Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Chet · Halachá 9 (última do perek)
עֵרוּבִין

O pátio menor que quatro amot e a fossa de duas seás; o canal coberto no domínio público

Perek Chet, Keitzad Mishtattfin, Halachá 9, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin — encerramento do capítulo

Nona e última halachá do Perek Chet, Keitzad Mishtattfin (como se faz o shituf), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que, num pátio menor que quatro amot, não se derrama água no Shabat, a não ser que se tenha feito para ele uma ukah (fossa) que contenha duas seás, do furo para baixo, por dentro ou por fora, e a de fora deve ser coberta com abóbada; traz a palavra de Rabi Eliezer ben Yaakov, que permite derramar no canal coberto por quatro amot no domínio público, e a dos sábios, que não se derrame sobre o canal nem de um telhado ou pátio de cem amot, mas sobre o telhado, de onde a água desce ao canal; ensina que o pátio e o pórtico se somam para as quatro amot; e que, com duas moradas de andar alto, uma diante da outra, os que fizeram a fossa são permitidos e os que não a fizeram são proibidos. Na guemará, estimam-se as duas seás que uma pessoa usa e as quatro amot que as absorvem; discute-se a fossa furada e a fossa cheia, e Rabi Mana diz que é um só tana; Rabi Chiya bar Mariá traz, em nome de Rabi Yoná, a fossa em declive; as matnitot que divergem de Rabi Yochanan e de Reish Lakish se explicam no caso nivelado; e Rabi Yirmeyá diz que Rabi Meir e Rabi Eliezer ben Yaakov disseram uma só coisa, com os canos das cidades grandes, a calha, a estação das chuvas e o lugar recatado de Bar Kapará, que diverge de Rav sobre a aparência aos olhos. O Bavli discute esta Mishná em Eruvin 88a, 88b e 89a. Com ela se encerra o Perek Chet, Keitzad Mishtattfin; o tratado continua no Perek Tet, Kol Gaggot (todos os telhados) · פֶּרֶק כׇּל גַּגּוֹת.

A Mishná · מַתְנִיתִין

חָצֵר שֶׁהִיא פְחוּתָה מֵאַרְבַּע אַמּוֹת אֵין שׁוֹפְכִין לְתוֹכָהּ מַיִם בַּשַּׁבָּת אֶלָּא אִם כֵּן עָשׁוּ לָהּ עוּקָה מַחֲזֶקֶת סָאתַיִם מִן הַנֶּקֶב מִלְּמַטָּן בֵּין מִבִּפְנִים בֵּין מִבַּחוּץ אֶלָּא שֶׁמִּבַּחוּץ צָרִיךְ לִקְמוֹר וּמִבִּפְנִים אֵינוֹ צָרִיךְ לִקְמוֹר: רִבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב אוֹמֵר בִּיב שֶׁהוּא קָמוּר אַרְבַּע אַמּוֹת בִּרְשׁוּת הָרַבִּים שׁוֹפְכִין לְתוֹכוֹ מַיִם בַּשַּׁבָּת. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים אֲפִילּוּ גַג אוֹ חָצֵר מֵאָה אַמָּה לֹא יִשְׁפֹּךְ עַל פְּנֵי הַבִּיב אֲבָל שׁוֹפֵךְ הוּא עַל הַגַּג וְהֵן יוֹרְדִין לַבִּיב. הֶחָצֵר וְהָאֶכְסֶדְרָא מִצְטָרְפִין בְּאַרְבַּע אַמּוֹת: שְׁתֵּי דִיַיְטוֹת זוֹ כְנֶגֶד זוֹ מִקְצָתָן עָשׂוּ עוּקָה וּמִקְצָתָן לֹא עָשׂוּ עוּקָה אֶת שֶׁעָשׂוּ עוּקָה מוּתָּרִין וְאֶת שֶׁלֹּא עָשׂוּ עוּקָה אֲסוּרִין:

Mishná: Um chatzer (pátio) que é menor que quatro amot (côvados): não se derrama água para dentro dele no Shabat, a não ser que se tenha feito para ele uma ukah (fossa) que contenha duas seás (medida de capacidade), do furo para baixo, seja feita por dentro, seja por fora; só que, por fora, é preciso likmor (cobrir com abóbada), e, por dentro, não é preciso cobrir a fossa.

