Quinta halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin. A Mishná continua as medidas mínimas pelas quais é culpado quem transporta no Shabat: a terra, como o selo dos fardos de mercadoria, segundo Rabi Akiva, ou como o selo das cartas, segundo os sábios; o esterco e a areia fina, para estercar um talo de couve ou um alho-poró; a areia grossa, para pôr sobre uma colher cheia de cal; a cana, para fazer uma pena; e a cana grossa ou fendida, para cozinhar o mais leve dos ovos. A guemará traz, em nome de Rabi Chiya e de Rabi Yochanan, que a pena deve alcançar as articulações dos dedos, e Rabi Zeira pergunta até qual delas, como pergunta também sobre o estilete de escrever e apagar da Mishná de Kelim; e Rabi Yossi distingue o ovo de Kelim, que é um ovo de fato, do ovo do Shabat, medido como um figo seco. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 80b.
Mishná: Quem transporta adamá (terra) de um domínio a outro no Shabat é culpado se transportar como o necessário para o selo dos martzufim (fardos de mercadoria), palavras de Rabi Akiva; e os sábios dizem: como o necessário para o selo das cartas. Esterco e areia fina, o suficiente para estercar um talo de couve, palavras de Rabi Akiva; e os sábios dizem: o suficiente para estercar um kreishá (alho-poró). Areia grossa, o suficiente para pôr sobre uma colher cheia de cal. Cana, o suficiente para fazer um kulmos (pena de cálamo). Se a cana era grossa ou merussas (fendida), o suficiente para cozinhar o mais leve dos ovos, batido e posto na ilpas (caçarola).
Na Mishná: “Cana, o suficiente para fazer um kulmos” etc. Rabi Chiya, em nome de Rabi Yochanan: e isto, desde que o kulmos alcance as kishrei etzbeotav (as articulações dos seus dedos). Rabi Zeira perguntou: está bem até aqui, nesta articulação? Talvez até aqui, naquela? Lá ensinamos na Mishná: o machtev (estilete de escrever) do qual foi tirado o que escreve é tamê (impuro) por causa do que apaga; se foi tirado o que apaga, é impuro por causa do que escreve. Rabi Zeira perguntou: está bem até aqui, neste ponto? Talvez até aqui, naquele?
Disse Rabi Yossi: todo ovo que ensinamos em Kelim (o tratado dos utensílios) é como um ovo de fato; no Shabat, como uma grogeret (figo seco) do ovo.
Esta é a quinta halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin. A sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 8:5 da Mishná avulsa, como já se disse na nota da halachá 8:4, com pequenas diferenças de redação: a Mishná avulsa diz “e areia fina” com artigo, “e se era grossa”, com a conjunção, e “para cozinhar nela um ovo”, onde o Yerushalmi não traz “nela”. A Mishná avulsa 8:6, sobre o osso, o vidro e a pedra, corresponde à Mishná da halachá 8:6 do Yerushalmi. As palavras com que a guemará abre, “cana, o suficiente para fazer um kulmos”, são citação da própria Mishná desta halachá, e não de outra Mishná: a guemará não comenta a terra, o esterco e a areia, e passa direto à cana e ao ovo. No Bavli, esta Mishná está em Shabbat 80b, e a guemará sobre ela vai até o fim da mesma página; a Mishná seguinte, a do osso, abre Shabbat 81a.
Referências conferidas. Na seção 01, a medida da cana está na Tosefta Shabbat 8:21, na numeração da edição Lieberman no Sefaria: “cana, o suficiente para fazer um kulmos, que alcance as articulações dos seus dedos”, sem nome de autor; o Yerushalmi a traz em nome de Rabi Chiya, em nome de Rabi Yochanan. O Bavli, em Shabbat 80b, traz a mesma palavra como ensinamento tanaítico, “um kulmos que alcance as articulações dos seus dedos”, e ali Rav Ashi faz a pergunta paralela à de Rabi Zeira: “a articulação de cima ou a articulação de baixo?”, e a pergunta fica sem resposta, teiku (a questão fica de pé). A Mishná citada a seguir é Kelim 13:2, que traz o estilete numa lista de instrumentos de duas pontas e conclui: “a medida de todos eles é o suficiente para fazer o seu trabalho”. Na seção 02, a medida do ovo em Kelim está na Mishná Kelim 17:6: “o ovo de que falaram, nem grande nem pequeno, mas médio”. O Bavli, em Shabbat 80b, pergunta por que todas as medidas do Shabat são como uma grogeret e aqui como um ovo, e responde, em nome de Rav Nachman: “como uma grogeret do ovo leve”; e ali mesmo Rav Sheshet explica que o ovo leve é o ovo de galinha.
Observações de leitura. Na seção 01, o hebraico escreve “Rabi Zeura”, que é Rabi Zeira. A pergunta “está bem até aqui? Talvez até aqui?” supõe um gesto que aponta para duas partes, e o texto não diz quais são; os acréscimos “nesta articulação” e “naquela” apenas completam o gesto. Na pergunta sobre o estilete, entende-se que Rabi Zeira quer saber quanto deve restar de cada lado para que ainda sirva ao seu trabalho, mas o texto não o diz. O machtev é o estilete das tabuinhas de cera, com uma ponta para escrever e a outra, larga, para apagar; “o que escreve” e “o que apaga” traduzem literalmente “hakotev” e “hamochek”, isto é, a ponta e o lado largo. Na seção 02, “no Shabat, como uma grogeret do ovo” traduz literalmente “bashabat kigrogeret mikevetzá”; entende-se, à luz do Bavli, que a medida do Shabat não é cozinhar um ovo inteiro, mas a quantidade do ovo que equivale a uma grogeret. Na Mishná, “martzufim” são os fardos ou sacos de mercadoria que se selavam com terra; “merussas” é a cana fendida ou esmagada, que já não serve para pena; “ilpas” é a caçarola, do grego.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 01, Guggenheimer traduz “nicha ad hacha” por “entende-se até aqui”, e traduz o machtev por “pena”; e remete a palavra das articulações dos dedos ao Bavli 90b, mas ela está no Bavli 80b, e foi essa a referência que se conferiu e citou aqui. Na seção 02, traduz “kigrogeret mikevetzá” por “no volume de um figo seco, de um ovo”, e explica que o ovo leve tem o volume de um figo seco; seguimos o hebraico literal e deixamos a explicação do Bavli para esta nota.