Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Vav · Halachá 2
שַׁבָּת

Lo yetzê haish: a sandália com pregos, a sandália única, os tefilin e o amuleto

Perek Vav, Bameh Ishá, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Segunda halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá. A Mishná passa da mulher ao homem: ele não sai no Shabat com a sandália com pregos, nem com uma sandália só quando não tem ferida no pé, nem com os tefilin, nem com o amuleto que não é de especialista comprovado, nem com a couraça, o elmo e as grevas; e, se saiu, não é obrigado a trazer chatat. A guemará traz três explicações do decreto sobre a sandália com pregos, nascido no tempo da perseguição e nunca anulado; discute quantos pregos ela pode ter, com o número dos turnos dos sacerdotes, e se se raspam e se untam os sapatos no Shabat; quanto se deve andar com sapatos novos na véspera; a sandália rompida, que Rabi Yehudá declara impura enquanto a parte exterior está inteira, e os casos levados aos sábios; o andar com ela até a porta do pátio e o trocar as sandálias de pé; a suspeita contra quem sai com uma sandália só, e em que pé ela se calça, com Rabi Yochanan e Shimon bar Ba; a diferença entre os tefilin e a sandália ao escurecer da véspera; o amuleto comprovado, o tubo e o colar de Daniel; o emplastro, a raiz de garança; e termina com a proibição de ler versículos sobre a ferida e com o cântico dos atingidos que se dizia em Jerusalém. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 60a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

לֹא יֵצֵא הָאִישׁ בְּסַנְדָּל מְסוּמָּר וְלֹא בַיָחִיד בִּזְמַן שֶׁאֵין בְּרַגְלוֹ מַכָּה וְלֹא בַתְּפִלָּה וְלֹא בַקָּמִיעַ בִּזְמַן שֶׁאֵינוֹ מִן הַמּוּמְחֶה וְלֹא בַשִּׁרְיוֹן וְלֹא בַקַּסְדָּא וְלֹא בַמַּגָּפַיִים וְאִם יָצָא אֵינוֹ חַיָיב חַטָּאת:

Mishná: Não saia o homem ao domínio público, no Shabat, com sandal mesumar (sandália com pregos), nem com yachid (sandália única), quando não há ferida no seu pé; nem com a tefilá (tefilin), nem com o kamea (amuleto), quando não é min hamumché (de especialista comprovado); nem com o shiryon (couraça), nem com a kasdá (elmo), nem com as magafayim (grevas). E, se saiu com algum deles, não é obrigado a trazer chatat (oferta de expiação), porque a proibição é dos sábios, e não da Torá.

A Halachá · הֲלָכָה ב

01Por que decretaram sobre a sandália com pregos
Yerushalmi · Shabbat 6:2
מִפְּנֵי מַה גָזְרוּ עַל סַנְדָּל מְסוּמָּר. יֵשׁ אוֹמְרִים. שֶׁהָיוּ רוֹאוֹת אֶת רֹאשׁוֹ וּמַפִּילוֹת. וְיֵשׁ אוֹמְרִים. שֶׁהָיוּ שׁוֹמְעוֹת קוֹלוֹ וּמַפִּילוֹת. וְיֵשׁ אוֹמְרִים. עַל יְדֵי שֶׁהָיוּ נִדְחָקִין זֶה בָזֶה וְהוֹרְגִין זֶה אֶת זֶה. מַה נְפִיק מִן בֵּינֵיהוֹן. הדוסטא. מָאן דָּמַר. שֶׁהָיוּ רוֹאוֹת אֶת רֹאשׁוֹ וּמַפִּילוֹת. מוּתָּר. וּמָאן דָּמַר. שֶׁהָיוּ שׁוֹמְעוֹת קוֹלוֹ וּמַפִּילוֹת אוֹ שֶׁהָיוּ נִדְחָקִין זֶה בָזֶה וְהוֹרְגִין זֶה אֶת זֶה. אָסוּר. וְלֹא בִשָׁעַת הַשְּׁמָד גָּזְרוּ. מִכֵּיוָן שֶׁעָבַר הַשְּׁמָד יְהֵא מוּתָּר. לֹא עָמַד בֵּית דִּין וּבִיטֵּל. מֵעַתָּה אֲפִילוּ בַחוֹל. לָאו אוֹרְחֵיהּ דְּבַר נַשָּׁא מִיהֲוֵי לֵיהּ תְּרֵין סַנְדָּלִין. חַד לַחוֹלָא וְחַד לְשׁוֹבְתָא. תַּנֵּי. טָלָה עָלָיו מַטְלֵית מִלְּמַטָּן מוּתָּר. רִבִּי יוּדָן בֵּירִבִּי יִשְׁמָעֵאל הֲוָות רַגְלֵיהּ שָׁחֲקָה וְעָבְדוּן לֵיהּ כֵּן.

Por que decretaram os sábios sobre a sandal mesumar? Há quem diga: porque as mulheres viam a sua cabeça, isto é, a ponta dos pregos, e abortavam. E há quem diga: porque ouviam o seu som batendo no chão e abortavam. E há quem diga: porque as pessoas se apertavam umas contra as outras na fuga e matavam umas às outras. O que sai de diferença entre eles? Hadusta (palavra de leitura incerta, ao que parece uma sandália cujos pregos não aparecem por cima). Para quem diz que era porque viam a sua cabeça e abortavam, ela é permitida. E para quem diz que era porque ouviam o seu som e abortavam, ou porque se apertavam umas contra as outras e matavam umas às outras, ela é proibida. E não foi na hora da shemad (perseguição) que decretaram? Se é assim, desde que passou a perseguição, seja permitido! Responde-se: não se levantou um tribunal e o anulou. Se é assim, de agora em diante proíba-se até em dia comum! Responde-se: não é o costume de uma pessoa ter duas sandálias, uma para o dia comum e uma para o Shabat. Ensina-se numa baraita: se remendou sobre ela um remendo por baixo, é permitido. Rabi Yudan beRabi Yishmael, o seu pé estava esfolado, e fizeram-lhe assim, remendando por baixo a sua sandália.

