Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Vav · Halachá 10 (última do perek)
עֵרוּבִין

Quem esqueceu e não fez eruv nos dois pátios, um dentro do outro; a torat chatzer e a torat daká do goy

Perek Vav, HaDar, Halachá 10, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin — encerramento do capítulo

Décima e última halachá do Perek Vav, HaDar (quem mora), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que, de dois pátios, um dentro do outro, se um morador do de fora esqueceu e não fez eruv, o de dentro é permitido e o de fora é proibido; se um do de dentro esqueceu, ambos são proibidos; se deram o seu eruv num só lugar e um esqueceu, seja do de dentro, seja do de fora, ambos são proibidos; e, se os pátios eram de indivíduos, não precisam fazer eruv. Na guemará, explica-se por que, quando deram o eruv num só lugar, ambos são proibidos, e pergunta-se por que o de dentro é proibido quando quem esqueceu é do de fora; Rabi Yassa responde que, uma vez que o deram num só lugar, todos se tornaram um só domínio. Depois, Rav Huna, em nome de Rav, diz que não há regra de pátio nem regra de daká para o goy, e Rabi La, em nome de Rabi Elazar, que há regra de pátio para ele; Rabi Ba, em nome de Rav Yehudá, ensina sobre a daká de dez palmos, que no israelita não proíbe e no goy proíbe, e a sua posição é confrontada com a das escadas em volta do muro, com a resposta de Rabi Yossi beRabi Bun. Com ela se encerra o Perek Vav, HaDar; o tratado continua no Perek Zayin, Challon (a janela) · פֶּרֶק חַלּוֹן.

A Mishná · מַתְנִיתִין

שָׁכַח אֶחָד מִן הַחִיצוֹנָה וְלֹא עֵירֵב הַפְּנִימִית מוּתֶּרֶת וְהַחִיצוֹנָה אֲסוּרָה. מִן הַפְּנִימִית וְלֹא עֵירֵב שְׁתֵּיהֶן אֲסוּרוֹת. נָתְנוּ אֶת עֵירוּבָן לְמָקוֹם אֶחָד שָׁכַח אֶחָד בֵּין מִן הַפְּנִימִית בֵּין מִן הַחִיצוֹנָה וְלֹא עֵירֵב. שְׁתֵּיהֶן אֲסוּרוֹת. וְאִם הָיוּ שֶׁל יְחִידִים אֵינָן צְרִיכִין לְעָרֵב:

Mishná: Se um da chitzoná (o pátio de fora) esqueceu e não fez eruv (a junção que permite transportar no Shabat), a penimit (o pátio de dentro) é permitida e a chitzoná é proibida. Se um da penimit esqueceu e não fez eruv, ambas são proibidas. Se deram o seu eruv num só lugar, e um esqueceu, seja da penimit, seja da chitzoná, e não fez eruv, ambas são proibidas. E, se eram de yechidim (indivíduos, um só morador em cada pátio), não precisam fazer eruv.

A Halachá · הֲלָכָה י

01O eruv num lugar proibido, e todos se tornaram um só domínio
Yerushalmi · Eruvin 6:10
פיס׳. שָׁכַח אֶחָד מִן הַחִיצוֹנָה כול׳. שָׁכַח אֶחָד מִן הַחִיצוֹנָה וְלֹא עֵירֵב. הַחִיצוֹנָה אֲסוּרָה שֶׁלֹּא עֵירְבָה. וְהַפְּנִימִית אֲסוּרָה שֶׁנָּתְנוּ עֵירוּבָן בְּמָקוֹם אָסוּר. שָׁכַח אֶחָד מִן הַפְּנִימִית וְלֹא עֵירֵב. הַפְּנִימִית אֲסוּרָה שֶׁלֹּא עֵירְבָה. וְהַחִיצוֹנָה אֲסוּרָה שֶׁנָּתְנוּ עֵירוּבָן בְּמָקוֹם אָסוּר. שֶׁדְּרִיסַת הָרֶגֶל אוֹסֶרֶת.

