Não se teme que uma doninha tenha arrastado o chametz de uma casa para outra, ou de um lugar para outro. — depois de concluída a busca minuciosa em um cômodo, não é preciso temer que, enquanto se passa a revistar o cômodo seguinte, uma doninha ou outro animal pequeno tenha carregado um pedaço de chametz do lugar já revistado para o lugar ainda por revistar, exigindo assim repetir a busca no primeiro cômodo.
Pois, se assim fosse, também se deveria temer de um pátio para outro pátio, e de uma cidade para outra cidade, e a coisa não teria fim. — a mishná justifica por que esse temor é descartado: se ele fosse levado a sério, não haveria razão para limitá-lo à própria casa — o mesmo raciocínio se aplicaria entre pátios vizinhos, e até entre cidades diferentes, tornando impossível encerrar a busca; por isso os sábios estabeleceram que, uma vez concluída a busca em determinado lugar, presume-se que ele permanece livre de chametz.
O versículo exige que o fermento "não se ache" em casa, e é justamente esse padrão que a mishná vem delimitar. A obrigação de buscar o chametz existe para garantir o cumprimento desse "não se achará"; mas a Torá não exige uma certeza absoluta e infinita, apenas uma busca diligente e razoável. Por isso, uma vez feita a busca em cada cômodo, presume-se cumprida a obrigação, sem que se precise temer possibilidades remotas e sem fim, como o deslocamento de migalhas por um animal de um lugar já revistado para outro — pois, levado a esse extremo, o "não se achará" jamais poderia ser verificado com certeza.
O Rambam codifica esta regra, explicitando o limite entre uma cidade e outra como o caso extremo que demonstra o absurdo do temor infinito.
Não se teme que uma doninha tenha arrastado chametz para um lugar onde não se costuma trazer chametz; pois, se temêssemos de uma casa para outra, teríamos de temer de uma cidade para outra, e a coisa não teria fim.
Rambam esclarece o sentido simples do termo "arrastar"; Bartenura explica o cenário concreto de uma busca em andamento entre cômodos; Rashi, na Guemará, confirma a mesma leitura.
"Não se teme que uma doninha tenha arrastado de uma casa para outra, etc.": o sentido de "garerah" (arrastou) é conhecido, como em "um homem pode arrastar uma cama, uma cadeira e um banco" (Shabat 22a), da mesma raiz de "os derramados por terra" (II Shemuel 14); e "chulda" (doninha) também é palavra conhecida.
"Não se teme" — quando se revistou a casa neste canto e se vai revistar aquele outro canto, não se teme que, enquanto se caminhava de um para o outro, uma doninha tenha arrastado chametz para o lugar já revistado, exigindo repetir a busca ali.
Pois, se você viesse a temer por isso, o mesmo se poderia dizer de um pátio para outro pátio — e assim sucessivamente, sem limite algum.
Nossa mishná — "não se teme que uma doninha tenha arrastado, etc." — não se teme que, quando já se revistou este canto e se vai revistar aquele, tenha uma doninha arrastado chametz, enquanto isso, para o lugar já revistado, exigindo repetir a busca.
"Pois se assim fosse" — se você viesse a temer por isso, o mesmo se poderia dizer de um pátio para outro pátio: eu revistei antes do meu vizinho, e depois da minha busca uma doninha trouxe chametz do pátio do meu vizinho para o meu — e a coisa não teria fim. E não se refere a um pátio no sentido literal, mas a todo o conjunto de casas de um pátio, que se chama "pátio".