Talmud Yerushalmi · Massechet Pessachim · Perek Alef · Halachá 3
פְּסָחִים

Três procuras do chametz, e o pão que a chuldá arrasta e deixa

Perek Alef, Or LeArbaá Asar, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Pessachim

Terceira halachá do Perek Alef, Or LeArbaá Asar (na noite do catorze), de Massechet Pessachim. A Mishná traz a disputa sobre os tempos da procura: Rabi Yehudá diz que se procura na noite do catorze, no catorze de manhã e na hora da eliminação; os sábios dizem que quem não procurou procure no catorze, dentro da festa e até depois dela; e o chametz (o fermentado) que sobra se guarda em lugar escondido. Na guemará, Rabi Yochanan explica as três procuras pelos três “não se verá contigo” da Torá; a opinião de Rabi Yudá parece invertida e se conclui que basta uma procura; e, a partir de uma Tosefta sobre a impureza do morto, ensina-se que, se o pão guardado desapareceu, só aquela casa precisa de nova procura.

A Mishná · מַתְנִיתִין

רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר בּוֹדְקִין אוֹר אַרְבָּעָה עָשָׂר וְאַרְבָּעָה עָשָׂר בְּשַׁחֲרִית וּבִשְׁעַת הַבִּעוּר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים לֹא בָדַק אוֹר אַרְבָּעָה עָשָׂר יִבְדּוֹק בְּאַרְבָּעָה עָשָׂר. אִם לֹא בָדַק בְּאַרְבָּעָה עָשָׂר יִבְדּוֹק בְּתוֹךְ הַמּוֹעֵד. לֹא בָדַק בְּתוֹךְ הַמּוֹעֵד יִבְדּוֹק לְאַחַר הַמּוֹעֵד. וּמַה שֶּׁהוּא מְשַׁיֵיר יַנִּיחֶנּוּ בְצִינְעָה כְּדֵי שֶׁלֹּא יְהֵא צָרִיךְ בְְְּּּדִיקָה אַחֲרָיו:

Mishná: Rabi Yehudá diz: procura-se na noite do catorze, e no catorze, de manhã, e na hora da eliminação. E os sábios dizem: se não procurou na noite do catorze, procure no catorze; se não procurou no catorze, procure dentro do moed (a festa); se não procurou dentro da festa, procure depois da festa. E o que ele deixa de sobra, guarde-o em lugar escondido, para que não seja preciso procurar depois dele.

A Halachá · הֲלָכָה ג

01Rabi Yochanan: três procuras contra os três “não se verá”; o depósito do gentio e a casa destinada
Yerushalmi · Pessachim 1:3
רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר כול׳. אָמַר רִבִּי יוֹחָנָן. טַעֲמֵיהּ דְּרִבִּי יוּדָה כְּנֶגֶד שְׁלֹשָׁה פְעָמִים שֶׁכָּתוּב בַּתּוֹרָה לֹא יֵ‍רָאֶה לְךָ שְׂאוֹר.

“Rabi Yehudá diz” etc. Disse Rabi Yochanan: a razão de Rabi Yudá é correspondente às três vezes que está escrito na Torá “não se verá contigo fermento” (Shemot 13:7, duas vezes, e Devarim 16:4).

וְהָכְתִיב תַּשְׁבִּיתוּ שְּׂאוֹר מִבָּתֵּיכֶם. בַּעֲשֵׂה הוּא.

Mas não está escrito: “fareis cessar o fermento das vossas casas” (Shemot 12:15)? Seriam quatro. Esse versículo está em asê (preceito positivo).

וְהָא כְתִיב שִׁבְעַת יָמִים שְׂאוֹר לֹא יִמָּצֵא בְּבָתֵּיכֶם. אָמַר רִבִּי יוֹסֵה. מִכֵּיוָן שֶׁזֶּה צָרִיךְ לָזֶה וְזֶה צָרִיךְ לָזֶה כְּמִי שֶׁכּוּלָּן אֶחָד.

E não está escrito: “sete dias, fermento não se achará nas vossas casas” (Shemot 12:19)? Disse Rabi Yossi: uma vez que este versículo precisa daquele e aquele precisa deste, é como se todos eles fossem um.