“Se um da chitzoná esqueceu” etc. Se um da chitzoná esqueceu e não fez eruv, a chitzoná é proibida, pois ela não fez eruv, e a penimit é proibida, pois deram o seu eruv num lugar proibido. Se um da penimit esqueceu e não fez eruv, a penimit é proibida, pois ela não fez eruv, e a chitzoná é proibida, pois deram o seu eruv num lugar proibido, porque a derisat haregel (o direito de passagem a pé) proíbe.

שָׁכַח אֶחָד מִן הַחִיצוֹנָה וְלֹא עֵירֵב. נִיחָא הַחִיצוֹנָה אֲסוּרָה שֶׁלֹּא עֵירְבָה. הַפְּנִימִית לָמָּה. מִפְּנֵי שֶׁנָּתְנוּ עֵירוּבָן בְּמָקוֹם אָסוּר. הֲרֵי לֹא נָתְנוּ עֵירוּבָן בְּמָקוֹם אָסוּר. אֶלָּא שֶׁדְּרִיסַת הָרֶגֶל אוֹסֶרֶת. הֲרֵי אֵין כָּאן דְּרִיסַת הָרֶגֶל אוֹסֶרֶת. אָמַר רִבִּי יָסָא. מִכֵּיוָן שֶׁנָּתְנוּ בְּמָקוֹם אֶחָד נַעֲשׂוּ כּוּלָּן רְשׁוּת אַחַת.

Se um da chitzoná esqueceu e não fez eruv, está bem que a chitzoná seja proibida, pois não fez eruv; a penimit, por que é proibida? Dirás: Porque deram o seu eruv num lugar proibido? Eis que não deram o seu eruv num lugar proibido! Senão, porque a derisat haregel proíbe? Eis que aqui não há derisat haregel que proíba! Disse Rabi Yassa: Uma vez que o deram num só lugar, tornaram-se todos uma só reshut (domínio).

02A torat chatzer e a torat daká do goy, e as escadas em volta do muro
Yerushalmi · Eruvin 6:10
רַב חוּנָה בְשֵׁם רַב. אֵין תּוֹרַת חָצֵר לַגּוֹי. אֵין תּוֹרַת דַּקָּה לַגּוֹי. אֵין תּוֹרַת חָצֵר לַגּוֹי שֶׁאִם הָיָה שָׁרוּי בָעֶלְיוֹנָה אַתְּ מוֹרִידוֹ לֵסוֹר. אֵין תּוֹרַת דַּקָּה לַגּוֹי שֶׁאִם הָיָה שָׁרוּי בַפְּנִימִית אַתְּ מוֹצִיאוּ לֵסוּר. רִבִּי לָא בְשֵׁם רִבִּי אֶלְעָזָר. יֵשׁ תּוֹרַת חָצֵר לַגּוֹי. שֶׁאִם הָיוּ יִשְׂרָאֵל וְגוֹי דָּרִים בַּפְּנִימִית לְעוֹלָם אֵינוֹ אוסֵר עַד שֶׁיְּהוּ שְׁנֵיהֶן יִשְׂרָאֵל.

Rav Huna disse, em nome de Rav: Não há torat chatzer (a regra do pátio) para o goy (gentio); não há torat daká (a regra da daká, a divisória baixa diante da porta) para o goy. Não há torat chatzer para o goy, pois, se ele estava morando na casa de cima, tu o fazes descer para proibir. Não há torat daká para o goy, pois, se ele estava morando na penimit, tu o fazes sair para proibir. Rabi La disse, em nome de Rabi Elazar: Há torat chatzer para o goy, pois, se um israelita e um goy moravam juntos na penimit, o goy nunca proíbe, até que os dois sejam israelitas.

רִבִּי בָּא בְשֵׁם רַב יְהוּדָה. מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ דָקָה לִפְנִים מִבֵּיתוֹ גָּבוֹהַּ עֲשָׂרָה טְפָחִים. בְּיִשְׂרָאֵל אֵינוֹ אוֹסֵר וּבְָגוֹי אוֹסֵר. מִחְלְפַא שִׁיטָּתֵיהּ דְּרִבִּי בָּא. תַּמָּן אָמַר רִבִּי בָּא רַב יְהוּדָה בְשֶם שׁמוּאֵל. כּוֹתֶל שֶׁהִקִּיפוּהוּ סוּלָּמוֹת מִיכָּן וּמִיכָּן מְעָרְבִין שְׁנַיִם וְאִין מְעָרְבִין אֶחָד. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן. תַּמָּן עַל יְדֵי סוּלָּמוֹת הֵן נִידּוֹנִין כִּפְתָחִים. בְּרַם הָכָא דֶּרֶךְ הָעֶלְיוּנִים לִירֵד לְמַטָּן. אֵין דֶּרֶךְ הַתַּחְתּוֹנִים לַעֲלוֹת לְמַעֲלָן.

