Nona halachá do Perek Vav, HaDar (quem mora), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que, de dois pátios, um dentro do outro, se o de dentro fez eruv e o de fora não fez, o de dentro é permitido e o de fora é proibido; se o de fora fez eruv e o de dentro não, ambos são proibidos; e, se cada um fez eruv para si, cada um é permitido por si, mas Rabi Akiva proíbe o de fora, pois o direito de passagem a pé dos de dentro o proíbe, e os sábios dizem que o direito de passagem não proíbe. Na guemará, Rabi Yossi diz que a Mishná é de Rabi Akiva, para quem o direito de passagem proíbe; e Rabi La, em nome de Rabi Yanai, diz que o direito de passagem proibido proíbe.
Mishná: Dois pátios, um dentro do outro: se a penimit (o pátio de dentro) fez eruv (a junção que permite transportar no Shabat) e a chitzoná (o pátio de fora) não fez eruv, a penimit é permitida de transportar e a chitzoná é proibida. Se fez eruv a chitzoná e não a penimit, ambas são proibidas. Se esta fez eruv para si e aquela para si, esta é permitida por si mesma e aquela é permitida por si mesma. Rabi Akiva proíbe a chitzoná, pois a derisat haregel (o direito de passagem a pé) a proíbe. E os sábios dizem: A derisat haregel não proíbe.
“Dois pátios, um dentro do outro” etc. Disse Rabi Yossi: A Mishná é de Rabi Akiva, pois Rabi Akiva disse: A derisat haregel proíbe. Disse Rabi La, em nome de Rabi Yanai: A derisat haregel que é proibida no seu lugar, essa proíbe.
Esta é a nona halachá do Perek Vav de Massechet Eruvin, HaDar, e a sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 6:9, inteira, sem diferença de sentido. As diferenças são pequenas: o Yerushalmi tem רִבִּי עֲקִיבָה אוֹסֵר אֶת הַחִיצוֹנָה, com אֶת, onde a avulsa tem רַבִּי עֲקִיבָא אוֹסֵר הַחִיצוֹנָה; e, no fim, אֵין דְּרִיסַת הָרֶגֶל אוֹסֶרֶת, sem o pronome, onde a avulsa tem אוֹסַרְתָּהּ. As demais são de grafia e de vocalização: o Yerushalmi tem חֲצֵירוֹת, עֵירְבָה, מוּתֶּרֶת, אוֹסְרַתָּהּ e עֲקִיבָה, e a avulsa, חֲצֵרוֹת, עֵרְבָה, מֻתֶּרֶת, אוֹסַרְתָּהּ e עֲקִיבָא; o Yerushalmi escreve uma vez עֵיִרְבָה, com yod e chirik, e a avulsa tem as vírgulas. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 75a, onde vem unida à Mishná avulsa Eruvin 6:10, a de quem esqueceu e não fez eruv, que no Yerushalmi é a décima halachá deste perek. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para a discussão do Bavli sobre esta Mishná, em Eruvin 75a e 75b. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a única seção desta página.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que o pátio de dentro se abre para o de fora, e o de fora para o domínio público, e que a gente do pátio de dentro tem o direito de passagem pelo de fora para sair ao domínio público. Quando só o de dentro fez eruv, o Penei Moshe explica que todos concordam que o de dentro é permitido, porque pode fechar a sua porta, e o de fora não o pode impedir. Quando só o de fora fez eruv, ambos explicam que os de dentro são uma passagem proibida no seu lugar, pois não fizeram eruv, e por isso proíbem o de fora; quando cada um fez eruv para si, os de dentro são uma passagem permitida no seu lugar, e esta não proíbe. Para Rabi Akiva, mesmo a passagem permitida no seu lugar proíbe fora do seu lugar; para os sábios, nem a passagem proibida no seu lugar proíbe o de fora. O Penei Moshe acrescenta, segundo o Bavli, que há três opiniões no assunto, e que a halachá é como o primeiro tana.
