Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Tet · Halachá 6
שַׁבָּת

Kol shehu: a pimenta, o itran e o que se guarda para enterrar

Perek Tet, Amar Rabi Akiva, Halachá 6, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Sexta halachá do Perek Tet de Massechet Shabbat, Amar Rabi Akiva. Depois das medidas da lenha, das especiarias, das tinturas e das substâncias de lavar, a Mishná enumera as coisas pelas quais quem as leva para fora no Shabat é culpado por qualquer quantidade, por mínima que seja: a pimenta, o itran, os perfumes e os metais; o pó e as pedras do altar e o carcomido dos livros sagrados e dos seus envoltórios, porque se guardam para ser enterrados; e, segundo Rabi Yehudá, também os acessórios da idolatria, pois está dito: “E nada do anátema se apegará à tua mão”. A guemará é de uma só baraita: também o que tem mau cheiro, qualquer quantidade; e Rabi Ila diz que também Rabi Shimon concorda com isso, e que Rabi Shimon concorda no caso das coisas de que é proibido tirar proveito. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 90a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

פִּלְפֶּלֶת כָּל שֶׁהוּא. וְעִיטְרָן כָּל שֶׁהוּא מִינֵי בְשָׂמִים וּמִינֵי מַתְּכוֹת כָּל שֶׁהֵן. מֵעֲפַר הַמִּזְבֵּחַ מֵאַבְנֵי הַמִּזְבֵּחַ מִמֶּקֶק סְפָרִים מִמֶּקֶק מִטְפְּחוֹתֵיהֶם כְּל שֶׁהֵן מִפָּנֵי שֶׁמַּצְנִיעִין אוֹתָן לְגוֹנְזָן. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר אַף הַמּוֹצִיא מִמְּשַׁמְּשֵׁי עֲבוֹדָה זָרָה כָּל שֶׁהוּא שֶׁנֶּאֱמַר וְלֹא יִדְבַּק בְּיָדְךָ מְאוּמָה מִן הַחֵרֶם:

Mishná: Quem leva para fora pimenta é culpado por kol shehu (qualquer quantidade, por mínima que seja); e itran (o alcatrão, a resina do pinheiro), qualquer quantidade; espécies de perfumes e espécies de metais, qualquer quantidade. Do pó do altar, das pedras do altar, do mekek (o carcomido, o que os vermes roeram) dos livros sagrados, do mekek dos seus envoltórios, qualquer quantidade, porque os guardam depois de gastos para os enterrar. Rabi Yehudá diz: também quem leva para fora dos acessórios da idolatria é culpado por qualquer quantidade, pois está dito: “E nada do anátema se apegará à tua mão”.

A Halachá · הֲלָכָה ו

01O que tem mau cheiro, e a concordância de Rabi Shimon
Yerushalmi · Shabbat 9:6
ו׳. תַּנֵּי. אַף רֵיחַ רַע כָּל שֶׁהוּא. אָמַר רִבִּי אִילָא. אַף רִבִּי שִׁמְעוֹן מוֹדֶה בָהּ. מוֹדֵי רִבִּי שִׁמְעוֹן בְּאִיסּוּרֵי הֲנָיָיה.

Foi ensinado: também reiach ra (o que tem mau cheiro), qualquer quantidade torna culpado quem o leva para fora. Disse Rabi Ila: também Rabi Shimon concorda com isso. Rabi Shimon concorda no caso dos issurei hanaá (coisas de que é proibido tirar proveito).

Nota

Esta é a sexta halachá do Perek Tet de Massechet Shabbat, Amar Rabi Akiva, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 9:6 da Mishná avulsa, que vai de “pimenta, qualquer quantidade” até “e nada do anátema se apegará à tua mão”. A Mishná seguinte, “quem leva para fora o cesto dos mascates”, que é a Mishná Shabbat 9:7 da Mishná avulsa, é a da halachá 9:7, a última do perek. As diferenças de redação são pequenas. O Yerushalmi põe primeiro o pó do altar e depois as pedras, e a Mishná avulsa e a que o Bavli traz em Shabbat 90a põem primeiro as pedras e depois o pó, com “e”; o Yerushalmi escreve “mimekek… mimekek”, “do carcomido… do carcomido”, e a Mishná avulsa “mekek… umekek”, e o Bavli “mekak”; o Yerushalmi diz “kol shehen”, no plural, depois do carcomido, onde a Mishná avulsa e o Bavli dizem “kol shehu”; o Yerushalmi escreve “mipnei shematzniin”, “porque guardam”, e a Mishná avulsa e o Bavli só “shematzniin”; e, na palavra de Rabi Yehudá, a Mishná avulsa escreve “avodat kochavim” onde o Yerushalmi e o Bavli escrevem “avodá zará”, e o Bavli escreve “hamotzi meshamshei”, sem o “mi” que o Yerushalmi e a Mishná avulsa têm. As outras são de grafia ou de vocalização: “veitran” com yod no Yerushalmi e sem ele na Mishná avulsa; “matkhot” no Yerushalmi e “matakhot” na Mishná avulsa; “legonzan” no Yerushalmi e no Bavli, e “leganzan” na Mishná avulsa; a Mishná avulsa traz entre parênteses a referência do versículo. O Sefaria imprime no Yerushalmi “kol” e “mipnei” com uma vocalização que parece erro de impressão; o sentido é o mesmo, e conservamos o hebraico como está. A guemará é uma só baraita, com a palavra de Rabi Ila sobre ela, e não fala de nenhum dos itens da Mishná em particular.

