Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Vav · Halachá 4
שַׁבָּת

Lo yetzê haish: a espada, o arco, a birit e os kevalim

Perek Vav, Bameh Ishá, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Quarta halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá. A Mishná passa ao homem: ele não sai no Shabat com espada, nem com arco, nem com escudo, nem com clava, nem com lança; e, se saiu, é obrigado a trazer chatat. Rabi Eliezer diz que as armas são adornos para ele, e os sábios dizem que são vergonha, pois um dia as espadas serão forjadas em relhas de arado. E a birit é pura, e sai-se com ela, e os kevalim são impuros, e não se sai com eles. A guemará lê nos armados que saíram do Egito quinze espécies de armas, explica a clava pelo forcado da eira e dá a razão de cada lado com o seu versículo; explica, em nome de Rabi Yochanan, a diferença entre a birit e os kevalim e, com Rav Yehudá, as joias que os soldados trouxeram como oferta em Bamidbar; e termina explicando, um a um, os adornos das filhas de Tzion na profecia de Yeshayahu. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 63a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

לֹא יֵצֵא הָאִישׁ לֹא בַסַּיִיף וְלֹא בַקֶּשֶׁת וְלֹא בַתְּרִיס וְלֹא בָאַלָּה וְלֹא בָרוֹמַח וְאִם יָצָא חַיָיב חַטָּאת. רִבִּי לִיעֶזֶר אוֹמֵר תַּכְשִׁיטִין הֵן לוֹ. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים אֵינָן לוֹ אֶלָּא גְנַאי שֶׁנֶּאֱמַר וְכִתְּתוּ חַרְבוֹתָם לְאִיתִּים וַחֲנִיתוֹתֵיהֶם לְמַזְמֵרוֹת. בִּירִית טְהוֹרָה וְיוֹצְאִין בָּהּ בַּשַּׁבָּת. כְּבָלִים טְמֵאִין וְאֵין יוֹצְאִין בָּהֶן בַּשַּׁבָּת:

Mishná: Não saia o homem ao domínio público, no Shabat, nem com sayif (espada), nem com keshet (arco), nem com tris (escudo), nem com alá (clava), nem com romach (lança); e, se saiu com algum deles, é obrigado a trazer chatat (oferta de expiação). Rabi Eliezer diz: estas armas são tachshitin (adornos) para ele, e por isso não são carga. E os sábios dizem: elas não são para ele senão vergonha, pois está dito: “E forjarão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em podadeiras” (Yeshayahu 2:4). A birit (liga) é pura, pois não recebe impureza, e sai-se com ela no Shabat. Os kevalim (correntes nos pés) são impuros, pois recebem impureza, e não se sai com eles no Shabat.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01Chamushim: as armas, a alá e os versículos de cada lado
Yerushalmi · Shabbat 6:4
כָּתוּב וַחֲמוּשִׁים עָלוּ בְנֵי יִשְׂרָאֵל מֵאֶרֶץ מִצְרָיִם. מְלַמֵּד שֶׁהָיוּ מְזוּיָינִים בַּחֲמִשָּׁה עָשָׂר מִּינֵי זָיִין. וְאֵי זוֹ הִיא הָאַלָּה. מִן מַה דְתַנֵּי רִבִּי יַעֲקֹב בַּר סוֹסַי רִבִּי יוֹסֵה. מֵאֵימָתַי תוֹרְמִין אֶת הַגּוֹרֶן. מִשֶּׁתֵּיעָקֵר הָאַלָּה. הָדָא אָמְרָה. כְּמִין דִּייקְרָן. וּמַה טַעֲמֵיהּ דְּרִבִּי אֶלְעָזָר. חֲגוֹר חַרְבְּךָ עַל יָרֵךְ גִּבּוֹר הוֹדְךָ וַהֲדָרֶךָ. מַה טַעֲמוֹן דְּרַבָּנִן. וְכִתְּתוּ חַרְבוֹתָם לְאִתִּים. לָאַטְיָן. וַחֲנִיתוֹתֵיהֶם לְמַזְמֵרוֹת. לְמִיגְזָיִין.

Está escrito: “E chamushim (armados) subiram os filhos de Israel da terra do Egito” (Shemot 13:18). Isto ensina que estavam armados com quinze espécies de armas. E qual é a alá de que fala a Mishná? Aprende-se daquilo que ensinou Rabi Yaakov bar Sossai, em nome de Rabi Yossi: “Desde quando se separa a terumá da eira? Desde que se arranca dela a alá” (Tosefta Terumot 3:10). Isto diz que a alá é como uma espécie de diikran (forcado de dois dentes). E qual é a razão de Rabi Elazar, que diz que as armas são adornos? Está escrito: “Cinge a tua espada sobre a coxa, ó valente, a tua glória e o teu esplendor” (Tehilim 45:4). Qual é a razão dos rabanan (sábios), que dizem que elas são vergonha? Está escrito: “E forjarão as suas espadas em relhas de arado” (Yeshayahu 2:4), isto é, em latyan (relhas); “e as suas lanças em podadeiras”, isto é, em migzayin (podadeiras).