Rabi Eliezer ben Yaakov diz: Um biv (canal de escoamento) que é coberto com abóbada por quatro amot no reshut harabim (domínio público): derrama-se água dentro dele no Shabat. E os sábios dizem: Mesmo que um gag (telhado) ou um pátio tenha cem amot, não se derrame a água sobre a face do canal; mas derrama-se sobre o telhado, e elas, as águas, descem para o canal. O pátio e a achsadrá (pórtico) se somam nas quatro amot.

Duas diaytot (sobrados), uma diante da outra: se parte deles fizeram uma ukah e parte deles não fizeram ukah, os que fizeram ukah são permitidos de derramar água, e os que não fizeram ukah são proibidos de derramar.

A Halachá · הֲלָכָה ט

01Duas seás por dia e quatro amot que as absorvem; a ukah furada, a ukah cheia e a ukah em declive
Yerushalmi · Eruvin 8:9
פיס׳. שִׁיעֲרוּ מְקוֹם תַּשְׁמִישׁ לָאָדָם סְאָתַיִם. וְאַרְבַּע אַמּוֹת מַבְלִיעוֹת סְאָתַיִם. נִיקְבָּה הָעוּקָה. אִית תַּנֵּי. אֵין צָרִיךְ לַפּוּק. וְאִית תַּנֵּי. צָרִיךְ לַפּוּק. נִתְמַלְּאֵת הָעוּקָה. אִית תַּנֵּי. צָרִיךְ לִשְׁפּוֹךְ. אִית תַּנֵּי. אֵין צָרִיךְ.

Estimaram o lugar de uso de uma pessoa em duas seás de água, e quatro amot absorvem duas seás. Se a ukah se furou: há quem ensine: não é preciso lapuk (tampar); e há quem ensine: é preciso tampar. Se a ukah se encheu: há quem ensine: é preciso derramar a água dela; há quem ensine: não é preciso.

אָמַר רִבִּי מָנָא. חַד תַּנָּא הוּא. מָאן דָּמַר. צָרִיךְ לַפּוּק. אוֹסֵר לִשְׁפּוֹךְ. מָאן דָּמַר. אֵין צָרִיךְ לַפּוּק. מוּתָּר לִשְׁפּוֹךְ. אָמַר לֵיהּ רִבִּי חִיָיה בַּר מַרְיָיה. הָכִי אָמַר רִבִּי יוֹנְה אָבוּךְ הָוָה בר. קַטיפְרָס. מִבִּפנִים אֲפִילוּ יוֹתֵר מֵעֶשֶׂר מוּתָּר. מִבַּחוּץ אֲפִילוּ פָּחוּת מֵעֶשֶׂר מוּתָּר. אֶלָּא אֲנָן קַיָימִין בְּשָׁוֶוה.

Disse Rabi Mana: É um só tana nas duas coisas. Quem diz: é preciso tampar, proíbe derramar; quem diz: não é preciso tampar, diz que é permitido derramar. Disse-lhe Rabi Chiya bar Mariá: Assim disse Rabi Yoná, teu pai: Se era um lugar de katifras (declive): por dentro, mesmo mais de dez, é permitido; por fora, mesmo menos de dez, é permitido. Mas nós estamos tratando do caso nivelado.

02O pátio e a achsadrá, a varanda e o telhado: somam-se quando estão nivelados
Yerushalmi · Eruvin 8:9
מַתְנִיתָא פְלִיגא עַל רִבִּי יוֹחָנָן. הֶחָצֵר וְהָאֶכְסֶדְרָה מִצְטָרְפִין בְּאַרְבַּע אַמּוֹת. פָּתַר לָֹהּ בְּשָׁוֶוה. מַתְנִיתָא פְלִיגא עַל רֵישׁ לָקִישׁ. הַמַּרְפֶּסֶת הַגַּג וְהֶחָצֵר מִצְטָרְפִין בְּאַרְבַּע אַמּוֹת. אָמַר רִבִּי חֲנַנְיָה. עוֹד הִיא בְשָׁוֶה. דַּע לָךְ שֶׁהוּא כֵן. דְּתַנֵּי. הַבַּיִת וְהָעֲלִיָּיה הֶחָצֵר וְהָאֶכְסֶדְרָה אֵין מִצְטָרְפִין. לֹא בְשֶׁאֵין שָׁוִין.

