Seder Moed · Massechet Eruvin · Perek Yud (último) · Mishná 15 de 15 (última do tratado)

O réptil impuro no Templo; siyum de Massechet Eruvin

שֶׁרֶץ שֶׁנִּמְצָא בַמִּקְדָּשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A última mishná do tratado inteiro encerra a série de leniências do Templo com o caso mais grave de todos: um réptil impuro — cuja carcaça é uma das fontes primárias de impureza ritual — encontrado dentro do próprio recinto sagrado em Shabat. Como a impureza no Templo é considerada mais grave que a proibição de transportar em Shabat, os sábios permitem retirá-la sem demora, mas discutem o método: com o cinto do sacerdote, que não recebe impureza plena por contato, segundo Rabi Yochanan ben Beroka, ou com uma pinça de madeira, um utensílio que por sua simplicidade não recebe impureza alguma, segundo Rabi Yehuda, que teme que o cinto se torne ele mesmo fonte de impureza secundária. Rabi Shimon ben Nanas e Rabi Akiva discordam sobre de que áreas do Templo se deve retirar o réptil imediatamente, e de quais apenas cobri-lo até o fim do Shabat; e a mishná — e o tratado — se encerra com a máxima de Rabi Shimon: toda leniência que os sábios concedem é dada exatamente na medida da proibição que eles mesmos impuseram, nunca além dela.

Um réptil impuro que foi encontrado no Templo — um sacerdote o retira com seu cinto, para não prolongar a impureza — palavras de Rabi Yochanan ben Beroka.a presença de uma carcaça de réptil impuro dentro do recinto sagrado do Templo é uma situação grave, que exige remoção imediata; como a proibição de manter impureza no Templo pesa mais que a proibição rabínica de transportar em Shabat, permite-se ao sacerdote pegá-lo com seu próprio cinto, envolvendo-o sem tocá-lo diretamente com as mãos, e retirá-lo dali sem demora — evitando prolongar desnecessariamente a presença da impureza no espaço sagrado.

Rabi Yehuda diz: com uma pinça de madeira, para não multiplicar a impureza.Rabi Yehuda discorda do método proposto e prefere uma pinça simples de madeira, um utensílio tosco que, por sua natureza, não é capaz de receber impureza ritual; ele teme que, se o sacerdote usar seu cinto — um objeto de tecido que pode tornar-se impuro por contato —, a impureza acabe se multiplicando, contaminando também o próprio cinto, quando bastaria removê-la sem gerar essa consequência adicional.

De onde se retira? Do Santuário, do vestíbulo, e do espaço entre o vestíbulo e o altar — palavras de Rabi Shimon ben Nanas.Rabi Shimon ben Nanas delimita as áreas específicas do Templo onde a remoção imediata é exigida — os espaços de maior santidade, mais próximos do coração do serviço —, deixando implícito que em áreas de santidade menor a urgência não seria a mesma.

Rabi Akiva diz: de todo lugar em que se é culpado, por transgressão intencional, de karet, e por transgressão involuntária, de sacrifício expiatório, dali se retira; e em todos os demais lugares, cobre-se com um caldeirão.Rabi Akiva propõe um critério mais amplo e sistemático: em qualquer área do Templo cuja entrada em estado de impureza acarreta a pena mais grave — karet, para quem entra intencionalmente, e a obrigação de um sacrifício expiatório, para quem entra sem querer —, o réptil deve ser retirado de imediato; nas demais áreas, de santidade menor, basta cobri-lo com um recipiente de metal até o fim do Shabat, quando poderá ser removido sem as restrições do dia sagrado.

Rabi Shimon diz: no lugar em que os sábios te permitiram, deram-te do que já era teu — pois não permitiram senão por causa de shevut.Rabi Shimon encerra a mishná — e o tratado inteiro — com um princípio que resume toda a lógica das leniências vistas ao longo do perek: toda vez que os sábios concedem uma permissão especial, seja no Templo, seja em qualquer outro contexto, essa permissão nunca ultrapassa a medida exata da proibição que eles próprios estabeleceram; eles "devolvem" apenas aquilo que era, desde o início, uma proibição de nível rabínico — nunca uma transgressão bíblica plena — e por isso a leniência nunca é maior do que aquilo que eles mesmos tinham autoridade para restringir.