לֹא יֵ‍רָאֶה לְךָ. הָיִיתִי אוֹמֵר. הִפְקִיד אֶצְלוֹ יְהֵא מוּתָּר. תַּלְמוּד לוֹמַר לֹא יִמָּצֵא בְּבָתֵּיכֶם.

Se fosse só “não se verá contigo”, eu diria: se um gentio depositou o seu chametz junto a ele, seja permitido. Ensina o versículo: “não se achará nas vossas casas”.

אִי לֹא יִמָּצֵא בְּבָתֵּיכֶם הָיִיתִי אוֹמֵר. יִיחַד לֹו בָיִת יְהֵא אָסוּר. תַּלְמוּד לוֹמַר לֹא יֵ‍רָאֶה לְךָ.

Se fosse só “não se achará nas vossas casas”, eu diria: se lhe destinou uma casa, seja proibido. Ensina o versículo: “não se verá contigo”.

הָא כֵיצַד. הִפְקִיד אֶצְלוֹ אָסוּר. יִיחַד לוֹ בָיִת מוּתָּר.

Como é, então? Se depositou junto a ele, proibido; se lhe destinou uma casa, permitido.

02A linha de Rabi Yudá se inverte: basta uma procura
Yerushalmi · Pessachim 1:3
מִחְלְפָה שִׁיטָּתֵיהּ דְּרִבִּי יוּדָה. דְּתַנֵּי. רִבִּי יוּדָה אוֹמֵר. בּוֹדְקִין אוֹר לְאַרְבָּעָה עָשָׂר. וּבְאַרְבָּעָה עָשָׂר בְּשַׁחֲרִית. וּבִשְׁעַת הַבִּיעוּר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים. אִם לֹא בָדַק אוֹר לְאַרְבָּעָה עָשָׂר יִבְדּוֹק בְּאַרְבָּעָה עָשָׂר.

A linha de Rabi Yudá se inverte, pois foi ensinado: “Rabi Yudá diz: procura-se na noite do catorze, e no catorze, de manhã, e na hora da eliminação. E os sábios dizem: se não procurou na noite do catorze, procure no catorze.”

צָרִיךְ לִבְדּוֹק שְׁלֹשָׁה פְעָמִים. מָה אִם בְּשָׁעָה שֶׁלֹּא הִגִּיעַ זְמַן בִּיעוּרוֹ אַתְּ אָמַר. צָרִיךְ לִבְדּוֹק שְׁלשָׁה פְעָמִים. בְּשָׁעָה שֶׁהִגִּיעַ זְמַן בִּעוּרוֹ לֹא כָל שֶׁכֵּן.

Segundo Rabi Yudá, é preciso procurar três vezes. Se, na hora em que não chegou o tempo da sua eliminação, tu dizes que é preciso procurar três vezes, na hora em que chegou o tempo da sua eliminação, não é com mais razão que é preciso?

(לֹא צוֹרְכָה דְלֹא. לֹא בָדַק בְּאַרְבָּעָה עָשָׂר יִבְדּוֹֹק בְּמוֹעֵד. צָרִיךְ לִבְדּוֹק שְׁלשָׁה פְעָמִים. מָה אִם בְּשָׁעָה שֶׁלֹּא הִגִּיעַ זְמַן בִּיעוּרוֹ אַתְּ אָמַר. צָרִיךְ לִבְדּוֹק שְׁלשָׁה פְעָמִים. בִּזְמַן שֶׁהִגִּיעַ זְמַן בִּיעוּרוֹ לֹא כָל שֶׁכֵּן.)

לֹא צוֹרְכָה דְלֹא. אִם לֹא בָדַק בְּתוֹךְ הַמּוֹעֵד יִבְדּוֹק לְאַחַר הַמּוֹעֵד.

Não foi necessário senão para isto: se não procurou dentro da festa, procure depois da festa.

03O pão guardado que desapareceu, o kezayit do morto e o caso de Rimon
Yerushalmi · Pessachim 1:3
וּמַה שֶּׁהוּא מְשַׁיֵיר יַנִּיחֶינּוּ בְצִינְעָה כְּדֵי שֶׁלֹּא יְהֵא צָרִיךְ בְּדִיקָה אַחֲרָיו. כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה. כּוֹפֶה עָלָיו כֶּלִי.

“E o que ele deixa de sobra, guarde-o em lugar escondido, para que não seja preciso procurar depois dele.” Como ele faz? Emborca sobre ele um utensílio.

