Primeira halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, que abre o oitavo capítulo, HaMotzi Yayin. A Mishná ensina as medidas mínimas pelas quais é culpado quem transporta líquidos no Shabat: o vinho, o suficiente para diluir o copo; o leite, para um gole; o mel, para pôr sobre a ferida; o azeite, para untar um membro pequeno; a água, para dissolver o colírio; e todos os demais líquidos e os de despejo, numa reviit; e Rabi Shimon diz que todos se medem numa reviit e que aquelas medidas só foram ditas para os que os guardam. A guemará pergunta qual é a medida dos copos e a aprende dos quatro copos de Pessach; discute se se cumprem bebidos de uma só vez ou espaçados, com vinho da sheviit, temperado, diluído, vermelho ou cozido; conta de Rabi Yudá beRabi Ilai e de Rabi Abahu, cujos rostos brilhavam por causa do estudo; mede o log da Torá e o copo; traz o caso da mula da casa de Rabi e o sangue das carcaças; explica uma a uma as medidas da Mishná; e termina com os que guardam e os que transportam. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 77a.
Mishná: Quem transporta vinho de um domínio a outro no Shabat é culpado se transportar o suficiente para a mezigat hakos (diluir o copo); leite, o suficiente para uma gemiá (gole); mel, o suficiente para pôr sobre a katit (ferida); azeite, o suficiente para lasuch ever katan (untar um membro pequeno); água, o suficiente para dissolver com ela a kilorit (colírio). E todos os demais líquidos, a medida é numa reviit (um quarto de log); e todos os shofchin (líquidos de despejo), numa reviit. Rabi Shimon diz: todos eles se medem numa reviit; não foram ditas todas estas medidas senão para os matzniyehen (os que os guardam).
Na Mishná: “Quem transporta vinho, o suficiente para diluir o copo” etc. Rabi Zeira perguntou a Rabi Yoshiyá: quanto é a medida dos copos de que falam os sábios? Disse-lhe: aprendamos o que está fechado a partir do que está explícito, pois ensinou Rabi Chiya numa baraita: os quatro copos que disseram os sábios, para a noite de Pessach, contêm todos juntos uma reviit de vinho pela medida italiana.
Lá ensinamos na Mishná: “Removem-se no Shabat quatro e cinco cestos de palha e de grão” (Mishná Shabbat 18:1). Rabi Zeira perguntou a Rabi Yoshiyá: quanto é a medida do cesto de que fala ali? Disse-lhe: aprendamos o que está fechado a partir do que está explícito, pois lá ensinamos na Mishná: “Com três cestos de três seá cada um se faz a terumá (a retirada) da lishká (a câmara dos siclos no Templo)” (Mishná Shekalim 3:2).
Rabi Yossi beRabi Bun disse em nome de Rabi Yochanan: a nossa Mishná é de Rabi Yehudá, pois foi ensinado numa baraita: “Água, o suficiente para uma gemiá; Rabi Yudá diz: o suficiente para diluir o copo. Vinho, o suficiente para uma gemiá; Rabi Yudá diz: o suficiente para diluir o copo.” O vinho diluído, em quanto se mede? Ouçamo-lo a partir desta baraita: “Água, o suficiente para uma gemiá; Rabi Yehudá diz: o suficiente para diluir o copo. Vinho, o suficiente para uma gemiá; Rabi Yehudá diz: o suficiente para diluir o copo.” Isto diz: o vinho diluído se mede assim, mesmo em vários copos. Quanto é a medida dos copos de que se fala? Rabi Avun disse: é o teitartin e um quarto.