Rabi Ba disse, em nome de Rav Yehudá: Quem tem uma daká do lado de dentro da sua casa, alta dez tefachim (palmos): num israelita, não proíbe, e num goy, proíbe. A posição de Rabi Ba está invertida! Lá disse Rabi Ba, em nome de Rav Yehudá, em nome de Shmuel: Um muro que cercaram de escadas daqui e dali: os moradores fazem dois eruvin, e, se quiserem, fazem um só. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: Lá, por meio das escadas, elas são julgadas como portas; mas aqui, na daká, o caminho dos de cima é descer para baixo, e não é o caminho dos de baixo subir para cima.

Nota

Esta é a décima e última halachá do Perek Vav de Massechet Eruvin, HaDar. A sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 6:10, a última do capítulo, inteira, com estas diferenças: o Yerushalmi tem נָתְנוּ אֶת עֵירוּבָן לְמָקוֹם אֶחָד, com אֶת e com לְמָקוֹם, onde a avulsa tem נָתְנוּ עֵרוּבָן בְּמָקוֹם אֶחָד; e tem שָׁכַח אֶחָד, sem a conjunção, onde a avulsa tem וְשָׁכַח אֶחָד. As demais são de grafia e de vocalização: o Yerushalmi tem אֶחָד, עֵירֵב e מוּתֶּרֶת, e a avulsa, אַחַד, עֵרֵב e מֻתֶּרֶת; a avulsa tem as vírgulas. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 75a, unida à Mishná avulsa Eruvin 6:9, e ali se lê נָתְנוּ עֵירוּבָן בְּמָקוֹם אֶחָד וְשָׁכַח אֶחָד, como na avulsa, e עֵירַב, com patach. A discussão do Bavli sobre ela está em Eruvin 75a e 75b, e o capítulo termina em 76a. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para a discussão do Bavli sobre esta Mishná. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros dois é uma seção desta página.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que, quando um da chitzoná esqueceu, é como se a penimit tivesse feito eruv e a chitzoná não, pois quem não fez eruv proíbe a gente do seu pátio, e a penimit fica na sua permissão; e, quando um da penimit esqueceu, é como se a chitzoná tivesse feito eruv e a penimit não, pois quem não fez eruv proíbe a gente do seu pátio, e eles passam pela chitzoná, e por isso ambas são proibidas. O Korban HaEdah explica que, neste caso, a penimit é uma passagem proibida, e proíbe. Sobre “deram o seu eruv num só lugar”, o Penei Moshe explica que fizeram os dois pátios um só eruv e o depositaram na chitzoná, chamada “um só lugar” porque os dois a usam, já que a penimit passa por ela; e que, como o eruv da penimit não está com ela, a penimit não pode fechar a sua porta e transportar no seu pátio. O Korban HaEdah diz apenas que o depositaram num dos dois. No Bavli, Eruvin 75a, pergunta-se o que é “um só lugar”, e Rav Yehudá diz, em nome de Rav: חִיצוֹנָה, וּמַאי קָרוּ לָהּ ״מָקוֹם אֶחָד״ — מָקוֹם הַמְיוּחָד לִשְׁתֵּיהֶן, “a de fora; e por que a chamam ‘um só lugar’? É o lugar destinado às duas”. Sobre os indivíduos, o Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que só mora um em cada pátio, e que o de dentro, embora tenha passagem pelo de fora, é uma passagem permitida no seu lugar, que não proíbe; o Penei Moshe diz que a Mishná anônima segue aqui o primeiro tana, e o Korban HaEdah, que segue os sábios. No Bavli, Eruvin 75a, Rav Bibi bar Abaye traz esta frase como objeção, e em 75b Rav Yosef diz תָּנֵי רַבִּי: הָיוּ שְׁלֹשָׁה — אֲסוּרִין, “ensinou Rabi: se eram três, são proibidos”, e Shmuel diz לְעוֹלָם מוּתָּרוֹת, עַד שֶׁיְּהוּ שְׁנַיִם בַּפְּנִימִית וְאֶחָד בַּחִיצוֹנָה, “sempre são permitidos, até que haja dois no de dentro e um no de fora”. Na Tosefta Eruvin, a mesma matéria está em 5:25 a 5:27, na edição de Lieberman, e em 5:19, na do Sefaria comum: os pátios de um só, e depois היו שתיהן של רבים, ונתנו את עירובן בחיצונה, ושכח אחד בין מן החיצונה בין מן הפנימית ולא עירב, שתיהן אסורות, “se ambos eram de muitos e deram o seu eruv no de fora, e um esqueceu, seja do de fora, seja do de dentro, e não fez eruv, ambos são proibidos”; e, se o deram no de dentro e um do de fora esqueceu, ambos são proibidos segundo Rabi Akiva, e os sábios dizem que o de dentro é permitido e o de fora proibido. A mesma baraita está no Bavli, Eruvin 75b.

Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que se trata da última parte da Mishná, em que deram o eruv num só lugar, que é a chitzoná; quando um da chitzoná esqueceu, a chitzoná é proibida porque ele não fez eruv e o eruv ficou anulado, e a penimit é proibida porque o eruv está num lugar proibido e não pode fechar a sua porta; quando um da penimit esqueceu, a penimit é proibida porque não fez eruv, e a chitzoná, porque a passagem da penimit, proibida no seu lugar, a proíbe. Na pergunta, o Penei Moshe entende que, como todos fizeram eruv menos um, não se chama lugar proibido, e a penimit não tem passagem proibida pela chitzoná; o Korban HaEdah entende a pergunta como dita do caso em que depositaram o eruv na penimit, que pode fechar a sua porta e separar-se da chitzoná. A resposta, segundo o Penei Moshe e o Korban HaEdah, é que, uma vez que o deram num só lugar, os dois pátios se tornaram um só domínio, e quem esqueceu na chitzoná é como se tivesse esquecido na penimit. Guggenheimer, na nota 172, explica do mesmo modo. No lema do Penei Moshe lê-se אמר ר' יוסה, onde o texto do Sefaria tem אָמַר רִבִּי יָסָא; a tradução segue o texto, Rabi Yassa.

Sobre a seção 02. O Penei Moshe explica que “não há torat chatzer para o goy” quer dizer que o goy que mora sozinho na penimit conta como muitos e proíbe a chitzoná, e que, mesmo morando no andar de cima com saída própria, se considera como se morasse embaixo, com passagem pela chitzoná; e que “não há torat daká para o goy” quer dizer que o israelita que faz uma daká diante da sua porta se separa da chitzoná e não a proíbe, mas o goy não, porque hoje se separa e amanhã volta atrás, até que alugue o seu domínio. A palavra de Rabi La, em nome de Rabi Elazar, o Penei Moshe a explica segundo Rabi Eliezer ben Yaakov, na Mishná do início deste perek, nesta tradução, para quem não se proíbe até que haja dois israelitas que se proíbam um ao outro; Guggenheimer, na nota 176, diz o mesmo. No Bavli, Eruvin 75b, Rabi Elazar diz וְגוֹי הֲרֵי הוּא כְּרַבִּים, “e o goy é como muitos”, e o Sheyarei Korban compara as duas palavras e aponta a dificuldade entre elas. Sobre a daká, o Sheyarei Korban lembra que Rashi a explica como divisória num lugar e como abertura baixa em outro, e que o Arukh e o Rambam a explicam como um banco de pedra, uma אצטבה; Guggenheimer a traduz como divisória de pedras. No Bavli, Eruvin 59b, Rav Idi bar Avin diz, em nome de Rav Chisda, אֶחָד מִבְּנֵי מָבוֹי שֶׁעָשָׂה דַּקָּה לְפִתְחוֹ — אֵינוֹ אוֹסֵר עַל בְּנֵי מָבוֹי, “um dos moradores do beco que fez uma daká à sua porta não proíbe os moradores do beco”, nesta tradução; e em 75a a daká aparece na Mishná completada segundo Rabi Akiva. A palavra de Rabi Ba sobre as escadas está, no Yerushalmi, no Perek Zayin, Eruvin 7:2, na numeração do Sefaria, onde se lê