Referências conferidas. O versículo da Mishná é Devarim 13:18, que diz por inteiro: “E nada do anátema se apegará à tua mão, para que o Eterno se desvie do ardor da sua ira e te dê misericórdia, e tenha misericórdia de ti, e te multiplique, como jurou a teus pais”. O Bavli traz a Mishná em Shabbat 90a e pergunta para que serve cada coisa: a pimenta, para o mau hálito; o itran, para a dor de metade da cabeça; e os metais, como ensina Rabi Shimon ben Elazar, porque deles se pode fazer um aguilhão pequeno. Ali também se encontra, como baraita, o primeiro ensino da nossa guemará: “quem leva para fora reiach ra, qualquer quantidade; óleo bom, qualquer quantidade; púrpura, qualquer quantidade; e betulat havered, uma”, que Rashi explica como uma única folha de rosa; Rashi explica ali que o reiach ra são as substâncias com que se defumam os doentes e as crianças, como a assa-fétida, para afastar deles os mazikin, os espíritos que causam dano. O Bavli não traz ali a palavra de Rabi Ila. O texto inteiro da nossa guemará se repete, quase igual, no Yerushalmi Shabbat 10:5, na numeração do Sefaria, sobre a Mishná Shabbat 10:5: “o morto na cama, culpado; e também o tamanho de uma azeitona do morto, e o tamanho de uma azeitona da carniça, e o tamanho de uma lentilha do réptil, culpado; e Rabi Shimon isenta”. Lá a guemará pergunta se o morto na cama é culpado na opinião de todos, e objeta: “não se ensina: também reiach ra, qualquer quantidade? E disse Rabi Ila: também Rabi Shimon concorda com isso; e Rabi Shimon concorda no caso dos issurei hanaá”; e Rabi Yudan responde: explica-se com o morto de um gentio, que não tem mau cheiro, e que alguém leva para fora para o seu cão.

Observações de leitura. Na Mishná, “kol shehu” é a medida mínima: quem leva para fora estas coisas é culpado por qualquer quantidade, ao contrário das coisas das halachot anteriores, que têm medidas. Do pó e das pedras do altar e do carcomido dos livros, a própria Mishná dá a razão: guardam-se para ser enterrados, e por isso até o pouco tem importância. “Itran” glosamos como alcatrão ou resina; a identificação é incerta. “Mekek”, que a Mishná diz dos livros e dos seus envoltórios, é o pó ou os pedaços que os vermes roeram; que se trate dos livros sagrados se deduz do “guardam para enterrar”. Na guemará, “reiach ra” é literalmente “mau cheiro”; o Bavli e Rashi entendem-no da substância de cheiro forte que se usa para defumar, e o paralelo de 10:5 liga-o ao morto, que cheira mal. A baraita não diz por que alguém é culpado pelo que tem mau cheiro; a razão fica implícita. A palavra de Rabi Ila diz que também Rabi Shimon concorda com a baraita; Rabi Shimon é o que, na Mishná 10:5, isenta quem leva para fora o morto ou o tamanho de uma azeitona do morto. A frase seguinte, “modei Rabi Shimon beissurei hanaá”, pode ser lida como afirmação, “Rabi Shimon concorda no caso das coisas de que é proibido tirar proveito”, ou como pergunta, “Rabi Shimon concorda no caso dessas coisas?”; o paralelo de 10:5 escreve “umodé”, “e concorda”, o que favorece a afirmação, e assim traduzimos. Os acessórios da idolatria, de que fala Rabi Yehudá na Mishná, são dessas coisas de que é proibido tirar proveito; a guemará não faz a ligação explicitamente.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz “pilpelet” por pimenta e lembra que Rashi a entende da pimenta verde, diferente do “pilpel”, a pimenta negra; traduz “itran” e diz que é provavelmente a seiva do pinheiro; entende os metais como barras de metal; e explica que o pó e as pedras do altar e os livros, por causa da sua santidade, quando se estragam devem ser enterrados e nunca podem ser jogados fora, e por isso até o mínimo tem valor. Na guemará, ele lê a última frase como afirmação, e assim a traduzimos. Na nota, ele observa que o primeiro ensino está também no Bavli, em Shabbat 90a, e pergunta: se Rabi Shimon concorda no caso dos issurei hanaá, por que a palavra sobre a idolatria vem na Mishná como opinião isolada de Rabi Yehudá? E acrescenta que, se Rabi Shimon não concordasse, haveria uma permissão geral de mover essas coisas, pois nunca podem ser transportadas para um fim legítimo. Estas observações são dele; o texto do Yerushalmi não as diz. No paralelo de 10:5, ele explica a resposta de Rabi Yudan: o morto de um gentio não é proibido para proveito, e, se não tem mau cheiro, nenhuma das duas exceções de Rabi Shimon se aplica.