שֶׁרֶץ שֶׁנִּמְצָא בַמִּקְדָּשׁ, כֹּהֵן מוֹצִיאוֹ בְהֶמְיָנוֹ, שֶׁלֹּא לְשַׁהוֹת אֶת הַטֻּמְאָה, דִּבְרֵי רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָה. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, בִּצְבָת שֶׁל עֵץ, שֶׁלֹּא לְרַבּוֹת אֶת הַטֻּמְאָה. מֵהֵיכָן מוֹצִיאִין אוֹתוֹ, מִן הַהֵיכָל וּמִן הָאוּלָם וּמִבֵּין הָאוּלָם וְלַמִּזְבֵּחַ, דִּבְרֵי רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן נַנָּס. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, מְקוֹם שֶׁחַיָּבִין עַל זְדוֹנוֹ כָּרֵת וְעַל שִׁגְגָתוֹ חַטָּאת, מִשָּׁם מוֹצִיאִין אוֹתוֹ, וּשְׁאָר כָּל הַמְּקוֹמוֹת כּוֹפִין עָלָיו פְּסַכְתֵּר. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, מְקוֹם שֶׁהִתִּירוּ לְךָ חֲכָמִים, מִשֶּׁלְּךָ נָתְנוּ לְךָ, שֶׁלֹּא הִתִּירוּ לְךָ אֶלָּא מִשּׁוּם שְׁבוּת:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikra 15:31
וְהִזַּרְתֶּם אֶת־בְּנֵי־יִשְׂרָאֵל מִטֻּמְאָתָם וְלֹא יָמֻתוּ בְּטֻמְאָתָם בְּטַמְּאָם אֶת־מִשְׁכָּנִי אֲשֶׁר בְּתוֹכָם׃
E separareis os filhos de Israel de suas impurezas, para que não morram em suas impurezas, ao contaminarem Meu tabernáculo que está no meio deles.

É este versículo que explica por que a impureza no Templo é tratada, em toda a mishná, como mais urgente até mesmo que a proibição do Shabat. "Para que não morram em suas impurezas, ao contaminarem Meu tabernáculo" liga diretamente a presença de impureza no espaço sagrado a uma consequência gravíssima — e é essa gravidade que justifica permitir o transporte do réptil impuro em Shabat, quando em qualquer outro contexto isso seria proibido. A disputa entre Rabi Yochanan ben Beroka e Rabi Yehuda sobre o método — cinto ou pinça — mostra que mesmo dentro dessa urgência os sábios buscavam minimizar ao máximo qualquer efeito colateral, "não multiplicando a impureza" além do estritamente necessário para cumprir "e separareis". E a frase final de Rabi Shimon, que fecha o tratado inteiro, devolve o versículo a uma medida mais ampla: toda leniência rabínica, mesmo a mais generosa, permanece sempre proporcional e nunca ultrapassa a proibição original que ela veio aliviar.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam codifica a regra final, seguindo Rabi Akiva quanto ao critério de karet e sacrifício, e exigindo que a remoção seja sempre com um utensílio simples de madeira.

Rambam · Mishné Torá, Hilchot Bi'at HaMikdash 3:20
כָּל מָקוֹם שֶׁחַיָּבִים עַל זְדוֹנוֹ כָּרֵת וְעַל שִׁגְגָתוֹ קָרְבָּן, אִם נִמְצֵאת שָׁם טֻמְאָה בְּשַׁבָּת מוֹצִיאִין אוֹתָהּ; וּשְׁאָר הַמְּקוֹמוֹת כּוֹפִין עָלָיו כְּלִי עַד אַחַר שַׁבָּת. וּכְשֶׁהֵן מוֹצִיאִין, אֵין מוֹצִיאִין אוֹתָהּ אֶלָּא בִּפְשׁוּטֵי כְּלֵי עֵץ שֶׁאֵין מְקַבֵּל טֻמְאָה, שֶׁלֹּא לְרַבּוֹת אֶת הַטֻּמְאָה:

Todo lugar em que se é culpado, por transgressão intencional, de karet, e por transgressão involuntária, de sacrifício expiatório — se ali se encontra impureza em Shabat, retira-se; e nos demais lugares, cobre-se com um utensílio até depois do Shabat. E quando a retiram, não a retiram senão com utensílios simples de madeira, que não recebem impureza, para não multiplicar a impureza.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam explica a lógica da pinça de madeira e do cinto; Bartenura detalha por que a halachá segue Rabi Akiva e conclui com o princípio final de Rabi Shimon; Rashi, na Guemará, encerra o tratado situando cada frase.

