Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Heh · Halachá 4 (última do perek)
שַׁבָּת

Ein chamor yotzé: a mardaat do jumento, o gimon do bezerro e a vaca de Rabi Elazar ben Azariá

Perek Heh, Bameh Behemá, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat — encerramento do capítulo

Quarta e última halachá do Perek Heh de Massechet Shabbat, Bameh Behemá. A Mishná termina a lista daquilo com que o animal não sai no Shabat: o jumento, com a mardaat que não está amarrada, com o sino tapado, com o sulam no pescoço ou com a correia na pata; os galos, com fios e correias; os carneiros, com o carrinho debaixo da cauda; as ovelhas chanunot; o bezerro, com o gimon; e a vaca, com a pele de ouriço ou com a correia entre os chifres, como saía a vaca de Rabi Elazar ben Azariá, contra a vontade dos Sábios. A guemará trata do passeio no pátio e do ikuf que aquece o jumento; compara o sulam aos feixes de palha, ao amuleto comprovado e à atadura sobre a ferida; explica as ovelhas chanunot pela touca de lã ou pela raiz yachnuná, e o gimon pelo pequeno jugo, pela tabuinha ou pelo espeto; traz o boi bravo com a perumbiá e o cão com a focinheira; e termina com a vaca de Rabi Elazar ben Azariá, que Rabi Idi diz ter sido a sua mulher, e com a lição de Rabi Kiris: quem pode protestar e não protesta responde pela ruína do outro. Com ela se encerra o Perek Heh, Bameh Behemá; o tratado continua no Perek Vav, Bameh Ishá. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 54b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אֵין חֲמוֹר יוֹצֵא בַּמַּרְדַּעַת בִּזְמַן שֶׁאֵינָהּ קְשׁוּרָה לוֹ וְלֹא בַזוּג אַף עַל פִּי שֶׁהוּא פָקוּק וְלֹא בְסוּלָּם שֶׁבְּצַוָּארוֹ וְלֹא בִרְצוּעָה שֶׁבְּרַגְלוֹ. אֵין הַתַּרְנְגוֹלִין יוֹצְאִין בְּחוּטִין וְלֹא בִרְצוּעוֹת שֶׁבְּרַגְלֵיהֶן. וְאֵין הַזְּכָרִים יוֹצְאִין בַּעֲגָלָה שֶׁתַּחַת הָאַלְיָה שֶׁלָּהֶן וְאֵין הָרְחֵלִים יוֹצְאוֹת חֲנוּנוֹת וְאֵין הָעֵגֶל יוֹצֵא בַגִּימוּן וְלֹא פָרָה בְּעוֹר הַקּוּפָּד וְלֹא בִרְצוּעָה שֶׁבֵּין קַרְנֶיהָ. פָּרָתוֹ שֶׁל רַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה הָיְתָה יוֹצְאָה בִרְצוּעָה שֶׁבֵּין קַרְנֶיהָ שֶׁלֹּא בִרְצוֹן חֲכָמִים:

Mishná: O jumento não sai no Shabat com a mardaat (albarda, manta acolchoada) quando ela não está amarrada a ele; nem com o zug (sino), ainda que esteja pakuk (tapado, para não soar); nem com o sulam (escada, armação de varetas que protege a ferida) que está no seu pescoço; nem com a retzuá (correia) que está na sua pata. Os galos não saem com fios, nem com correias que estão nas suas patas, postas como sinal do dono. E os carneiros não saem com a agalá (carrinho) que está debaixo da sua cauda; e as ovelhas não saem chanunot (tratadas com o yachnun); e o bezerro não sai com o gimun (pequeno jugo); nem a vaca com a pele de kupad (ouriço), nem com a correia que está entre os seus chifres. A vaca de Rabi Elazar ben Azariá saía com a correia que está entre os seus chifres, mas contra a vontade dos Sábios.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01A mardaat, o ikuf e os kishushot
Yerushalmi · Shabbat 5:4
אֵין חֲמוֹר יוֹצֵא בַּמַּרְדַּעַת כול׳. תַּנֵּי. אֲבָל מְטַיֵיל הוּא בָהּ בֶּחָצֵר. רִבִּי שְׁמוּאֵל בְשֵׁם רִבִּי זְעִירָא. אַף לְעִנְיָין אִיכּוּף כֵּן. תַּנֵּי. יוֹצֵא הוּא הַחֲמוֹר בְּאִיכּוּף שֶׁלּוֹ בִּשְׁבִיל לְחַמְמוֹ. אֲבָל לֹא יִקְשׁוֹר אֶת הַמַּסְרוֹכֵי וְלֹא יַשְׁפִּיל אֶת הָרְצוּעָה שֶׁתַּחַת זְנָבוֹ. רִבִּי יִרְמְיָה בְעָא קוֹמֵי רִבִּי זְעִירָא. מְנָן אִילֵּין מִילַּיָיא. דְּתַנִּינָן. הִילְכוֹת שַׁבָּת כַּהֲרָרִים תְּלוּיִין בִּסְעָרָה. וְאַתְּ אָמַר הָכֵן. וִיתִיבִינֵיהּ. מַה בֵּין סוּלָּם לְקִישּׁוּשׁוֹת. סוּלָּם יֵשׁ בּוֹ מַמָּשׁ. קִישּׁוּשִׁיּוֹת אֵין בָּהֶן מַמָּשׁ. אָמַר רִבִּי חֲנִינָה. וִיתִיבִינֵהּ. מַה בֵּין קִישּׁוּשׁוֹת לְקַמֵיעַ מוּמְחֶה. דְּתַנֵּי אָסוּר לִבְהֵמָה לָצֵאת בְּקַמֵיעַ מוּמְחֶה. אָמַר רִבִּי אֶבְדַּיְמֵי. וִיתִיבִינֵיהּ. מַה בֵּין קִישּׁוּשׁוֹת לְאֶגֶד שֶׁעַל גַּבֵּי הַמַּכָּה. אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי. אֵין יוֹצְאִין בְּקִישּׁוּשׁוֹת. אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי. יוֹצְאִין. אָמַר רִבִּי חִיָיא בַּר אָדָא. תַּנָּיִין אִינּוּן. מַה דָמַר. יוֹצְאִין בְּקִישּׁוּשׁוֹת. יוֹצְאִין בְּאֶגֶד שֶׁעַל גַּבֵּי הַמַּכָּה. וּמָאן דָּמַר. אֵין יוֹצְאִין בְּקִישּׁוּשׁוֹת. אֵין יוֹצְאִין בְּאֶגֶד שֶׁעַל גַּבֵּי הַמַּכָּה.

