O catorze que cai em Shabat, removem-se todas as coisas antes do Shabat, palavras de Rabi Meir. — Normalmente, o chametz é removido na manhã do catorze de Nisan, pouco antes do meio-dia. Mas quando esse catorze cai justamente em Shabat, surge um problema: não se pode queimar o chametz no próprio Shabat, pois isso envolveria acender fogo, proibido nesse dia. Rabi Meir resolve a dificuldade exigindo que toda a remoção do chametz — tanto sua queima quanto sua eliminação — seja antecipada para a sexta-feira, véspera do Shabat, de modo que, quando o Shabat chegar, a casa já esteja completamente livre de chametz.
E os Sábios dizem: em seu horário. — Os Sábios discordam de Rabi Meir e sustentam que não há necessidade de antecipar a remoção do chametz para a sexta-feira. Mesmo quando o catorze de Nisan cai em Shabat, o chametz pode continuar sendo consumido normalmente até o horário habitual da manhã de Shabat em que sua proibição bíblica realmente entra em vigor — e a partir desse momento, basta anular o chametz mentalmente, sem necessidade de queimá-lo fisicamente naquele mesmo dia, já que a queima física poderá ocorrer depois, quando o Shabat terminar.
Rabi Elazar bar Tzadok diz: teruma, antes do Shabat; e chulin, em seu horário. — Rabi Elazar bar Tzadok propõe uma solução intermediária que distingue dois tipos de chametz. A teruma — porção sacerdotal que só pode ser consumida por sacerdotes ritualmente puros — é mais difícil de descartar rapidamente, pois não pode ser dada a qualquer pessoa nem a animais; por isso deve ser removida já antes do Shabat. Já o chametz comum (chulin), que qualquer pessoa pode consumir, é mais fácil de eliminar rapidamente encontrando quem o coma, e por isso pode continuar sendo removido no horário habitual, mesmo dentro do próprio Shabat.
A obrigação bíblica de remover o chametz recai sobre o catorze de Nisan, independentemente de qual dia da semana ele ocupe; mas a proibição rabínica de acender fogo no Shabat impede a forma habitual de cumprir essa remoção — a queima — quando esse catorze coincide com o sétimo dia. A disputa entre Rabi Meir e os Sábios gira em torno de como conciliar essas duas exigências: se antecipando toda a remoção física para antes do Shabat, ou mantendo o horário bíblico habitual e recorrendo à anulação mental do chametz, que não envolve nenhuma ação proibida em Shabat, deixando a queima física para depois.
O Rambam decide a halachá conforme Rabi Elazar bar Tzadok, distinguindo teruma, removida antes do Shabat, de chametz comum, consumido ou anulado no horário habitual.
O catorze que cai em Shabat, removem-se todas as coisas antes do Shabat, exceto o chametz que se come na refeição obrigatória da manhã de Shabat, que se deixa até comer dele a medida necessária, e então se remove o restante.
Rambam nota que a halachá segue Rabi Elazar bar Tzadok; Bartenura explica a razão da distinção entre teruma e chulin quanto à facilidade de descarte; Rashi, na Guemará, esclarece o princípio geral por trás da regra de remover no horário.
"O catorze que cai em Shabat, removem-se todas as coisas, etc.": e a halachá é conforme Rabi Elazar bar Tzadok.
"Removem-se todas as coisas" — tanto o chulin quanto a teruma, exceto o suficiente para sua refeição de Shabat.
"Teruma, antes do Shabat" — pois não se pode alimentar com ela nem estranhos, nem animais, e conservá-la é impossível. Mas o chulin não precisa ser removido senão em seu horário, pois se pode encontrar para ele muitos consumidores. E a halachá é conforme Rabi Elazar, filho de Rabi Tzadok.
"Mishná: removem-se todas as coisas" — tanto o chulin quanto a teruma, exceto o suficiente para sua refeição de Shabat, mas tudo o que está destinado a ser removido, que se remova.
"Teruma, antes do Shabat" — pois não pode alimentar com ela nem estranhos, nem o gado de estranhos, e conservá-la é impossível; mas o chulin não precisa ser removido senão em seu horário, pois pode encontrar para eles muitos consumidores. Rashi mostra assim que a distinção de Rabi Elazar bar Tzadok se apoia em uma diferença prática real: a teruma tem um círculo muito restrito de consumidores aptos, o que a torna urgente, enquanto o chametz comum pode ser distribuído com facilidade a qualquer pessoa até o último momento permitido.