Sobre a seção. O Korban HaEdah explica que “é de Rabi Akiva” se diz da primeira parte da Mishná, em que, quando o de fora fez eruv e o de dentro não, ambos são proibidos, e que fica a dificuldade da parte do meio, em que cada um fez eruv para si, segundo quem ela é; a palavra de Rabi La, em nome de Rabi Yanai, quer dizer que há três tanaim no assunto: o primeiro tana pensa que a passagem permitida não proíbe e a passagem proibida proíbe, e por isso, quando cada um fez eruv para si, cada um é permitido por si. Guggenheimer, na nota 169, diz que toda a Mishná, exceto a palavra dos sábios, é de Rabi Akiva, e, na nota 170, que só quando os que têm direito de passagem são proibidos de transportar no pátio eles proíbem a gente do pátio. No Bavli, Eruvin 75a, Rav Dimi diz, em nome de Rabi Yanai, que a Mishná é de Rabi Akiva, e Ravin diz, em nome de Rabi Yanai, שָׁלֹשׁ מַחְלוֹקוֹת בַּדָּבָר: תַּנָּא קַמָּא סָבַר: רֶגֶל הַמּוּתֶּרֶת — אֵינָהּ אוֹסֶרֶת, רֶגֶל הָאֲסוּרָה — אוֹסֶרֶת, “há três opiniões no assunto: o primeiro tana pensa que a passagem permitida não proíbe e a passagem proibida proíbe”; Rabi Akiva pensa que mesmo a passagem permitida proíbe, e os sábios posteriores, que, assim como a passagem permitida não proíbe, também a proibida não proíbe. A palavra de Rabi Akiva está também no Bavli, Eruvin 59b e 65b, רֶגֶל הַמּוּתֶּרֶת בִּמְקוֹמָהּ — אוֹסֶרֶת שֶׁלֹּא בִּמְקוֹמָהּ, “a passagem permitida no seu lugar proíbe fora do seu lugar”. Na Tosefta Eruvin 5:25, na edição de Lieberman, e 5:19, na do Sefaria comum, a mesma disputa vem a propósito de dois pátios, um dentro do outro, um de muitos e outro de um só, ר' עקיבא אוסר את החיצונה, שדריסת הרגל אוסרתה, וחכמים אומ' אין דריסת הרגל אוסרת, “Rabi Akiva proíbe o de fora, pois o direito de passagem o proíbe, e os sábios dizem: o direito de passagem não proíbe”. A mesma frase de Rabi Akiva está na primeira seção da halachá anterior, nesta tradução, dita lá por Rabi Yassa.
Leituras incertas. דְּרִבִּי עֲקִיבָה הִיא ficou “a Mishná é de Rabi Akiva”, sem decidir se se fala da Mishná inteira, como em Guggenheimer, ou só da primeira parte, como no Korban HaEdah. דְּרִיסַת הָרֶגֶל אֲסוּרָה וְאוֹסֶרֶת, literalmente “a derisat haregel é proibida e proíbe”, ficou “a derisat haregel que é proibida no seu lugar, essa proíbe”, como no Korban HaEdah e no Bavli, Eruvin 75a; “no seu lugar” completa o sentido. בִּפְנֵי עַצְמָהּ ficou “por si mesma”. דְּרִיסַת הָרֶגֶל ficou derisat haregel, o direito de passagem a pé.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz פיס׳ como “Paragraph”, e aqui a marca não foi traduzida. Escreve “Rebbi Aqiba”, “Rebbi Yose”, “Rebbi La” e “Rebbi Yannai”, e aqui ficaram Rabi Akiva, Rabi Yossi, Rabi La e Rabi Yanai, como no hebraico. Traduz דְּרִיסַת הָרֶגֶל como “right of access”, e aqui ficou derisat haregel, o direito de passagem a pé, como na halachá anterior; e traduz a palavra de Rabi La como “forbidden right of access makes it forbidden”, e aqui ficou mais perto do hebraico, com os dois verbos. No pivô inglês a marca da nota 169 aparece duas vezes, a segunda depois de “makes it forbidden”, repetindo a mesma nota; a tradução não depende disso.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 6:9 e 6:10; Yerushalmi Eruvin 6:8 e 6:10; Bavli Eruvin 59b e 65b, a palavra de Rabi Akiva sobre a passagem permitida no seu lugar; 75a, a Mishná, Rav Dimi e Ravin em nome de Rabi Yanai e as três opiniões; 75b, a baraita de quem esqueceu, segundo Rabi Akiva e os sábios; Tosefta Eruvin 5:25, na edição de Lieberman, e 5:19, na do Sefaria comum; Penei Moshe e Korban HaEdah nesta halachá. Referências corrigidas ou não citadas: a nota 170 de Guggenheimer remete ao Bavli Eruvin 59b, 65b e 75a, e as três foram confirmadas; nenhuma referência precisou ser corrigida. O Bavli deste site vai até Eruvin 61b; por isso não há link para o Bavli.
Nomes nesta página: Rabi Akiva, רִבִּי עֲקִיבָה; Rabi Yossi, רִבִּי יוֹסֵה; Rabi La, רִבִּי לָא; Rabi Yanai, רִבִּי יַנַּאי. Na nota: Rabi Yassa, da halachá anterior; Rav Dimi e Ravin, do Bavli.
Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá; não há marcadores de folha nem marcador numérico nestes dois segmentos, e nada foi acrescentado. Foram mantidas as marcas פיס׳ e כול׳ e as grafias do Sefaria, como עֵיִרְבָה e עֲקִיבָה.