Quinta halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá. A Mishná volta à mulher: ela sai no Shabat com fios de cabelo, sejam dos seus, da sua companheira ou de um animal; com a totefet e os sanbutin, quando costurados; com o kavul e o cabelo postiço, no pátio; com o chumaço no ouvido, na sandália ou o que preparou para a sua menstruação; e com a pimenta e o grão de sal na boca, desde que não os ponha pela primeira vez no Shabat; e, sobre o dente postiço e o dente de ouro, Rabi permite e os sábios proíbem. A guemará exige que a moça não saia com os cabelos de uma velha nem a velha com os de uma moça, e distingue os fios das meninas; discute por que os companheiros de Rabi Yanai Zeira o repreenderam quando quis recolocar no ouvido o chumaço que caíra; dá, com Rabi Yossi, a razão da proibição dos dentes; conta de Rabi Yassa e Rabi Imi, um com dor de dente e outro com dor de ouvido; e termina com o alcance do “não o recoloque”. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 64b.
Mishná: Sai a mulher no Shabat com chutei sear (fios de cabelo) trançados no seu cabelo, seja dos seus, seja dos da sua companheira, seja dos de um animal; e com a totefet (faixa frontal) e com os sanbutin (pingentes que descem até as faces), quando estão costurados à touca; e com o kavul (touca de lã) e com a peá nochrit (cabelo postiço) no pátio, mas não ao domínio público; e com o mok (chumaço de algodão ou de lã) que está no seu ouvido, e com o mok que está na sua sandália, e com o mok que preparou para a sua nidá (menstruação). Sai também com pilpel (pimenta), e com gargir melach (grão de sal), e com qualquer coisa que ponha dentro da sua boca contra o mau hálito, desde que não a ponha pela primeira vez no Shabat; e, se aquilo caiu da boca, não o recoloque. Shen totevet (dente postiço) e dente de ouro: Rabi (Rabi Yehudá HaNassi) permite sair com eles, e os sábios proíbem.
Anan kar Imi disse diante de Rabi Yehudá, em nome de Menashya bar Menashe Yirmeyá: a mulher sai com fios de cabelo, desde que não saia nem a moça com os fios de uma velha, nem a velha com os fios de uma moça, pois a cor não combinaria com o seu próprio cabelo. Mas não ensinamos na Mishná, sem essa condição: “As meninas saem com chutin (fios)” (Mishná Shabbat 6:6)? Rabi Ba disse em nome de Rav Yehudá: lá se fala até de um fio enrolado no pescoço dela, e não no cabelo. Rabi Shmuel disse em nome de Rabi Zeira: lá, com os fios das meninas, ainda que ela não possa trazer o seu chotmah (o seu nariz) ao seu cabelo, ela sai com eles; mas aqui, na nossa Mishná, que fala de fios de cabelo, não saia nem a moça com os fios de uma velha, nem a velha com os fios de uma moça.
Rabi Abahu disse: tudo o que é tossav (fixado) no cabelo chama-se peá (cabelo postiço), como a peá nochrit da Mishná. Rabi Yanai Zeira (o menor): caiu-lhe o oded (chumaço) do seu ouvido, e ele quis recolocá-lo no Shabat; e os seus companheiros o repreenderam por causa de tachshit (adorno). Em que pensavam? Rabi Yanai pensava dizer: o óleo no chumaço é o que cura o ouvido; e os sábios pensavam dizer: o mok é o que cura. Mas não disse assim Rav Yehudá em nome de Rav Zeira: quem sente dor no seu ouvido põe óleo sobre a sua cabeça e sussurra um encantamento, desde que não o ponha nem com a mão nem com utensílio? Então, talvez Rabi Yanai pensasse dizer: a halachá é como Rabi Yossi, que permite mover no Shabat as tampas dos utensílios mesmo sem alça; e os seus companheiros pensavam dizer: a halachá não é como Rabi Yossi. Mas não disse assim Rabi Ba bar Kahana, Rav Chiya bar Ashi, em nome de Rav: a halachá é como Rabi Yossi? Então, talvez Rabi Yanai pensasse dizer: o ser humano, não o fizeram como karká (solo); e os seus companheiros pensavam dizer: o ser humano é como o solo, cuja tampa sem alça não se move. Mas não disse assim Rabi Zeira: Rav Chiya bar Ashi fez para si um beit yad (alça) para o mok que estava no seu ouvido? E por isso pensam dizer que o ser humano é como o solo? E é assim? Mas assim é: Rabi Yanai pensava dizer: não shachiach (se esquece) e anda com eles quatro côvados no domínio público; e os seus companheiros pensavam dizer: shachiach, esquece-se, e anda com eles quatro côvados.
Rabi Mana disse: ouvi uma razão para isto de Rabi Shmuel, em nome de Rabi Zeira, e não sei o que ouvi. Mai kedon (como é, então, a razão da proibição dos sábios)? Rabi Yossi disse: é razoável que, com o dente de ouro, que lhe ficou caro, ela não saia, pois, se ele cair, ela o guardará e o recolocará. Mas, quanto ao shen totevet, que tens a dizer? Também nele ainda ela se envergonha de dizer ao nagara (carpinteiro): faze-me outro; e, por isso, se ele cair, ela o recolocará.