מְעָרְבִין שְׁנַיִם וְאֵין מְעָרְבִין אֶחָד, “fazem dois eruvin e não fazem um”, com a resposta de Rabi Yossi beRabi Bun מִכֵּיוָן שֶׁלּא כִּיוְונוֹ נַעֲשׂוּ כִּפְתָחִים, “uma vez que não as alinharam, tornaram-se como portas”, que o Penei Moshe lê como pergunta. O Penei Moshe lê aqui como lá, e explica que as escadas não ligam os pátios; o Korban HaEdah lê מערבין אחד ואין מערבין שנים, e explica que as escadas são como porta, e que a daká não é pior que a escada, e por isso a posição de Rabi Ba parece invertida. A resposta de Rabi Yossi beRabi Bun, segundo o Penei Moshe e o Korban HaEdah, é que o morador de cima costuma descer pelo pátio de baixo, e o de baixo não costuma subir; e por isso quem mora embaixo e faz uma daká mostra que não quer que passem por ele, e se separa. Para a frase de Rav Huna, em nome de Rav, não foi encontrado paralelo no Bavli, Eruvin 75b e 76a, e nada se cita.

Leituras incertas. וְאִין מְעָרְבִין אֶחָד, com אִין, “se”, na vocalização do Sefaria, ficou “e, se quiserem, fazem um só”: Guggenheimer, na nota 178, diz que Lieberman tem razão em ler “e se” e não “e não”, e que falta a palavra רָצוּ, “quiseram”, como na Mishná seguinte; mas a sua tradução inglesa diz “but not one eruv”, e o paralelo de Eruvin 7:2 tem וְאֵין. “Quiserem” completa o sentido e está em itálico. לִפְנִים מִבֵּיתוֹ ficou “do lado de dentro da sua casa”, como em Guggenheimer; o Penei Moshe lê לפני ביתו, “diante da sua casa”. בָעֶלְיוֹנָה ficou “na casa de cima”, como no Penei Moshe, que fala do andar de cima; o Korban HaEdah parece entender o pátio. עַד שֶׁיְּהוּ שְׁנֵיהֶן יִשְׂרָאֵל ficou “até que os dois sejam israelitas”; o Penei Moshe entende que são precisos dois israelitas na chitzoná, e o Korban HaEdah, dois israelitas na penimit; literalmente, “até que ambos sejam Israel”. לֵסוֹר e לֵסוּר ficaram “para proibir”, como לֶאֱסוֹר. תּוֹרַת חָצֵר ficou torat chatzer, a regra do pátio; Guggenheimer, na nota 173, propõe que aqui não se trata de pátio, mas de cerca, de uma raiz árabe, e traduz “rule of enclosure”; aqui se seguiu o sentido comum da palavra, como no Penei Moshe.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz פיס׳ como “Paragraph”, e aqui a marca não foi traduzida. Escreve “Rebbi Yasa”, “Rav Ḥuna”, “Rebbi Eleazar”, “Rebbi Abba”, “Rav Jehudah” e “Rebbi Yose ben Rebbi Abun”, e aqui ficaram Rabi Yassa, Rav Huna, Rabi Elazar, Rabi Ba, Rav Yehudá e Rabi Yossi beRabi Bun, como no hebraico. Traduz דַּקָּה como “stone partitions”, e aqui ficou daká; acrescenta “courtyard” entre colchetes depois de “inner”, e aqui se diz penimit; e traduz וְאִין como “but not”, contra a sua própria nota, e aqui se seguiu a vocalização do texto. Traduz a pergunta da seção 01 como afirmação, “There is no right of access which makes it forbidden!”, e aqui se manteve הֲרֵי, “eis que”.

Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 6:10 e 7:1; Yerushalmi Eruvin 6:1, a Mishná de Rabi Eliezer ben Yaakov; 7:1, a Mishná seguinte; 7:2, as escadas em volta do muro; Bavli Eruvin 59b, Rav Chisda e a daká; 75a, a Mishná, a objeção de Rav Bibi bar Abaye, a daká na Mishná completada e Rav Yehudá em nome de Rav sobre “um só lugar”; 75b, a baraita de quem esqueceu, Rav Yosef, Shmuel e Rabi Elazar sobre o goy; 76a, o fim do capítulo e a Mishná da janela; Tosefta Eruvin 5:25 a 5:27, na edição de Lieberman, e 5:19, na do Sefaria comum; Penei Moshe, Korban HaEdah, Sheyarei Korban e Mareh HaPanim nesta halachá. Referências corrigidas: a nota 28 de Guggenheimer remete à “Tosephta 5:19”, e o link do Sefaria leva à edição de Lieberman 5:19, que trata do pátio de gentios; a passagem é Lieberman 5:25 a 5:27, que é 5:19 na numeração comum; a nota 178 remete ao “Chapter 7”, que é Eruvin 7:2 na numeração do Sefaria, onde o Penei Moshe diz Perek Challon, halachá 1, e o Mareh HaPanim, halachá 2. O Bavli deste site vai até Eruvin 61b; por isso não há link para Eruvin 75a, 75b e 76a.

Nomes nesta página: Rabi Yassa, רִבִּי יָסָא, na seção 01; Rav Huna, רַב חוּנָה; Rav, רַב; Rabi La, רִבִּי לָא; Rabi Elazar, רִבִּי אֶלְעָזָר; Rabi Ba, רִבִּי בָּא; Rav Yehudá, רַב יְהוּדָה; Shmuel, שׁמוּאֵל; e Rabi Yossi beRabi Bun, רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן, na seção 02. Na nota: Rabi Eliezer ben Yaakov, da Mishná 6:1; Rabi Akiva, da Tosefta e do Bavli; Rav Bibi bar Abaye, Rav Yosef, Rabi, Rav Idi bar Avin e Rav Chisda, do Bavli.

Do hebraico foram retirados os rótulos de Mishná e de halachá e os marcadores de folha de Vilna 44b, no início da Mishná, e 45a, na seção 02, antes de עַד שֶׁיְּהוּ שְׁנֵיהֶן יִשְׂרָאֵל; não há marcador numérico nem de Veneza, nem parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. Foram mantidas as marcas פיס׳ e כול׳ e as grafias do Sefaria, como אוסֵר, וּבְָגוֹי, מִחְלְפַא, בְשֶם שׁמוּאֵל, הָעֶלְיוּנִים, מוֹצִיאוּ e וְאִין; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria. A seção 01 e a seção 02 foram divididas em dois pares cada, nos pontos em que muda o assunto. Os comentaristas encerram aqui o capítulo: o Penei Moshe com הדרן עלך הדר עם הנכרי, o Korban HaEdah com הדרן עלך פרק הדר; e o Bavli, em Eruvin 76a, com הַדְרָן עֲלָךְ הַדָּר.

A Mishná seguinte, Eruvin 7:1, abre o Perek Zayin, Challon: “חַלּוֹן שֶׁבֵּין שְׁתֵּי חֲצֵירוֹת אַרְבָּעָה עַל אַרְבָּעָה בְּתוֹךְ עֲשָׂרָה…”, “uma janela entre dois pátios, de quatro por quatro, dentro de dez…”, isto é, a abertura de quatro palmos por quatro, a menos de dez palmos do chão, que permite aos dois pátios fazer dois eruvin ou, se quiserem, um só. No Bavli, essa Mishná está em Eruvin 76a, logo depois do fim do capítulo HaDar, no início do capítulo Challon, e ali se lê פָּחוֹת מֵאַרְבָּעָה e וְאִם רָצוּ — מְעָרְבִין אֶחָד, onde o Yerushalmi tem פָּחוּת מֵאַרְבָּעָה e וְאִם רָצוּ מִעָרְבִין אֶחָד.

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Vav de Massechet Eruvin, HaDar (הַדָּר).