Sexta halachá do Perek Bet de Massechet Pessachim, Kol Shaá (toda hora). A Mishná proíbe pôr de molho o farelo para as galinhas, mas permite escaldá-lo; proíbe à mulher pôr de molho o farelo que levará à casa de banhos, mas permite esfregá-lo seco na pele; e proíbe mastigar grãos de trigo para pô-los sobre uma ferida no Pessach, porque fermentam. A guemará traz a baraita de Rabi Yishmael beRabi Yossi em nome de seu pai sobre a meissá e a chalitá, e diz que aqui, no farelo, tanto faz a ordem; e termina com a malugmá, o emplastro de farinha que apodreceu, sobre a qual os tanaim divergem se é preciso eliminá-la, e com a conciliação: depende de ter fermentado antes ou depois de apodrecer.
Mishná: Não se põe de molho o mursan (o farelo do trigo) para as galinhas, mas escalda-se (em água fervente).
A mulher não porá de molho o farelo que levará na sua mão à casa de banhos, mas ela esfrega o farelo na sua carne, seco.
Não mastigará o homem grãos de trigo e os porá sobre a sua ferida no Pessach, porque eles fermentam (pela saliva).
Ensinou-se: Rabi Yishmael beRabi Yossi disse em nome de seu pai: “Qual é a meissá (a massa escaldada)? É a de quem põe água quente dentro da farinha. A chalitá (a massa cozida em água fervente): farinha dentro de água quente.”
E aqui, na Mishná, que permite escaldar o farelo, seja água quente dentro do farelo, seja farelo dentro de água quente, é permitido.
Quando há neles shamnunit (gordura).
Uma malugmá (um emplastro feito com farinha) que apodreceu: há tanaim (os que recitam as baraitot) que ensinam: “o seu dono precisa eliminar a malugmá”; e há tanaim que ensinam: “não precisa eliminar”.
Quem diz “precisa eliminar” fala de quando a malugmá fermentou e depois disso apodreceu.
E quem diz “não precisa eliminar” fala de quando apodreceu e depois disso fermentou.
Esta é a sexta halachá do Perek Bet, Kol Shaá (toda hora), de Massechet Pessachim. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros dois é uma seção desta página, 01 e 02, divididas em pares de hebraico e português. Nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá corresponde à Mishná avulsa Pessachim 2:7. O Yerushalmi diz הַמּוּרְסָן, שָׁפָל, יִלְעוֹס, חִטִּים, וְיִתֵּן עַל גַּבֵּי, בַפֶּסַח e מַחְמִיצוֹת, onde a avulsa diz הַמֻּרְסָן, שָׁפָה, יִלְעֹס, חִטִּין, וְיַנִּיחַ עַל, בְּפֶסַח e מַחֲמִיצוֹת. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido; שָׁפָל foi traduzido como שָׁפָה, “esfrega”, que é a palavra que o Penei Moshe e o Korban HaEdah citam no comentário. No Bavli, a Mishná está em Pessachim 39b (conferida), com וְיַנִּיחַ עַל מַכָּתוֹ e sem “no Pessach”; a guemará, em 39b e 40a (conferidos), não comenta o farelo, mas ensina numa baraita que não chegam a fermentar o assado, o cozido e o חָלוּט שֶׁחֲלָטוֹ בְּרוֹתְחִין, o escaldado em água fervente, e traz o conselho de Rav Yosef de não escaldar dois grãos de trigo juntos. O Bavli deste site não tem Pessachim; por isso esta página não traz links para o Bavli.
Sobre a Mishná. Pôr de molho é na água fria, e com mais razão na morna, porque o farelo fermenta depressa; escaldar é na água fervente, porque enquanto ferve não fermenta; e o Penei Moshe acrescenta que hoje o costume é proibir também o escaldado. A mulher leva o farelo para esfregar a carne no banho; de molho é proibido, porque fermenta; seco é permitido, mesmo que o suor saia na sua carne, porque o suor não faz fermentar (Penei Moshe), ou mesmo que a água pingue sobre a sua carne (Korban HaEdah). Mastigar é moer com os dentes (Penei Moshe, Korban HaEdah), e a saliva faz fermentar (Penei Moshe); daí a glosa “pela saliva”. A tradução diz “grãos de trigo” para חִטִּים, o trigo em grão.
