historicamente a origem de cada opinião.