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Eruvin 10:15
שֶׁרֶץ שֶׁנִּמְצָא בַמִּקְדָּשׁ בְּהֶמְיָנוֹ מוֹצִיאוֹ כו': הֶמְיָנוֹ הוּא הַחֲגוֹר שֶׁחוֹגֵר עַל עַצְמוֹ, תַּרְגּוּם "אַבְנֵט" — "הֶמְיָנָא". וְדַע כִּי כָּל מִי שֶׁנִּכְנַס בְּאֵיזֶה מָקוֹם שֶׁיִּהְיֶה מִן הָעֲזָרָה וְהוּא טָמֵא, אִם הָיָה שׁוֹגֵג חַיָּב חַטָּאת, וְאִם הָיָה מֵזִיד חַיָּב כָּרֵת. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר: מוֹצִיאִין הַשֶּׁרֶץ בְּשַׁבָּת מִכָּל הָעֲזָרָה. וּצְבָת שֶׁל עֵץ הֵם מַלְקָחַיִם מֵעֵץ שֶׁאֵינָן מְטַמְּאִין, כִּי פְּשׁוּטֵי כְּלֵי עֵץ אֵין מְקַבְּלִין טֻמְאָה מִן הַתּוֹרָה, כַּאֲשֶׁר יִתְבָּאֵר בִּתְחִלַּת כֵּלִים. וְהֲלָכָה כְּרַבִּי עֲקִיבָא וְהֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה:

"Um réptil impuro que foi encontrado no Templo — retira-o com seu cinto etc.": "Hemyan" é o cinto que se coloca sobre si mesmo, traduzido do termo "avnet" — "hemyana". E saiba que todo aquele que entra em qualquer lugar do pátio estando impuro — se foi por engano, é culpado de sacrifício expiatório; se foi intencional, é culpado de karet. Rabi Akiva diz: retira-se o réptil em Shabat de todo o pátio.

E "pinça de madeira" são pegadores de madeira que não transmitem impureza, pois utensílios simples de madeira não recebem impureza por lei da Torá, como se explicará no início de Keilim. E a halachá é como Rabi Akiva, e a halachá é como Rabi Yehuda.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Eruvin 10:15
כֹּהֵן מוֹצִיאוֹ בְהֶמְיָנוֹ. בְּשַׁבָּת, וְלֹא חָיְשִׁינַן לְטִלְטוּל, דְּאֵין שְׁבוּת בַּמִּקְדָּשׁ: בְּהֶמְיָנוֹ. בְּאַבְנֵטוֹ. וְאַף עַל גַּב דִּמְטַמֵּא לֵיהּ לָאַבְנֵט שֶׁהוּא קָדוֹשׁ, הָכִי עָדִיף, שֶׁלֹּא לְהַשְׁהוֹת אֶת הַטֻּמְאָה בָּעֲזָרָה לְחַזֵּר אַחַר הַצְּבָת שֶׁל עֵץ: צְבָת שֶׁל עֵץ. שֶׁהִיא פְּשׁוּטֵי כְּלֵי עֵץ וְאֵין מְקַבְּלִים טֻמְאָה: שֶׁלֹּא לְרַבּוֹת אֶת הַטֻּמְאָה. לְטַמֵּא אַבְנֵט הַטָּהוֹר. וַהֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה: מֵהֵיכָן מוֹצִיאִין אוֹתוֹ. בְּשַׁבָּת: מִן הַהֵיכָל וּמִן הָאוּלָם. אֲבָל בָּעֲזָרָה אִם נִמְצָא שָׁם מְכַסֶּה אוֹתוֹ בִּפְסַכְתֵּר וּמַנִּיחוֹ עַד שֶׁתֶּחְשַׁךְ: כָּל מָקוֹם שֶׁחַיָּבִין עַל זְדוֹנוֹ כָּרֵת. אִם יִכָּנֵס לוֹ בְּטֻמְאָה, מִשָּׁם מוֹצִיאִין אוֹתוֹ: וּשְׁאָר כָּל הַמְּקוֹמוֹת כּוֹפִין עָלָיו פְּסַכְתֵּר. סִיר שֶׁל נְחֹשֶׁת, לְכַסּוֹתוֹ עַד שֶׁתֶּחְשַׁךְ. וַהֲלָכָה כְּרַבִּי עֲקִיבָא: רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר מְקוֹם שֶׁהִתִּירוּ לְךָ חֲכָמִים וְכוּ'. אָמַר לוֹ רַבִּי שִׁמְעוֹן לַתַּנָּא קַמָּא: אַל תִּתְמַהּ עָלַי שֶׁאֲנִי מַחְמִיר כָּאן, שֶׁמָּקוֹם שֶׁהִתִּירוּ לְךָ חֲכָמִים מִשֶּׁלְּךָ נָתְנוּ לָךְ, שֶׁלֹּא הִתִּירוּ לְךָ אֶלָּא מִשּׁוּם אִסּוּר שְׁבוּת בִּלְבַד, וְלֹא בְּמָקוֹם שֶׁיֵּשׁ בּוֹ חִיּוּב דְּאוֹרַיְתָא. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן:

