Décima quarta e última halachá do Perek Yud, HaMotzei Tefillin (quem encontra tefilin), de Massechet Eruvin, e também a última halachá de todo o tratado, que tem dez perakim e noventa e quatro halachot ao todo. A Mishná ensina que o sheretz (réptil impuro) achado no Templo, o kohen o tira com o seu cinto, para não deixar permanecer a impureza, palavras de Rabi Yochanan ben Beroká; e Rabi Yehudá diz que com uma tenaz de madeira, para não multiplicar a impureza; Rabi Shimon ben Nanas diz que se tira do heichal, do ulam e de entre o ulam e o altar, e Rabi Akiva, que de todo lugar em que se é obrigado a karet, e que nos demais se emborca sobre ele um vaso; e Rabi Shimon diz que, onde os sábios permitiram, do que é teu te deram. A guemará traz o diálogo entre Rabi Yochanan ben Beroká e Rabi Yehudá, e Rabi Yossi beRabi Bun o compara à divergência de Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre a chalá separada em impureza em Yom Tov e sobre os sangues misturados no altar, com a regra de que é melhor transgredir a proibição que não veio à mão do que a que veio diante de alguém; depois compara as posições de Rabi Yehudá e dos sábios com a Mishná da purificação do que teve lepra, pergunta pelo sheretz que caiu num lugar sem karet e pelo outro achado ao seu lado, e termina com a palavra da tenaz feita com tenaz, de que de uma proibição de repouso se aprenderam muitas. O Bavli discute esta Mishná em Eruvin 104b e 105a. Com ela se encerram o Perek Yud, HaMotzei Tefillin, e toda a Massechet Eruvin do Talmud Yerushalmi.
Mishná: Um sheretz (réptil impuro) que se achou no Templo: um kohen (sacerdote) o tira para fora com o seu hemyan (cinto), para não deixar permanecer a tumá (impureza), palavras de Rabi Yochanan ben Beroká. Rabi Yehudá diz: Tira-o com uma tzevat (tenaz) de madeira, para não multiplicar a impureza.
De onde o tiram? Do heichal (santuário), e do ulam (vestíbulo), e de entre o ulam e o altar, palavras de Rabi Shimon ben Nanas. Rabi Akiva diz: Do lugar em que, por entrar nele impuro, se é obrigado, pelo seu dolo, a karet (extirpação), e, pelo seu erro, a chatat (oferta pelo pecado), dali o tiram; e, em todos os demais lugares, emborca-se sobre ele um pesachter (panela de cobre).
Rabi Shimon diz: No lugar em que os sábios te permitiram algo, do que é teu te deram, pois não te permitiram senão o que é proibido por causa de shevut (proibição dos sábios).
Um sheretz que se achou no Templo etc. Disse-lhe Rabi Yochanan ben Beroká a Rabi Yehudá: Não te achaste tu fazendo permanecer a impureza? Disse-lhe: Não te achaste tu multiplicando a impureza? Disse-lhe: Melhor é transgredir um preceito de lo taasé (proibição) que não veio à sua mão do que um preceito de lo taasé que veio diante dele.
Disse Rabi Yossi beRabi Bun: Estas divergências vêm como aquelas divergências, pois ensinamos lá: Como se separa a chalá (porção da massa dada ao kohen) em impureza, em Yom Tov (dia festivo)? Rabi Eliezer diz: Que ela não lhe chame o nome de chalá até que seja assada. Ben Beteirá diz: Que ela a lance na água fria.
Disse-lhe Rabi Yehoshua a Rabi Eliezer: Não te achaste tu como quem queima kodashim (coisas consagradas) em Yom Tov? Disse-lhe Rabi Eliezer: Por si mesmos eles se queimam. Disse-lhe Rabi Yehoshua: Não te achaste tu transgredindo o “não será visto” e “não será achado”? Disse-lhe: Melhor é transgredir um preceito de lo taasé que não veio à tua mão do que um preceito de lo taasé que veio diante de ti.
Lá ensinamos: Os sangues que se dão numa só aplicação, que se misturaram com os que se dão numa só aplicação, sejam dados numa só aplicação. Os de quatro aplicações com os de quatro aplicações: sejam dados em quatro aplicações. Os de quatro aplicações com os de uma só aplicação: Rabi Eliezer diz: Sejam dados em quatro aplicações. Rabi Yehoshua diz: Sejam dados numa só aplicação.