כָּפָה עָלָיו כֶּלִי וְלֹא מְצָאוֹ. אֲנִי אוֹמֵר יָד נְטַלְּתוֹ. לֹא כָפָה עָלָיו כֶּלִי וְלֹא מְצָאוֹ. אוֹתוֹ הַבָּיִת צָרִיךְ בְּדִיקָה. אוֹ שְׁאָר כָּל הַבָּתִּים לֹא יְהוּ צְרִיכִין בְּדִיקָה.

Se emborcou sobre ele um utensílio e não o achou, eu digo que uma mão humana o tomou. Se não emborcou sobre ele um utensílio e não o achou, aquela casa precisa de procura. Ou todas as outras casas não precisarão de procura?

נִישְׁמְעִינָהּ מִן הָדָא. אָבַד כְּזַיִת מִן הַמֵּת בַּבָּיִת. בִּקְשׁוֹ וְלֹא מְצָאוֹ. הַבָּיִת טָהוֹר. לִכְשֶׁיִימָּצֵא. הַבָּיִת טָמֵא לְמַפְרֵעַ.

Ouçamo-lo desta: “Perdeu-se um kezayit (a medida de uma azeitona) de um morto na casa; procurou-o e não o achou: a casa é pura. Quando for achado, a casa é impura retroativamente.”

הָדָא יָלְפָה מִן הַהִיא. וְהַהִיא יָלְפָא מִן הָדָא. הָדָא יָלְפָא מִן הַהִיא. הִיא אִיבֵּד הִיא הִינִּיחַ. וְהַהִיא יָלְפָה מִן הָדָא. אֵין לָךְ צָרִיךְ בְּדִיקָה אֶלָּא אוֹתוֹ הַבָּיִת בִּלְבַד.

Esta lei aprende daquela, e aquela aprende desta. Esta aprende daquela: é o mesmo “perdeu” e “deixou”. E aquela aprende desta: não tens casa que precise de procura, senão aquela casa somente.

וּכְרִבִּי יוּדָה אֲפִילוּ אוֹתוֹ הַבָּיִת לֹא יְהֵא צָרִיךְ בְּדִיקָה. נִישְׁמְעִינָיהּ מִן הָדָא. אָמַר רִבִּי יוּדָה. מַעֲשֶׂה בְשִׁפְחָתוֹ שֶׁלְמִסִּיק אֶחָד בְּרִימוֹן שֶׁהִשְׁלִיכָה נֶפֶל אֶחָד לְבוֹר. וּבָא כֹהֵן אֶחָד וְהֵצִיץ לֵידַע מַה שֶׁהִשְׁלִיכָה. וּבָא מַעֲשֶׂה לִפְנֵי חֲכָמִים וְטִיהֲרוּ. שֶׁדֶּרֶךְ חוּלְדָה וּבַרְדְּלֵיס לִהְיוֹת גּוֹרְרִין אוֹתוֹ.

E segundo Rabi Yudá, nem aquela casa precisaria de procura. Ouçamo-lo desta: “Disse Rabi Yudá: aconteceu com a serva de um massik (colhedor de azeitonas) em Rimon, que lançou um nefel (feto abortado) num poço. E veio um kohen e espiou, para saber o que ela lançara. E o caso veio diante dos sábios, e o declararam puro, pois é costume da chuldá (a doninha) e do bardelis (um animal selvagem) arrastá-lo.”

רַצָּה הִיא אַחַר הַבָּשָׂר. וְאֵינָהּ רַצָּה אַחַר הַפַּת. וַאֲפִילוּ תֵימַר. רַצָּה הִיא אַחַר הַבָּשָׂר וְאַחַר הַפַּת. בָּשָׂר גּוֹרֶרֶת וְאוֹכֶלֶת. פַּת גּוֹרֶרֶת וּמֶנַחַת.

A chuldá corre atrás da carne e não corre atrás do pão. E ainda que digas que corre atrás da carne e atrás do pão, a carne ela arrasta e come; o pão ela arrasta e deixa.

רַבֵּנִין דְּקַיְסָרִין בְּשֵׁם רִבִּי אַבָּהוּ. אֵין חוֹשְׁשִׁין שֶׁמָּא גֵרְרָה חוּלְדָּה. וּכְרִבִּי יוּדָה חוֹשְׁשִׁין.

