Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Tet · Halachá 7 (última do perek)
שַׁבָּת

Kupat harochlin: o cesto dos mascates, as sementes e o gafanhoto

Perek Tet, Amar Rabi Akiva, Halachá 7, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat — encerramento do capítulo

Sétima e última halachá do Perek Tet de Massechet Shabbat, Amar Rabi Akiva. A Mishná fecha a série das medidas do transporte: quem leva para fora o cesto dos mascates, ainda que haja nele muitas espécies, é culpado de uma só chatat; as sementes de horta, menos que um figo seco, e, segundo Rabi Yehudá ben Beteirá, cinco; as sementes de pepino, de abóbora e de fava egípcia, duas; o gafanhoto vivo em qualquer quantidade, e o morto como um figo seco; a tziporet keramim, viva ou morta, em qualquer quantidade, porque se guarda para remédio; e, segundo Rabi Yehudá, também o gafanhoto vivo impuro, que se guarda para a criança brincar. A guemará pergunta para quem foi preciso ensinar o cesto, e responde que foi por causa de Rabi Eliezer; dá a razão das cinco sementes; acrescenta o trigo da Média; distingue o gafanhoto puro do impuro; conta os usos da tziporet keramim como remédio; e explica a opinião de Rabi Yehudá, de que não se brinca com alimentos puros, diante do versículo de Iyov. Com ela se encerra o Perek Tet, Amar Rabi Akiva; o tratado continua no Perek Yud, HaMatznia. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 90b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הַמּוֹצִיא קוּפַּת הָרוֹכְלִין אַף עַל פִּי שֶׁיֶּשׁ בָּהּ מִינִין הַרְבֵּה אֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא חַטָּאת אֶחָת. זֵרְעוֹנֵי גִינָּה פָּחוֹת מִכַּגְּרוֹגֶרֶת. רִבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתֵירָא אוֹמֵר חֲמִשָּׁה. זֶרַע קִשּׁוּאִין שְׁנַיִם. זֶרַע דְּלוּעִין שְׁנַיִם זֶרַע פּוֹל מִצְרִי שְׁנַיִם. חָגָב חַי כָּל שֶׁהוּא. מֵת כַּגְּרוֹגָרֶת. צִפֹּרֶת כְּרָמִים בֵּין חַיָּה בֵּין מֵתָה כָּל שֶׁהוּא מִפְּנֵי שֶׁמַּצְנִיעִין אוֹתָהּ לִרְפוּאָה. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר אַף הַמּוֹצִיא חָגָב חַי טָמֵא כָּל שֶׁהוּא מִפְּנֵי שֶׁמַּצְנִיעִין אוֹתוֹ לַקָּטָן לִשְׂחֹק בּוֹ:

Mishná: Quem leva para fora no Shabat a kupat harochlin (o cesto dos mascates), ainda que haja nela muitas espécies de mercadoria, não é culpado senão de uma única chatat (oferenda pelo pecado). Zeronei guiná (sementes de horta): a medida é menos que uma grogeret (o volume de um figo seco). Rabi Yehudá ben Beteirá diz: cinco sementes. Semente de kishuin (pepinos), duas; semente de abóboras, duas; semente de fava egípcia, duas. Chagav (gafanhoto) vivo, qualquer quantidade; morto, como uma grogeret. Tziporet keramim (a “ave das vinhas”, uma espécie de gafanhoto), quer viva quer morta, qualquer quantidade, porque a guardam para remédio. Rabi Yehudá diz: também quem leva para fora um gafanhoto vivo impuro é culpado por qualquer quantidade, porque o guardam para a criança brincar com ele.

A Halachá · הֲלָכָה ז

01O cesto dos mascates: para quem foi preciso dizê-lo
Yerushalmi · Shabbat 9:7
ז. וְקַשְׁיָא. אִילּוּ הוֹצִיא וְהוֹצִיא בְהֶעֱלֵם אֶחָד כְּלוּם הוּא חַיָיב אֶלָּא אֶחָד. לְמִי נִצְרְכָה. לְרִבִּי אֱלִיעֶזֶר. שֶׁלֹּא תֹאמַר. מִינִים הַרְבֶּה יֵיעָשׂוּ בְּהֶעֱלֵימוֹת הַרְבֶּה וִיהֵא חַיָיב עַל כָּל אַחַת וַָאַחַת. לָפוּם כֵּן צָרַךְ מֵימַר. אֵינוֹ חַיָיב אֶלָּא אַחַת.