Disse-lhe Rabi Eliezer a Rabi Yehoshua: Não te achaste tu transgredindo o bal tigra (não diminuirás)? Disse-lhe Rabi Yehoshua: Não te achaste tu transgredindo o bal tossif (não acrescentarás)? Disse-lhe: Melhor é transgredir um preceito de lo taasé que não veio à minha mão do que um preceito de lo taasé que veio à minha mão.
Lá ensinamos: Quem se purifica da lepra fez entrar a sua cabeça, e o kohen deu do sangue sobre a tenuch (cartilagem) da sua orelha; fez entrar a sua mão, e o kohen deu sobre o polegar da sua mão; e o seu pé etc.
Inverte-se a posição de Rabi Yehudá: lá ele diz: É proibido usar de artifício; e aqui diz: É permitido. Lá, há o receio de que faça entrar a sua cabeça e a maior parte do corpo e seja punido com karet; mas aqui, é só por causa de quem faz entrar utensílios impuros no Shabat.
Inverte-se a posição dos rabanan (sábios): lá dizem: É permitido usar de artifício; e aqui dizem: É proibido usar de artifício. Lá, é para que não torne impuro o pátio do Templo três vezes; mas aqui, é uma impureza conhecida que já está dentro.
É possível que ela, a impureza, saia sem demora. Sem acrescentar impureza? Disse-lhe: Melhor lhe é transgredir um preceito de lo taasé que não veio à sua mão do que um preceito de lo taasé que veio diante dele.
Se o kohen o tirou de um lugar pelo qual se é obrigado a karet, e o sheretz caiu num lugar pelo qual não se é obrigado a karet: já foi visto como destinado a sair.
Se achou outro sheretz ao seu lado: tira os dois, ou não tira senão o que foi visto como destinado a sair?
Ele costumava dizer: A tzevat com uma tzevat se faz. A primeira tzevat, o que era? Era uma beriyá (criação).
Disse Rabi Chanina diante de Rabi Mana: E o que dizes tu dela? De uma tzevat aprenderam várias tzevitot (tenazes); e aqui, de uma shevitá (proibição de repouso do Shabat) aprenderam várias shevitot.
Esta é a décima quarta e última halachá do Perek Yud, HaMotzei Tefillin (quem encontra tefilin), e a última de toda a Massechet Eruvin. A halachá ocupa seis segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, aqui dividida em três pares de hebraico e português; o segundo é a seção 01, em três pares; o terceiro é a seção 02, em dois; o quarto é a seção 03, em quatro; o quinto é a seção 04, em dois; e o sexto é a seção 05, em dois. Nenhum segmento foi dividido entre seções, e nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá é a Mishná avulsa Eruvin 10:15, inteira, a última da massechet, e que o Sefaria liga este segmento a “Mishnah Eruvin 10:15”. A avulsa escreve בְהֶמְיָנוֹ, onde o Yerushalmi tem בְהֶמְיָינוֹ; בְּרוֹקָה, com he, onde a Mishná do Yerushalmi tem בְּרוֹקָא, com alef, e a guemará volta a בְּרוֹקָה; לְרַבּוֹת, onde o Yerushalmi tem לְהַרְבּוֹת; מֵהֵיכָן, onde o Yerushalmi tem מֵאֵיכָן; מְקוֹם, onde o Yerushalmi tem מָקוֹם; e מִשֶּׁלְּךָ נָתְנוּ לְךָ, onde o Yerushalmi tem מִשֶּׁלָּךְ נָתְנוּ לָךְ. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 104b, e a guemará vai de 104b a 105a, onde o Bavli encerra o tratado com a fórmula הדרן עלך המוצא תפילין וסליקא לה מסכת עירובין. Lá, Rav Tavi bar Kisna diz, em nome de Shmuel, que quem faz entrar no Templo alguém impuro por sheretz é obrigado, e quem faz entrar o próprio sheretz está isento; e a guemará pergunta se é isso o que dividem Rabi Yochanan ben Beroká e Rabi Yehudá. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b, e por isso esta página não traz link para essas folhas.