Uma matnitá (ensino tanaítico) diverge de Rabi Yochanan: “O pátio e a achsadrá se somam nas quatro amot.” Explica-a no caso nivelado. Uma matnitá diverge de Reish Lakish: “A mirpéset (varanda), o telhado e o pátio se somam nas quatro amot.” Disse Rabi Chananiá: Ainda ela trata do caso nivelado. Sabe tu que é assim, pois foi ensinado: “A casa e a aliyá (o andar de cima), o pátio e a achsadrá não se somam.” Não é quando não estão nivelados?

03Rabi Meir e Rabi Eliezer ben Yaakov disseram uma só coisa: os canos, a calha, a estação das chuvas e o lugar recatado
Yerushalmi · Eruvin 8:9
אָמַר רִבִּי יִרְמְיָה. רִבִּי מֵאִיר וְרִבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב שְׁנֵיהֶן אָמְרוּ דָבָר אֶחָד. רִבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב דְּתַנִּינָן. רִבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב אוֹמֵר. בִּיב שֶׁקָּמוּר אַרְבַּע אַמּוֹת בִּרְשׁוּת הָרַבִּים שׁוֹפְכִין בּוֹ מַיִם בַּשַּׁבָּת. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים. אֲפִלּוּ גַג אוֹ חָצֵר מֵאָה אַמָּה לֹא יִשְׁפֹּךְ עַל פִּי הַבִּיב.

Disse Rabi Yirmeyá: Rabi Meir e Rabi Eliezer ben Yaakov, os dois disseram uma só coisa. Rabi Eliezer ben Yaakov, como ensinamos na Mishná: “Rabi Eliezer ben Yaakov diz: Um canal que é coberto por quatro amot no domínio público: derrama-se água nele no Shabat. E os sábios dizem: Mesmo que um telhado ou um pátio tenha cem amot, não se derrame a água sobre a boca do canal.”

רִבִּי מֵאִיר דְּתַנֵּי. סִילוֹנוֹת שֶׁבַּכַּרָכִין אַף עַל פִּי שֶׁנְּקוּבִין יִשְׁפֹּךְ לְתוֹכוֹ מַיִם בַּשַּׁבָּת. דִּבְרֵי רִבִּי מֵאִיר. וְתַנֵּי כֵן. אִם הָיְתָה מַזְחִילָה מוּתָּר. אִם עוֹנַת הַגְּשָׁמִים הִיא מוּתָּר. צִינּוֹרוֹת מְקַלֵּחִין בּוֹ אָסוּר. וְהָתַנֵּי בַּר קַפָּרָא. אִם הָיָה מָקוֹם צָנוּעַ מוּתָּר. הָדָא פְלִיגָא עַל רַב וְלֵית לֵיהּ קִיּוּם. דְּרַב אָמַר. כָּל שֶׁאָסוּר מִשּׁוּם מַרְאִית הָעַיִן אֲפִילוּ בְחַדְרֵי חֲדָרִים אָסוּר.

Rabi Meir, como foi ensinado numa baraita: “Os silonot (canos) que estão nos kerachin (cidades grandes), ainda que sejam furados, derrame-se água dentro deles no Shabat”, palavras de Rabi Meir. E assim foi ensinado: “Se era uma mazchilá (calha estendida ao longo da parede), é permitido; se é a estação das chuvas, é permitido; tzinorot (bicas) que jorram nele, é proibido.” E eis que Bar Kapará ensinou: “Se era um lugar recatado, é permitido derramar.” Esta baraita diverge de Rav, e não tem sustentação, pois Rav disse: Tudo o que é proibido por causa de marit ha’ayin (a aparência aos olhos) é proibido mesmo nos quartos de dentro dos quartos.