Os rabanan de Cesareia, em nome de Rabi Abahu: não se teme que uma chuldá tenha arrastado o chametz; e segundo Rabi Yudá, teme-se.

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Alef, Or LeArbaá Asar (na noite do catorze), de Massechet Pessachim. A halachá ocupa quatro segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros três é uma seção desta página, 01, 02 e 03, divididas em pares de hebraico e português. Nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá é a Mishná avulsa Pessachim 1:3, inteira, e que o Sefaria liga este segmento a “Mishnah Pesachim 1:3”. O Yerushalmi diz וְאַרְבָּעָה עָשָׂר בְּשַׁחֲרִית, אִם לֹא בָדַק na segunda frase dos sábios, שֶּׁהוּא מְשַׁיֵיר e בְצִינְעָה, onde a avulsa diz וּבְאַרְבָּעָה עָשָׂר שַׁחֲרִית, לֹא בָדַק, שֶּׁמְּשַׁיֵּר e בְצִנְעָא; a diferença não muda o sentido.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam “dentro do moed” como dentro dos dias de Pessach, e “depois do moed” como depois de Pessach, para que não se misture ao chametz permitido o chametz sobre o qual passou Pessach, que é proibido em proveito. O Penei Moshe traz também quem explique “dentro do moed” como a sexta hora, que é o tempo da eliminação, e “depois do moed” como até o anoitecer; segundo ele, a razão de Rabi Yehudá é que, depois do tempo da proibição, não se procura, para que não se venha a comer do chametz, e a halachá é como os sábios. O Sheyarei Korban diz que esta segunda explicação é a de Rashi, e que a linguagem da guemará, na seção 02, “na hora em que chegou o tempo da sua eliminação”, mostra que é a certa. A Mishná fala de Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה; a guemará escreve רִבִּי יוּדָה, Rabi Yudá, e a tradução segue a grafia de cada lugar, como na Halachá 1:1.

Sobre a seção 01. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que a Torá diz duas vezes “não se verá contigo” em Shemot 13:7, com chametz e com fermento, e uma vez em Devarim 16:4; contra essas três proibições, Rabi Yudá exige três procuras. “Fareis cessar” não entra na conta, porque é preceito positivo, e só se contam as proibições. “Não se achará” não é contado à parte, porque “não se verá contigo” e “não se achará nas vossas casas” se ensinam um ao outro e valem como um versículo só. Os dois comentários completam que quem deposita é um gentio, e que “junto a ele” é junto ao judeu: por “contigo”, o chametz alheio seria permitido, e por isso vem “nas vossas casas”; por “nas vossas casas”, até a casa destinada ao gentio seria proibida, e por isso vem “contigo”. O Penei Moshe explica que o depósito é proibido quando o judeu aceitou a responsabilidade por ele, e então é como seu, e que a casa destinada é permitida porque, então, ele não aceitou a responsabilidade, mas disse ao gentio: aqui está a casa, deixa-o neste quarto ou neste canto.

Sobre a seção 02. O Penei Moshe explica: para Rabi Yochanan, Rabi Yudá exige três procuras de fato; mas, então, a palavra dos sábios, “se não procurou na noite do catorze, procure no catorze… não procurou dentro da festa, procure depois da festa”, mostra que Rabi Yudá não admite procura depois da hora da eliminação; e isso é difícil, pois, se antes do tempo da eliminação se exigem três procuras, depois dele, com mais razão, seria preciso procurar até completar três. A conclusão é que também para Rabi Yudá não se exigem três procuras, e basta uma, em um dos três tempos; ele discorda dos sábios só no último caso, “se não procurou dentro da festa, procure depois da festa”, porque, se não procurou antes do tempo da proibição, não procura mais. O Korban HaEdah lê a resposta de outro modo: “não foi necessário senão” para dizer que também o fim é dos sábios, e que, para Rabi Yudá, mesmo depois da festa, se não procurou antes de Pessach, é preciso procurar três vezes.