02Quantos pregos; raspar e untar sapatos e sandálias
Yerushalmi · Shabbat 6:2
כַּמָּה מַסְמֵרִין יְהוּ בוֹ. רִבִּי יוֹחָנָן אָמַר. חֲמִשָּׁה. כַּחֲמִשָּׁה סִפְרֵי תוֹרָה. רִבִּי חֲנִינָא אָמַר. שִׁבְעָה. וּכְיָמֶיךָ דָּבְאֶךָ. נְהִגִין רַבָּנִין כָּהָדָא דְרִבִּי חֲנִינָא. דָּרַשׁ רִבִּי אָחָא בְשֵׁם רִבִּי חֲנִינָא. תִּשְׁעָה. רִבִּי הָיָה נוֹתֵן שְׁלֹשָׁה עָשָׂר בָּזֶה וְאַחַד עָשָׂר בָּזֶה. כְּמִינְיָין מִשְׁמָרוֹת. וּכְמַשְׂמְרוֹת נְטוּעִים. מַה מִשְׁמָרוֹת כ״ד אַף מסמרים כ״ד. רִבִּי יוֹסֵי בֶּן חֲנִינָא אָמַר. כְּלִיבִית אֵינָהּ עוֹלָה לְמִינְיָין מַסְמֵרִים. רִבִּי זְעִירָא שָׁאַל לְרִבִּי בָּא בַּר זַבְדָּא. מָהוּ לִיתְּנֵם עַל גַּבֵּי סַנְדָּל אֶחָד. אֲמַר לֵיהּ. שָׁרֵי. מָהוּ לִיתְּנֵם עַל גַּבֵּי מִנְעָל אֶחָד. אֲמַר לֵיהּ. שָׁרֵי. אֵין מְגָרְדִין מִנְעָלִים וְסַנְדָּלִים אַבָל סָכִין וּמַדִּיחִין אוֹתָן. רִבִּי קְרִיסְפִּיָא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. תַּלְמִידוֹי דְרִבִּי חִיָיה רוֹבָא אָמְרִין. הָרִאשׁוֹנִים הָיוּ אוֹמְרִין. מְגָרְדִין. וְהָשְּׁנִיִים הָיוּ אוֹמְרִין. אֵין מְגָרְדִין. וְאִיתְשָׁלַת לְרִבִּי וָמַר. אֵין מְגָרְדִין. אֲמַר רִבִּי זְעִירָא. הָא אֲזִילָא חָדָא מִן תַּלְמִידוֹי דְרִבִּי חִיָיא רוֹבָא. דְּרַבָּנִן דְּקַיְסָרִין בְּשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בֶּן חֲנִינָה. כְּדִבְרֵי מִי שֶׁהוּא אוֹמֵר. מְגָרְדִין. וּבִלְבַד לַאֲחוֹרֵי הַסַּכִּין. אָמַר רִבִּי חִיָיה בַּר אַשִּׁי. נְהִיגִין הֲוֵינָן יָתְבִין קוֹמֵי רִבִּי מַשְׁחִין וּמַשּׂוּגִין. אֲבָל לֹא מְגָרְדִין. אֵין סָכִין מִנְעָלִין וְסַנְדָּלִין. לֹא יִסּוֹךְ אָדָם אֶת רַגְלוֹ וְהוּא בְתוֹךְ הַמִּנְעָל וְאֶת רַגְלוֹ וְהִיא בְתוֹךְ הַסַּנְדָּל. אֲבָל סָךְ הוּא אֶת רַגְלוֹ וְנוֹתְנָהּ בְּתוֹךְ הַמִּנְעָל וְאֶת רַגְלוֹ וְנוֹתְנוֹ בְּתוֹךְ הַסַּנְדָּל. סָךְ שֶׁמֶן וּמִתְעַגֵּל עַל גַּבֵּי קַטוֹבַּלֵיָיא חֲדָשָׁה וְאֵינוֹ חוֹשֵׁשׂ. לֹא יִתְנֵנָּה עַל גַּבֵּי טַבֻּלָה שֶׁלְּשַׁיִישׁ וּמִתְעַגֵּל עָלֶיהָ. רַבָּן שִׂמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל מַתִּיר.