E é difícil: se alguém levou para fora e tornou a levar para fora num só heelem (esquecimento), acaso é ele culpado senão de uma só chatat? Para quem foi necessária esta Mishná? Para Rabi Eliezer: para que não digas que muitas espécies se façam como muitos esquecimentos, e seja culpado por cada uma e cada uma. Por isso foi necessário dizer: não é culpado senão de uma.

02As sementes de horta e a razão de Rabi Yehudá ben Beteirá
Yerushalmi · Shabbat 9:7
זֵרְעוֹנֵי גִינָּה פָּחוֹת מִכַּגְּרוֹגֶרֶת. רִבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתֵירָא אוֹמֵר. חֲמִשָּׁה. מָה טַעֲמָא דְרִבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתֵירָא. שֶׁכֵּן דַּרְכָּן לְהִיזָּרַע בָעֲרוּגָה.

“Zeronei guiná, menos que uma grogeret; Rabi Yehudá ben Beteirá diz: cinco.” Qual é a razão de Rabi Yehudá ben Beteirá para dizer cinco? Pois assim é o costume delas: que cinco sejam semeadas num aruga (canteiro).

03O trigo da Média
Yerushalmi · Shabbat 9:7
זֶרַע קִישּׁוּאִין שְׁנַיִם. זֶרַע דִּילוּעִין שְׁנַיִם. זֶרַע פּוֹל מִצְרִי שְׁנַיִם. תַּנֵּי. חִטִּים מָדִיּוֹת שְׁתַּיִם. רִבִּי שְׁמוּאֵל בְשֵׁם רִבִּי זְעִירָא. חִיטִּין עַל יְדֵי שֶׁהֵן חֲבִיבוֹת עָשׂוּ אוֹתָן כִּשְׁאַר זֵירְעוֹנֵי גִינָּה שֶׁאֵינָן נֶאֱכָלִין.

“Semente de kishuin, duas; semente de abóboras, duas; semente de fava egípcia, duas.” Foi ensinado: chitim madiyot (trigo da Média), dois grãos. Rabi Shmuel disse em nome de Rabi Zeira: o trigo, por os seus grãos serem estimados, fizeram-no como os demais zeronei guiná, que não se comem.

04O gafanhoto puro e o impuro
Yerushalmi · Shabbat 9:7
חָגָב חַי כָּל שֶׁהוּא. מֵת כַּגְּרוֹגֶרֶת. הָדָא דָאַתְּ אָמַר. בְּטָהוֹר. אֲבָל בְטָמֵא כִּמְלוֹא פִי הַכֶּלֶב.

“Chagav vivo, qualquer quantidade; morto, como uma grogeret.” Isto que tu dizes vale para o puro; mas para o impuro, a medida é kimlo pi hakelev (o bocado que enche a boca de um cão).

05A tziporet keramim, que se guarda para remédio
Yerushalmi · Shabbat 9:7
צִפֹּרֶת כְּרָמִים בֵּין חַיָּה בֵּין מֵתָה כָּל שֶׁהִיא. שֶׁמַּצְנִיעִין אוֹתָהּ לִרְפוּאָה. אָמַר רִבִּי אָחָא. שֶׁכֵּן אִשָּׁה סְטִיפָה מוֹשֶׁחֶת מִמֶּנָּהּ וְהִיא מִתְרַפָּא. תַּמָּן אָמְרִין. מָאן דְּבָעֵי נִיפְרוֹשׁ מִן דֶּרֶךְ הָאָרֶץ אֲכִיל פַּלְגָּא וּשְׁבִיק פַּלָגָּא. שֶׁלִּשְׂמֹאל אָסוּר וְשֶׁלִּימִין מוֹתָּר. אָבַד כָּל שֶׁהוּא חָסֵר כָּל שֶׁהוּא אֵין לוֹ תְקָנָה עוֹלָמִית. כֵּיצַד הוּא עוֹשֶׂה. אָמַר רִבִּי יוּסֵי בֵּירִבִּי בּוּן. יְהַב לָהּ גַּו צְלוֹחִית דְּבַשׁ.

