Segunda halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin. A Mishná continua as medidas mínimas pelas quais é culpado quem transporta no Shabat: a corda, o suficiente para fazer uma alça para o cesto; o junco, para fazer um laço com que se pendura a peneira; e, para Rabi Yehudá, para fazer a medida do calçado de uma criança; o papel, para escrever um recibo de pedágio, e quem transporta o próprio recibo é culpado; e o papel apagado, para envolver a boca de um frasco de perfume. A guemará distingue a corda mole da dura e o junco de dentro do de fora; traz as medidas das fibras de palmeira, dos utensílios de vime, dos ramos de videira, dos pelos da cauda do cavalo, das cerdas de porco, dos caroços e das ervas; limita a medida de Rabi Yehudá à criança que já sabe calçar o sapato; ensina quando o recibo do cobrador e o documento de dívida ainda obrigam depois de mostrados; e termina com o papel apagado que ainda tem espaço para duas letras. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 78b.
Mishná: Quem transporta uma corda de um domínio a outro no Shabat é culpado se transportar o suficiente para fazer uma ozen (alça) para a kupá (cesto); gemi (junco), o suficiente para fazer um telai (laço para pendurar) para a nafá (peneira fina) e para a kevará (crivo). Rabi Yehudá diz: o suficiente para fazer com ele a midat minal (medida do calçado) para um pequeno. Neyar (papel), o suficiente para escrever sobre ele um kesher mochsin (recibo dos cobradores de pedágio); quem transporta um kesher mochsin é culpado. Neyar machuk (papel apagado), o suficiente para envolver a boca de uma pequena tzlochit (frasco) de palyaton (perfume).
Na Mishná: “Quem transporta uma corda, o suficiente para fazer uma alça para o cesto” etc. Isto que dizes é sobre esta corda mole; mas, sobre esta dura, o suficiente para cozinhar uma beitzá kalá (um ovo leve).
Na Mishná: “Gemi, o suficiente para fazer um telui (laço pendente) para a nafá e para a kevará.” Isto que dizes é sobre estes juncos de dentro; mas, sobre os de fora, a medida é o suficiente para fazer dois batim (laços) para a nafá e para a kevará. Foi ensinado numa baraita: “Hutzin (fibras de palmeira), o suficiente para fazer uma alça para a kefifá mitzrit (cesto egípcio).” Isto que dizes é sobre estas fibras moles; mas, sobre estas duras, a medida é o suficiente para fazer uma tzipporá (borda do cesto). Se transportou kelei netzarim (utensílios de vime), é culpado. Torei dekel (folhas de palmeira): dois. Ramos de videira, para plantar: dois; se para animal, como o encher da boca de um cabrito; se para lenha, conforme a medida da lenha. Se transportou dois pelos da cauda do cavalo ou da cauda da vaca, é culpado, pois os preparam para os nishbin (laços de caça). Cerdas de porco: há tanaim (recitadores de baraitot) que ensinam: duas; há tanaim que ensinam: uma. Quem diz “duas” fala destas cerdas moles; quem diz “uma”, destas duras. Caroços, para plantar: dois; se para animal, como o encher da boca de um porco. Quanto é o encher da sua boca? Um. Acherim (outros sábios) dizem: para a conta, cinco. Se transportou sia (segurelha), ezov (hissopo) e kurnit (tomilho): se para alimento, como um figo seco; se para animal, como o encher da boca de um cabrito; se para lenha, conforme a medida da lenha; se para hazaá (aspersão), conforme a medida da aspersão.
Na Mishná: “Rabi Yehudá diz: o suficiente para fazer com ele a medida do calçado para um pequeno.” E desde que seja um pequeno que sabe calçar o sapato.
Na Mishná: “Quem transporta um kesher mochsin” etc. Foi ensinado numa baraita: “Se transportou um kesher mochsin, antes de mostrá-lo ao mochés (cobrador de pedágio), é culpado; depois de mostrá-lo ao mochés, é isento. Rabi Yehudá diz: mesmo depois de mostrá-lo ao mochés, é culpado, pois o recibo é próprio para mostrá-lo a outro mochés. Se transportou um shtar chov (documento de dívida), antes de mostrá-lo ao baal chov (devedor), é culpado; depois de mostrá-lo ao baal chov, é isento. Rabi Yehudá diz: mesmo depois de mostrá-lo ao baal chov, é culpado, pois o documento é próprio para mostrá-lo a outro baal chov.”
Na Mishná: “Neyar machuk.” Foi ensinado numa baraita: “Se há nele chalak (parte lisa, em branco) o suficiente para escrever duas letras, é culpado.”
Esta é a segunda halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin, e corresponde à Mishná Shabbat 8:2 da Mishná avulsa, que vai de “quem transporta uma corda” até “o suficiente para envolver a boca de uma pequena tzlochit de palyaton”; a Mishná do Yerushalmi tem exatamente a mesma extensão. A halachá 8:1 tratou das medidas dos líquidos; esta passa às da corda, do junco e do papel, e a Mishná seguinte, a do couro, do pergaminho e da tinta, fica para a halachá 8:3. No Bavli, esta Mishná começa no fim de Shabbat 78a e prossegue em 78b, onde forma uma só Mishná com as duas seguintes da Mishná avulsa, 8:3 e 8:4; a guemará começa em Shabbat 78b.