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que o kohen o tira no Shabat; que o hemyan é o seu avnet (cinto do sacerdote), e que não há a proibição de mover, que é shevut, no Templo; e que, embora o cinto se torne impuro, é melhor não deixar permanecer a impureza, e o sheretz só torna impuro pelo toque: o cinto se torna primeiro grau de impureza, e não torna impuro o kohen, porque o homem e os utensílios só recebem impureza de um pai de impureza. Sobre Rabi Yehudá, diz que a tenaz de madeira é um utensílio de madeira simples, que não recebe impureza, e que para ele é melhor não multiplicar a impureza do que não a deixar permanecer; e que a halachá é como Rabi Yehudá. Sobre o pesachter, diz que é uma panela de cobre, para que a impureza não se veja; sobre Rabi Akiva, que o lugar em que se é obrigado a karet, quando se entra nele impuro, é todo o pátio do Templo, e que a halachá é como Rabi Akiva. O Korban HaEdah diz o mesmo, e acrescenta que o kohen segura o sheretz no cinto e não com as mãos, para não se tornar ele mesmo impuro; e que, se o sheretz foi achado no pátio, cobre-se com a panela até que escureça. Sobre a palavra de Rabi Shimon, os dois explicam que ela volta à Mishná anterior, da corda da harpa: Rabi Shimon só permite o laço, e não o nó, ainda que o nó ali seja só shevut, porque pode levar à obrigação de chatat; e diz aos sábios que, se ele é leniente no techum, na Mishná Eruvin 4:11, com quem anoiteceu fora do techum, permitindo-lhe entrar até quinze amot, é porque ali os sábios deram do que é teu, já que os medidores não esgotam a medida. O Sefaria liga também este segmento à Mishná Eruvin 4:11. O Rambam, nas Leis da Entrada no Santuário 3:20, decide que, no lugar em que se é obrigado a karet pelo dolo e a oferta pelo erro, a impureza achada no Shabat se tira, nos demais lugares se emborca sobre ela um utensílio até depois do Shabat, e que, quando se tira, só se tira com utensílios de madeira simples, para não multiplicar a impureza.
Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que Rabi Yochanan ben Beroká fala a Rabi Yehudá: “Não te achaste fazendo permanecer a impureza”, até que se ache um utensílio de madeira simples; que Rabi Yehudá lhe responde: “Não te achaste multiplicando a impureza”; e que é Rabi Yehudá quem acrescenta o argumento de que é melhor transgredir o lo taasé que não veio à sua mão, como aqui, onde a permanência da impureza acontece por si e ele não faz nada, do que o que veio diante dele, quando multiplica a impureza com as mãos. O Korban HaEdah traz a mesma leitura e, como outra explicação, a de que é Rabi Yochanan ben Beroká quem fala, mas diz que a primeira parece melhor; e o Mareh HaPanim também diz que, pela expressão “melhor é transgredir”, são palavras de Rabi Yehudá. A divergência citada por Rabi Yossi beRabi Bun é a Mishná avulsa Pessachim 3:3, que o Sefaria liga a este segmento; a avulsa diz בְטֻמְאָה בְיוֹם טוֹב, רַבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתֵירָא, onde aqui se diz só בֶּן בְּתֵירָה, e תַּטִּיל בְּצוֹנֵן, onde aqui se diz תַּטִּיל לַצּוֹנֵין; e lá Rabi Yehoshua diz que esse não é o chametz sobre o qual se é advertido com “não será visto” e “não será achado”, mas que ela a separa e a deixa até a tarde, e, se fermentou, fermentou. O diálogo daqui, que não está na Mishná, está também no Yerushalmi Pessachim 3:3, no quinto segmento do Sefaria, onde se escreve רבי יושוע e שלא באת לפניו. As duas expressões vêm da Torá: וְלֹא יֵרָאֶה לְךָ חָמֵץ, “e não será visto contigo chametz” (Shemot 13:7), e שְׂאֹר לֹא יִמָּצֵא בְּבָתֵּיכֶם, “fermento não será achado nas vossas casas” (Shemot 12:19). O Penei Moshe explica que, para Rabi Yehoshua, quem deixa uma porção para chalá e a assa parece quem queima coisas consagradas em Yom Tov, porque a separa com as mãos e não a pode dar ao kohen; e escreve que é preciso ler “disse-lhe a Rabi Yehoshua”, isto é, que é Rabi Eliezer quem lhe objeta “não te achaste transgredindo o ‘não será visto’”, e que a resposta “melhor é transgredir” é de Rabi Yehoshua, porque o “não será visto” se transgride por si, e a queima se faria com as mãos. O Korban HaEdah corrige do mesmo modo: ה"ג א"ל ר"א לא נמצאת עובר על בל יראה. A tradução seguiu o hebraico do Sefaria, que atribui a objeção a Rabi Yehoshua, e deixou sem nome quem diz “melhor é transgredir”.
