Quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Pessachim, VeElu Ovrin (e estes transgridem). A Mishná traz a divergência sobre as três mulheres que fazem matzá num só forno: Raban Gamliel diz que amassam juntas e assam uma depois da outra; os sábios, que uma amassa, uma dá forma aos pães e uma assa; e Rabi Akiva diz que nem todas as mulheres, lenhas e fornos são iguais, e dá a regra da água fria. A guemará calcula, segundo Raban Gamliel e segundo os sábios, quantos aquecimentos e fornadas espera cada massa; traz o ensino de Rabi Hoshaya, de que outra vem e amassa no lugar delas; e as duas versões sobre a medida da massa em trigo e em cevada, com a explicação de cada uma.
Mishná: Raban Gamliel diz: três mulheres amassam juntas, assam num só tanur (forno), uma depois da outra.
E os sábios dizem: três mulheres se ocupam com a massa: uma amassa, e uma orechet (dá forma aos pães), e uma assa.
Rabi Akiva diz: nem todas as mulheres, nem todas as lenhas e nem todos os fornos são iguais.
Esta é a regra: se a massa inchar, a mulher a alisará com água fria.
Ensinou-se: a primeira espera o bastante para que haja o tempo do hessek (o aquecimento do forno).
E a segunda espera o tempo de dois aquecimentos e uma fornada.
E a terceira, o tempo de três aquecimentos e duas fornadas.
Se a primeira fez o primeiro pão, o último pão espera o tempo de três aquecimentos e três fornadas.
Ensinou-se: terminou esta a sua lishá (o amassar), e terminou esta o seu kituf (o alisar dos pães), e terminou esta o seu aquecimento do forno.
A primeira espera o tempo do aquecimento.
E a segunda espera o tempo do aquecimento e da fornada da sua companheira.
E a terceira, o tempo de dois aquecimentos e uma fornada.
Se a primeira fez o primeiro pão, o último pão espera o tempo de dois aquecimentos e duas fornadas.
“Raban Gamliel diz: três mulheres amassam juntas e assam num só tanur, uma depois da outra. E os sábios dizem: três mulheres estão ocupadas com a massa: uma amassa, e uma dá forma aos pães, e uma assa.”
Ensinou Rabi Hoshaya: e outra vem e amassa no lugar delas.
Há tanaim que ensinam: no trigo, a medida da massa é de três kabin (medidas de um kav); e na cevada, quatro kabin.
Há tanaim que ensinam: no trigo, quatro kabin; e na cevada, três kabin.
Quem disse “no trigo, três kabin”, fala de quando há nele shamnunit (gordura); “na cevada, quatro kabin”, de quando não há nela gordura.
Quem disse “no trigo, quatro kabin”, fala de quando eles são chatyin (grãos falhos); “e na cevada, três kabin”, de quando elas são retishin (grãos esmagados).
Esta é a quarta halachá do Perek Guimel, VeElu Ovrin (e estes transgridem), de Massechet Pessachim. A halachá ocupa quatro segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros três é uma seção desta página, de 01 a 03, divididas em pares de hebraico e português. Nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá corresponde à Mishná avulsa Pessachim 3:4. O Yerushalmi diz אוֹפוֹת sem o vav, רִבִּי עֲקִיבָה, תִּפַּח e בְּצוֹנֵין, onde a avulsa diz וְאוֹפוֹת, רַבִּי עֲקִיבָא, תָּפַח e בְּצוֹנֵן; na seção 03, onde a Mishná é citada de novo, o Yerushalmi diz וְאוֹפוֹת, com o vav, e עֲסֻיקוֹת em vez de עוֹסְקוֹת. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido; seguiu-se o hebraico. No Bavli, a Mishná está em Pessachim 48b, e a guemará sobre ela, no mesmo 48b (conferidos); a medida da massa, em trigo e em cevada, está no Bavli 48a (conferido). O Bavli deste site não tem Pessachim; por isso esta página não traz links para o Bavli Pessachim.
Sobre a Mishná. Para Raban Gamliel, as três mulheres amassam ao mesmo tempo, cada uma o quanto enche o forno, e assam uma depois da outra, e cada uma aquece o forno para si; ainda que a última espere, a massa não fermenta (Penei Moshe, Korban HaEdah). Para os sábios, não se é tão leniente: enquanto a primeira assa, a segunda dá forma aos pães, e a terceira amassa, e assim voltam em roda, de modo que nenhuma massa fica parada (Penei Moshe). Rabi Akiva responde a Raban Gamliel: há mulheres lentas, lenha que não arde depressa e forno que não aquece logo; por isso a halachá é como os sábios (Penei Moshe, Korban HaEdah). O mesmo diálogo está no Bavli 48b (conferido), em que Rabi Akiva pergunta a Raban Gamliel se se fala de mulheres diligentes ou não, de lenha úmida ou seca, de forno quente ou frio, e ouve que não há senão o que os sábios ensinaram: זֶה הַכְּלָל: תָּפַח — תִּלְטוֹשׁ בְּצוֹנֵן. “Se inchar, alisará com água fria” é a regra: se a mulher vê que a massa quer inchar, molha as mãos em água fria e alisa a massa, e ela esfria (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí as glosas “a massa” e “a mulher”. O hebraico do Sefaria vocaliza תִּפַּח; a avulsa e o Bavli, תָּפַח. Guggenheimer traduz de outra maneira, e não foi seguido; a tradução seguiu o Penei Moshe e o Korban HaEdah. Na halachá anterior, Pessachim 3:3, Rabi Berechiá trouxe esta mesma frase como prova para Ben Beteira.