O que é a lei quanto a bebê-los todos de uma só vez? A partir do que disse Rabi Yochanan sobre o Halel: se o ouviu na sinagoga, cumpriu a sua obrigação; isto diz: mesmo que os tenha bebido de uma só vez, cumpriu a obrigação. O que é a lei quanto a bebê-los mefusakin (espaçados)? Acaso disseram os sábios algo além de que beba, e não que se embriague? Se ele os bebe espaçados, também ele não se embriaga. O que é a lei quanto a cumprir a obrigação com vinho da sheviit (o ano sabático)? Ensinou Rabi Hoshayá: cumpre-se a obrigação com vinho da sheviit. O que é a lei quanto a cumprir com konditon (vinho temperado)? A partir do que ensinou Bar Kapara: “O konditon é como vinho”; isto diz: cumpre-se com konditon. O que é a lei quanto a cumprir com copos diluídos? A partir do que ensinou Rabi Chiya: “Os quatro copos que disseram os sábios, cumpre-se com eles, quer sem diluir, quer diluídos, desde que haja neles o sabor e a aparência do vinho.” Disse Rabi Yirmeyá: é mitzvá cumprir com vinho vermelho. Qual é a razão? “Não olhes o vinho quando se avermelha” (Mishlei 23:31). Foi ensinado: vinho cozido, a medida é o suficiente para temperar a comida. O que é a lei quanto a cumprir com vinho cozido? Rabi Yona disse: cumpre-se com vinho cozido. Rabi Yona segue a sua opinião, pois Rabi Yona bebeu os quatro copos da noite de Pessach e atou a sua cabeça de dor até a Atzeret (a festa de Shavuot).
Rabi Yudá beRabi Ilai bebeu os quatro copos da noite de Pessach e atou a sua cabeça de dor até o Chag (a festa de Sucot). Viu-o uma matroná (dama romana), e o seu rosto estava brilhante. Disse-lhe ela: velho, velho, uma de três coisas há em ti: ou és bebedor de vinho, ou és quem empresta a juros, ou és criador de porcos. Disse-lhe ele: que se esvaia o espírito daquela mulher! Nem uma sequer das três coisas há em mim, mas o meu estudo está sempre presente comigo, pois está escrito: “A sabedoria do homem ilumina o seu rosto” (Kohelet 8:1).
Rabi Abahu desceu a Tiberíades. Viram-no os alunos de Rabi Yochanan, e o seu rosto estava brilhante. Disseram diante de Rabi Yochanan: Rabi Abahu achou um tesouro. Disse-lhes: por quê o dizeis? Disseram-lhe: o seu rosto brilha. Disse-lhes: talvez tenha ouvido um ensinamento de Torá novo. Subiu até ele. Disse-lhe: que ensinamento de Torá novo ouviste? Disse-lhe: uma Tosefta antiga. E leu sobre ele o versículo: “A sabedoria do homem ilumina o seu rosto.”
Rabi Chanina disse: o log da Torá é a tomanta (oitava) antiga de muryes (salmoura de peixe) de Tzipori. Rabi Yona disse: eu a conheço, pois os da casa de Rabi Yanai mediam com ela o mel. Foi ensinado: o log é a metade da oitava tiberiense antiga. Rabi Yochanan disse: esta, a nossa, era essa medida. E por que não disse ele “antiga”? Porque ela existia nos seus dias. Há os que dizem: que ela era pequena, e aumentou, e diminuiu, e não diminuiu até quanto era antes. Quanto é a medida do copo? Rabi Yossi disse em nome de Rabi Yudá bar Pazi, e Rabi Yossi beRabi Bun em nome de Shmuel: dois dedos por dois dedos, numa altura de um dedo e meio e um terço de dedo. Foi ensinado: vinho seco, na medida de uma azeitona; são palavras de Rabi Natan. Os rabanan de Kessarin (Cesareia) disseram em nome de Rabi Yossi beRabi Bun em nome de Rabi Yochanan: a opinião de Rabi Natan vem conforme Rabi Shimon. Assim como Rabi Shimon diz “numa reviit”, assim Rabi Natan diz “numa reviit”: quando o vinho coagular, haverá nele o volume de uma azeitona.