“Tziporet keramim, quer viva quer morta, qualquer quantidade, porque a guardam para remédio.” Disse Rabi Acha: pois uma mulher stifá (de pele áspera, ao que parece) unge-se com ela e se cura. Lá dizem: quem quer se afastar do derech eretz (a relação conjugal) come metade dela e deixa metade. A metade da esquerda é proibida, e a da direita é permitida. Se dela se perdeu qualquer coisa, ou faltou qualquer coisa, não há para ele remédio jamais. Como ele faz para guardá-la? Disse Rabi Yossi beRabi Bun: põe-na dentro de um frasco de mel.

06Rabi Yehudá e o brincar com o que é puro
Yerushalmi · Shabbat 9:7
רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר אַף הַמּוֹצִיא חָגָב חַי טָמֵא כָּל שֶׁהוּא. הָא טָהוֹר בֵּין חַי בֵין מֵת כַּגְּרוֹגֶרֶת. רִבִּי יְהוּדָה כְדַעְתֵּיהּ. דְּרִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר. אוֹכְלִין טְהוֹרִין אֵין מְשַׂחֲקִין בָּהֶן. וְהָא כְתִיב הַתְשַׂחֶק בּוֹ כַּצִּפּוֹר. לֹא הֵיתֵר מִן כְּלָל אִיסּוּר הוּא. וְהָא כְתִיב כַּצִּפּוֹר. אָמַר רִבִּי מַתַּנְיָה. מִכֵּיוָן שֶׁהִיא מְחוּסֶּרֶת שְׁחִיטָה כִּטְמֵיאָה הִיא.

“Rabi Yehudá diz: também quem leva para fora um gafanhoto vivo impuro, qualquer quantidade.” Daí se conclui que o puro, quer vivo quer morto, é como uma grogeret. Rabi Yehudá segue a sua opinião, pois Rabi Yehudá diz: com alimentos puros não se brinca. Mas não está escrito: “Brincarás com ele como com um pássaro?” (Iyov 40:29). Não é essa uma permissão tirada de dentro de uma regra de proibição? Mas não está escrito “como um pássaro”? Disse Rabi Matanyá: uma vez que lhe falta a shechitá (o abate ritual), é como uma ave impura.

Nota

Esta é a sétima e última halachá do Perek Tet de Massechet Shabbat, Amar Rabi Akiva, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 9:7 da Mishná avulsa, que vai de “quem leva para fora o cesto dos mascates” até “porque o guardam para a criança brincar com ele”, e que é também a última Mishná do capítulo, como já se disse na nota da halachá 9:6. Neste capítulo, portanto, as sete halachot do Yerushalmi coincidem com as sete mishnayot da Mishná avulsa. A diferença de redação mais importante está no gafanhoto: o Yerushalmi diz “chagav chai, kol shehu”, “gafanhoto vivo, qualquer quantidade”, e a Mishná avulsa e a que o Bavli traz dizem “chagav chai tahor”, “gafanhoto vivo puro”; a seção 04 da guemará acrescenta precisamente esta distinção, “isto que dizes vale para o puro”. As outras são menores: o Yerushalmi escreve “pol mitzri”, e a Mishná avulsa e o Bavli “pol hamitzri”, com o artigo; o Yerushalmi escreve duas vezes “mipnei shematzniin”, “porque guardam”, e a Mishná avulsa e o Bavli só “shematzniin”; o Yerushalmi escreve “lakatan”, “para a criança”, e a Mishná avulsa “lekatan”; e o Bavli escreve “lishchok” por “lischok”. As demais são de grafia ou de vocalização, como “kupat” com vav ou com kubutz, “guiná” com ou sem yod, “chayav” com um ou dois yods, e, no gafanhoto morto, “kagrogaret” com qamatz no Yerushalmi e “kagrogeret” na Mishná avulsa. Na seção 05, a citação diz “kol shehi”, no feminino, concordando com a tziporet, onde a Mishná diz “kol shehu”. No hebraico da seção 01, “vaachat” traz dois sinais de vocalização sob a mesma letra, e, na seção 05, “mutar” e “palga” trazem um daguesh inesperado; parecem erros de impressão, o sentido é o mesmo, e conservamos o hebraico como está. No começo da seção 06, o Sefaria marca o início da folha 61b da edição de Vilna. A seção 01 trata do cesto dos mascates; a seção 02, das sementes de horta; a seção 03, das sementes que se contam por dois; a seção 04, do gafanhoto vivo e morto; a seção 05, da tziporet keramim; a seção 06, da palavra de Rabi Yehudá.

