Não se demolha o farelo para as galinhas, mas escalda-se. — É proibido colocar farelo de trigo de molho em água, mesmo fria ou morna, para depois oferecê-lo às galinhas, pois a água em contato prolongado com o farelo, sem calor suficiente para impedir o processo, pode causar sua fermentação, o que constituiria chametz proibido em Pessach. Mas é permitido escaldá-lo, isto é, misturá-lo com água em plena fervura, pois o calor intenso da água fervente impede que ocorra qualquer fermentação.
A mulher não demolhará o farelo que levará em sua mão ao banho, mas pode esfregá-lo em sua pele, seco. — Pela mesma razão, uma mulher não pode levar farelo já umedecido em água para usá-lo como esfoliante durante o banho, pois o tempo de contato com a água poderia causar sua fermentação. Mas é permitido que ela esfregue farelo seco diretamente sobre sua pele, mesmo que a pele já esteja molhada pela água do banho, pois nesse caso o contato do farelo com a umidade é breve demais para gerar fermentação.
Não mastigará o homem trigo e o colocará sobre seu ferimento em Pessach, pois eles fermentam. — Um remédio popular consistia em mastigar grãos de trigo até formar uma pasta e aplicá-la sobre um ferimento; a mishná proíbe esse procedimento durante Pessach, pois a umidade da saliva, combinada com o calor da mastigação, faz com que o trigo mastigado fermente rapidamente, tornando-se chametz proibido.
O versículo revela o mecanismo natural da fermentação — que se dá pela demora da massa em contato com líquido antes de ser assada — e é dessa lógica que a mishná deriva sua cautela extrema mesmo com o farelo, um subproduto do trigo. A Torá associa explicitamente o não fermentar à ausência de demora — "não puderam demorar-se" —, ensinando que basta o tempo de contato entre o cereal e a água para produzir chametz, independentemente da intenção de assar pão. Por isso os Sábios estenderam essa mesma cautela a qualquer uso doméstico do farelo de trigo, mesmo fora do contexto de panificação, proibindo o contato prolongado com água morna ou fria, mas permitindo a água fervente, cujo calor intenso impede o próprio início do processo.
O Rambam consolida as três cláusulas da mishná como aplicações de um único princípio: qualquer contato demorado de cereal com água fria ou morna, sem processo de cozimento, arrisca a fermentação e é proibido em Pessach.
Não se demolha o farelo para as galinhas em Pessach, para que não fermente, mas escalda-se em água fervente. E, do mesmo modo, não mastigará o homem trigo para colocar sobre seu ferimento, pois fermenta.
Rambam identifica o farelo e distingue os verbos "demolhar" e "escaldar"; Bartenura observa que o costume posterior passou a proibir mesmo o escaldamento; Rashi, na Guemará, contrasta o caso do farelo com o de certos vegetais, que absorvem líquido de modo diferente.
"Não se demolha o farelo para as galinhas, mas escalda-se, etc.": o farelo é conhecido — é a casca grossa do trigo. E "demolhar" significa demolhar o farelo em água e colocá-lo diante das galinhas, para que o comam à sua maneira, sem pressa. E "escaldar" significa amassar a farinha com água quente, em plena fervura. E o povo se acostumou a proibir isso também, mas o Talmud o permite.
E "esfrega" significa que a mulher esfrega sua pele com o farelo. E "mastigar" é a ação de mastigar com os dentes.
"Mas escalda-se" — em água fervente, pois enquanto a água está fervendo, o farelo não pode fermentar. Mas hoje em dia o costume generalizado é proibir mesmo o escaldamento em água fervente, por precaução adicional.
"Mas pode esfregá-lo em sua pele" — farelo seco sobre a pele, mesmo que haja gotas de água na própria pele, pois esse contato mínimo não é suficiente para causar fermentação.
"Mas com vegetais não" — explica Rashi que os vegetais absorvem líquido com maior intensidade e rapidez do que o farelo de trigo, e por isso certas permissões dadas ao farelo — como o contato breve com água na pele — não se aplicam da mesma forma a eles; esse contraste, discutido pela Guemará neste daf, ajuda a esclarecer os limites exatos da cautela exigida com o próprio farelo nas cláusulas de nossa mishná.