Rabi Simon disse em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: aconteceu com uma mula da casa de Rabi, que morreu, e declararam puro o seu sangue quanto à impureza de neveilá (carcaça). Rabi Elazar perguntou a Rabi Simon: até quanto é puro? E não lhe respondeu nada. Perguntou então a Rabi Yehoshua ben Levi, e disse-lhe: até uma reviit, é puro; mais do que isso, é impuro. E pareceu mal a Rabi Elazar que Rabi Simon não lhe tivesse repetido a tradição. Rav Bevai estava sentado ensinando este caso. Disse-lhe Rabi Yitzchak bar Kahana: até uma reviit, é puro; mais do que isso, é impuro? E repeliu-o. Disse-lhe Rabi Zerikan: porque ele te perguntou, tu o repeles? Disse-lhe: é que a minha mente não estava comigo, como disse Rabi Chanin: “E a tua vida estará suspensa diante de ti” (Devarim 28:66): este é o que compra trigo para o ano inteiro; “e temerás noite e dia”: este é o que compra do sidki; “e não crerás na tua vida”: este é o que compra do palter (o vendedor de pão). E eu sou dependente do palter. Como fica isto, então? Ensina a Mishná: “Testemunhou Rabi Yehoshua ben Beteira sobre o sangue das carcaças, que é puro” (Mishná Eduyot 8:1). O que é “puro”? Puro quanto a lehachshir (tornar os alimentos suscetíveis à impureza); mas, para tornar impuro, torna impuro. Lá ensinamos na Mishná: “O sangue do sheretz (réptil impuro), na sua carne, torna impuro e não torna suscetível, e não temos outro como ele” (Mishná Machshirin 6:5). “E não temos outro como ele”: isto é, quanto à medida da sua impureza; mas o seu sangue torna impuro como a sua carne. Rav Yossef disse: quem diz “impuro” é conforme Rabi Yehudá; quem diz “puro” é conforme Rabi Yehoshua ben Beteira. Disse-lhe Rav Evdumá Nechutá: e com razão, pois Rabi Yehudá era o moryana (o mestre que ensinava a halachá) do Nasi.
Foi ensinado numa baraita: “Sangue, o suficiente para pintar com ele um só olho.” Rabi Yossi beRabi Bun disse em nome de Rabi Yochanan: foi sobre o sangue do morcego que o ensinaram os sábios.
Na Mishná: “Leite.” Isto que dizes é sobre leite de animal puro; mas, sobre leite de animal impuro, a medida é o suficiente para pintar com ele um só olho.
Na Mishná: “Mel.” Isto que dizes é sobre este mel velho; mas, sobre este nosso, a medida é o suficiente para cozinhar uma beitzá kalá (um ovo leve).
Na Mishná: “Azeite, o suficiente para untar um membro pequeno”: e desde que seja um membro pequeno de um pequeno de um dia, recém-nascido.
Na Mishná: “Água, o suficiente para dissolver a kilorit.” Rabi Elazar disse: isto que dizes é sobre estas águas de orvalho; mas, sobre estas nossas, a medida é o suficiente para enxaguar a face do almofariz.
Na Mishná: “E todos os demais líquidos, numa reviit; e todos os shofchin, numa reviit.” Rabi Ba disse em nome de Rav Chisda: é em quem se muda de casa para casa que trata a Mishná.
Na Mishná: “Rabi Shimon diz: todos eles numa reviit.” Os sábios respondem a Rabi Shimon: é possível dizer que a medida do mel é numa reviit, e a do vinagre numa reviit? E ele lhes responde: assim como vós tendes como regra que todos os alimentos se somam na medida de uma kotevet (tâmara), assim também nós temos como regra que todos os líquidos se somam numa reviit.
Na Mishná: “Não foram ditas todas estas medidas senão para os que os guardam.” Rabi Mana disse: para os que os guardam, é culpado por qualquer quantidade. E ensina-se numa baraita assim sobre a opinião de Rabi Shimon: “Não foram ditas todas estas medidas senão para os que os transportam; mas, para os que os guardam, é culpado por qualquer quantidade.” E ensina-se numa baraita assim sobre a opinião dos rabanan: “Não foram ditas todas estas medidas senão para os que os guardam; mas, para os que os transportam, a medida é numa reviit.”
Esta é a primeira halachá do Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin, que corresponde à Mishná Shabbat 8:1 da Mishná avulsa. O Perek Zayin terminou com as medidas mínimas do transporte da palha, da forragem, das ervas e dos alimentos. O Perek Chet passa às medidas dos líquidos e de outros objetos; a Mishná seguinte, a de quem transporta uma corda, fica para a halachá 8:2. No Bavli, esta Mishná está no fim de Shabbat 76b, onde também começa a guemará, com o copo bonito, que é o copo da bênção; a discussão continua em Shabbat 77a.