Na Mishná: “O jumento não sai com a mardaat” etc. Ensina-se numa baraita: mas o jumento passeia com ela no pátio, mesmo sem estar amarrada. Rabi Shmuel em nome de Rabi Zeira: também quanto ao ikuf (sela de carga) é assim, pode passear com ele no pátio. Ensina-se numa baraita: sai o jumento com o seu ikuf para aquecê-lo, mas o dono não atará o masrochei (cilha de carga) e não abaixará a correia que está debaixo da sua cauda. Rabi Yirmeyá perguntou diante de Rabi Zeira: de onde vêm estas palavras, que permitem uma coisa e proíbem outra? Pois ensinamos na Mishná: “As leis do Shabat são como montanhas suspensas por um fio de cabelo” (Mishná Chaguigá 1:8); e tu dizes assim, pedindo uma fonte? Ele poderia objetar-lhe: que diferença há entre o sulam e os kishushot (feixes de palha atados sobre uma fratura)? A resposta é que o sulam tem substância, e por isso é carga; os kishushot não têm substância. Disse Rabi Chanina: ele poderia objetar-lhe: que diferença há entre os kishushot e o kamea mumche (amuleto comprovado)? Pois se ensina: é proibido ao animal sair com amuleto comprovado. Disse Rabi Avdimi: ele poderia objetar-lhe: que diferença há entre os kishushot e a atadura que está sobre a ferida? Há tanaim (recitadores de baraitot) que ensinam: não se sai com kishushot; há tanaim que ensinam: sai-se com eles. Disse Rabi Chiya bar Ada: são opiniões de tanaim diferentes. Quem diz “sai-se com kishushot” diz também que se sai com a atadura que está sobre a ferida; e quem diz “não se sai com kishushot” diz também que não se sai com a atadura que está sobre a ferida.

02O carrinho debaixo da cauda dos carneiros
Yerushalmi · Shabbat 5:4
אֵין הַזְּכָרִים יוֹצְאִין בַּעֲגָלָה שֶׁתַּחַת הָאַלְיָה שֶׁלָּהֶן. מִפְּנֵי שֶׁהוּא עוֹשֶׂה חֶרֶץ.

Na Mishná: “E os carneiros não saem com a agalá que está debaixo da sua cauda.” É proibido porque o carrinho faz um charitz (sulco) no chão, por onde é arrastado.

03As ovelhas chanunot e o amuleto comprovado
Yerushalmi · Shabbat 5:4
אֵין הָרְחֵלִים יוֹצְאוֹת חֲנוּנוֹת. רַב יְהוּדָה אָמַר. כִּיפָּה שֶׁלְּצֶמֶר. רִבִּי יָסָא בְשֵׁם רִבִּי חָמָא בַּר חֲנִינָה. עִיקָּר הוּא וּשְׁמֵיהּ יַחְנוּנָה. רִבִּי זְעִירָא בְעָא קוֹמֵי רִבִּי יוֹסֵי. לֵית הָדָא אָמְרָה שֶׁאָסוּר לִבְהֵמַה לָצֵאת בְּקַמֵיעַ מוּמְחֶה. אֲמַר לֵיהּ. אִין בַּבְלַיָיה דְקַמְתָּה עֲלֵיהּ.

Na Mishná: “E as ovelhas não saem chanunot.” Rav Yehudá disse: é uma kipá (touca) de lã, posta sobre a cabeça da ovelha. Rabi Yassa em nome de Rabi Chama bar Chanina: é uma raiz, e o seu nome é yachnuná. Rabi Zeira perguntou diante de Rabi Yossi: não diz isto que, se a raiz é proibida, é proibido ao animal sair com amuleto comprovado? Disse-lhe: sim, babilônio, tu que te puseste de pé sobre isto, isto é, que o compreendeste bem.