Sobre a seção 03. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que, se emborcou um utensílio sobre o pão e não o achou, atribui-se a uma pessoa, e não à chuldá, e não é preciso procurar de novo; se não emborcou, teme-se que a chuldá o tenha levado, e aquela casa precisa de procura. A dúvida é se também as casas vizinhas precisam, já que houve aqui um sinal de dano, e não é como a Mishná anterior, que diz “não se teme”. A resposta vem da Tosefta: se o kezayit do morto se perdeu e não foi achado, a casa é pura, porque se atribui a uma pessoa impura que entrou e o levou; e, quando for achado, só aquela casa fica impura retroativamente, para as coisas puras feitas entre a perda e o achado. Daí as duas leis se ensinam uma à outra: a da impureza aprende da do chametz que não importa se “perdeu” ou “deixou”, e a do chametz aprende da da impureza que só aquela casa precisa de procura. Segundo Rabi Yudá, nem aquela casa precisaria, porque se poderia dizer que a chuldá o levou e o comeu; mas a guemará responde que a chuldá corre atrás da carne e não do pão, e que, mesmo que corra atrás dos dois, o pão ela arrasta e deixa. O Penei Moshe lê a última frase como reforço: os rabanan de Cesareia dizem que Rabi Yudá é ainda mais rigoroso e discorda da Mishná anterior; o Korban HaEdah explica que, se Rabi Yudá supõe a chuldá até para facilitar, com mais razão a supõe para agravar, e só de lugar para lugar na mesma casa. O Mareh HaPanim acrescenta que a passagem não segue Rava, no Bavli Pessachim 9b, que lê “algo como um feto”, e que, para o Yerushalmi, o feto era certo.

Leituras incertas. Na seção 01, “se um gentio” e “o seu chametz” foram completados com o Penei Moshe e o Korban HaEdah; o hebraico diz só הִפְקִיד אֶצְלוֹ, “depositou junto a ele”. בַּעֲשֵׂה הוּא ficou “esse versículo está em asê”, isto é, é preceito positivo; “seriam quatro” completa a objeção, como o Korban HaEdah, que diz que assim a proibição viria quatro vezes. Na seção 03, “uma mão humana” segue o Korban HaEdah, que lê “a mão de uma pessoa o tomou”. Na seção 02, מִחְלְפָה שִׁיטָּתֵיהּ ficou “a linha se inverte”, como em outras páginas deste site; a frase צָרִיךְ לִבְדּוֹק שְׁלֹשָׁה פְעָמִים foi lida como afirmação, com o Penei Moshe, que a explica “para ti, que dizes que, para Rabi Yudá, é preciso três vezes”, e completou-se “segundo Rabi Yudá”; Guggenheimer a lê como pergunta. לֹא צוֹרְכָה דְלֹא ficou “não foi necessário senão para isto”, com o Korban HaEdah, que a explica לא צריכא אלא. O trecho entre parênteses foi apagado pelo corretor do manuscrito, segundo Guggenheimer, e não está nas edições impressas; o Sefaria o traz entre parênteses; por isso a tradução segue o texto corrigido e não o reproduz no corpo. Traduzido, o trecho apagado diz: “Não foi necessário senão para isto: não procurou no catorze, procure na festa. É preciso procurar três vezes. Se, na hora em que não chegou o tempo da sua eliminação, tu dizes que é preciso procurar três vezes, no tempo em que chegou o tempo da sua eliminação, não é com mais razão que é preciso?” Na seção 03, אוֹ שְׁאָר כָּל הַבָּתִּים foi traduzido como pergunta, “ou todas as outras casas não precisarão de procura?”, como o leem o Penei Moshe e o Korban HaEdah; הִיא אִיבֵּד הִיא הִינִּיחַ ficou “é o mesmo perdeu e deixou”. מִסִּיק ficou massik, colhedor de azeitonas, com o Korban HaEdah, que diz que era judeu; Guggenheimer o lê como o latim missicus, um soldado dispensado. O Korban HaEdah explica que o kohen espiou sobre a borda do poço para saber se o feto era menino ou menina; o hebraico diz só “para saber o que ela lançara”. בַּרְדְּלֵיס ficou bardelis, com a glosa “um animal selvagem”, porque a identificação é incerta; Guggenheimer traduz marten.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz חוּלְדָּה como mole, e aqui ficou chuldá, a doninha, como na Halachá 1:2; escreve “Rebbi Jehudah”, “Rebbi Joḥanan”, “Rebbi Yose” e “Rebbi Abbahu”, e aqui ficou Rabi Yehudá ou Rabi Yudá, conforme o hebraico, Rabi Yochanan, Rabi Yossi e Rabi Abahu; escreve “on the mourning of the Fourteenth”, por morning, e aqui ficou “no catorze, de manhã”; traduz מִחְלְפָה שִׁיטָּתֵיהּ como “parece invertida”, e o hebraico não diz “parece”; e traduz בַּבָּיִת como house, observando que talvez fosse melhor room, e aqui ficou casa. Na seção 02, o inglês traz uma nota numerada 5, fora da sequência, que remete a Shemot 12:17–18 e não se refere ao texto desta halachá.

