Rabán Gamliel diz: três mulheres amassam ao mesmo tempo e assam em um só forno, uma após a outra. — Rabán Gamliel permite que três mulheres, cada uma com sua própria porção de massa, amassem todas simultaneamente, mesmo sabendo que apenas uma delas poderá usar o forno de cada vez. Segundo ele, mesmo que a terceira massa aguarde até que as duas primeiras terminem de assar, esse tempo de espera não é suficiente para que ocorra fermentação preocupante, desde que as três já tenham sido amassadas ao mesmo tempo.
E os Sábios dizem: três mulheres se ocupam com a massa, uma amassa, uma modela e uma assa. — Os Sábios discordam de Rabán Gamliel, temendo que o tempo de espera pela vez do forno seja suficiente para causar fermentação. Por isso propõem um sistema diferente: as três mulheres trabalham simultaneamente, mas em etapas distintas e encadeadas — enquanto uma está amassando sua porção, outra está modelando a que já foi amassada, e uma terceira está assando a que já foi modelada — de modo que nenhuma massa fica parada sem atenção contínua, e as mãos das mulheres permanecem sempre ativas sobre a massa, o que por si só retarda a fermentação.
Rabi Akiva diz: nem todas as mulheres, nem todas as lenhas e nem todos os fornos são iguais. Esta é a regra: se inchou, refresque com água fria. — Rabi Akiva discorda tanto de Rabán Gamliel quanto do sistema fixo dos Sábios, observando que a velocidade de fermentação depende de muitas variáveis práticas: algumas mulheres são mais ágeis que outras, algumas lenhas queimam mais depressa, e alguns fornos esquentam mais rapidamente. Por isso, em vez de um procedimento rígido, ele estabelece um princípio flexível e observável: sempre que se notar que a massa está começando a inchar — sinal do início da fermentação —, deve-se molhar as mãos em água fria e trabalhar a massa com elas, o que resfria a massa e interrompe o processo.
A Torá liga expressamente a matzá à saída apressada do Egito — "pois com pressa saíste" — e essa mesma pressa que gerou a matzá é a que exige, no preparo anual da massa para Pessach, extremo cuidado contra a fermentação. Por isso os Sábios discutem o melhor método prático para amassar em quantidade sem que o tempo de espera pelo forno permita à massa fermentar; a disputa entre Rabán Gamliel e os Sábios reflete duas estratégias distintas de organizar o trabalho para preservar essa urgência simbólica de "chipazon" também no preparo material da matzá.
O Rambam decide a halachá conforme os Sábios contra Rabán Gamliel, prescrevendo o sistema de revezamento contínuo, e incorpora o princípio de Rabi Akiva de resfriar a massa com água fria ao primeiro sinal de inchaço.
E como se procede? Três mulheres se ocupam de uma massa cada uma, ao mesmo tempo: uma amassa, uma modela e uma assa; e nem todas as mulheres, nem todas as lenhas e nem todos os fornos são iguais. Esta é a regra: assim que a massa incha um pouco, antes que seu rosto embranqueça, refresca-se ela com água fria e se esfria.
Rambam explica por que o revezamento contínuo dos Sábios não gera fermentação; Bartenura descreve o ciclo exato das três mulheres e sua rotação; Rashi, na Guemará, detalha a sequência de tarefas e o vocabulário técnico do preparo do pão.
"Rabán Gamliel diz: três mulheres amassam ao mesmo tempo, etc.": e os Sábios dizem que, quando a primeira começa a assar, a segunda começa a modelar e a terceira a amassar, e assim fazem, e a massa não se demora de forma alguma, e a mão não se levanta dela.
E sabe que todo tempo em que a mão se ocupa com a massa, ela não vem a fermentar, mesmo um dia inteiro. E a halachá é conforme os Sábios.
"Uma amassa" — a última amassa quando sua companheira, a do meio, modela, e a terceira, que amassou primeiro, assa; assim as três se acham ocupadas de uma só vez, cada uma com sua massa.
"Nem todas as mulheres" — Rabi Akiva está retornando ao dito de Rabán Gamliel, pois há mulheres preguiçosas que fazem fermentar se demoram tanto.
"Refresque" — sua mão em água fria, e modele-a, e ela se resfria.
"Mishná: Rabán Gamliel diz: três mulheres amassam ao mesmo tempo" — cada uma o suficiente para encher o forno, e não há aqui fermentação, ainda que uma aguarde até que as outras duas assem.
"Ensinaram: a que amassou é a que agora modela" — refere-se aos Sábios: a primeira, que se antecipou a amassar o suficiente para o forno pequeno delas, agora modela — isto é, dá forma à massa — enquanto as outras avançam em suas próprias etapas. Rashi detalha assim o mecanismo exato do rodízio contínuo proposto pelos Sábios, mostrando como cada mulher passa, em sequência, pelas três tarefas sem nunca deixar sua massa parada.