Sobre a seção 01. A baraita está na Tosefta Challah 1:1 na numeração comum, e 1:1 e 1:2 na edição de Lieberman (conferidas), onde a ordem é a inversa, primeiro o חלוט, farinha dentro de água quente, e depois a meissá, água quente dentro da farinha; as definições são as mesmas do Yerushalmi. O mesmo trecho está no Yerushalmi Chala 1:4 (conferido), sobre a Mishná Chala 1:6, onde Bet Shamai (a escola de Shamai) isenta a meissá da chalá (a porção da massa dada ao cohen) e Bet Hilel (a escola de Hilel) a obriga, e na chalitá o contrário (Korban HaEdah). As glosas de meissá e chalitá repetem as daquela página. No Bavli Pessachim 37b (conferido), a baraita define ao contrário: a meissá é farinha sobre água quente, e a chalitá é água quente sobre farinha. A frase “e aqui” fala da Mishná desta halachá, que permite escaldar sem distinguir: no farelo, as duas maneiras são permitidas (Penei Moshe, Korban HaEdah); o Korban HaEdah acrescenta que aqui Bet Shamai e Bet Hilel não divergem, e que a guemará pergunta qual é a razão. As palavras “é permitido” não estão no hebraico e seguem os dois comentaristas; Guggenheimer entende o contrário, que aqui é proibido nos dois casos, e não foi seguido. O hebraico diz חַמִּים e depois חַמִּין na mesma frase; mantiveram-se as duas grafias.
Sobre a seção 02. A frase בְּשֶׁיֵּשׁ בָּהֶן שַׁמְנוּנִית é curta e de leitura incerta, e a tradução ficou neutra. Segundo o Korban HaEdah, é a resposta à pergunta da seção anterior: o farelo é permitido quando há nele gordura, isto é, quando ainda está úmido, e isso não o deixa fermentar. O Penei Moshe a liga à frase anterior e fala de gordura na água quente, e conclui que sempre é permitido. Guggenheimer a lê como dita sobre os grãos de trigo mastigados da Mishná. A malugmá é, segundo Guggenheimer, a palavra grega para emplastro; o Penei Moshe diz que é feita de farinha, para cura, e que apodreceu até ficar imprópria para um cão comer; o Korban HaEdah diz que é uma atadura ou emplastro, e que se chama assim porque o homem costuma mastigar מְלֹא לוּגְמָיו, a boca cheia, de trigo ou de figos, e pô-la sobre a ferida. A opinião de que não precisa eliminar está na Tosefta Pessachim 3:2 na numeração comum, e 3:3 na edição de Lieberman (conferidas): מלוגמא שנסרחה אין צריך לבער; na edição comum, a frase está entre colchetes. A conciliação: se fermentou antes de apodrecer, já recaiu sobre ela a obrigação da eliminação, e a proibição do chametz não se desfaz por apodrecer (Penei Moshe, Korban HaEdah); se apodreceu antes, é como o pão queimado antes do seu tempo, sobre o qual a proibição não recaiu (Korban HaEdah). O Korban HaEdah entende que a fermentação foi no Pessach. O hebraico diz אֵין זָקוּק na baraita e אֵינוֹ זָקוּק na conciliação; mantiveram-se as grafias.
Do hebraico retiraram-se só os rótulos משנה: e הלכה:, no começo do primeiro e do segundo segmentos. Não há, nesta halachá, marcas das edições de Vilna ou de Veneza, nem parênteses nem colchetes do corretor no Sefaria. As grafias do Sefaria foram mantidas, como לַתַּרְנְגוֹלִים e שָׁפָל na Mishná.
A Mishná seguinte, Pessachim 2:7 no Yerushalmi, corresponde à Mishná avulsa Pessachim 2:8: “אֵין נוֹתְנִין אֶת הַקֶּמַח לֹא לְתוֹךְ חֲרוֹסֶת…”, não se põe a farinha nem dentro do charosset (a pasta em que se molha o maror).