Rabi Yassa e Rabi Imi: um deles sentiu dor nos seus dentes, e o seu colega lhe deu instrução sobre o que fazer no Shabat; o outro sentiu dor no seu ouvido, e o seu colega lhe deu instrução. E não sabemos o que disse este e o que disse aquele. Mas sabe-se pelo que Rabi Yassa perguntou ao asya (médico) de Rabi Yaakov bar Acha: como está o dente de Rabi Yaakov bar Acha, nosso companheiro? E, pelo que Rabi Yassa não disse palavra vã em todos os seus dias, conclui-se que foi ele quem deu instrução sobre o dente.
Rabi Yanai explica-o, o “se caiu, não o recoloque” da Mishná, sobre o pilpel e sobre o gargir melach apenas; e os seus companheiros o explicam sobre todos eles, também sobre o mok e sobre os dentes.
Esta é a quinta halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá, que corresponde à Mishná Shabbat 6:5 da Mishná avulsa. A halachá anterior tratou das armas do homem, da birit e dos kevalim, e terminou explicando, um a um, os adornos das filhas de Tzion em Yeshayahu, até os redidim, os véus, com o versículo de Shir HaShirim 5:7. Esta volta à mulher, aos fios de cabelo, ao chumaço e aos dentes. A Mishná seguinte, a da mulher que sai com a moeda posta sobre a ferida do pé, fica para outra halachá.
Referências conferidas. Na seção 01, “as meninas saem com fios” é a Mishná Shabbat 6:6, que diz “as meninas pequenas saem com fios”; Guggenheimer a chama “Mishnah 6”, que no Sefaria é a mesma Mishná 6:6. Na seção 02, a opinião de Rabi Yossi sobre as tampas está na Mishná Shabbat 17:8: todas as tampas dos utensílios que têm alça movem-se no Shabat, e Rabi Yossi diz que isso se disse das tampas do solo, mas as tampas dos utensílios, com alça ou sem ela, movem-se no Shabat. O Bavli traz a Mishná desta halachá em Shabbat 64b e a das meninas com fios em Shabbat 65a.
Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “seiar”, com yud, “chaveirtah”, com yud, “bechatzer”, no pátio, onde a Mishná avulsa escreve “lechatzer”, até o pátio, e “batechilá bashabat”, onde a Mishná avulsa escreve “lechatchilá beshabat”; conservamos o hebraico como está. Na seção 01, o hebraico diz “Anan kar Imi”, com a abreviação “kar”, e “Rabi Yehudá”, e depois “Menashya bar Menashe Yirmeyá”, sem dizer “em nome de”; Guggenheimer lê, com um fragmento da Guenizá, “Chanan bar Imi disse diante de Rav Yehudá, em nome de Menashya bar Yirmeyá”; traduzimos os nomes como o hebraico os traz, e entendemos “em nome de”. A frase “ainda que ela não possa trazer o seu chotmah ao seu cabelo” é de sentido incerto: chotmah é “o seu nariz”; Guggenheimer lê, com a Guenizá, “um fio semelhante”, isto é, os fios das meninas saem ainda que não pareçam cabelo. Na seção 02, Rabi Yanai Zeira é o Rabi Yanai mais novo, e não o grande Rabi Yanai; a palavra “oded”, que aqui é o chumaço do ouvido, tem sentido incerto e só pelo contexto se entende; a palavra “tossav” é “o que se fixa”, e daí a peá, que é o que está fixado no cabelo. O hebraico diz que os companheiros o repreenderam “por causa de adorno”, sem pergunta, e assim traduzimos; as frases que começam “Rabi Yanai pensava dizer” são propostas da guemará, cada uma refutada por um “mas não disse assim”, até a última, que é a conclusão. O hebraico diz “Rabi Ba bar Kahana, Rav Chiya bar Ashi, em nome de Rav”, sem ligação entre os dois nomes, e assim o deixamos. A palavra “shachiach”, na conclusão, pode ser lida como “esquecer” ou como “ser comum”; seguimos o sentido de esquecer, o de que se esquece do chumaço e anda com ele quatro côvados no domínio público. Na seção 03, “nagara” é o carpinteiro, o artesão a quem ela teria de pedir outro dente. Na seção 04, o hebraico diz “lo vatelá”, “não vã”, e o sentido é que Rabi Yassa nunca disse palavra vã; por isso a sua pergunta sobre o dente mostra que foi ele quem instruiu sobre a dor de dente. Na seção 05, o hebraico diz só “Rabi Yanai”, que parece ser o mesmo Rabi Yanai Zeira da seção 02.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 01, Guggenheimer remete a moça e a velha à “Mishnah 5”, que é esta mesma Mishná, Shabbat 6:5; corrige “Rabi” para “Rav” Yehudá, apaga “Menashe” e lê “um fio semelhante” em vez de “o seu nariz”, conforme a Guenizá; mantivemos o hebraico. Na seção 02, ele traduz a repreensão como pergunta, “foi por causa de adorno?”, e lê “Rabi Yehudá” onde o hebraico diz “Rav Yehudá”; também aqui seguimos o hebraico. Na seção 04, ele lê “milá betelá”, palavra vã, em lugar de “lo vatelá”, com o mesmo sentido que demos.