02Birit e kevalim: as joias de Bamidbar
Yerushalmi · Shabbat 6:4
רִבִּי חִיָיא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. בִּירִית. כָּל שֶׁהִיא יְחִידִית. כְּבָלִים. כָּל שֶׁהַשַּׁלְשֶׁלֶת בֵּנְתַיִם. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר. בִּירִית זוֹ אֶצְעָדָה. דָּמַר רַב יְהוּדָה. וַנַּקְרֵב אֶת קָרְבַּן יְי אִישׁ אֲשֶׁר מָצָא כְלִי זָהָב אֶצְעָדָה וְצָמִיד טַבַּעַת עָגִיל וְכוּמָז לְכַפֵּר עַל נַפְשֹׁתֵינוּ לִפְנֵי יְי. אֶצְעָדָה זוֹ כֳּדוֹפּסֶלָּה. צָמִיד שֵׁירַיָיא. כָּמַה דְאַתָּ אָמַר. וְהַצְּמִידִים עַל יָדֶיהָ. טַבַּעַת עִיזְקַיָיא. עָגִיל קְדָשַׁיָיא. כָּמַה דְתֵימַר וַעֲגִילִים עַל אָזְנָיִךְ. וְכוּמָז. יֵשׁ אוֹמְרִין. זֶה טֻפּוֹס שֶׁלְּרָחָם. וְיֵשׁ אוֹמְרִין. זֶה טֻפּוֹס שֶׁלְּדֲדִּים.

Rabi Chiya disse em nome de Rabi Yochanan: birit é toda aquela que é única, presa numa só perna; kevalim são todos aqueles em que há a corrente entre uma perna e a outra. Rabi Yehudá diz: birit é a etzadá (tornozeleira), pois disse Rav Yehudá: “E trouxemos a oferta do Eterno, cada um o que achou de objetos de ouro, etzadá e tzamid, tabaat, aguil e kumaz, para expiar pelas nossas almas diante do Eterno” (Bamidbar 31:50). Etzadá é kodopselá (tornozeleira); tzamid são sheirayá (pulseiras), como tu dizes: “e as pulseiras sobre as mãos dela” (Bereshit 24:47); tabaat são izkayá (anéis); aguil são kedashayá (brincos), como tu dizes: “e brincos sobre as tuas orelhas” (Yechezkel 16:12). E kumaz: há os que dizem que é o tupos (molde) do útero, e há os que dizem que é o tupos dos seios.

03Os adornos das filhas de Tzion, em Yeshayahu
Yerushalmi · Shabbat 6:4
כָּתוּב בַּיּוֹם הַהוּא יָסִיר יי אֵת תִּפְאֶרֶת הָעֲכָסִים. קוֹרְדִיקַיָיה. כְּמַה דְתֵימַר וּבְרַגְלֵיהֶם תְּעַכַּסְנָה. הַשְּׁבִיסִים שלטוניה. כְּמַה דְאַתְּ אָמַר. שָׁבִיס שֶׁלִּסְבָכָה. הַסַּהֲרֹנִים עונקייה. כְּמַה דְאַתְּ אָמַר וַיִּקַּח אֶת הַסַּהֲרוֹנִים אֲשֶׁר בְּצַוְּארֵי גְמַלֵּיהֶם. הַנְּטִיפוֹת שֶׁלָמֵינִי. הַשֵּׁירוֹת שֵׁירָאִין. וְהָרְעָלוֹת בּלַנִידַיָיא. הַפְּאֵרִים כְּלִילַיָּא. כְּמַה דְאַתְּ אָמַר וּפְאֵרֵכֶם עַל רָאשֵׁכֶם. הַצְּעָדוֹת פֳּרוֹפָסֶלָּה. הַקִּישֻּׁרִים קַרְקִישַׁיָּא. וּבָתֵּי הַנֶּפֶשׁ. תִּירְגֵּם עֲקִילַס אסטו מוכריאה. דָּבָר שֶׁנִּיתָּן עַל בֵּת הַנֶּפֶשׁ. וְהַלְּחָשִׁים קַדָּשַׁיָּא. דָּבָר שֶׁהוּא נִיתָּן עַל בֵּית הַלְּחִישָׁה. הַטַּבָּעוֹת עִיזְקַיָּא. נִיזְמֵי הָאָף דָּבָר שֶׁהוּא נָתוּן עַל גַּב הָחוֹטֶם. הַמַּחֲלָצוֹת פֶּירִזוֹמַטַא. הַמַּעֲטָפוֹת קוֹלְכִין וּמְעַפְרָן. הַמִּטְפָּחוֹת סַבָּנְיָין רָבְרְבָן. וְהָחֲרִיטִין זוֹנָרִין מְצַיְירִין וְאוֹלוֹסֶרִיקָא מְצַיְירִין. כְּמַה דְתֵימַר וַיִַּקּח מִיָּדָם וַיָּצַר אֹתוֹ בַּחֶרֶט. הַגִּילְיוֹנִים גַּלְגַּלַּיָיא. הַסְּדִינִים סַדִּינַיָּא. הַצְּנִיפוֹת אוֹלָרַיָיא כְּמַה דְתֵימַר וָאוֹמַר יָשִׂימוּ… הַצָּנִיף הַטָּהוֹר עַל רֹאשׁוֹ. וּכְתִיב וְהָיִית עֲטֶרֶת תִּפְאֶרֶת בְּיַד יי וּצְנִיף מְלוּכָה בְּכַף אֱלֹהָיִיךְ. הָרְדִידִים לָסוֹטָה. כְּמַה דְתֵימַר נָשְׂאוּ אֶת רְדִידִי מֵעָלַי שׁוֹמְרֵי הַחוֹמוֹת.