Referências conferidas no Sefaria. Shemot 12:15, 12:19 e 13:7, e Devarim 16:4. Mishná avulsa Pessachim 1:3. Bavli Pessachim 10b, onde está a mesma Mishná, e onde Rav Chisda e Rabá bar Rav Huna dão a razão de Rabi Yehudá “correspondente às três eliminações da Torá”, contando, ao contrário do Yerushalmi, “fareis cessar” e “não se achará” junto com os dois “não se verá” de Shemot 13:7; ali Rav Yossef objeta, a partir de uma baraita, que Rabi Yehudá diz “quem não procurou nestes três tempos não procura mais”, e Mar Zutra ensina “em um destes três tempos”, como a conclusão do Yerushalmi; a discussão continua em 11a. Bavli Pessachim 6a, a baraita do gentio: depositou junto a ele, é obrigado a eliminar; destinou-lhe uma casa, não é obrigado; o paralelo é a Tosefta Pessachim 2:6 na numeração comum do Sefaria (2:11 na edição Lieberman), que o Penei Moshe cita como “Tosefta, capítulo 2”, e, no próprio Yerushalmi, a Halachá 2:2. A baraita de Rabi Yudá da seção 02 está também na Halachá 1:1. A baraita do kezayit perdido é a Tosefta Tahorot 3:3 no Sefaria; Guggenheimer cita “Tahorot 3:5”, numeração de outra edição. O caso de Rimon é a Tosefta Oholot 16:6 no Sefaria (Guggenheimer: “Ahilut 16:13”), onde se lê מציק, e o Bavli Pessachim 9a–9b, onde se lê מציק e “porque a chuldá e o bardelis são frequentes ali”. O Bavli Pessachim 9b traz a explicação de Rava para “o que ele deixa de sobra”: “para que a chuldá não o tome diante de nós, e seja preciso procurar depois dele”; e o Bavli Pessachim 10b traz a disputa de Rabi Shimon ben Gamliel e dos sábios sobre o machado perdido numa casa, que é a mesma questão da impureza. Rambam, Leis do Chametz e da Matzá 2:7, 3:2, 3:5 e 4:3. Penei Moshe, Korban HaEdah, Sheyarei Korban e Mareh HaPanim nesta halachá. Há link para a Mishná avulsa Pessachim 1:3, que este site já tem; não há link para o Bavli Pessachim, que este site ainda não publicou.

Nomes nesta página: Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה, e, na guemará, Rabi Yudá, רִבִּי יוּדָה; Rabi Yochanan, רִבִּי יוֹחָנָן; Rabi Yossi, רִבִּי יוֹסֵה; os rabanan de Cesareia, רַבֵּנִין דְּקַיְסָרִין; e Rabi Abahu, רִבִּי אַבָּהוּ. Nos comentários e no Bavli: Rashi, o Rambam, Rav Chisda, Rabá bar Rav Huna, Rav Yossef, Mar Zutra, Rava e Rabi Shimon ben Gamliel.

Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e a marca da folha 4a da edição de Vilna, que o Sefaria põe no quarto segmento, antes de שֶׁדֶּרֶךְ חוּלְדָה. Não há marca da edição de Veneza nesta halachá. Nada foi acrescentado ao hebraico. Foram mantidos a abreviatura כול׳, os parênteses do terceiro segmento e as grafias do Sefaria, como בְּדִיקָה com sinais repetidos na Mishná, יַנִּיחֶינּוּ, יִבְדּוֹֹק, שֶׁלְמִסִּיק e בַרְדְּלֵיס.

A Mishná seguinte, que no Yerushalmi abre a Halachá 1:4, corresponde à avulsa Pessachim 1:4, sobre as horas em que se come e se queima o chametz na véspera de Pessach.