Quantos pregos haverá nela, para que seja permitida? Rabi Yochanan disse: cinco, como os cinco livros da Torá. Rabi Chanina disse: sete, como está escrito: “E como os teus dias, a tua força” (Devarim 33:25), num versículo que fala dos sapatos. Os rabanan (sábios) costumam agir conforme isto de Rabi Chanina. Rabi Achá expôs em nome de Rabi Chanina: nove. Rabi punha treze nesta sandália e onze nesta outra, conforme o número das mishmarot (turnos dos sacerdotes), pois está escrito: “E como pregos plantados” (Kohelet 12:11); e lê-se mishmarot em lugar de masmerot, para dizer: assim como as mishmarot são vinte e quatro, também os pregos sejam vinte e quatro. Rabi Yossi ben Chanina disse: a kelivit (prego de cabeça curva) não entra na conta dos pregos. Rabi Zeira perguntou a Rabi Ba bar Zavda: pode-se pô-los todos sobre uma só sandália? Disse-lhe: é permitido. Pode-se pô-los todos sobre um só sapato? Disse-lhe: é permitido. Não se raspam sapatos e sandálias no Shabat, mas untam-se e enxaguam-se. Rabi Krispiá disse em nome de Rabi Yochanan: os discípulos de Rabi Chiya Rová dizem: os primeiros diziam: raspa-se; e os segundos diziam: não se raspa. E foi perguntado a Rabi, e ele disse: não se raspa. Disse Rabi Zeira: eis que se vai uma das duas tradições dos discípulos de Rabi Chiya Rová, a dos primeiros. Os rabanan de Kesarin (Cesareia), em nome de Rabi Yossi ben Chanina, seguem as palavras de quem diz: raspa-se, contanto que seja com as costas da faca. Disse Rabi Chiya bar Ashi: costumávamos sentar-nos diante de Rabi untando e enxaguando os sapatos, mas não raspando. Não se untam sapatos e sandálias. Não unte a pessoa o seu pé enquanto ele está dentro do sapato, nem o seu pé enquanto ele está dentro da sandália; mas unta ela o seu pé e o põe dentro do sapato, e o seu pé e o põe dentro da sandália. Unta-se com óleo e rola sobre uma katubaleyá (esteira de couro) nova, e não se preocupa com isso. Não a ponha sobre uma tábua de mármore e role sobre ela; Raban Shimon ben Gamliel permite.

03Sapatos novos: quanto andar com eles antes do Shabat
Yerushalmi · Shabbat 6:2
אֵין לוֹבְשִׁין מִנְעָלִין וְסַנְדָּלִין חֲדָשִׁים אֶלָּא אִם כֵּן לָבְשָׁן וְהָלַךְ בָּהֶן מִבְּעוֹד יוֹם. כַּמָּה יְהֵא בְהִילּוּכָן. בְּנֵי בֵרַתֵיהּ דְּבַר קַפָּרָא אָמְרִין. מִבֵּית רַבָּא דְּבַר קַפָּרָא עַד בֵּית רַבֵּיהּ דְרִבִּי הוֹשֵׁעַ. צִיפּוֹרָאֵי אָמְרִין. מִן כְּנִישְׁתָּא דְבַבְלָאֵי עַד דַּרְתֵיהּ דְרִבִּי חָמָא בַּר חֲנִינָה. טִיבֵּרִאֵי אָמְרִין. מִן סִדְרָא רוֹבָא עַד חָנוּתֵיהּ דְרִבִּי הוֹשַׁעְיָה.

Não se calçam no Shabat sapatos e sandálias novos, a não ser que a pessoa os tenha calçado e andado com eles enquanto ainda era dia, na véspera. Quanto será o seu andar com eles, para que se ajustem ao pé? Os filhos da filha de Bar Kapara dizem: anda-se da casa grande de estudo de Bar Kapara até a casa do mestre de Rabi Hoshea. Os de Tzipori dizem: da sinagoga dos babilônios até o pátio de Rabi Chama bar Chanina. Os de Tveria dizem: da sidrá (casa de estudo) grande até a loja de Rabi Hoshayá. Cada um mede a distância pelos lugares da sua cidade.

04A sandália rompida: pura ou impura
Yerushalmi · Shabbat 6:2
סַנְדָּל שֶׁנִּפְסְקוּ אָזְנָיו שֶׁנִּפְסְקוּ חַבָּטָיו שֶׁנִּפְסְקוּ תֻּרְסִיּוֹתָיו אוֹ שֶׁפִּירְשָׁה רוֹב אַחַת מִכַּפָּיו טָהוֹר. נִפְסְקָה אַחַת מֵאָזְנָיו אַחַת מֵחַבָּטָיו אַחַת מִתֻּרִסִיּוֹתָיו אוֹ שֶׁפִּירְשׁוּ רוֹב מִכַּפָּיו טָמֵא. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר. הַפְּנִימִית טְמֵאָה וְהַחִיצוֹנָה טְהוֹרָה. רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא רִבִּי טֶבֶלַיי חָנִין בַּר בָּא בְשֵׁם רַב. הֲלָכָה כְּרִבִּי יְהוּדָה לְעִנְיָין שַׁבָּת.

“Uma sandália cujas oznayim (alças) se romperam, cujos chavatim (rebordos) se romperam, cujas tursiyot (presilhas) se romperam, ou da qual se separou a maior parte de uma das suas solas, é pura. Se se rompeu uma das suas alças, um dos seus rebordos, uma das suas presilhas, ou se se separou a maior parte das suas solas, é impura. Rabi Yehudá diz: se se rompeu a interior, é impura; e a exterior, é pura.” Rabi Yaakov bar Achá, Rabi Tevelai e Chanin bar Ba disseram em nome de Rav: a halachá é conforme Rabi Yehudá no que se refere ao Shabat, isto é: a sandália que ele declara impura, porque ainda é utensílio, pode-se calçar no Shabat.