Referências conferidas. Na seção 01, o Bavli, em Pessachim 108b, traz a baraita: “estes quatro copos precisam ter neles a medida de uma reviit”, e conclui que essa medida e a do copo bonito são uma só; e, em Shabbat 76b, Rav Nachman, em nome de Rabá bar Avuha, diz que o copo da bênção precisa ter um quarto de reviit de vinho, para que seja diluído e chegue a uma reviit. Na seção 02, a primeira Mishná é a Mishná Shabbat 18:1, “removem-se mesmo quatro e cinco cestos de palha e de grão, por causa dos hóspedes e da interrupção da casa de estudo”, e a segunda é a Mishná Shekalim 3:2. Na seção 03, a baraita corresponde à Tosefta Shabbat 9:7, na numeração do Sefaria, onde se lê: “quem transporta vinho, o suficiente para um gole; Rabi Yehudá diz: o suficiente para diluir o copo”, e “água, o suficiente para um gole; Rabi Yehudá diz: o suficiente para dissolver nela a kilor”; ali está também “seco, uma azeitona, palavras de Rabi Natan”, da seção 07. Na seção 04, o versículo é Mishlei 23:31; o Bavli, em Pessachim 108b, diz que quem bebeu os quatro copos de uma só vez cumpriu, e traz a baraita “tanto sem diluir quanto diluído”, onde o sabor e a aparência do vinho são exigidos em nome de Rabi Yehudá. Nas seções 05 e 06, o versículo é Kohelet 8:1; o Bavli, em Nedarim 49b, conta que uma matroná disse a Rabi Yehudá: mestre e embriagado?, e ele respondeu que só provava o vinho do kidush, da havdalá e dos quatro copos de Pessach, e que atava as têmporas de Pessach até a Atzeret, e citou o mesmo versículo; em Berachot 55a, uma matroná diz a Rabi Yehudá beRabi Ilai que o seu rosto se parece com o dos criadores de porcos e o dos que emprestam a juros. Na seção 07, o Bavli, em Pessachim 109a, diz em nome de Rabi Yitzchak que a medida de muryes de Tzipori era como o log do Santuário, e em nome de Rabi Yochanan que a oitava antiga de Tiberíades era maior que ela em um quarto; e traz a medida de Rav Chisda para a reviit, com números diferentes; o Bavli, em Shabbat 77a, traz “seco, uma azeitona, palavras de Rabi Natan”. Na seção 08, o versículo é Devarim 28:66; as Mishnayot são a Mishná Eduyot 8:1 e a Mishná Machshirin 6:5; a opinião de Rabi Yehudá é a da Mishná Eduyot 5:1, segundo a qual, quanto ao sangue das carcaças, a escola de Shamai declara puro e a escola de Hilel declara impuro; o Bavli, em Menachot 103b e 104a, conta o mesmo caso da mula, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, a mesma exposição de Rabi Chanin, e diz que Rabi Yehudá era o moryana da casa do Nasi, e traz, em nome de Rabi Yossi beRabi Yehudá, que a escola de Hilel só declarou impuro numa reviit, porque pode coagular e chegar a uma azeitona. Na seção 09, a baraita corresponde à Tosefta Shabbat 9:7, onde Raban Shimon ben Gamliel diz: “sangue, o suficiente para pintar um olho”, e o Bavli, em Shabbat 78a, a traz com explicações sobre que sangue é esse. Na seção 10, a Tosefta Shabbat 9:7 e o Bavli, em Shabbat 77b, distinguem o leite de animal do leite de mulher. Na seção 12, a Tosefta Shabbat 9:6 traz, em nome de Rabi Shimon ben Elazar, “um pequeno de um dia”, e o Bavli, em Shabbat 77b e 78a, discute a mesma explicação, na escola de Rabi Yanai. Na seção 13, o Bavli discute a medida da água em Shabbat 78a. Na seção 15, a regra dos alimentos que se somam está na Mishná Shabbat 7:4. Na seção 16, a Mishná Shabbat 10:1 diz que quem guardou para semente, para amostra ou para remédio e transportou é culpado por qualquer quantidade; e o Bavli, em Shabbat 78a, traz a baraita em que os sábios dizem que as medidas são para quem transporta, e para quem guarda, qualquer quantidade, e Rabi Shimon diz que são para quem guarda, e para quem transporta, só numa reviit.
Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “lashuf et hakilorit”, onde a Mishná avulsa e o Bavli escrevem “lashuf bahem et hakilor”, “dissolver com ela o colírio”; escreve “kulan bareviit lo neemru kol hashiurin haelu”, onde a Mishná avulsa escreve “kulan bireviit, velo amru kol hashiurin halalu”; e escreve “evar”, onde a Mishná avulsa escreve “ever”; o sentido é o mesmo, e conservamos o hebraico como está. Nas seções 01 e 02, o hebraico escreve “Rabi Zeura”, que é Rabi Zeira. Na seção 03, a baraita escreve “gemiyá”, com yod, onde a Mishná escreve “gemiá”, com ayin; o Bavli, em Shabbat 77a, pergunta se a palavra se escreve com alef ou com ayin. A baraita aparece duas vezes, a primeira com “Rabi Yudá” e a segunda com “Rabi Yehudá”, e conservamos as duas formas; na Tosefta, para a água, Rabi Yehudá diz “para dissolver a kilor”, e não “para diluir o copo”. A frase “isto diz: diluído, mesmo em vários copos” é obscura, e Guggenheimer prefere a leitura do paralelo em Shekalim, “diluído para um copo”. A palavra teitartin é de sentido incerto: Guggenheimer a entende como a palavra grega para “quarto”, e cita Lieberman, para quem “e um quarto” deve ser lido “é um quarto”; deixamo-la transliterada. Na seção 04, mefusakin quer dizer, ao pé da letra, “separados”, isto é, bebidos com intervalos; o hebraico diz “também ele não se embriaga”, como afirmação, e Guggenheimer o lê como pergunta, “acaso não se embriaga?”; seguimos o hebraico. Konditon é o vinho temperado com especiarias, do latim conditum. “Atou a sua cabeça” traduz “chazak reishei”, ao pé da letra “apertou a sua cabeça”. Na seção 05, o Chag é a festa de Sucot; o Bavli, em Nedarim 49b, diz “até a Atzeret”. Na seção 07, tomanta é a palavra aramaica para “oitava”, e muryes é a salmoura de peixe; o hebraico não diz “vinho” na frase “seco, uma azeitona”, e o acrescentamos pela Tosefta e pelo Bavli, onde a frase segue a medida do vinho. Na seção 08, sidki é de sentido incerto: Guggenheimer, seguindo Löw, lê “siraki”, o sarraceno, e o Bavli, em Menachot 103b, diz no lugar dele “o que compra grão de véspera de Shabat a véspera de Shabat”; deixamo-lo transliterado. O hebraico escreve “teluyim” no versículo, onde o texto bíblico escreve “teluim”, e escreve “bivsaró”, “na sua carne”, onde a Mishná Machshirin escreve “kivsaró”, “como a sua carne”; traduzimos o hebraico como está. “E pareceu mal” traduz “uveesh”; “e repeliu-o” traduz “uveit bei”, ao pé da letra “deu-lhe um coice”. Nechutá designa os sábios que desciam da Terra de Israel para a Babilônia. O hebraico escreve “Beteira” uma vez com alef e outra com he, e “Rabi Lazar”, na seção 13, é Rabi Elazar. Na seção 11, beitzá kalá quer dizer, ao pé da letra, “um ovo leve”; o sentido exato é incerto, e por isso o deixamos transliterado. Na seção 15, o hebraico diz kotevet, a tâmara, onde a Mishná Shabbat 7:4 diz que os alimentos se somam na medida de um figo seco; Guggenheimer considera “tâmara” um erro de copista. Na seção 16, “sobre a opinião de” traduz o hebraico “al de”, que pode querer dizer “conforme” ou “contra”; Guggenheimer traduz “contra Rabi Shimon” e “contra os rabanan”, o que concorda com o Bavli, em Shabbat 78a, onde as opiniões aparecem invertidas.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 01, Guggenheimer explica que, se os quatro copos somam uma reviit de vinho, cada copo leva um quarto de reviit de vinho e três quartos de água. Na seção 04, ele entende que Rabi Yona permitiu o vinho cozido, sem álcool, por causa da dor de cabeça que os quatro copos lhe causavam. Na seção 08, ele explica que o sangue da mula foi declarado puro apenas quanto a tornar os alimentos suscetíveis à impureza, e que Rabi Yehudá não pode ter sido o mestre do próprio Rabi, mas do seu pai, Raban Shimon ben Gamliel. Na seção 14, ele explica que quem se muda de casa usa as águas de despejo para limpar a casa nova. Na seção 15, ele explica que, para Rabi Shimon, todos os líquidos se somam para a culpa, ao passo que, para os sábios, materiais de medidas diferentes não se somam.
Com esta halachá, abre-se o Perek Chet de Massechet Shabbat, HaMotzi Yayin (הַמּוֹצִיא יַיִן).