Sobre a seção 02. A Mishná citada é a avulsa Zevachim 8:10, como dizem o Penei Moshe, o Korban HaEdah e o próprio Sefaria. A avulsa diz וַהֲרֵי הוּא עוֹבֵר עַל בַּל תִּגְרַע e וַהֲרֵי הוּא עוֹבֵר עַל בַּל תּוֹסִיף, onde aqui se diz לֹא נִמְצֵאתָ עוֹבֵר; e continua com outras respostas de Rabi Eliezer e de Rabi Yehoshua, até a de que quem deu transgrediu o bal tossif e fez um ato com a sua mão, e quem não deu transgrediu o bal tigra e não fez ato com a sua mão; a frase “melhor é transgredir” não está na Mishná. A mesma passagem está no Yerushalmi Pessachim 3:3, no sétimo segmento do Sefaria, com שלא באת לפני; e o Bavli traz a Mishná em Eruvin 100a. As duas proibições vêm de Devarim 13:1: לֹא תֹסֵף עָלָיו וְלֹא תִגְרַע מִמֶּנּוּ, “não acrescentarás a ele e não diminuirás dele”. O Penei Moshe dá como exemplo da aplicação única o sangue do primogênito misturado com o do dízimo, e das quatro aplicações o da oferta queimada e da oferta de paz, e diz que “melhor é” são palavras de Rabi Yehoshua, porque em todo caso assim é melhor sentar-se e não fazer. O Korban HaEdah explica que Rabi Eliezer pensa que o preceito de fazer prevalece, e Rabi Yehoshua, que, como o que se deu numa só aplicação expia, é melhor que o bal tigra se arranque por si do que arrancar com as mãos o bal tossif. O Mareh HaPanim lembra que o Bavli diz que, para Rabi Eliezer, levantar-se e fazer é melhor, e, para Rabi Yehoshua, sentar-se e não fazer é melhor.
Sobre a seção 03. A Mishná citada é a avulsa Negaim 14:9, que continua: “o seu pé, e deu sobre o polegar do seu pé”; e Rabi Yehudá diz que fazia entrar os três juntos. O Korban HaEdah explica que o que se purifica da lepra ainda não pode entrar no pátio de Israel, e o sangue da oferta pela culpa se desqualifica se sai para fora do pátio; por isso ele fica no portão de Nicanor e faz entrar a cabeça, a mão e o pé, para que o kohen dê o sangue sobre eles. O Penei Moshe escreve que aqui se trocaram as posições e as palavras, e que é preciso ler que Rabi Yehudá diz lá que é permitido usar de artifício, e faz entrar os três juntos, e aqui diz que é proibido, e que se multiplique a impureza; e explica que “três vezes” é porque, ao fazer entrar a cabeça, depois a mão e depois o pé, ele faz entrar a impureza três vezes, uma após a outra. Para ele, os sábios daqui são Rabi Yochanan ben Beroká, que tira o sheretz com o cinto, ainda que multiplique a impureza; e “é possível que saia sem demora” é de Rabi Yehudá: pode acontecer que se ache logo uma tenaz de madeira, e “sem impureza?” é uma pergunta de espanto, porque com o cinto não se pode deixar de multiplicar a impureza. O Korban HaEdah também corrige a ordem das frases e escreve משום מכניס כלים טמאים במקדש, “no Templo”, onde o Sefaria tem בַּשַּׁבָּת; e acrescenta que o cinto se torna só primeiro grau de impureza, e não há nele nem a pena de açoites. A mesma forma de pergunta, com מחלפה שיטתיה e להערים, está no Yerushalmi Pessachim 3:3, no décimo segmento do Sefaria, onde Rabi Bun bar Chiya a faz sobre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua, a respeito do animal e da sua cria que caíram na cisterna em Yom Tov. A tradução seguiu a ordem e os nomes do hebraico do Sefaria.