05O caso de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak
Yerushalmi · Shabbat 6:2
רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק הֲוָה לֵיהּ עוֹבְדָא. שְׁלַח לְרִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא גַּבֵּי רִבִּי חִיָיא בַּר בָּא. אֲמַר לֵיהּ. כְּשֵׁם שֶׁהֵן חֲלוּקִין בַּשַּׁבָּת כָּךְ הֵן חֲלוּקִין בַּטּוּמְאָה. וְהוֹרֵי לֵיהּ כְּרַבָּנִן. רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק בָּעֵי. וְשָׁמַע מֵימַר הֲלָכָה כְּרִבִּי יְהוּדָה וְהוּא מוֹרֵי לֵיהּ כְּרַבָּנִין.

Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak teve um caso prático, de uma sandália rompida. Enviou Rabi Yaakov bar Achá para perguntar a Rabi Chiya bar Ba. Disse-lhe: assim como eles discordam no Shabat, assim discordam na impureza, e as duas questões andam juntas; e instruiu-o conforme os rabanan, e não conforme Rabi Yehudá. Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak perguntou: ele próprio ouviu dizer: “A halachá é conforme Rabi Yehudá”, ao menos quanto ao Shabat, e agora o instrui conforme os rabanan?

06O caso de Rabi Achá bar Yitzchak
Yerushalmi · Shabbat 6:2
רִבִּי אָחָא בַּר יִצְחָק הֲוָה לֵיהּ עוֹבְדָא. שְׁלַח שְׁאַל לְרִבִּי זְעִירָא. רִבִּי זְעִירָא שָׁאַל לְרִבִּי אִימִּי. אָמַר לוֹ. וּכְדִבְרֵי מִי שֶׁהוּא מְטַמֵּא אָסוּר לָצֵאת בּוֹ. כְּדִבְרֵי מִי שֶׁהוּא מְטָהֵר מוֹתָּר לָצֵאת בּוֹ. וְלָא אַפִּיק גַּבֵּי כְּלוּם.

Rabi Achá bar Yitzchak teve um caso prático, também de uma sandália rompida. Mandou perguntar a Rabi Zeira, e Rabi Zeira perguntou a Rabi Imi. Disse-lhe: e conforme as palavras de quem declara a sandália impura, é proibido sair com ela; conforme as palavras de quem a declara pura, é permitido sair com ela, sem decidir qual das opiniões é a halachá. E não tirou dele nada, nenhuma decisão clara.

07Até a porta do pátio; trocar as sandálias
Yerushalmi · Shabbat 6:2
תַּנֵּי. אֲבָל מְטַיֵיל הוּא בָּהֶן עַד שֶׁהוּא מַגִּיעַ עַד פֶּתַח חֲצֵירוֹ. רִבִּי אָחָא וְרִבִּי זְעִירָא הֲווֹן מְטַיְילִין בְּאִיסְטְרָטִין. אִיפְסִיק סַנְדָּלֵיהּ דְּרִבִּי אָחָא. מִן דְּמַטוּן לְפוּלֵי אָמַר לֵיהּ. זֶהוּ פֶתַח חֲצֵירָךְ. רִבִּי אָחָא כָּרִיךְ סִבְנֵיהּ עֲלֵיהוֹן. רִבִּי אַבָּהוּ כָּרוּךְ אַגִּיד מלבניקי. סָבַר רִבִּי אַבָּהוּ. אַגּוּד מלבניקי מִן הַמּוּכָן הוּא. רִבִּי יוֹנָה טָלְקֵיהּ דַּחֲלִיטְרָה וִיקָר אוּף צִיבְחַד הֲוָה סִידְרָה יְקִיר. רִבִּי אֶלְעָזָר מְטַלֵּק לֵיהּ. רִבִּי יִרְמְיָה בָעֵי קוֹמֵי רִבִּי זְעִירָא. מָהוּ לְהַחֲלִיף. אָמַר לֵיהּ. שָׁרֵי. אֲפִילוּ כֵן אָמַר לֵיהּ. פּוּק חֲמִי חַד סִיב וּסְמוֹךְ עֲלוֹי. נְפַק וְאַשְׁכַּח לְרִבִּי בָּא בַּר מָמָל וּשְׁאַל לֵיהּ וּשְׁרָא. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי. מַתְנִיתִין אָמְרָה שֶׁהוּא מִין מַלְבּוּשׁ. דְּתַנִּינָן. אוֹ בְשֶׁלִּשְׂמֹאל בַּיָּמִין חֲלִיצָתָהּ כְּשֵׁירָה. הָדָא דְתֵימַר לָאוֹרֶךְ. אֲבָל לָרוֹחָב צָרִיךְ שֶׁיְּהֵא חוֹפֶה אֶת רוֹב הָרֶגֶל.

Ensina-se numa baraita: mas ele anda com elas rompidas até que chegue à porta do seu pátio. Rabi Achá e Rabi Zeira andavam pela istratin (estrada). Rompeu-se a sandália de Rabi Achá. Quando chegaram às pulei (portas da cidade), disse-lhe: esta é a porta do teu pátio, e daqui em diante não andes com ela. Rabi Achá enrolou a sua sivná (fibra) sobre elas. Rabi Abahu enrolou um feixe de malbeniki (uma erva de identificação incerta). Rabi Abahu pensava: o feixe de malbeniki é coisa preparada desde a véspera, e por isso pode ser usada. Rabi Yona lançou-a junto ao chalitrá (lugar da massa frita), e honra, ainda que pouca, havia nisso; a sidrá (casa de estudo) era honrada. Rabi Elazar lançava-a fora. Rabi Yirmeyá perguntou diante de Rabi Zeira: pode-se trocar as sandálias de um pé para o outro? Disse-lhe: é permitido. Mesmo assim, disse-lhe: sai, vê um ancião e apoia-te nele. Saiu, e encontrou Rabi Ba bar Mamal, e perguntou-lhe, e ele permitiu. Disse Rabi Yossi: a Mishná diz que ela é uma espécie de vestimenta mesmo trocada, pois ensinamos: “ou com a da esquerda na direita, a sua chalitsá (cerimônia que libera a viúva do levirato) é válida” (Mishná Yevamot 12:2). Isto que dizes vale para o comprimento; mas para a largura é preciso que a sandália cubra a maior parte do pé.

