Talmud Yerushalmi · Massechet Pessachim · Perek Alef · Halachá 2
פְּסָחִים

A doninha que arrasta o chametz: não há fim para a coisa

Perek Alef, Or LeArbaá Asar, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Pessachim

Segunda halachá do Perek Alef, Or LeArbaá Asar (na noite do catorze), de Massechet Pessachim. A Mishná ensina que, depois da procura, não se teme que uma chuldá (a doninha) tenha arrastado o chametz (o fermentado) de casa para casa e de lugar para lugar, porque então se temeria também de pátio para pátio e de cidade para cidade, e não haveria fim para a coisa. Na guemará, Rabi Yoná diz que a Mishná deveria ir do mais distante ao mais próximo; Rabi Yossi mostra que ela está certa como foi ensinada, com um raciocínio de casa para lugar, de lugar para pátio e de pátio para cidade; e a halachá termina perguntando se todo Israel pode procurar o seu chametz de uma só vez.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אֵין חוֹשְׁשִׁין שֶׁמָּא גֵרְרָה חוּלְדָּה מִבַּיִת לְבַיִת וּמִמָּקוֹם לְמָקוֹם אִם כֵּן מֵחָצֵר לְחָצֵר וּמֵעִיר לְעִיר אֵין לַדָּבָר סוֹף:

Mishná: Não se teme que uma chuldá (a doninha) tenha arrastado o chametz de casa para casa e de lugar para lugar; se assim fosse, temer-se-ia também de pátio para pátio e de cidade para cidade: não há fim para a coisa.

A Halachá · הֲלָכָה ב

01Rabi Yoná e Rabi Yossi sobre a ordem da Mishná; todo Israel não procura de uma só vez
Yerushalmi · Pessachim 1:2
אֵין חוֹשְׁשִׁין כול׳. אָמַר רִבִּי יוֹנָה. הָכֵין צוֹרְכָה מַתְנֵי. מֵעִיר לְעִיר וּמֵחָצֵר לְחָצֵר מִמָּקוֹם לְמָקוֹם וּמִבַּיִת לְבַיִת.

“Não se teme” etc. Disse Rabi Yoná: assim é preciso ensiná-la, a Mishná: de cidade para cidade, e de pátio para pátio, de lugar para lugar, e de casa para casa.

אִם חוֹשֵׁשׁ אַתְּ מֵעִיר לְעִיר אַתְּ חוֹשֵׁשׁ מֵחָצֵר לְחָצֵר. אִם חוֹשֵׁשׁ אַתְּ מֵחָצֵר לְחָצֵר חוֹשֵׁשׁ אַתְּ מִמָּקוֹם לְמָקוֹם. אִם חוֹשֵׁשׁ אַתְּ מִמָּקוֹם לְמָקוֹם אַתְּ חוֹשֵׁשׁ מִבַּיִת לְבַיִת.

Se temes de cidade para cidade, temes também de pátio para pátio. Se temes de pátio para pátio, temes também de lugar para lugar. Se temes de lugar para lugar, temes também de casa para casa.

אָמַר רִבִּי יוֹסֵה. אֲפִילוּ כְמַתְנִיתָא אַתְיָא הִיא.

Disse Rabi Yossi: mesmo como está ensinada na Mishná, ela vem bem.

אֵין חוֹשְׁשִׁין שֶׁמָּא גֵרְרָה חוּלְדָּה מִבַּיִת לְבַיִת וּמִמָּקוֹם לְמָקוֹם אִם כֵּן מֵחָצֵר לְחָצֵר וּמֵעִיר לְעִיר אֵין לַדָּבָר סוֹף.

“Não se teme que uma chuldá tenha arrastado o chametz de casa para casa e de lugar para lugar; se assim fosse, temer-se-ia também de pátio para pátio e de cidade para cidade: não há fim para a coisa.”