Sobre a seção 04. O Penei Moshe explica que, se o sheretz foi tirado do lugar de karet e caiu num lugar sem karet, já foi visto como destinado a sair desde o começo, e é óbvio que se tira também dali; a pergunta é se, achando-se outro ao seu lado no lugar onde caiu, se tiram os dois, porque, uma vez que se permitiu para um, se permitiu para o outro, ou só o que foi visto como destinado a sair no começo. O Korban HaEdah diz o mesmo e que a pergunta não foi resolvida. O Sheyarei Korban discute com o Mishné LaMelech, sobre o Rambam, Leis da Entrada no Santuário 3:20, que perguntava para onde se tira o sheretz achado no pátio, e conclui que se pode levá-lo a qualquer lugar, citando o Shulchan Aruch, Orach Chayim 308, e que sem dúvida o lançavam nas galerias subterrâneas do Monte do Templo, que eram profanas.
Sobre a seção 05. A frase da tenaz está na Tosefta Eruvin 8:23, na edição de Lieberman, que na edição comum do Sefaria é 8:16, e na Tosefta Chagigá 1:9, na edição de Lieberman, que na edição comum é 1:11: as leis do Shabat, das ofertas festivas e do uso indevido de coisas consagradas são como montanhas suspensas por um fio de cabelo, pouca Escritura e muitas leis; e daí Rabi Yehoshua dizia צבתא בצבתא מתעבדא. A primeira parte está também na Mishná Chagigá 1:8. Na Mishná Avot 5:6, entre as dez coisas criadas na véspera do Shabat ao entardecer, וְיֵשׁ אוֹמְרִים, אַף צְבָת בִּצְבָת עֲשׂוּיָה, “e há quem diga: também a tenaz, que é feita com tenaz”. No Bavli, Pessachim 54a, é Rabi Yehudá quem diz “também a tenaz”, e הוּא הָיָה אוֹמֵר é dele; e lá se responde que é possível fazê-la num molde. Não se achou paralelo no Yerushalmi Pessachim 4. Aqui o hebraico diz só “ele costumava dizer”, sem nome, e a tradução não pôs nome; o Korban HaEdah diz que a Tosefta do capítulo explica que era Rabi Yehoshua. O Penei Moshe explica que Rabi Chanina lembrou essa Tosefta diante de Rabi Mana sobre a pergunta da seção 04, e perguntou o que queria dizer; e que Rabi Mana lhe respondeu por alusão e parábola: assim como de uma tenaz aprenderam a fazer muitas tenazes, assim de uma shevitá aprenderam muitas shevitot; uma vez que se permitiu uma proibição de repouso no Templo, a de mover e tirar o sheretz destinado a sair, tira-se com ele também o segundo, onde caiu. O Korban HaEdah explica a tenaz como as pinças, que o targum chama צבתהא, e “criação” como uma das coisas criadas na véspera do Shabat ao entardecer, e lê a última frase como a resposta de como a palavra se aplica à Mishná. O Mareh HaPanim diz que, à primeira vista, a comparação não se parece com o comparado, e explica pela Tosefta que as leis do Shabat se aprendem uma da outra com pouco apoio, como de uma tenaz se fazem muitas. O Sheyarei Korban pergunta qual é a shevut de que se aprenderam as outras, e, pelo Semag, propõe que é a de não aspergir sobre o impuro por morto no Shabat, que já havia nos dias de Moshe.