08Nem com uma só sandália: por causa da suspeita
Yerushalmi · Shabbat 6:2
וְלֹא בַיָחִיד. אָמַר רִבִּי אַבָּא. מִפְּנֵי הַחֲשָׁד. שֶׁלֹּא יֹאמְרוּ. אִישׁ פְּלוֹנִי נִפְסַק סַנְדָּלוֹ וּתְלָאוֹ בֵית שִׁיחְיוֹ.

Na Mishná: “Nem com yachid.” Disse Rabi Abba: é por causa da suspeita, para que não digam: a sandália de fulano se rompeu, e ele a pendurou sob a sua axila, carregando-a no Shabat.

09Em que pé se calça a sandália única
Yerushalmi · Shabbat 6:2
בִּזְמַן שֶׁאֵין בְּרַגְלוֹ מַכָּה. הָא אִם יֵשׁ בְּרַגְלוֹ מַכָּה הוּא נוֹתֵן. עַל אֵי זֶה מֵהֶן הוּא נוֹתֵן. שְׁמוּאֵל אָמַר. עָל אוֹתָהּ שֶׁאֵין בָּהּ מַכָּה הוּא נוֹתֵן. אִם אוֹמֵר אַתְּ. עָל אוֹתָהּ שֶׁיֵּשׁ בָּהּ מַכָּה הוּא נוֹתֵן. מָאן צְיָיר לֵיהּ דְּלָא יִתֵּן עַל חוֹרְתֵיהּ. רִבִּי יוֹחָנָן אָמַר. עָל אוֹתָהּ שֶׁיֵּשׁ בָּהּ מַכָּה הוּא נוֹתֵן. שִׁמְעוֹן בַּר בָּא הֲוָה מְשַׁמֵּשׁ קוֹמֵי רִבִּי יוֹחָנָן וַהֲוָה מוֹשִׁיט לֵיהּ סַנְדָּלֵיהּ כְּהָדָא דְּתַנֵּי בְדֶרֶךְ הָאָרֶץ. כְּשֶׁהוּא נוֹעֵל נוֹעֵל שֶׁלְּיָמִין וְאַחַר כָּךְ נוֹעֵל שֶׁלִּשְׂמֹאל. וּכְשֶׁהוּא חוֹלֵץ חוֹלֵץ שֶׁלִּשְׂמֹאל וְאַחַר כָּךְ חוֹלֵץ שֶׁלְּיָמִין. אָמַר לֵיהּ רִבִּי יוֹחָנָן. בַּבְלַיָיא. לֹא תַעָבִד כֵּן. שֶׁהָרִאשׁוֹנִים לֹא הָיוּ עוֹשִׂין כֵּן. אֶלָּא כְּשֶׁהוּא נוֹעֵל נוֹעֵל שֶׁלִּשְׂמֹאל וְאַחַר כָּךְ נוֹעֵל שֶׁלְּיָמִין. שֶׁלֹּא תְהֵא נִרְאֵית שֶׁלְּיָמִין פְּגוּמָה. הָדָא אָמְרָה. עָל אוֹתָהּ שֶׁיֵּשׁ בָּהּ מַכָּה הוּא נוֹתֵן. אֲמַר לֵיהּ. אִין בַּבְלַיָיא דְקַמְתֵּיהּ עֲלֵיהּ.

Na Mishná: “Quando não há ferida no seu pé.” Daí se aprende que, se há ferida no seu pé, ele a põe. Sobre qual deles a põe, no pé ferido ou no são? Shmuel disse: sobre aquele em que não há ferida ele a põe. Pois se tu dizes que sobre aquele em que há ferida ele a põe, quem o amarra a isso, para que não a ponha no outro? Rabi Yochanan disse: sobre aquele em que há ferida ele a põe, para protegê-lo. Shimon bar Ba servia diante de Rabi Yochanan, e lhe estendia a sua sandália direita primeiro, conforme isto que se ensina em Derech Eretz (as regras de boas maneiras): quando calça, calça primeiro a da direita e depois calça a da esquerda; e quando descalça, descalça primeiro a da esquerda e depois descalça a da direita. Disse-lhe Rabi Yochanan: babilônio, não faças assim, pois os primeiros sábios não faziam assim; mas, quando calça, calça primeiro a da esquerda e depois calça a da direita, para que a da direita não pareça defeituosa, como um pé ferido que fica descalço. Isto diz que sobre aquele em que há ferida ele a põe, pois o pé descalço é que parece ferido. Disse-lhe: sim, babilônio, firmaste-te nela, isto é, entendeste-a bem.