Referências conferidas. Na seção 01, a beitzá kalá como medida da lenha está na Mishná Shabbat 8:5, onde a cana grossa se mede pelo “suficiente para cozinhar com ela um ovo leve, o mais leve dos ovos, batido e posto na caçarola”; e o Bavli, em Shabbat 90b, diz dos caroços: “se para acender, o suficiente para cozinhar uma beitzá kalá”. Na seção 02, a baraita dos hutzin está na Tosefta Shabbat 8:9, na numeração do Sefaria, e no Bavli, em Shabbat 78b, onde se lê “hutzin, o suficiente para fazer uma alça para o cesto, kefifá mitzrit”; os ramos de videira, as ervas e os caroços estão na Tosefta Shabbat 8:31, que diz, porém, “torei dekel, um” e “ramo para plantar, um”, onde o Yerushalmi diz “dois”, e termina com “Acherim dizem: para a conta, cinco”; sobre os utensílios, compare-se a Tosefta Shabbat 9:4: “quem transporta utensílios, quer grandes, quer pequenos, é culpado”; os pelos da cauda do cavalo e da vaca estão na Tosefta Shabbat 9:1 e no Bavli, em Shabbat 90b; as cerdas de porco estão na Tosefta Shabbat 9:2, onde o primeiro tana diz “duas” e Rabi Shimon ben Elazar diz “mesmo uma”, e no Bavli, em Shabbat 90b, que diz só “uma”; os caroços estão também no Bavli, em Shabbat 90b: para plantar, dois; para comer, o encher da boca de um porco, que é um; para a conta, dois; Acherim dizem: cinco. A aspersão com o hissopo é a de Bamidbar 19:18. Na seção 04, a primeira baraita está na Tosefta Shabbat 8:11, onde Rabi Yehudá dá como razão que o guarda “para mostrá-lo ao dono do pedágio”, e no Bavli, em Shabbat 78b, onde a razão é “porque precisa dele”, e Rav Ashi explica que precisa mostrá-lo a um segundo mochés. A segunda tem paralelo na Tosefta Shabbat 8:12, que fala de um documento já pago e onde Rabi Yehudá diz que o guarda “para mostrá-lo ao seu baal chov”, e no Bavli, em Shabbat 78b, que diz “antes de pagá-lo” e “depois de pagá-lo”, em vez de “antes de mostrá-lo” e “depois de mostrá-lo”. Na seção 05, o Bavli, em Shabbat 78b, traz: “quem transporta papel apagado e documento pago, se há na sua parte branca o suficiente para escrever duas letras, ou em todo ele o suficiente para envolver a boca de uma pequena tzlochit de palyaton, é culpado”; o mesmo está na Tosefta Shabbat 8:12.
Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “lasot mimenu midat minal”, “fazer com ele a medida do calçado”, onde a Mishná avulsa e o Bavli escrevem “litol mimenu”, “tomar com ele”; escreve “hamotzi kesher mochsin”, sem o “e” da Mishná avulsa; e a guemará, na seção 02, cita “telui” onde a Mishná diz “telai”; conservamos o hebraico como está. Na seção 01, “mole” e “dura” estão no feminino singular e referem-se à corda. Na seção 02, “de dentro” e “de fora” traduzem “gavaya” e “baraya”, ao pé da letra “os interiores” e “os exteriores”; “batim” quer dizer, ao pé da letra, “casas”, isto é, laços ou malhas; tzipporá é de sentido incerto, e Guggenheimer o traduz por “borda”; torei dekel também é de sentido incerto, e o Bavli, em Shabbat 90b, distingue torei dekel de tzurei dekel; a identificação de sia, ezov e kurnit como segurelha, hissopo e tomilho segue Guggenheimer, que segue o Rambam. A frase “Acherim dizem: para a conta, cinco” traduz “cheshbon chamesh”, ao pé da letra “conta, cinco”; a Tosefta e o Bavli mostram que se trata dos caroços usados para contar. Na seção 03, “calçar” traduz “lin’ol”. Na seção 04, a palavra “baal chov” pode designar tanto o credor quanto o devedor; aqui, quem leva o documento é o credor, e por isso a glosamos como “devedor”, como Guggenheimer. Na seção 05, “chalak” é a parte lisa, sem escrita.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 01, Guggenheimer explica que a corda dura se mede como combustível. Na seção 02, explica que o junco de fora serve para fazer malhas, e que um utensílio completo obriga mesmo em miniatura; atribui o “mesmo uma” da Tosefta a Rabi Shimon, quando a Tosefta diz Rabi Shimon ben Elazar; remete a baraita dos hutzin a Shabbat 68b, quando ela está em Shabbat 78b; e lê “cheshbon chamesh” como “o número cinco”, isto é, como medida da boca do porco, onde seguimos a Tosefta e o Bavli. Na seção 03, traduz “lin’ol” por “amarrar”, e explica que se trata da criança que não precisa de ajuda para se calçar. Na seção 04, remete o paralelo do documento de dívida a Shabbat 78a, quando ele está em Shabbat 78b. Na seção 05, explica que é culpado mesmo que o papel não baste para envolver o frasco.