Sobre a seção 01. O ensino explica Raban Gamliel: quanto espera cada mulher, depois de amassar, até assar (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí as glosas “espera”. O forno é pequeno, e é preciso aquecê-lo de novo para cada fornada. A primeira espera só o aquecimento do forno; a segunda, o aquecimento da primeira, a fornada dela e o seu próprio aquecimento, dois aquecimentos e uma fornada; e a terceira, três aquecimentos e duas fornadas (Penei Moshe). A última frase é de sentido discutido: segundo o Penei Moshe, se a primeira só pôde fazer o primeiro pão, porque o forno não comporta mais, o seu último pão, já amassado, espera as fornadas da segunda e da terceira e mais um aquecimento, três aquecimentos e três fornadas; o Korban HaEdah diz que ela pôs o primeiro pão no forno e começou a amassar o segundo. Daí as glosas “a primeira” e “pão”. Guggenheimer lê “um dos primeiros pães por último”, e não foi seguido; a tradução seguiu a pontuação do hebraico. O hebraico escreve הַסִּיקָה, sem mapik, e וְהַשְּׁנִיָיה; mantiveram-se as grafias.
Sobre a seção 02. Este ensino explica os sábios (Penei Moshe, Korban HaEdah): quando uma terminou de amassar, a outra terminou o kituf, que é a arichá (dar forma aos pães) da Mishná (Korban HaEdah), e a outra terminou de aquecer o forno; por isso a espera é menor que a de Raban Gamliel. A primeira espera só o aquecimento; a segunda, o seu aquecimento e a fornada da companheira; a terceira, o aquecimento e a fornada da segunda e o seu próprio aquecimento, dois aquecimentos e uma fornada (Penei Moshe). “O aquecimento e a fornada da sua companheira” é ambíguo no hebraico, e a tradução ficou literal; o Penei Moshe entende o aquecimento dela mesma e a fornada da companheira. Na última frase, o Penei Moshe diz que a leitura “dois aquecimentos e duas fornadas” não se sustenta, e corrige para “três aquecimentos e duas fornadas”; o Korban HaEdah mantém a leitura. A tradução seguiu o hebraico. O hebraico diz גָּמְרָה זֶה, com o masculino זֶה para as mulheres, e escreve וְשְׁתֵּי e שׁוֹהָא; mantiveram-se as grafias. Retirou-se a marca da edição de Vilna 23a antes de כְּדֵי שְׁנֵי הַסִּיקִין וְשְׁתֵּי אֲפִיּוֹת.
Sobre a seção 03. A guemará volta à Mishná para completar a palavra dos sábios com o ensino de Rabi Hoshaya: quando a primeira começa a assar, vem outra e amassa no lugar delas, e assim voltam em roda (Penei Moshe, Korban HaEdah). É o ensino da Tosefta Pessachim 3:8, na numeração comum e na edição de Lieberman (conferidas): לשה, היא מקטפת, ואחרת לשה תחתיה. מקטפת, היא אופה ואחרת מקטפת תחתיה; e o do Bavli 48b (conferido), que diz וַחֲבֶירְתָּהּ לָשָׁה תַּחְתֶּיהָ. A medida dos kabin é a medida da massa que se pode amassar de uma vez no Pessach sem que fermente (Penei Moshe, Korban HaEdah); daí a glosa “a medida da massa”. Na Tosefta, no mesmo 3:8 (conferido), Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, diz בחטין עד שלשת קבין, ובשעורין עד ארבעת קבין, e Rabi Natan, em nome de Rabi Eliezer, diz o contrário. No Bavli 48a (conferido), há as duas versões em nome de Rabi Yishmael, e o Bavli as concilia: הָא — בְּחַסִּיכָתָא, הָא — בִּמְעַלְּיָיתָא, uma em trigo de má qualidade, a outra em trigo bom. A shamnunit é a gordura do grão; segundo o Korban HaEdah, é o trigo bom, e o trigo tem mais gordura que a cevada (Penei Moshe). As palavras חַטְיָין e רְטִישִׁין são de sentido discutido, e as glosas seguem o Korban HaEdah: חַטְיָין são grãos falhos e de pouco valor, da língua de וְהָיִיתִי אֲנִי וּבְנִי שְׁלֹמֹה חַטָּאִים (Melachim I 1:21, conferido); e רְטִישִׁין são grãos esmagados, que estão perto de fermentar, ou, numa segunda leitura, grãos cuja casca se tirou antes da moagem. O Penei Moshe entende חַטְיָין como a massa que se estica como um fio, de mistura mole, e רְטִישִׁין como a massa dura, que se esfarela; e diz que as duas opiniões não divergem de fato: uma mede os grãos, e a outra, a farinha. Guggenheimer traduz “moles” e “duros”, e não foi seguido. A palavra “fala” foi acrescentada em itálico para completar a frase. Os pronomes “nele” e “nela” vertem o plural בָּהֶן, e “eles” e “elas”, אִינּוּן e אִינִּין. O hebraico escreve דְּאיִנּוּן, בַּחִיטִּין e בַּחִטִּין; mantiveram-se as grafias.
Do hebraico retiraram-se só os rótulos משנה: e הלכה:, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e a marca da edição de Vilna 23a, na seção 02. Nesta halachá não há parênteses nem colchetes do corretor. As grafias do Sefaria foram mantidas, como רִבִּי עֲקִיבָה, בְּצוֹנֵין, עָשָׂת e עֲסֻיקוֹת.
A Mishná seguinte, Pessachim 3:5 no Yerushalmi, corresponde à Mishná avulsa Pessachim 3:5: “שִׂאוּר, יִשָּׂרֵף, וְהָאוֹכְלוֹ פָטוּר…”, a massa que começou a fermentar se queima, e quem a come está isento.