10Tefilin e sandália com pregos ao escurecer da véspera do Shabat
Yerushalmi · Shabbat 6:2
יוֹצְאִין בִּתְפִילִּין עֶרֶב שַׁבָּת עִם חֲשֵׁיכָה. וְאֵין יוֹצְאִין בְּסַנְדָּל מְסוּמָּר עֶרֶב שַׁבָּת עִם חֲשֵׁיכָה. מַה בֵין זֶה לָזֶה. זֶה דַּרְכּוֹ לַחֲלוֹץ. וְזֶה אֵין דַּרְכּוֹ לַחֲלוֹץ.

Sai-se com tefilin na véspera do Shabat ao escurecer, e não se sai com sandal mesumar na véspera do Shabat ao escurecer. Qual é a diferença entre isto e aquilo? Isto, os tefilin, é costume tirá-los, e a pessoa se lembrará de tirá-los quando chegar o Shabat; e aquilo, a sandália, não é costume tirá-la, e ela poderia sair com ela no Shabat.

11O que é o amuleto de especialista comprovado
Yerushalmi · Shabbat 6:2
אֵי זֶהוּ קַמֵּיעַ מוּמְחֶה. כָּל שֶׁרִיפֶּא בוֹ וְשָׁנָה וְשִׁילֵּשׁ. רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. נֶאֱמָן הָרוֹפֵא לוֹמַר. קַמֵּיעַ זֶה מוּמְחֶה רִיפִּיתִי בוֹ וְשָׁנִיתִי וְשִׁילַּשְׁתִּי. רִבִּי שְׁמוּאֵל בְשֵׁם רִבִּי זְעִירָא. רִיפֵּא לְאָדָם אֶחָד נֶאֱמָן לְאָדָם אֶחָד. לִשְׁנַיִם נֶאֱמָן לִשְׁנַיִם. לִשָׁלֹשָׁה נֶאֱמָן לְכָל אָדָם.

Qual é o kamea mumché (amuleto comprovado)? Todo aquele com que alguém curou, e repetiu a cura, e a fez pela terceira vez. Rabi Abahu disse em nome de Rabi Yochanan: é digno de crédito o curador que diz: com este kamea mumché curei, e repeti, e fiz pela terceira vez. Rabi Shmuel disse em nome de Rabi Zeira: se curou uma pessoa, é digno de crédito para uma pessoa; se curou duas, é digno de crédito para duas; se curou três, é digno de crédito para todo homem.

12O amuleto no tubo; o colar de Daniel
Yerushalmi · Shabbat 6:2
יוֹצְאִין בְּקַמֵּיעַ מוּמְחֶה בֵּין בִּכְתָב בֵּין בָּעֲשָׂבִים. וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יִתְנֶנּוּ לֹא בְשֵׁיר וְלֹא בְטַבַּעַת. בָּעוּן קוֹמֵי רִבִּי יוּנָתָן. מָהוּ מִיתְנִיתֵיהּ בְּהָהֵן סִילוֹנָה. אָמַר לֵיהּ. וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יִתְנֶנּוּ לֹא בְשֵׁיר וְלֹא בְטַבַּעַת. בָּעוּן קוֹמֵי רִבִּי יוּנָתָן. מָהוּ מַפִּיק בְּהַהוּא מוֹמְיַיקָה. אָמַר לוֹן. מִשֵׁם תַּכְשִׁיט. אִי מִשֵׁם תַּכְשִׁיט הֲוָא לוֹ וְדָנִיֵּאל לוֹסַר. וְהַמְנִיכָא דִי דַהֲבָא עַל צַוְּארֵיהּ. אִי מִשֵּׁם מַשׂאוּי בַשַּׁבָּת. נֵימָא. כָּל הַמְחוּבָּר לִכְסוּת הֲרֵי הוּא כִכְסוּת.

Sai-se no Shabat com kamea mumché, quer de escrita, quer de ervas, contanto que não o ponha nem numa corrente nem num anel, para sair com ele. Perguntaram diante de Rabi Yonatan: pode-se pô-lo naquele silona (tubo)? Disse-lhe: contanto que não o ponha nem numa corrente nem num anel, mas num tubo é permitido. Perguntaram diante de Rabi Yonatan outra vez: pode-se sair com aquela momyaká (colar)? Disse-lhes: a questão é por causa de adorno. Se é por causa de adorno, então Daniel deveria proibi-lo, e no entanto está escrito: “E o colar de ouro sobre o seu pescoço” (Daniel 5:29). Se é por causa de carga no Shabat, digamos então: tudo o que está ligado à veste é como a veste, e não é carga.

13A ferida curada e o emplastro
Yerushalmi · Shabbat 6:2
רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן בְּשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי. מַכָּה שֶׁנִּתְרַפְּאָת נוֹתְנִין עָלֶיהָ רְטִיָיה. שֶׁאֵינָהּ אֶלָּא כְּמַשְׁמֵרָה. רִבִּי אָבוּן בְּשֵׁם רַבָּנִין דְּתַמָּן. נוֹתְנִין עַל גַּבֵּי מַכָּה בַשַּׁבָּת. שֶׁאֵינוֹ אֶלָּא כְּמַשְׁמֵרָה. אָמַר רִבִּי תַנְחוּמָא. חוּץ מֵעָלֵי גְפָנִים שֶׁהֵן לִרְפוּאָה.

Rabi Yossi beRabi Bun disse em nome de Rabi Yossi: sobre uma ferida que se curou põe-se no Shabat uma retiyá (emplastro), pois ela não é senão como proteção. Rabi Avun disse em nome dos rabanan de lá, da Babilônia: põe-se o emplastro sobre a ferida no Shabat, pois não é senão como proteção. Disse Rabi Tanchuma: exceto folhas de videira, que são para cura, e não só para proteção.