Referências conferidas. No Bavli, a Mishná começa no fim de Shabbat 90a, e a guemará sobre ela está toda em Shabbat 90b. Sobre as sementes de horta, o Bavli objeta com a medida do esterco e da areia fina, “o bastante para adubar um pé de couve, palavras de Rabi Akiva; e os sábios dizem: o bastante para adubar um alho-poró”, e Rav Papa responde que lá se trata do que já foi semeado, e aqui do que não foi, porque ninguém se dá ao trabalho de levar para fora uma só semente para semear. Sobre as sementes de pepino, traz a baraita dos caroços: “quem leva para fora caroços, se é para plantar, dois; se é para comer, o bocado que enche a boca de um porco, e quanto é isso? um; se é para queimar, o bastante para cozer um ovo leve; se é para contar, dois; outros dizem: cinco”; a mesma baraita está na Tosefta Shabbat 9:16, na numeração do Sefaria. Sobre a tziporet keramim, Rav diz que é a que se chama “palya biari”, e Abaye diz que se acha nas palmeiras e que se usa para a sabedoria: come-se a metade da direita, e a metade da esquerda se põe num tubo de cobre selado com sessenta selos e se pendura no braço esquerdo, com o sinal do versículo “o coração do sábio está à sua direita, e o coração do tolo, à sua esquerda” (Kohelet 10:2); aprende-se quanto se quer, e depois se come a outra metade, pois, se não, o estudo se desarraiga. Sobre Rabi Yehudá, o Bavli pergunta por que o primeiro tana não concorda, e responde que é por receio de que a criança coma o gafanhoto impuro; objeta que, então, também o puro, pois Rav mandou Rav Kahana afastar da boca um gafanhoto puro, para que não dissessem que o comia e transgredia “não torneis abomináveis as vossas almas” (Vayikra 11:43); e conclui que o receio é de que o gafanhoto morra e a criança o coma, ao passo que, para Rabi Yehudá, se morre, a criança o pranteia. Logo depois, ainda em Shabbat 90b, o Bavli encerra o capítulo Amar Rabi Akiva e começa a Mishná Shabbat 10:1. O ensino do trigo da Média, com a palavra de Rabi Shmuel em nome de Rabi Zeira, repete-se quase igual no Yerushalmi Shabbat 7:2, sobre a medida do arar, e no Yerushalmi Shabbat 12:2, onde o nome se escreve “Rabi Zeura”. A opinião de Rabi Eliezer a que a seção 01 se refere é, como indica Guggenheimer, a da Mishná Keritot 3:10, onde Rabi Akiva conta que perguntou a Rabi Eliezer sobre quem faz muitos trabalhos da mesma espécie em muitos Shabatot num só esquecimento, e Rabi Eliezer respondeu que é culpado por cada um. O versículo da seção 06 é Iyov 40:29, “brincarás com ele como com um pássaro, e o prenderás para as tuas meninas?”, e fala do Leviatã, cuja descrição começa em Iyov 40:25: “puxarás o Leviatã com o anzol?”. Os gafanhotos puros são os de Vayikra 11:22: “estes deles comereis: o arbe segundo a sua espécie, o salam segundo a sua espécie, o chargol segundo a sua espécie e o chagav segundo a sua espécie”.