"Um sacerdote o retira com seu cinto" — em Shabat, e não tememos o transporte, pois não há "shevut" no Templo.

"Com seu cinto" — com seu avnet; e ainda que contamine o avnet, que é sagrado, isso é preferível, para não prolongar a impureza no pátio buscando a pinça de madeira.

"Pinça de madeira" — que é utensílio simples de madeira e não recebe impureza.

"Para não multiplicar a impureza" — contaminar o avnet puro. E a halachá é como Rabi Yehuda.

"De onde se retira?" — em Shabat.

"Do Santuário e do vestíbulo" — mas no pátio, se ali for encontrado, cobre-se com um caldeirão e deixa-se até escurecer.

"De todo lugar em que se é culpado por transgressão intencional de karet" — se ali entra em impureza, dali se retira.

"E em todos os demais lugares, cobre-se com um caldeirão" — panela de cobre, para cobri-lo até escurecer. E a halachá é como Rabi Akiva.

"Rabi Shimon diz: no lugar em que os sábios te permitiram etc." — Rabi Shimon disse ao tanna kama: não te espantes que eu seja rigoroso aqui, pois no lugar em que os sábios te permitiram, deram-te do que já era teu, pois não te permitiram senão por causa de proibição de "shevut" apenas, e não num lugar em que há obrigação bíblica plena. E não é a halachá como Rabi Shimon.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Eruvin 104b
מַתְנִי' כֹּהֵן מוֹצִיאוֹ בְּהֶמְיָינוֹ — בְּשַׁבָּת, וְלֹא חָיֵישׁ לְטִלְטוּל, דְּאֵין שְׁבוּת בַּמִּקְדָּשׁ; בְּהֶמְיָינוֹ — בְּאַבְנֵטוֹ, וְאַף עַל גַּב דְּמַטְמֵי לֵיהּ לָאַבְנֵט שֶׁהוּא קָדוֹשׁ, הָכִי עָדִיף שֶׁלֹּא לְשַׁהוֹת אֶת הַטֻּמְאָה בָּעֲזָרָה וּלְחַזֵּר אַחַר צְבָת שֶׁל עֵץ; בִּצְבָת שֶׁל עֵץ — שֶׁהִיא פְּשׁוּטֵי כְּלֵי עֵץ: שֶׁלֹּא לְרַבּוֹת אֶת הַטֻּמְאָה — לְטַמֵּא הָאַבְנֵט, וְנוֹחַ לוֹ לְשַׁהוֹתוֹ שָׁם וּלְחַזֵּר אַחַר הַצְּבָת מִלְּרַבּוֹת הַטֻּמְאָה: מֵהֵיכָן מוֹצִיאִין אוֹתוֹ — בְּשַׁבָּת: מִן הַהֵיכָל וּמִן הָאוּלָם — אֲבָל בָּעֲזָרָה, אִם נִמְצָא שָׁם, מְכַסֵּהוּ בְּסִיר וּמַנִּיחוֹ עַד שֶׁתֶּחְשַׁךְ: כָּל מָקוֹם שֶׁחַיָּיבִין עַל זְדוֹנוֹ כָּרֵת — אִם יִכָּנֵס לוֹ בְּטֻמְאָה, דְּהַיְינוּ כֻּלָּהּ הָעֲזָרָה: וּשְׁאָר כָּל הַמְּקוֹמוֹת — לְמָר כִּדְאִית לֵיהּ וּלְמָר כִּדְאִית לֵיהּ, לְבֶן נַנָּס כֻּלָּהּ הָעֲזָרָה, לְרַבִּי עֲקִיבָא לְשָׁכוֹת: כּוֹפִין עָלָיו פְּסַכְתֵּר — סִיר שֶׁל נְחֹשֶׁת לְכַסּוֹתוֹ עַד שֶׁתֶּחְשַׁךְ לְמוֹצָאֵי שַׁבָּת.