14A raiz de garança
Yerushalmi · Shabbat 6:2
אָמַר רִבִּי חוּנָה. הָדָא פוּאָה עִקָּר טַב סַגִּין טַב הוּא. כַּד דְּאִית בֵּיהּ חֲמִשָּׁה קִטְרִין. שִׁבְעָה קִטְרִין. תִּשְׁעָה קִטְרִין טָבָא סַגִּין. וּבִלְחוּד דְּלָא יִתֵּן מַיי.

Disse Rabi Chuna: esta puá (garança) é uma raiz boa; muito boa ela é para curar, quando há nela cinco nós, sete nós; e quando há nela nove nós, é muito boa, contanto que não dê água de si.

15Versículos sobre a ferida e o cântico dos atingidos
Yerushalmi · Shabbat 6:2
אֵין קוֹרִין פָּסוּק עַל גַּבֵּי מַכָּה בַשַּׁבָּת. וְהָדֵין דְּקָרֵי עַל יַבְרוּחָה אָסוּר. בּוֹא וּקְרִי אֶת הַפָּסוּק הַזֶּה עַל בְּנִי שֶׁהוּא מִתְבְּעִת. תֵּן עָלָיו סֵפֶר תֵּן עָלָיו תְּפִילִּין בִּשְׁבִיל שֶׁיִּשָׁן. אָסוּר. וְהָא תַנֵּי. אוֹמְרִים הָיוּ שִׁיר פְּגוּעִין בִּירוּשָׁלִַם. אָמַר רִבִּי יוּדָן. כָּאן מִשֶּׁנִּפְגָּע כָּאן עַד שֶׁלֹּא נִפְגָּע. וְאֵי זֶהוּ שִׁיר פְּגוּעִין. יי מָה רַבּוּ צָרָיי וְכָל הַמִּזְמוֹר. יוֹשֵׁב בְּסֵתֶר עֶלְיוֹן עַד כִּי אַתָּה יְי מַחְסִי עֶלְיוֹן שַׂמְתָּ מְעוֹנֶךָ.

Não se lê um versículo sobre uma ferida para curá-la no Shabat. E isto que alguém lê sobre a yavruchá (mandrágora) é proibido. Quem diz: vem e lê este versículo sobre o meu filho, que está assustado; põe sobre ele um livro da Torá, põe sobre ele tefilin, para que durma, isto é proibido. E não se ensina: diziam o shir pegu’in (cântico dos atingidos) em Jerusalém? Disse Rabi Yudan: aqui, num caso, depois que a pessoa foi atingida; ali, no outro, antes que fosse atingida. E qual é o shir pegu’in que diziam? “Eterno, quão numerosos são os meus adversários” (Tehilim 3:2) e todo o salmo até o fim; e também “O que habita no abrigo do Altíssimo” (Tehilim 91:1) até “Pois Tu, Eterno, és o meu refúgio; o Altíssimo puseste como a tua morada” (Tehilim 91:9).

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá, que corresponde à Mishná Shabbat 6:2 da Mishná avulsa. A halachá anterior terminou com a chave de ouro de Raban Gamliel beRabi e com a conclusão de que, mesmo no lugar em que disseram “não saia”, e quem sai não é obrigado a trazer chatat, é proibido sair com o adorno também no pátio, e não só na rua. Esta passa da mulher ao homem e àquilo que ele calça e leva sobre si: a sandália com pregos, a sandália única, os tefilin, o amuleto e as armas. A Mishná seguinte, a da mulher que não sai com a agulha furada, fica para outra halachá.