Nota

Esta é a nona e última halachá do Perek Chet, Keitzad Mishtattfin, de Massechet Eruvin. A halachá ocupa quatro segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros três é uma seção desta página, uma seção para cada segmento; nas seções 01 e 03, o hebraico do segmento foi repartido em dois pares, sem mudar a ordem nem o texto. A sua Mishná une, pelo conteúdo, três Mishnayot avulsas: Eruvin 8:9, de “um pátio que é menor que quatro amot” até “não é preciso cobrir”; Eruvin 8:10, de “Rabi Eliezer ben Yaakov diz” até “se somam nas quatro amot”; e Eruvin 8:11, a das duas diaytot, até o fim. Diferenças com a avulsa 8:9: o Yerushalmi tem לְתוֹכָהּ, מִלְּמַטָּן e בֵּין מִבִּפְנִים בֵּין מִבַּחוּץ, “seja por dentro, seja por fora”, onde a avulsa tem בְּתוֹכָהּ, וּלְמַטָּה e בֵּין מִבַּחוּץ בֵּין מִבִּפְנִים, na ordem inversa; e וּמִבִּפְנִים אֵינוֹ צָרִיךְ, onde a avulsa tem מִבִּפְנִים אֵין צָרִיךְ. Diferenças com a avulsa 8:10: o Yerushalmi tem עַל פְּנֵי הַבִּיב, “sobre a face do canal”, onde a avulsa tem עַל פִּי הַבִּיב, “sobre a boca do canal”; אֲבָל שׁוֹפֵךְ הוּא עַל הַגַּג וְהֵן יוֹרְדִין לַבִּיב, “mas derrama-se sobre o telhado, e elas descem para o canal”, onde a avulsa tem אֲבָל שׁוֹפֵךְ מִגַּג לְגַג, וְהַמַּיִם יוֹרְדִין לַבִּיב, “mas derrama-se de telhado em telhado, e a água desce para o canal”; e בְּאַרְבַּע אַמּוֹת, onde a avulsa tem לְאַרְבַּע אַמּוֹת. Diferença com a avulsa 8:11: o Yerushalmi abre com שְׁתֵּי דִיַיְטוֹת, sem וְכֵן, onde a avulsa tem וְכֵן שְׁתֵּי דְיוֹטָאוֹת. As outras diferenças são de grafia: o Yerushalmi tem בַּשַּׁבָּת, duas vezes, עָשׁוּ, com o ponto do shin, רִבִּי, אֲפִילּוּ, וְהָאֶכְסֶדְרָא e מוּתָּרִין, onde a avulsa tem בְּשַׁבָּת, עָשׂוּ, רַבִּי, אֲפִלּוּ, וְהָאַכְסַדְרָה e מֻתָּרִין; a avulsa tem vírgulas e um ponto onde o Yerushalmi, no Sefaria, não tem. Na seção 03, a guemará cita a palavra de Rabi Eliezer ben Yaakov com בִּיב שֶׁקָּמוּר, שׁוֹפְכִין בּוֹ, אֲפִלּוּ e עַל פִּי הַבִּיב, como a avulsa neste último ponto, onde a Mishná do Yerushalmi tem בִּיב שֶׁהוּא קָמוּר, שׁוֹפְכִין לְתוֹכוֹ, אֲפִילּוּ e עַל פְּנֵי הַבִּיב.