שֶׁאִם מִבַּיִת לְבַיִת אֵי אַתָּה חוֹשֵׁשׁ אַתְּ לֹא כָל שֶׁכֵּן מִמָּקוֹם לְמָקוֹם. אִם מִמָּקוֹם לְמָקוֹם אֵי אַתְּ חוֹשֵׁשׁ לֹא כָל שֶׁכֵּן מֵחָצֵר לְחָצֵר. אִם מֵחָצֵר לְחָצֵר אֵי אַתְּ חוֹשֵׁשׁ לֹא כָל שֶׁכֵּן מֵעִיר לְעִיר.

Pois, se de casa para casa tu não temes, não é com mais razão que não temes de lugar para lugar? Se de lugar para lugar não temes, não é com mais razão que não temes de pátio para pátio? Se de pátio para pátio não temes, não é com mais razão que não temes de cidade para cidade?

יְכוֹלִין הֵן כָּל יִשְׂרָאֵל לִבָדוֹק חָמֵיצָן כְּאַחַת.

Acaso podem eles, todo Israel, procurar o seu chametz de uma só vez?

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Alef, Or LeArbaá Asar (na noite do catorze), de Massechet Pessachim. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a guemará, aqui na seção 01, dividida em seis pares de hebraico e português. Nada foi deixado de fora. Conferiu-se no Sefaria que a Mishná desta halachá é a Mishná avulsa Pessachim 1:2, inteira, e que o Sefaria liga este segmento a “Mishnah Pesachim 1:2”. O Yerushalmi diz גֵרְרָה, חוּלְדָּה e אִם כֵּן, onde a avulsa diz גָרְרָה, חֻלְדָּה e דְּאִם כֵּן; a diferença não muda o sentido.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que, quando se procurou um canto e se vai procurar outro, não se teme que, enquanto se procurava o outro, a chuldá tenha arrastado chametz para o lugar já procurado, de modo que fosse preciso voltar a procurar; pois, se se temesse isso, também de pátio para pátio se poderia dizer: “eu procurei antes do meu vizinho, e depois da minha procura a chuldá trouxe chametz do pátio do vizinho para o meu”, e assim de cidade para cidade, e não há fim para a coisa. Esta é também a explicação de Rashi no Bavli, segundo o Mareh HaPanim. O Rambam, nas Leis do Chametz e da Matzá 2:7, explica de outro modo: não se teme que a chuldá tenha arrastado chametz para um lugar em que não se introduz chametz.

Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que Rabi Yoná estranha a ordem da Mishná: se o temor é de que a chuldá tenha trazido chametz de outro lugar para o lugar já procurado, a ordem deveria ir do mais distante ao mais próximo, de cidade para cidade, de pátio para pátio, de lugar para lugar no pátio e de casa para casa, porque quem teme o mais distante teme também o mais próximo; o Korban HaEdah diz o mesmo. Rabi Yossi responde que não é preciso inverter a Mishná: segundo o Penei Moshe, o sentido dela é que não se teme que a chuldá tenha arrastado chametz de uma casa em que se introduz chametz para outra em que não se introduz, e então a Mishná está em ordem; e as frases “se de casa para casa tu não temes…” dão a razão: quem não teme que a chuldá tenha levado chametz desta casa para outra não teme também que o tenha trazido de uma casa não procurada para esta. O Korban HaEdah lê as frases de Rabi Yossi como um kal vachomer (argumento do menor para o maior): se não se teme de casa para casa, com mais razão não se teme de lugar para lugar, que é mais distante, e assim por diante. Na última frase, o Penei Moshe e o Korban HaEdah leem a pergunta como espanto: é impossível que todo Israel procure o seu chametz de uma só vez, e por isso, se se temesse a chuldá, não haveria fim para a coisa. O Mareh HaPanim mostra que a leitura de Rabi Yossi é a do Rambam, e que a de Rabi Yoná pressupõe a de Rashi; o Sheyarei Korban pensa o contrário, que a de Rashi é a de Rabi Yossi e a do Rambam a de Rabi Yoná, e propõe que Rabi Yoná fale do lugar em que se introduz chametz e Rabi Yossi da casa já procurada.