Referências conferidas. Na seção 01, o Bavli, em Shabbat 60a, explica o decreto da sandália com pregos com três versões semelhantes: a de Shmuel, dos que se escondiam numa caverna no tempo da perseguição e se mataram uns aos outros ao ver uma sandália virada; a de Rabi Ilai ben Elazar, dos que ouviram uma voz sobre a caverna; e a de Rami bar Yechezkel, dos que estavam na sinagoga; e pergunta ali também por que não se proibiu nos dias comuns. O Bavli, em Shabbat 60b, traz uma baraita semelhante à do remendo: se a cobriu de couro por baixo e lhe fixou os pregos por cima, é permitido. Na seção 02, o trecho sobre o número de pregos está também no Yerushalmi, Sanhedrin 10:1, com os mesmos versículos; o versículo de Rabi Chanina é Devarim 33:25, que começa com “de ferro e de cobre são os teus sapatos”; o de Rabi é Kohelet 12:11; os vinte e quatro turnos dos sacerdotes estão em Divrei HaYamim I 24, que termina no vigésimo quarto, em 24:18. A Tosefta Shabbat 5:8 e o Bavli, em Shabbat 60b, dizem que, se caiu a maior parte dos pregos e ficaram quatro ou cinco, é permitido, e que Rabi permite até sete. A Tosefta Shabbat 4:10 diz que não se raspam sapatos e sandálias velhos, mas untam-se e limpam-se, que não se untam os novos, e traz a regra de untar o pé e pô-lo no sapato e a da esteira nova; o Bavli, em Shabbat 141a, traz a palavra de Rabi Abahu, em nome de Rabi Elazar, em nome de Rabi Yanai, de que se raspa o sapato novo, mas não o velho, e, em Shabbat 141b, a baraita de Rabi Chiya, de que não se raspa nem o novo nem o velho. As regras do óleo, do pé dentro do sapato e da tábua de mármore estão também no Yerushalmi, Sheviit 8:8, onde se referem ao óleo do ano sabático. Na seção 03, o Bavli, em Shabbat 141b, ensina que não se sai com sapato novo, e explica que se trata do sapato de mulher. Nas seções 04 a 07, o mesmo trecho está também no Yerushalmi, Yevamot 12:2; a baraita da sandália rompida está na Tosefta Kelim Bava Batra 4:2, onde a sandália de palha também é mencionada, e no Bavli, em Shabbat 112a; e o Bavli, em Shabbat 112b, traz a mesma decisão, em nome de Rav Chanan bar Abba, em nome de Rav, de que a halachá é conforme Rabi Yehudá. Na seção 07, a Mishná citada por Rabi Yossi é a Mishná Yevamot 12:2, que diz também que a sandália pequena que cobre a maior parte do pé é válida para a chalitsá; o Bavli, em Shabbat 112a, cita a mesma Mishná na mesma discussão. Na seção 09, o Bavli, em Shabbat 61a, traz a discordância entre Rav Huna, que diz que a sandália se põe no pé ferido, e Chiya bar Rav, que diz que se põe no pé que não tem ferida; conta que Rabi Yochanan pediu as suas sandálias a Rav Shemen bar Abba; e traz a baraita “quando calça, calça a da direita e depois calça a da esquerda”. Na seção 10, a Tosefta Shabbat 1:6 ensina que se sai com tefilin ao escurecer. Nas seções 11 e 12, a Tosefta Shabbat 5:9 traz a definição do amuleto comprovado, o amuleto de escrita e o de ervas, e a condição de que não o ponha na corrente nem no anel; o Bavli, em Shabbat 61a e 61b, traz a mesma definição, e a outra, de que é comprovado o que curou três pessoas de uma vez. Na seção 12, o versículo é Daniel 5:29, onde vestem Daniel com o colar de ouro; as mesmas palavras estão em Daniel 5:7, na promessa do rei. Nas seções 13 e 15, o mesmo texto está também no Yerushalmi, Eruvin 10:11. Na seção 15, os salmos são Tehilim 3:2 e Tehilim 91:1 até 91:9; o Bavli, em Shevuot 15b, traz o shir pegaim, ou shir negaim, que se dizia em Jerusalém, e o explica com Tehilim 91:7, “cairão ao teu lado mil”.

Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “mesumar”, sem artigo, onde a Mishná avulsa escreve “hamesumar”; “bayachid”, “batefilá”, no singular, “bakamia” e “bamagafayim”, onde ela escreve “beyachid”, “bitfilin”, “bekamea” e “bemagafayim”; conservamos o hebraico como está. Na seção 01, a palavra “hadusta” é de leitura incerta, e Guggenheimer não a traduz; o sentido que damos vem do próprio argumento, pois para quem fala da ponta dos pregos a hadusta é permitida. Na seção 02, o hebraico diz “Rabi Ba bar Zavda”, e Guggenheimer lê Rabi Abba bar Zavda; diz “não se raspam sapatos e sandálias”, sem “velhos”, que Guggenheimer acrescenta conforme a Tosefta; diz “não se untam sapatos e sandálias”, que contradiz o que disse antes, e a Tosefta Shabbat 4:10 explica que se trata dos novos; e diz “Raban Shimon ben Gamliel”, onde Guggenheimer escreve Raban Gamliel. Na seção 05, o paralelo de Yevamot diz “assim como discordam na impureza, assim discordam no Shabat”, e acrescenta entre parênteses a palavra “ein”, como se a halachá não fosse conforme Rabi Yehudá. Na seção 06, o hebraico diz que, para quem declara a sandália impura, é proibido sair com ela, e, para quem a declara pura, é permitido; o paralelo de Yevamot diz o inverso, que é o que pede a lógica, pois a sandália impura ainda é utensílio, e Guggenheimer traduz conforme Yevamot; traduzimos o hebraico desta página. Na seção 07, o hebraico não diz quem falou à porta da cidade, e o paralelo de Yevamot diz que foi Rabi Zeira; a frase sobre Rabi Yona e Rabi Elazar é obscura, e o paralelo de Yevamot a escreve de outro modo, com “a loja” do chalitrá; e o hebraico diz “para o comprimento” e “para a largura” onde o paralelo de Yevamot diz o inverso, e Guggenheimer põe as duas palavras entre parênteses. Na seção 13, o paralelo de Eruvin diz “em nome de Rabi Yassa”, onde o hebraico daqui diz “em nome de Rabi Yossi”. Na seção 15, o paralelo de Eruvin diz “aqui, antes que fosse atingido, e ali, depois que foi atingido”, na ordem inversa.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 02, Guggenheimer entende que a sandália com pregos proibida é a bota de trabalho, e que se permite a sandália enfeitada com pregos, conforme o número de cada tradição; traduz “kelivit” como prego torto; e explica que Rabi não punha doze pregos em cada sandália porque os números pares eram tidos por mau agouro. Cita o versículo de Rabi Chanina como Devarim 33:24, e é 33:25; cita a Tosefta Kelim Bava Batra como 4:5, conforme a edição de Lieberman, e no Sefaria é 4:2; e cita o versículo de Daniel como 5:7, e a passagem em que Daniel recebe o colar é 5:29. Na seção 07, ele traduz “malbeniki” como malva-judaica e “chalitrá” como loja de frituras, e explica que Rabi Yona tirou a sandália longe de casa. Na seção 14, ele entende que a garança não pode verter líquido.