Leituras incertas. כֹּהֵן מוֹצִיאוֹ ficou “um kohen o tira para fora”, porque o verbo é o de tirar e levar para fora. עַל זְדוֹנוֹ e עַל שִׁגְגָתוֹ ficaram “pelo seu dolo” e “pelo seu erro”, com a entrada no lugar em impureza acrescentada em itálico, segundo o Penei Moshe. פְּסַכְתֵּר ficou pesachter, com a glosa “panela de cobre” do Penei Moshe; Guggenheimer o explica como palavra grega para um vaso de esfriar vinho. לֹא תִקְרָא לָהּ שֵׁם e תַּטִּיל ficaram na terceira pessoa feminina, “que ela não lhe chame o nome” e “que ela a lance”, isto é, a mulher que amassa; a forma pode ser lida também como segunda pessoa. אַתָיָיא אִילֵּין פְּלוּגְתָא כְאִילֵּין פְּלוּגְתָא ficou “estas divergências vêm como aquelas divergências”. לְהַעֲרִים ficou “usar de artifício”. תַּמַּן דְּלָא יִסְאָב תִּיָה תְלָתָא זִימְנִין, assim escrito no Sefaria, ficou “para que não torne impuro o pátio do Templo três vezes”, segundo o Penei Moshe, que lê יסאבתי', e o Korban HaEdah, que lê יסתאבי' e explica que não se torne impuro o Templo três vezes. אֶיפְשַׁר לָהּ לָצֵאת בְּלֹא שָׁהוּת. בְּלֹא טוּמְאָה ficou uma afirmação seguida de pergunta, como o Penei Moshe a lê. כְּבָר נִרְאֵית לָצֵאת, com o verbo no feminino, ficou “já foi visto como destinado a sair”, referido ao sheretz, como o explicam os comentários. עֲבַד ficou “se faz”. בִּירְיָיה ficou beriyá, “criação”, sem dizer de quem, como no hebraico. וּמַה אַתְּ אֲמַר לָהּ ficou “e o que dizes tu dela?”; e a frase seguinte ficou sem nome de quem fala, porque o hebraico não diz se é resposta de Rabi Mana, como lê o Penei Moshe, ou continuação de Rabi Chanina. צְבִיתוֹת ficou tzevitot, “tenazes”, e שְׁבִיתָה, shevitá, “proibição de repouso do Shabat”, segundo o Korban HaEdah, que a chama שבות.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz פיס׳ como “Paragraph”, e aqui a marca não foi traduzida. Ele traduz צְבַת como “tongs” na Mishná e como “wrench” na última seção, e aqui ficou sempre tzevat, “tenaz”; e פְּסַכְתֵּר como “wine cooler”, e aqui ficou a glosa do Penei Moshe. Na nota 172, ele sugere trocar Rabi Yehudá pelos sábios, sem apoio de manuscrito; na nota 173, diz, com Lieberman, que a frase do artifício foi copiada do Yerushalmi Pessachim 3:3; e, na nota 174, sugere ler “no Templo” por “no Shabat”; aqui ficou o hebraico do Sefaria, e as correções foram para esta nota. Ele lê toda a última frase como palavra de Rabi Chanina, e aqui ficou sem nome. Na nota 178, ele remete à Tosefta Eruvin 8:23 e Chagigá 1:9, na edição de Lieberman; conferiu-se no Sefaria que, na edição comum, são 8:16 e 1:11. As formas dos nomes seguem o hebraico e as outras páginas deste site: Rabi Yochanan ben Beroká, Rabi Yehudá, Rabi Shimon ben Nanas, Rabi Akiva, Rabi Shimon, Rabi Yossi beRabi Bun, Rabi Eliezer, Rabi Yehoshua, Ben Beteirá, Rabi Chanina e Rabi Mana. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 10:15 e 4:11; Bavli Eruvin 100a, 104b e 105a; Mishná Pessachim 3:3 e Yerushalmi Pessachim 3:3; Shemot 12:19 e 13:7; Mishná Zevachim 8:10; Devarim 13:1; Mishná Negaim 14:9; Tosefta Eruvin 8:23 na edição de Lieberman, e 8:16 na edição comum; Tosefta Chagigá 1:9 na edição de Lieberman, e 1:11 na edição comum; Mishná Chagigá 1:8; Mishná Avot 5:6; Bavli Pessachim 54a; Yerushalmi Pessachim 4, onde não se achou a frase da tenaz; Rambam, Leis da Entrada no Santuário 3:20; Penei Moshe, Korban HaEdah, Sheyarei Korban e Mareh HaPanim nesta halachá. Há links para as mishnayot avulsas Eruvin 10:15, Pessachim 3:3, Zevachim 8:10, Negaim 14:9, Chagigá 1:8 e Avot 5:6, que este site já tem; não há link para o Bavli Eruvin, porque o Bavli deste site vai em Eruvin até 61b, nem para o Bavli Pessachim, o Yerushalmi Pessachim, a Tosefta e o Rambam, que este site ainda não tem.
