Quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Pessachim, VeElu Ovrin (e estes transgridem). A Mishná distingue o siur (a massa que começou a levedar), que se queima e por cujo comer se fica isento, do siduk (a massa fendida), por cujo comer se é passível de karet, e traz a divergência entre Rabi Yehudá e os sábios sobre o que é cada um. A guemará traz a palavra de Rav Huna em nome de Rav, de que é permitido dar o siur de comer ao cão, e o ensino de Bar Kapara, de que não há fenda por cima sem várias fendas por baixo.
Mishná: O siur (a massa que começou a levedar) será queimado, e quem o come está isento.
O siduk (a massa fendida) será queimado, e quem o come é passível de karet (a extirpação).
Qual é o siur? O que se fende como chifres de gafanhotos. Siduk, aquele cujas fendas se misturaram umas com as outras; palavras de Rabi Yehudá.
E os sábios dizem: tanto este como aquele, quem o come é passível de karet.
Qual é o siur segundo eles? Todo aquele cuja face empalideceu, como um homem cujos cabelos se arrepiaram de medo.
Rav Huna disse em nome de Rav: é permitido dá-lo de comer ao seu cão.
Ensinou Bar Kapara: não há fenda por cima, na face da massa, sob a qual não haja várias fendas.
Esta é a quinta halachá do Perek Guimel, VeElu Ovrin (e estes transgridem), de Massechet Pessachim. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a seção 01 desta página, dividida em dois pares de hebraico e português. Nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá corresponde à Mishná avulsa Pessachim 3:5. O Yerushalmi diz שֵׂיאוּר, סִידּוּק, חַיָיב, רִבִּי יְהוּדָה e, no fim, אֵי זֶהוּ, sem o vav e em duas palavras, onde a avulsa diz שִׂאוּר, סָדוּק, חַיָּב, רַבִּי יְהוּדָה e וְאֵיזֶהוּ. O Yerushalmi escreve também o primeiro יִשָּרֵף sem o ponto do sin, e o segundo, יִשָּׂרֵף, com ele. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido; seguiu-se o hebraico. No Bavli, a Mishná está em Pessachim 48b, e a guemará sobre ela, no mesmo 48b (conferidos). O Bavli deste site não tem Pessachim; por isso esta página não traz links para o Bavli Pessachim.
Sobre a Mishná. O siur é a massa que não fermentou por completo (Penei Moshe, Korban HaEdah); queima-se desde o início, e quem a come está isento de tudo (Penei Moshe). O siduk: o caminho da massa, quando fermenta, é fazer-se em fendas (Penei Moshe, Korban HaEdah). “Como chifres de gafanhotos” é quando aparece uma fenda para cá e outra para lá (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí a glosa “o que se fende”. Para os sábios, também a massa com fendas como chifres de gafanhotos já é siduk, e quem a come é passível de karet, porque não há fenda por cima que não tenha várias fendas por baixo, e embaixo as fendas já se misturaram (Penei Moshe, Korban HaEdah). Por isso, para eles, o siur pelo qual se fica isento é a massa em que não há fenda alguma, mas cuja face empalideceu, como um homem cujos cabelos se arrepiaram de medo e cuja face, por isso, empalidece (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí as glosas “segundo eles” e “de medo”. A halachá é como os sábios (Penei Moshe). “Tanto este como aquele” verte זֶה וָזֶה. No Bavli 48b (conferido), uma baraita traz as mesmas definições com outra atribuição: para Rabi Meir, o siur é a massa que empalideceu e o siduk é o de chifres de gafanhotos; para os sábios, o siur é o de chifres de gafanhotos e o siduk é aquele cujas fendas se misturaram; e o Bavli, diante da Mishná, que dá a primeira opinião a Rabi Yehudá, responde: אֵימָא: לְרַבִּי מֵאִיר, זֶה וָזֶה הָאוֹכְלוֹ חַיָּיב כָּרֵת.
Sobre a seção 01. A palavra de Rav Huna em nome de Rav fala do siur da Mishná. Segundo o Penei Moshe, a Mishná que diz que o siur será queimado e que quem o come está isento fala, para Rabi Yehudá, da massa com fendas como chifres de gafanhotos; mas a massa cuja face empalideceu, para Rabi Yehudá, nem precisa ser eliminada: é permitida em proveito, e pode-se dá-la de comer ao cão, e só comê-la é proibido. O Korban HaEdah diz, de modo breve, que se trata do siur dos sábios segundo Rabi Yehudá. Guggenheimer entende de outra maneira, que o próprio siur, por não ser comestível, se dá ao cão, e não foi seguido; a tradução seguiu o Penei Moshe e o Korban HaEdah, e a interpretação fica nesta nota. A palavra לְכַלְבּוֹ está entre colchetes no hebraico do Sefaria, como acréscimo do corretor; foi traduzida, sem colchetes, “ao seu cão”. No Bavli 43a (conferido), Rav Yehudá diz em nome de Rav que é de Rabi Meir a baraita שִׂיאוּר — יִשָּׂרֵף, וְנוֹתְנוֹ לְכַלְבּוֹ, וְהָאוֹכְלוֹ — בְּאַרְבָּעִים. A mesma palavra de Rav Huna, mas em nome de Rabi, já foi trazida na Halachá 2:1. O ensino de Bar Kapara dá a razão dos sábios: quando por cima as fendas são como chifres de gafanhotos, por baixo elas já são como fendas que se misturaram (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí a glosa “na face da massa”. No Bavli 48b (conferido), Rava dá a mesma razão, mas para Rabi Meir: אֵין לָךְ כׇּל סֶדֶק וָסֶדֶק מִלְּמַעְלָה שֶׁאֵין לוֹ כַּמָּה סְדָקִים מִלְּמַטָּה. A expressão אֵין לָךְ, literalmente “não há para ti”, foi vertida “não há”. A palavra “disse” foi acrescentada em itálico para completar a frase. O hebraico escreve מִלְּמַעֲלָן; manteve-se a grafia.
Do hebraico retiraram-se só os rótulos משנה: e הלכה:, no começo do primeiro e do segundo segmentos. Nesta halachá não há marcas das edições de Vilna nem de Veneza, nem parênteses do corretor; os colchetes de [לְכַלְבּוֹ.] foram mantidos no hebraico. As grafias do Sefaria foram mantidas, como שֵׂיאוּר, סִידּוּק, חַיָיב e מִלְּמַעֲלָן.
A Mishná seguinte, Pessachim 3:6 no Yerushalmi, corresponde à Mishná avulsa Pessachim 3:6: “אַרְבָּעָה עָשָׂר שֶׁחָל לִהְיוֹת בְּשַׁבָּת, מְבַעֲרִים אֶת הַכֹּל מִלִּפְנֵי הַשַּׁבָּת…”, o catorze que cai no Shabat, em que se elimina tudo antes do Shabat.