Quarta halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin. A Mishná continua as medidas mínimas pelas quais é culpado quem transporta no Shabat: a cola, o suficiente para pôr na ponta da vara de apanhar pássaros; a argila, para fazer a boca do forno dos ourives, e, segundo Rabi Yehudá, para fazer um suporte; o farelo, para pôr sobre a boca do forno; e a cal, para untar a menor das meninas, e, segundo Rabi Yehudá e Rabi Nechemyá, para o cabelo da têmpora ou para a fronte. A guemará explica que a argila é a branca e traz, em nome de Shmuel, a medida do pó, o suficiente para cobrir o sangue de um pássaro pequeno; ensina que o caco e o junco, por mínimos que sejam, se movem dentro da casa, mas a tampa da talha lançada ao lixo já não se toca; e traz a palavra de Rabi, que divide as duas opiniões sobre a cal entre a cal feita como um ovo e a cal batida. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 80a.
Mishná: Quem transporta devek (cola) de um domínio a outro no Shabat é culpado se transportar o suficiente para pôr na ponta da shavshevet (a vara de apanhar pássaros); charsit (argila), o suficiente para fazer a boca do kur (forno de fundição) dos ourives de ouro; Rabi Yehudá diz: o suficiente para fazer um pitput (suporte). Subin (farelo), o suficiente para pôr sobre a boca do kur dos ourives de ouro. Cal, o suficiente para untar a menor das meninas; Rabi Yehudá diz: o suficiente para fazer um kilkul (o cabelo da têmpora); Rabi Nechemyá diz: o suficiente para fazer um andifi (a fronte).
Na Mishná: o que é charsit? A chivrá (a branca). Shmuel disse: a medida do pó é o suficiente para cobrir com ele o sangue de um pássaro pequeno. Shmuel ensinou numa baraita: pó e cinza, o suficiente para cobrir com eles o sangue de um pássaro pequeno.
Foi ensinado numa baraita: um cheres (caco de barro) por mínimo que seja e guemi (junco) por mínimo que seja, é permitido movê-los dentro da casa. Rabi Zeira, em nome de Shmuel: desde que sejam do muchan (o que está preparado para uso). E assim foi ensinado: a megufat chavit (a tampa de barro da talha) e os seus cacos, é permitido movê-los dentro da casa; se os lançou ao lixo, é proibido tocar neles.
Disse Rabi (Rabi Yehudá HaNassi): parecem acertadas as palavras de Rabi Yehudá quando a cal é feita como um ovo, e as palavras de Rabi Nechemyá, quando é batida.
Esta é a quarta halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin. A sua Mishná corresponde à Mishná Shabbat 8:4 da Mishná avulsa, sem o piche, o enxofre e a cera, que o Yerushalmi pôs no fim da Mishná da sua halachá 8:3: a Mishná avulsa 8:4 começa pela cola, passa ao piche, ao enxofre e à cera, e segue com a argila, o farelo e a cal, como aqui. A Mishná avulsa 8:5, sobre a terra, o esterco, a areia e a cana, corresponde à Mishná da halachá 8:5 do Yerushalmi. No Bavli, as Mishnayot 8:2, 8:3 e 8:4 da Mishná avulsa formam uma só Mishná, e a guemará sobre a parte correspondente a esta halachá vai de Shabbat 80a, “cola, o suficiente para pôr na ponta do shafshaf”, até Shabbat 80b, onde se discutem a cal, o kilkul e o andifi.
Referências conferidas. Na seção 01, a palavra está na Tosefta Shabbat 8:19, na numeração da edição Lieberman no Sefaria: “areia, pó e cinza, cuja medida é como a do esterco; Rabi Yishmael beRabi Yochanan ben Beroká diz: pó, o suficiente para cobrir com ele o sangue de um pássaro pequeno; qual é o pássaro pequeno? É o deror”. O Yerushalmi traz a medida em nome de Shmuel; a Tosefta, em nome de Rabi Yishmael beRabi Yochanan ben Beroká. O cobrir do sangue é o de Vayikrá 17:13, “e derramará o seu sangue e o cobrirá com pó”. Na seção 02, a baraita da tampa da talha está na Tosefta Shabbat 14:2, na mesma numeração: “a tampa da talha que se quebrou, ela e os seus cacos são movidos no Shabat”, e “se a lançou ao lixo, ela e os seus cacos não são movidos”; e o Bavli, em Shabbat 124b, traz, em nome de Shmuel, “a tampa da talha que se esmigalhou, é permitido movê-la no Shabat”, e a mesma baraita, “e, se a lançou ao lixo, é proibido”. A regra dos cacos está na Mishná Shabbat 17:5: “todos os utensílios que se movem no Shabat, os seus cacos se movem com eles, desde que façam algo semelhante a um trabalho”. Na seção 03, a palavra de Rabi está na Tosefta Shabbat 8:20, na mesma numeração, com as mesmas palavras: Rabi Yehudá quando é como um ovo, Rabi Nechemyá quando é batida; mas o Bavli, em Shabbat 80b, traz a baraita invertida: “parecem as palavras de Rabi Yehudá na batida, e as palavras de Rabi Nechemyá no ovo de cal”. Ali mesmo, Rav explica o kilkul e o andifi como “a têmpora e a abaixo da têmpora”, e a guemará ensina: “o suficiente para untar o dedo mínimo das meninas”. Sobre a Mishná, o Bavli, em Shabbat 80a, ensina que a cola é “o suficiente para pôr na ponta do shafshaf que está na ponta da vara dos caçadores”, e, sobre a argila, pergunta se a medida de Rabi Yehudá seria maior e corrige: “diz: o suficiente para untar o pitput de um fogareiro pequeno”.
Observações de leitura. Na Mishná, “shavshevet” é a palavra do Yerushalmi e da Mishná avulsa; o Bavli lê “shafshaf”; traduzimos pelo sentido que o Bavli dá, a vara do caçador de pássaros. O sentido exato de “pitput”, “kilkul” e “andifi” é incerto; as glosas seguem o que se depreende do Bavli. Na seção 01, “chivrá” é aramaico, o feminino de “branco”, e refere-se à terra da argila; “pó” traduz “afar”, a palavra do versículo. Na seção 02, o hebraico escreve “cheres” com a letra sin; “por mínimo que seja” traduz “kol shehu”; e o fim diz “é proibido tocar neles”, “assur liga bahen”, e não apenas “movê-los”. Na seção 03, “feita como um ovo” traduz “beasui kevetzá”, e entende-se a cal em pedaço, como um ovo; “batida” traduz “bechavut”, a cal desfeita; o sujeito, a cal, é acrescentado pelo contexto da Mishná.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 01, Guggenheimer traduz “chivrá” por “a cinzenta”, onde o hebraico diz “a branca”; e explica que o pássaro pequeno é o menor que um pombo, onde a Tosefta o identifica como o deror. Na seção 02, traduz o fim por “é proibido movê-los”, onde o hebraico diz “é proibido tocar neles”. Na Mishná, traduz a shavshevet por “armadilha”, o kilkul por “tratar a têmpora” e o andifi por “preparar maquiagem”.