Sobre a mishná — "um sacerdote o retira com seu cinto": em Shabat, e não teme o transporte, pois não há "shevut" no Templo.

"Com seu cinto" — com seu avnet; e ainda que contamine o avnet, que é sagrado, isso é preferível a prolongar a impureza no pátio e buscar a pinça de madeira.

"Com uma pinça de madeira" — que é utensílio simples de madeira.

"Para não multiplicar a impureza" — contaminar o avnet, sendo mais fácil deixá-lo ali e buscar a pinça do que multiplicar a impureza.

"De onde se retira?" — em Shabat.

"Do Santuário e do vestíbulo" — mas no pátio, se ali for encontrado, cobre-se com uma panela e deixa-se até escurecer.

"De todo lugar em que se é culpado por transgressão intencional de karet" — se ali entra em impureza, isto é, todo o pátio.

"E em todos os demais lugares" — cada mestre segundo sua opinião: para Ben Nanas, todo o pátio; para Rabi Akiva, as câmaras.

"Cobre-se com um caldeirão" — panela de cobre para cobri-lo até escurecer, na saída do Shabat.

סְלִיק מַסֶּכְתָּא דְּעֵרוּבִין
Aqui se conclui Massechet Eruvin — o segundo tratado de Seder Moed, dedicado à cerca rabínica erguida em torno da proibição bíblica de transferir objetos entre domínios no Shabat. O Perek Yud, breve e final, com quinze mishnayot, reuniu um mosaico de leis práticas do cotidiano do Shabat: tefilin esquecidos no campo e a disputa sobre trazê-los vestidos ou passá-los de mão em mão (10:1–2); o livro sagrado que escapa das mãos de quem lê, na soleira ou no telhado (10:3); a saliência diante da janela e a mão que cruza entre domínios (10:4); urinar, cuspir e beber através da fronteira entre domínios, e captar água da calha e do cano (10:5–6); o poço e o monte de lixo cuja borda os torna domínio privado (10:7); a árvore que cobre o chão e os objetos soltos que fecham uma abertura (10:8); a chave guardada na janela e o precedente do mercado de Jerusalém (10:9); e, por fim, uma sequência de sete mishnayot dedicadas às leniências específicas do serviço no Templo — a trave de trancar, o gonzo da porta, o curativo do sacerdote, a corda do instrumento levítico, a verruga do sacrifício, o sal da rampa, os poços de roda, e o réptil impuro encontrado no recinto sagrado — encerrando o tratado com o princípio de Rabi Shimon de que toda leniência dos sábios é dada exatamente na medida da proibição que eles mesmos impuseram, nunca além dela.

Massechet Eruvin percorreu, ao longo de seus dez capítulos e noventa e seis mishnayot, o tema central dos limites de domínio no Shabat: o beco e suas medidas, o poste lateral e a trave (Perek Alef); as cercas improvisadas e os diversos formatos de mavoy (Perek Bet-Guimel); os limites do techum e o eiruv de quem viaja (Perek Dalet-Hei); o eiruv de pátios entre vizinhos e a disputa sobre quem participa dele (Perek Vav); transferir comida entre vizinhos e o eiruv das crianças (Perek Zayin); águas e canos, o convidado e o dono da casa (Perek Chet); telhados, pátios e currais compartilhados, e as rupturas de parede que mudam de estatuto dentro do próprio Shabat (Perek Tet); e, por fim, este último perek, com seu mosaico de casos práticos e leniências do Templo (Perek Yud). Por possuir Guemará completa e extensa no Talmud Bavli, cada mishná deste tratado pôde reunir, além do Rambam (Perush HaMishná e Mishné Torá) e do Bartenura, também Rashi, o comentador clássico da Guemará — três vozes complementares da tradição em cada página.

Com o encerramento deste tratado, o estudo da Mishná prossegue para os demais tratados de Seder Moed, que continuam o tema dos tempos sagrados: Pessachim, sobre a Páscoa; Shekalim, Yoma, Sucá, Beitzá, Rosh Hashaná, Taanit, Megilá, Moed Katan e Chagigá, cada um dedicado a uma festividade ou aspecto do calendário sagrado judaico.