No Bavli, esta Mishná está em Eruvin 88a, depois da guemará da Mishná da sacada, e ali se lê, como na avulsa, בְּתוֹכָהּ, וּלְמַטָּה, בֵּין מִבַּחוּץ, בֵּין מִבִּפְנִים, עַל פִּי הַבִּיב, לְאַרְבַּע אַמּוֹת e וְכֵן שְׁתֵּי דְיוֹטָאוֹת; e, no lugar do telhado, אֲבָל שׁוֹפֵךְ הוּא לַגַּג, וְהַמַּיִם יוֹרְדִין לַבִּיב, “mas derrama-se no telhado, e a água desce para o canal”, mais perto do Yerushalmi do que da avulsa. A guemará do Bavli segue de 88a até 89a, e ali o capítulo termina com הַדְרָן עֲלָךְ כֵּיצַד מִשְׁתַּתְּפִין. Em Eruvin 88a e 88b, Rabá dá a razão: a pessoa costuma servir-se de duas seás de água por dia, e, em quatro amot, quer espalhá-las, e, em menos de quatro, as derrama; e Rabi Zeira diz que em quatro amot a água se absorve, e em menos de quatro não se absorve, que é a palavra do Yerushalmi, “quatro amot absorvem duas seás”. Em Eruvin 88b, a guemará diz que a Mishná é toda de Rabi Eliezer ben Yaakov; que ela não segue Chananiá, que, numa baraita, proíbe derramar mesmo de um telhado de cem amot, porque o telhado não é feito para absorver, mas para escorrer; que, numa baraita, isso se diz nos dias de calor, mas nos dias de chuva derrama-se e torna a derramar; e Rav Nachman distingue entre a ukah de duas seás e a de uma, nos dias de chuva e nos de calor. Sobre as duas diaytot, em Eruvin 88b e 89a, Rava diz que a Mishná só fala quando não fizeram eruv, e Rav Ashi dá a razão: há o decreto de que talvez venham a tirar as coisas das casas para o pátio. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para Eruvin 88a, 88b nem 89a.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que o pátio é menor que quatro amot por quatro amot, e que nele não se derrama água porque ela sai logo para o domínio público, enquanto, num pátio de quatro por quatro, a água se absorve nele; que a ukah é uma cova que contém duas seás, porque a pessoa costuma servir-se de duas seás de água por dia; que “do furo para baixo” quer dizer que o vão da fossa contém duas seás sem contar o lugar do furo na sua borda, por onde a água escorre para o domínio público; e que a fossa feita fora, no domínio público, ao lado do pátio, deve ser coberta como uma cúpula, para não ser vista no domínio público. Sobre Rabi Eliezer ben Yaakov, explica que o biv é um rego para o qual desce a água do pátio e que escorre para o domínio público, e que, se é coberto por quatro amot, a água se absorve ali; e que os sábios proíbem derramar diretamente na boca do canal, ou da bica do telhado, mesmo num pátio de cem amot, porque a água sai pela força do derramar, mas permitem derramar ao lado, e a água desce ao canal; e que isso vale nos dias de calor, pois, nos dias de chuva, derrama-se e torna a derramar. Sobre a achsadrá, diz que ela completa a medida do pátio e dispensa a fossa. Sobre as duas diaytot, explica que são andares altos, um diante do outro, com um só pátio debaixo deles; os que fizeram a fossa podem derramar nela, e os outros não podem derramar no pátio até que façam eruv, porque talvez venham a tirar as coisas das casas para o pátio. O Korban HaEdah explica a ukah como uma cova; a cobertura, como uma cúpula, para que a fossa fique separada do domínio público; o biv, como o rego que faz escorrer para o domínio público a água do pátio; e que, nas quatro amot cobertas, há a medida de absorver as duas seás que a pessoa usa por dia. Os dois comentaristas explicam as diaytot como עליות, andares altos; a tradução as chamou de sobrados.

A Tosefta Eruvin, conferida no Sefaria, traz os paralelos desta halachá na Tosefta Eruvin 6:18 a 6:22, na edição de Lieberman, e 6:12 e 6:13, na edição comum: ר' מאיר אומ' סלונות שבכרכים מחזיקין סאתים, אע"פ נקובין, שופכין לתוכן מים בשבת, וחכמים אוסרין, עד שיפוקו, “Rabi Meir diz: os canos que estão nas cidades grandes, que contêm duas seás, ainda que furados, derrama-se água neles no Shabat; e os sábios proíbem, até que os tampem”; אחרים אומ' ביב שקמור ארבע אמות ברשות הרבים, שופכין לתוכו מים בשבת, “outros dizem: o canal que é coberto por quatro amot no domínio público, derrama-se água nele no Shabat”; a ukah de duas seás que se encheu na véspera do Shabat, na qual se derrama no Shabat; הגג והמרפסת, החצר ואכסדרה, מצטרפין לארבע אמות, “o telhado e a varanda, o pátio e o pórtico se somam para as quatro amot”; הבית והעליה, החצר והגג, אין מצטרפין לארבע אמות, “a casa e o andar de cima, o pátio e o telhado não se somam para as quatro amot”; a diaytá de cem amot, sobre a qual não se derrama na boca do canal, mas no telhado; e אין עושין לה צנור, אבל עושין לה מזחלה, שלא יאמרו צנורו של פלוני מקלח מים בשבת, “não se lhe faz uma bica, mas faz-se uma calha, para que não digam: a bica de fulano jorra água no Shabat”. As citações seguem a edição de Lieberman; a edição comum tem סילונות, דיוטה entre colchetes e מזחילה, e partes entre colchetes.

Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que a pessoa se serve de duas seás de água por dia e que quatro amot absorvem duas seás, e por isso o pátio de quatro amot não precisa de fossa; que, na fossa furada, há quem ensine que é preciso tampar o furo, para que a água não saia para o domínio público, e há quem ensine que não; que, na fossa cheia, há quem ensine que é preciso tirar dela água e derramá-la no pátio, para que a água derramada nela não saia logo para o domínio público, e há quem ensine que não, e, se sai, sai; e que, segundo Rabi Mana, o mesmo tana é leniente nas duas coisas e o mesmo tana é rigoroso nas duas. O Korban HaEdah lê שיערו תשמיש לאדם סאתים, sem מְקוֹם, e explica que os sábios estimaram que a pessoa se serve de duas seás por dia, e não decretaram sobre o que é mais do que isso, por ser incomum; e que “é preciso derramar” é derramar, desde a véspera do Shabat, a água que está na fossa. Sobre רִבִּי חִיָיה בַּר מַרְיָיה, o Penei Moshe lê “disse-lhe Rabi Chiya” e entende בר מרייה, “filho do meu mestre”, como o modo de Rabi Chiya chamar Rabi Mana, porque era discípulo de Rabi Yoná, pai de Rabi Mana; o Korban HaEdah também diz que Rabi Mana era filho de Rabi Yoná. Sobre o katifras, o Penei Moshe o explica como um lugar em declive, do alto para o baixo, como na Mishná Tahorot 8:9, conferida no Sefaria, הַנִּצּוֹק וְהַקְּטַפְרֵס; ele lê אם הוה בר קטפרס, “se era em declive”, e corrige o segundo “é permitido” para מבחוץ אפי' פחות מעשר אסור, “por fora, mesmo menos de dez, é proibido”: se o declive desce para dentro, para o pátio, mesmo que o furo tenha mais de dez é permitido, e se desce para fora, mesmo menos de dez amot é proibido. O Korban HaEdah corrige o primeiro “é permitido”, מבפנים אפילו יותר מעשר אסור, e explica que, se o declive sai de dentro para fora, para o domínio público, é proibido, porque a água sai logo; e que, “no caso nivelado”, a borda da fossa está no mesmo nível do domínio público, e por isso quem diz que é preciso tampar fala do declive para fora, e quem diz que não é preciso, do declive para dentro ou do nivelado. A tradução seguiu o hebraico do Sefaria, com “é permitido” nas duas vezes.

Sobre a seção 02. O Penei Moshe explica que Rabi Yochanan e Reish Lakish divergem sobre se a achsadrá, que é aberta na maior parte, completa a medida, e que, para Rabi Yochanan, ela não completa; a Mishná, que diz que o pátio e a achsadrá se somam, é explicada por ele no caso nivelado, de duas amot do pátio e duas da achsadrá. O Korban HaEdah explica que, para Rabi Yochanan, dois domínios, um alto e um baixo, não se somam, e que “nivelado” quer dizer que o chão do pátio e o da achsadrá estão na mesma altura; e que, para Reish Lakish, só o pátio e a achsadrá se somam, e não o telhado e o pátio, e a baraita diz que também o telhado e o pátio se somam. Os dois comentaristas resolvem a baraita da mesma maneira: também ela fala do caso nivelado, e a baraita seguinte, de que não se somam, fala de quando não estão nivelados. O Penei Moshe identifica as duas baraitot com o capítulo 6 da Tosefta, e corrige a segunda para הבית והעליה והחצר והגג אין מצטרפין, “a casa, o andar de cima, o pátio e o telhado não se somam”, como está na Tosefta; no Sefaria, é a Tosefta Eruvin 6:20 de Lieberman e 6:13 da comum, como se disse acima. Aqui se traduziu o hebraico do Sefaria, com “a achsadrá”. A palavra לָֹהּ, na frase פָּתַר לָֹהּ בְּשָׁוֶוה, ficou com a vocalização do Sefaria.

