Não se põe farinha dentro do charoset ou dentro da mostarda; e se pôs, coma-se imediatamente. E Rabi Meir proíbe. — É proibido acrescentar farinha ao charoset — a pasta doce de frutas usada no Seder — ou à mostarda, pois a farinha, em contato com os líquidos dessas misturas, fermenta com grande rapidez. Se, ainda assim, alguém já colocou farinha nelas, deve consumir a mistura imediatamente, antes que ocorra a fermentação. Rabi Meir, porém, discorda e proíbe o consumo mesmo nesse caso, considerando que o risco de fermentação já se consumou no próprio ato de misturar.
Não se cozinha o Pessach nem em líquidos nem em sucos de frutas, mas pode-se untá-lo e mergulhá-lo neles. — A Torá exige que o cordeiro pascal seja assado ao fogo, e por isso a mishná proíbe qualquer forma de cozimento dele — seja em líquidos comuns, seja em sucos de frutas — pois isso equivaleria a um método de preparo diferente do exigido. No entanto, depois que a carne já foi devidamente assada, é permitido untá-la ou mergulhá-la nesses mesmos líquidos, já que isso não constitui uma forma de cozimento, mas apenas um tempero final.
A água de uso do padeiro, que se derrame, pois ela fermenta. — A água que o padeiro utiliza para refrescar as mãos enquanto retira porções de massa durante a preparação da matzá absorve partículas de farinha e amido ao longo do processo, e por isso, se acumulada, pode ela mesma fermentar; a mishná exige, portanto, que essa água seja derramada em local inclinado, para que não se acumule em um só lugar.
O Rambam observa que a Torá emprega, na proibição de cozinhar o korban Pessach, a expressão redobrada "u'vashel mevushal" — "e cozido, cozido" — em forma de infinitivo absoluto, sinal, segundo a tradição recebida, de que a proibição de cozimento se estende também a líquidos que não sejam água comum, como sucos de frutas. Por isso a mishná proíbe cozinhar o cordeiro pascal tanto em líquidos quanto em sucos de frutas, igualando-os à água mencionada explicitamente no versículo; mas, como o versículo fala apenas do ato de cozinhar — e não de untar ou mergulhar a carne já assada —, essas duas últimas ações permanecem permitidas mesmo com tais líquidos.
O Rambam decide a halachá conforme o Tana Kama contra Rabi Meir quanto à mostarda, mas concorda que a farinha no charoset deve ser consumida imediatamente; e reafirma a proibição de cozinhar o korban Pessach em qualquer líquido.
A farinha que foi posta dentro do charoset ou dentro da mostarda, coma-se imediatamente, para que não fermente. E não se assa o cordeiro pascal nem em líquidos, nem em sucos de frutas, mas pode-se untá-lo e mergulhá-lo neles depois de assado.
Rambam explica a diferença de rapidez de fermentação entre charoset e mostarda que fundamenta a disputa; Bartenura detalha o raciocínio de Rabi Meir e o motivo de a Torá usar forma verbal redobrada; Rashi, na Guemará, ilustra o rigor com que se trata todo o trigo destinado a Pessach desde a colheita.
"Não se põe farinha dentro do charoset ou dentro da mostarda, etc.": a disputa entre o Tana Kama e Rabi Meir só existe quanto à farinha posta na mostarda; mas quanto ao charoset, todos concordam que deve ser consumido imediatamente, pois a mistura fermenta com grande rapidez.
E disse o Altíssimo, a respeito do Pessach, "e cozido, cozido em água"; e como Ele repetiu a proibição do cozimento em forma de infinitivo absoluto, recebemos por tradição que isso veio sugerir a proibição de cozinhá-lo também em sucos de frutas — mas é permitido untá-lo e mergulhá-lo neles depois de assado.
"Coma-se imediatamente" — pois a mostarda é picante e não fermenta com a mesma rapidez que o charoset; já quanto ao charoset, o próprio Tana Kama concorda com Rabi Meir de que é proibido.
"E Rabi Meir proíbe" — mesmo se a farinha foi posta na mostarda, pois ele entende que a mostarda fermenta de imediato, tal como o charoset; e não é essa a halachá.
"Nem em líquidos nem em sucos de frutas" — pois está escrito "e cozido, cozido" — de qualquer maneira que seja, incluindo sucos de frutas.
"Sua mãe lhe reservava" — trigo desde o início da colheita, especificamente para o Pessach, tratando-o com a devida guarda desde a origem. "Em grandes tinas" — o equivalente a uma amassadeira cheia, ou várias amassadeiras, guardadas à parte, exclusivamente para o Pessach.
Estes comentários de Rashi, no mesmo daf em que a Guemará discute a água do padeiro, ilustram o grau de cuidado exigido com todo trigo destinado à matzá de Pessach — cuidado que começa já na colheita e se estende até os últimos detalhes do preparo, como a água usada pelas mãos do padeiro, que a mishná ordena descartar.