Leituras incertas. A frase de Rabi Yossi, אֲפִילוּ כְמַתְנִיתָא אַתְיָא הִיא, ficou “mesmo como está ensinada na Mishná, ela vem bem”, isto é, a Mishná está certa na ordem em que foi ensinada, como a explicam o Penei Moshe e o Korban HaEdah. As três frases com לֹא כָל שֶׁכֵּן foram traduzidas como perguntas, “não é com mais razão…?”, e completou-se “que não temes”, com o Penei Moshe, que as explica כ"ש שאי את חושש. Na primeira delas, o hebraico diz אֵי אַתָּה חוֹשֵׁשׁ אַתְּ, com o pronome repetido, e traduziu-se “tu não temes”. A última frase não tem marca de pergunta no hebraico; seguiu-se o Penei Moshe e o Korban HaEdah, que a leem בתמיה, com espanto, e acrescentou-se “acaso”. חוּלְדָּה ficou chuldá, com a glosa “a doninha”, como na Mishná avulsa deste site. O Sha’arei Torat Eretz Yisrael propõe que “de lugar para lugar” seja do pátio para a praça que fica atrás das casas.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz חוּלְדָּה como “mole”, e aqui ficou chuldá, a doninha; escreve “Rebbi Jonah” e “Rebbi Yose”, e aqui ficou Rabi Yoná e Rabi Yossi; e traduz a última frase como afirmação, “todo Israel pode procurar o seu chametz junto”, explicando que todos procuram na mesma hora, depois do pôr do sol do dia treze de Nissan, e que por isso não há perigo de nova contaminação; aqui se seguiu o Penei Moshe e o Korban HaEdah, que a leem como pergunta. Ele informa ainda, na nota 84, que as frases de Rabi Yossi são do texto do corretor, e que o escriba escrevera “se de cidade para cidade não temes, com certeza não temes de pátio para pátio”, com todos os argumentos ao contrário; o hebraico do Sefaria traz o texto corrigido, e traduziu-se esse texto. Onde ele usa leavened matter, room e courtyard, a tradução mantém chametz, casa e pátio.

Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Pessachim 1:2; Bavli Pessachim 9a, onde está a mesma Mishná, com גיררה e דאם כן, e 9b, onde a guemará pergunta “e dizemos que não se teme que a chuldá tenha arrastado?”, a partir da Mishná seguinte, מה שמשייר יניחנו בצנעה, e Rava responde que se guarda o que sobra para que a chuldá não o tome diante de nós; Tosafot em Pessachim 9a, אין חוששין שמא גיררה חולדה, que perguntam por que a Mishná é necessária depois de “todo lugar em que não se introduz chametz não precisa de procura”; Rambam, Leis do Chametz e da Matzá 2:7; e Penei Moshe, Korban HaEdah, Sheyarei Korban, Mareh HaPanim e Sha’arei Torat Eretz Yisrael nesta halachá. Guggenheimer não traz paralelo da Tosefta nesta halachá. O Sheyarei Korban cita os Tosafot no Bavli, “daf 9b”, ולא חיישינן לחולדה; no Sefaria, os Tosafot de Pessachim 9a e 9b só trazem, sobre a chuldá, o dibur אין חוששין de 9a, e a citação não pôde ser conferida. Há link para a Mishná avulsa Pessachim 1:2, que este site já tem; não há link para o Bavli Pessachim, que este site ainda não publicou.

Nomes nesta página: Rabi Yoná, רִבִּי יוֹנָה, e Rabi Yossi, רִבִּי יוֹסֵה; e, nos comentários, Rashi, o Rambam e Rava.

Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e a marca da folha 3b da edição de Vilna, que o Sefaria põe no segundo segmento, antes de יְכוֹלִין הֵן. Não há marca da edição de Veneza nesta halachá. Nada foi acrescentado ao hebraico. Foram mantidas a abreviatura כול׳ e as grafias do Sefaria, como גֵרְרָה, הָכֵין, לִבָדוֹק e חָמֵיצָן.

A Mishná seguinte, que no Yerushalmi abre a Halachá 1:3, corresponde à avulsa Pessachim 1:3: רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר בּוֹדְקִין…, Rabi Yehudá diz: procura-se na noite do catorze, e no catorze de manhã, e na hora da eliminação.