Nomes nesta página: Rabi Yochanan ben Beroká, רִבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָא e בְּרוֹקָה; Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה; Rabi Shimon ben Nanas, רֵבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן נַנָּס; Rabi Akiva, רַבִּי עֲקִיבָה; Rabi Shimon, רִבִּי שִׁמְעוֹן; Rabi Yossi beRabi Bun, רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן; Rabi Eliezer, רִבִּי אֱלִיעֶזֶר; Ben Beteirá, בֶּן בְּתֵירָה; Rabi Yehoshua, רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ; Rabi Chanina, רִבִּי חֲנִינָה; Rabi Mana, רִבִּי מָנָא; e, nos paralelos e nos comentários, Rabi Yehudá ben Beteirá, Rav Tavi bar Kisna, Shmuel, Rabi Bun bar Chiya e Moshe.
Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos; a marca da folha 65a da edição de Vilna, que o Sefaria põe no segundo segmento, depois de כול׳; e a marca da folha 65b da edição de Vilna, que o Sefaria põe no quinto segmento, depois de שֶׁאֵין חַיָיבִין עָלָיו כָּרֵת. Nada foi acrescentado ao hebraico. Foram mantidas as marcas פיס׳, כול׳ e וגו׳, e as grafias do Sefaria, como בַמִּקְדָשׁ, בְהֶמְיָינוֹ, בְּרוֹקָא e בְּרוֹקָה, לְהַרְבּוֹת, רֵבִּי, רַבִּי עֲקִיבָה, נִמְצֵאתָה e נִמְצֵאתָ, בַּנִּיתָּנִין מַתָּנָה אַחַת, יִינָּתְנוּ e יִנָּתְנוּ, מִחְלְפָה e מִחְלְפָא, תַּמַּן, יִסְאָב תִּיָה, אֶיפְשַׁר, חַיָיבִין e בִּירְיָיה.
Aqui termina a Massechet Eruvin do Talmud Yerushalmi, com dez perakim e noventa e quatro halachot: o Perek Alef, Mavoi, sobre o mavoi, o lechi, a korá e os passin; o Perek Bet, Osin Passin, sobre os passin em volta dos poços; o Perek Guimel, BaKol Mearvin, sobre os alimentos do eruv e a condição sobre ele; o Perek Dalet, Mi SheHotziuhu, sobre quem saiu do techum; o Perek Heh, Keitzad Meabrin, sobre a medida das cidades e do techum; o Perek Vav, HaDar, sobre o eruv dos pátios e quem não o reconhece; o Perek Zayin, Challon, sobre a janela, o muro e o shituf do mavoi; o Perek Chet, Keitzad Mishtattfin, sobre o shituf nos limites e as divisórias da água; o Perek Tet, Kol Gaggot, sobre os telhados, os pátios e os karpefot; e o Perek Yud, HaMotzei Tefillin, sobre os tefilin achados no campo, o livro que rolou e o que se permite no Templo e não na província. O Penei Moshe fecha o seu comentário com הדרן עלך פרק המוצא תפילין וסליקא לה מסכת עירובין. בריך רחמנא דסייען מריש ועד כען, “voltaremos a ti, Perek HaMotzei Tefillin, e aqui se conclui a Massechet Eruvin; bendito o Misericordioso, que nos ajudou do começo até agora”; e o Mareh HaPanim, com סליק פירקא וכולא מסכתא ברחמי ובסייעתא דשמיא, “conclui-se o perek e toda a massechet, com a misericórdia e a ajuda do Céu”. Nesta trilha do Talmud Yerushalmi, a massechet seguinte de Seder Moed é Pessachim.
Com esta halachá, encerra-se o Perek Yud e toda a Massechet Eruvin do Talmud Yerushalmi — dez perakim, noventa e quatro halachot, do início ao fim.