Observações de leitura. Na Mishná, “kupat harochlin” é o cesto ou a caixa em que o mascate leva as suas mercadorias, especiarias e enfeites; quem o leva para fora fez um só ato de levar para fora, e por isso é culpado de uma só chatat. A seção 01 é concisa: “para quem foi necessária” entendemos da própria Mishná do cesto, e “para Rabi Eliezer” como “por causa da opinião de Rabi Eliezer”, que multiplica as culpas; a Mishná ensina que as muitas espécies não contam como muitos esquecimentos. “Menos que uma grogeret” é a medida das sementes de horta, menor que a medida comum dos alimentos, porque se guardam para semear. Na seção 02, o hebraico diz só “pois assim é o costume delas, serem semeadas no canteiro”; que se semeiem cinco em cada canteiro é a leitura que dá razão ao número de Rabi Yehudá ben Beteirá, e por isso o acrescentamos em itálico. Na seção 03, “chitim madiyot” entendemos como trigo da Média, de grãos grandes; a palavra de Rabi Zeira diz que o trigo, que normalmente se mede como alimento, foi aqui tratado como semente, porque os seus grãos são estimados. Na seção 04, “isto que dizes vale para o puro” refere-se ao gafanhoto morto, que se mede como alimento de gente; o impuro morto, que não se come, mede-se pelo que serve de comida a um cão. Na seção 05, “stifá” é palavra incerta; seguimos o sentido de pele áspera ou ressecada, como entende Guggenheimer. “Lá dizem”, no Yerushalmi, costuma referir-se aos sábios da Babilônia; o uso que eles descrevem, comer metade e guardar metade, é o mesmo que o Bavli atribui a Abaye, mas lá para a sabedoria e aqui para afastar-se da relação conjugal. A frase “a da esquerda é proibida e a da direita é permitida” não diz de que proibição se trata; entendemos que só a metade da direita se come. A seção 06 também é concisa: Rabi Yehudá diz que se guarda o gafanhoto impuro para a criança brincar, e daí se deduz que o puro não se guarda para isso, e por isso tem a medida dos alimentos; a razão é que, para Rabi Yehudá, não se brinca com alimentos puros. A objeção traz o versículo de Iyov, que fala de brincar com um pássaro, e a guemará responde que o versículo fala do Leviatã, que é proibido, e por isso não ensina nada sobre o que é permitido; e torna a objetar que o versículo diz “como um pássaro”, e o pássaro em geral é puro. Rabi Matanyá responde que o pássaro vivo, enquanto não foi abatido segundo a lei, não se pode comer, e é como impuro. Esta leitura da pergunta “não é uma permissão de dentro de uma regra de proibição?” é a nossa; o hebraico é muito breve e admite outras.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na palavra de Rabi Yehudá, tanto na Mishná quanto na seção 06, Guggenheimer traduz “a dead locust”, um gafanhoto morto, e explica-o como gafanhoto proibido para comer; o hebraico diz “chagav chai tamê”, “gafanhoto vivo impuro”, e assim traduzimos. Na seção 06, ele diz em nota que o versículo de Iyov fala do Behemot; pelo contexto, que começa em Iyov 40:25, trata-se do Leviatã, e assim o dissemos. Ele traduz “kishuin” por “green melon” e lembra que no hebraico moderno a palavra significa abobrinha; traduzimos “pepinos”, como de costume. Traduz “stifá” por “de pele áspera”, e explica a seção 05 dizendo que quem perdeu ou deixou faltar alguma coisa da metade guardada nunca recupera a potência, e que provavelmente comer a outra metade a restituiria; estas observações são dele, e o texto do Yerushalmi não as diz.

A Mishná seguinte, Shabbat 10:1, abre o Perek Yud, HaMatznia: “הַמַּצְנִיעַ לְזֶרַע לְדוּגְמָא וְלִרְפוּאָה…”, “quem guarda para semente, para amostra ou para remédio, e o levou para fora no Shabat, é culpado por qualquer quantidade; e qualquer outra pessoa não é culpada senão pela sua medida”. É a continuação natural das palavras desta Mishná sobre o que se guarda para remédio e para a criança brincar.

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Tet de Massechet Shabbat, Amar Rabi Akiva (אָמַר רִבִּי עֲקִיבָה).