Está escrito: “Naquele dia, o Eterno tirará o esplendor dos achasim” (Yeshayahu 3:18): os achasim são kordikayá (calçados de cortiça), como tu dizes: “e com os seus pés fazem tilintar” (Yeshayahu 3:16). Os shevisim (testeiras) são shaltoniá, como tu dizes: “o shavis da rede de cabelo” (Mishná Negaim 11:11). Os saharonim (enfeites em forma de lua) são unkayá (colares), como tu dizes: “e tomou os saharonim que estavam no pescoço dos seus camelos” (Shoftim 8:21). As netifot (pingentes) são shelameini. As sheirot são sheirain (pulseiras). E as realot (véus) são blanidayá. Os peerim (enfeites de cabeça) são kelilayá (diademas), como tu dizes: “e os vossos enfeites sobre as vossas cabeças” (Yechezkel 24:23). As tzeadot (correntinhas dos passos) são propselá (tornozeleiras). Os kishurim (laços) são karkishayá (guizos). E os batei hanefesh: Akilas (Áquila, o tradutor) traduziu por astomuchriá, algo que se põe sobre a bet hanefesh (o lugar do fôlego). E os lechashim são kadashayá, algo que se põe sobre o lugar do sussurro. As tabaot são izkayá (anéis). Os nizmei haaf (argolas do nariz) são algo que se põe sobre o dorso do nariz. As machalatzot (vestes de festa) são perizomata (cintas que envolvem o corpo). As maatafot (mantos) são kolchin (túnicas) e meafran (capas). As mitpachot (xales) são sabanyin (panos finos) grandes. E os charitin são zonarin (cintos) bordados e olosêrika (tecidos de pura seda) bordados, como tu dizes: “e tomou-o das mãos deles e o atou no cheret” (Shemot 32:4). Os guilyonim são galgalayá. Os sedinim (lençóis) são sadinayá (lençóis). As tzenifot (turbantes) são olarayá, como tu dizes: “E eu disse: ponham… o turbante puro sobre a sua cabeça” (Zecharyá 3:5); e está escrito: “E serás coroa de esplendor na mão do Eterno, e turbante real na palma do teu Deus” (Yeshayahu 62:3). Os redidim (véus) são lasotá, como tu dizes: “tiraram de sobre mim o meu véu os guardas das muralhas” (Shir HaShirim 5:7).

Nota

Esta é a quarta halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá, que corresponde à Mishná Shabbat 6:4 da Mishná avulsa. A halachá anterior tratou dos objetos que a mulher leva e que não são adornos, mas instrumentos, e terminou com as palavras de Rabi Shmuel, em nome de Rabi Zeira, sobre o anel feito para selar e para adornar. Esta passa ao homem e às suas armas, e depois à birit e aos kevalim, que a mulher leva nas pernas. A Mishná seguinte, a da mulher que sai com fios de cabelo, fica para outra halachá.