Sobre a seção 03. O Penei Moshe explica que Rabi Eliezer ben Yaakov é o da Mishná e Rabi Meir é o da Tosefta, e que os dois disseram uma só coisa: Rabi Meir não teme que pareça derramar diretamente no domínio público, como Rabi Eliezer ben Yaakov; os canos das cidades grandes, diz ele, contêm duas seás, e o Korban HaEdah, que saem para o domínio público por mais de quatro amot. Sobre “e assim foi ensinado”, o Penei Moshe diz que vem sobre as palavras dos sábios da Mishná, como na Tosefta: não se faz uma bica, mas faz-se uma calha, porque a calha está ao longo da parede e não jorra para o domínio público, mas para o pátio; e, na estação das chuvas, é permitido, porque de qualquer modo as bicas jorram. O Korban HaEdah explica a mazchilá como uma tábua comprida, posta inclinada ao longo da parede, sobre a qual derramam todas as goteiras, e as tzinorot como bicas de boca larga de quatro palmos, que são como quem tira diretamente do domínio privado para o domínio público; e lê וְהָתַנֵּי como afirmação, e não como pergunta. A palavra de Rav e a sua discussão estão em Yerushalmi Kilayim 9:1, neste site, conferida no Sefaria, onde se lê a mesma baraita, com אֵין שׁוֹפְכִין לְתוֹכוֹ, e se conclui אִילֵּין פְלִיגִין עַל רַב וְלֵית לְהוֹן קִיּוּם, “estas divergem de Rav, e não têm sustentação”; o Penei Moshe remete para ali e diz que, por todas essas baraitot, a palavra de Rav não se sustenta, e o Korban HaEdah, que não se pode manter a baraita de Bar Kapará segundo Rav. Guggenheimer numera esse lugar de Kilayim como 9:2. A palavra de Rav está também no Bavli, em Shabat 64b, neste site, e em Shabat 146b e Beitzá 9a, conferidos no Sefaria, como palavra de Rav Yehudá em nome de Rav: כׇּל מָקוֹם שֶׁאָסְרוּ חֲכָמִים מִפְּנֵי מַרְאִית הָעַיִן — אֲפִילּוּ בְּחַדְרֵי חֲדָרִים אָסוּר. No hebraico da baraita de Rabi Meir, יִשְׁפֹּךְ לְתוֹכוֹ está no singular; em português ficou “dentro deles”, referido aos canos.

Leituras incertas. Na Mishná, פְחוּתָה מֵאַרְבַּע אַמּוֹת ficou “menor que quatro amot”, sem acrescentar “por quatro”, que os comentaristas e Guggenheimer entendem; דִיַיְטוֹת ficou “diaytot”, com a glosa “sobrados”. Na seção 01, שִׁיעֲרוּ מְקוֹם תַּשְׁמִישׁ לָאָדָם סְאָתַיִם ficou “estimaram o lugar de uso de uma pessoa em duas seás”; צָרִיךְ לִשְׁפּוֹךְ, na fossa cheia, ficou “é preciso derramar a água dela”, com os dois comentaristas, e, na palavra de Rabi Mana, “derramar” ficou sem complemento; רִבִּי חִיָיה בַּר מַרְיָיה ficou como nome, “Rabi Chiya bar Mariá”; הָוָה בר. קַטיפְרָס ficou “se era um lugar de katifras”; e “dez” ficou sem a unidade. Na seção 02, לֹא בְשֶׁאֵין שָׁוִין ficou como pergunta, “não é quando não estão nivelados?”. Na seção 03, וְהָתַנֵּי ficou “e eis que ensinou”, com o Korban HaEdah; וְלֵית לֵיהּ קִיּוּם ficou “e não tem sustentação”, sem decidir se o sujeito é a baraita ou Rav; e בְחַדְרֵי חֲדָרִים ficou “nos quartos de dentro dos quartos”.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer põe “por quatro” entre colchetes na Mishná, e aqui não se acrescentou; traduz דִיַיְטוֹת como “rows of apartments”, e aqui ficou “sobrados”, com os comentaristas; propõe apagar מְקוֹם, e aqui ficou “o lugar de uso”; lê בָּהּ em vez de בר e traduz “thinking about it”, e aqui ficou como no hebraico; diz que o primeiro “é permitido” deve ser “é proibido”, e aqui ficou “é permitido”; chama o segundo מַתְנִיתָא, na seção 02, de baraita e o primeiro de Mishná, e aqui ficou “matnitá” nas duas vezes; traduz סִילוֹנוֹת como “flows” e מַזְחִילָה como “drainpipe”, e aqui ficou “canos” e “calha”; e traduz וְלֵית לֵיהּ קִיּוּם como “he cannot explain it”. Guggenheimer traduz a marca פיס׳ como “Paragraph”, e a sua nota a ela diz “Discussion of Mishnah 10”, pela numeração da sua edição; aqui a marca não foi traduzida e ficou só no hebraico. As formas inglesas dos nomes ficaram nas formas hebraicas. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.

Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 8:9, 8:10 e 8:11; Bavli Eruvin 88a, a Mishná do pátio menor que quatro amot e as palavras de Rabá e de Rabi Zeira; Bavli Eruvin 88b, a Mishná como Rabi Eliezer ben Yaakov, a baraita de Chananiá sobre o telhado de cem amot, os dias de chuva e a palavra de Rav Nachman sobre a ukah; Bavli Eruvin 88b e 89a, a palavra de Rava e a de Rav Ashi sobre as duas diaytot, e o fim do capítulo; Bavli Eruvin 89a, a Mishná de todos os telhados da cidade; Bavli Shabat 64b, Shabat 146b e Beitzá 9a, a palavra de Rav sobre a aparência aos olhos; Tosefta Eruvin 6:18 a 6:22 na edição de Lieberman, e 6:12 e 6:13 na edição comum; Mishná Tahorot 8:9; Yerushalmi Kilayim 9:1; Yerushalmi Eruvin 9:1; Penei Moshe e Korban HaEdah nos quatro segmentos desta halachá; e as notas de Guggenheimer. Referências corrigidas: a Mishná do pátio menor que quatro amot está no Bavli em Eruvin 88a, e não em 87b, onde está a Mishná da sacada, da halachá anterior; a discussão segue em 88b e termina em 89a; a palavra de Rabi Eliezer ben Yaakov sobre o canal coberto está na Mishná do Bavli em 88a, e não numa baraita; a baraita das bicas e de Bar Kapará não está na Tosefta Eruvin, mas no Yerushalmi Kilayim 9:1, que Guggenheimer numera 9:2; e as baraitot da varanda e da casa com o andar de cima, que o Penei Moshe põe no capítulo 6 da Tosefta, estão na Tosefta Eruvin 6:19 e 6:20 de Lieberman, 6:13 da comum. Não há link para o Bavli de Eruvin, porque o Bavli deste site vai até Eruvin 61b.

Nomes nesta página: Rabi Eliezer ben Yaakov, רִבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב, na Mishná e na seção 03; Rabi Mana, רִבִּי מָנָא, Rabi Chiya bar Mariá, רִבִּי חִיָיה בַּר מַרְיָיה, e Rabi Yoná, רִבִּי יוֹנְה, na seção 01; Rabi Yochanan, רִבִּי יוֹחָנָן, Reish Lakish, רֵישׁ לָקִישׁ, e Rabi Chananiá, רִבִּי חֲנַנְיָה, na seção 02; Rabi Yirmeyá, רִבִּי יִרְמְיָה, Rabi Meir, רִבִּי מֵאִיר, Bar Kapará, בַּר קַפָּרָא, e Rav, רַב, na seção 03. Na nota: Rabá, Rabi Zeira, Chananiá, Rav Nachman, Rava, Rav Ashi e Rav Yehudá, do Bavli; e Rabi Shimon, da Mishná seguinte.

Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e o marcador de folha de Vilna 55b, no segundo segmento, antes de חַד תַּנָּא הוּא. Não há marcador numérico nem de Veneza nesta halachá, nem parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. Foram mantidos a marca פיס׳ e as grafias do Sefaria, como עָשׁוּ, דִיַיְטוֹת, רִבִּי יוֹנְה, הָוָה בר. קַטיפְרָס, מִבִּפנִים, פְלִיגא e לָֹהּ; os dois pontos na Mishná são do Sefaria.

A Mishná seguinte, Eruvin 9:1, abre o Perek Tet, Kol Gaggot: “כָּל גַּגּוֹת הָעִיר רְשׁוּת אַחַת…”, “todos os telhados da cidade são um só domínio…”, desde que não haja um telhado mais alto dez palmos ou mais baixo dez, palavras de Rabi Meir; e os sábios dizem que cada um é um domínio por si; e Rabi Shimon diz que os telhados, os pátios e os karpefot (cercados) são um só domínio para os objetos que estavam neles no começo do Shabat, e não para os que estavam dentro da casa. No Bavli, essa Mishná está em Eruvin 89a, logo depois do fim do capítulo Keitzad Mishtattfin, no início do capítulo Kol Gaggot, e ali se lê נָמוּךְ e רְשׁוּת אַחַת הֵן לְכֵלִים, onde o Yerushalmi tem נָמוֹךְ e רְשׁוּת אַחַת לְכֵלִים.

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Chet de Massechet Eruvin, Keitzad Mishtattfin (כֵּיצַד מִשְׁתַּתְּפִין).