Referências conferidas. Na Mishná, o versículo é Yeshayahu 2:4; Michá 4:3 diz quase o mesmo, com outra grafia, “charvoteihem”. A Mishná avulsa e o Bavli, em Shabbat 63a, citam o versículo até “nem aprenderão mais a guerra”. Na seção 01, o versículo dos armados é Shemot 13:18; a palavra de Rabi Yaakov bar Sossai está na Tosefta Terumot 3:10, sem nome, “desde quando se separa a terumá da eira? Desde que se arranca a alá”; o versículo de Rabi Elazar é Tehilim 45:4; e o dos sábios, de novo, Yeshayahu 2:4. O Bavli, em Shabbat 63a, explica a alá como “kulpa”, uma clava, e dá a mesma razão de Rabi Eliezer, com Tehilim 45:4. Na seção 02, o versículo das joias é Bamidbar 31:50; o das pulseiras é Bereshit 24:47, onde o servo de Avraham conta que pôs as pulseiras nas mãos de Rivká; o dos brincos é Yechezkel 16:12. O Bavli, em Shabbat 63b, traz a mesma palavra de Rav Yehudá, “birit é etzadá”, e, em Shabbat 64a, traz a palavra de Rabi Elazar de que aguil é o molde dos seios e kumaz é o molde do útero. Na seção 03, a lista de adornos está em Yeshayahu 3:18 a 3:23; o versículo dos pés que tilintam é Yeshayahu 3:16; o shavis da rede de cabelo está na Mishná Negaim 11:11, e a Mishná Kelim 28:10 fala também do shavis da rede; os saharonim no pescoço dos camelos estão em Shoftim 8:21; os enfeites sobre as cabeças, em Yechezkel 24:23; o cheret do bezerro de ouro, em Shemot 32:4; o turbante puro, em Zecharyá 3:5; a coroa e o turbante real, em Yeshayahu 62:3; e o véu tirado pelos guardas das muralhas, em Shir HaShirim 5:7.

Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “basayif”, com dois yud, “baromach”, com vav, “leitim”, com yud, e “einan lo ela genai”, “não são para ele senão vergonha”, onde a Mishná avulsa e o Bavli escrevem “einan ela ligenai”, “não são senão para vergonha”; e cita do versículo só as duas primeiras frases. Na seção 01, o hebraico diz “quinze espécies de armas”, e traduzimos o que ele diz; a palavra “chamushim”, armados, lê-se aqui como se viesse de “chamesh”, cinco. A Mishná chama Rabi Eliezer, e a guemará escreve “Rabi Elazar”; é a mesma opinião, a de que as armas são adornos. O hebraico diz “Rabi Yaakov bar Sossai, Rabi Yossi”, sem dizer “em nome de”, e assim o entendemos. A palavra “diikran” é o grego dikranon, o forcado de dois dentes, com que se levanta a palha da eira; “latyan” e “migzayin” são as palavras aramaicas para relhas e podadeiras. Na seção 02, o hebraico diz primeiro “Rabi Yehudá diz” e logo depois “pois disse Rav Yehudá”; traduzimos os dois como estão, e é Rav Yehudá quem o Bavli, em Shabbat 63b, cita. A palavra “kodopselá” é o grego podopselion, a tornozeleira, e “tupos” é o grego typos, a figura moldada. Na seção 03, as palavras aramaicas e gregas explicam, uma a uma, os nomes dos adornos de Yeshayahu; “shaltoniá”, “unkayá” e “astomuchriá” estão no Sefaria sem sinais vocálicos, e a sua leitura é incerta; o sentido de “shelameini”, “blanidayá”, “galgalayá”, “olarayá” e “lasotá” também é incerto, e por isso não lhes demos tradução. O lugar do sussurro, sobre o qual se põem os kadashayá, parece ser a orelha, pois na seção 02 os kedashayá são os brincos. O hebraico escreve “bet hanefesh” sem yud, e “vayikach” com um sinal vocálico duplicado; o hebraico cita Zecharyá 3:5 com reticências, como aqui está; conservamos o hebraico como está.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 01, Guggenheimer corrige “quinze” para “cinco”, conforme um fragmento da Guenizá, e cita a Tosefta como Terumot 3:11, conforme a edição de Lieberman, e no Sefaria é 3:10. Na seção 02, ele lê “Rav Yehudá” também na primeira menção, onde o hebraico diz “Rabi Yehudá”; e cita o versículo das pulseiras como Bereshit 27:47, quando ele é Bereshit 24:47. Na seção 03, cita a lista como Yeshayahu 3:18 a 3:24, e ela termina em 3:23; não indica a fonte de “e serás coroa de esplendor”, que é Yeshayahu 62:3; e entende o lugar do sussurro como a laringe.