04O gimon do bezerro
Yerushalmi · Shabbat 5:4
אֵין הָעֵגֶל יוֹצֵא בַגִּימוֹן. רַב הוּנָא אָמַר. בַּר נִירָא. רַב חִסְדָּא אָמַר. פִּינַקְסְה. אַבָּא בַּר רַב הוּנָא אָמַר. שַׁרְתּוּעָה. אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי. גִּימוֹן. אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי. גִּימוֹל. מָאן דָּמַר. גִּימוֹן. הֲלָכוֹף כְּאַגְמוֹן רֹאשׁוֹ. מָאן דָּמַר. גִּימוֹל. וַתַּעֲלֵהוּ עִמָּהּ כַּאֲשֶׁר גְּמָלַתְּהוּ. מָאן דָּמַר גִּימוֹן מְסַיֵיעַ לְרַב חִסְדָּא. מָאן דָּמַר גִּימוֹל מְסַיֵיעַ לְאַבָּא בַּר רַב הוּנָא וּלְרַב הוּנָא.

Na Mishná: “O bezerro não sai com o gimon.” Rav Huna disse: é um bar nirá (pequeno jugo). Rav Chisdá disse: é uma pinaksá (tabuinha). Abba bar Rav Huna disse: é uma shartuá (espeto). Há tanaim que ensinam “gimon”; há tanaim que ensinam “gimol”. Quem diz “gimon” apoia-se no versículo: “Acaso é para curvar como um junco a sua cabeça?” (Yeshayahu 58:5). Quem diz “gimol” apoia-se no versículo: “E ela o fez subir consigo, quando o desmamou” (Shmuel I 1:24). Quem diz gimon apoia Rav Chisdá; quem diz gimol apoia Abba bar Rav Huna e Rav Huna.

05A pele de kupad
Yerushalmi · Shabbat 5:4
וְלֹא פָּרָה בְּעוֹר הַקּוּפָּד. שֶׁהוּא נוֹתֵן עוֹר קוּפָּד בֵּין דַּדֶּיהָ בִּשְׁבִיל שֶׁלֹּא תֵינִק אֶת בְּנָהּ.

Na Mishná: “Nem a vaca com a pele de kupad.” Trata-se do caso em que o dono põe a pele de kupad entre as suas tetas, para que ela não amamente o seu filhote, pois os espinhos o afastam.

06A correia entre os chifres, o boi bravo e o cão
Yerushalmi · Shabbat 5:4
פָּרָתוֹ שֶׁל רַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה הָיְתָה יוֹצְאָה בִרְצוּעָה שֶׁבֵּין קַרְנֶיהָ שֶׁלֹּא בִרְצוֹן חֲכָמִים. רִבִּי בָּא וְרִבִּי שְׁמוּאֵל תְּרֵיהוֹן אָמְרִין. דִּבְרֵי חֲכָמִים. אֲפִילוּ לְהִימָּשֵׁךְ בָּהּ אָסוּר. רִבִּי בָּא בְשֵׁם שְׁמוּאֵל. אִם הָיְתָה קַרְנָהּ קְדוּחָה מוּתָּר. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי. קַשְׁיָיתָהּ קוֹמֵי רִבִּי בָּא וָמַר. לֹא תַנִּינָן אֶלָּא הַנָּקָה בַחֲטָם. רִבִּי זְעִירָה בְשֵׁם שְׁמוּאֵל. שׁוּר שֶׁעִיסּוּקוֹ רַע יוֹצֵא בַּפְרוּמְבִּיָּא שֶׁלּוֹ. וְרַבּוֹתֵינוּ שֶׁבַּגּוֹלָה נָהֲגוּ כֵן. רִבִּי לִיָיא רַב יְהוּדָה בְשֵׁם שִׁמְעוֹן בַּר חִיָיא. כֶּלֶב יוֹצֵא בַסּוֹגֵר שֶׁלּוֹ. אִם לְחַכּוֹת בּוֹ אָסוּר. אִם בִּשְׁבִיל שֶׁלֹּא לֶאֱכוֹל אַפְסָרוֹ מוּתָּר.

Na Mishná: “A vaca de Rabi Elazar ben Azariá saía com a correia que está entre os seus chifres, contra a vontade dos Sábios.” Rabi Ba e Rabi Shmuel, ambos dizem: segundo as palavras dos Sábios, mesmo para a vaca ser puxada por ela é proibido. Rabi Ba em nome de Shmuel: se o seu chifre estava kedudá (perfurado), é permitido sair com a correia. Disse Rabi Yossi: apresentei a dificuldade diante de Rabi Ba, e ele disse: não ensinamos na Mishná senão “a naká (camela) com o chatam (argola no focinho)” (Mishná Shabbat 5:1), e não outros arreios. Rabi Zeira em nome de Shmuel: o boi cujo comportamento é mau sai com a sua perumbiá (freio, focinheira); e os nossos mestres que estão na Golá (Babilônia) costumam fazer assim. Rabi Ila, Rav Yehudá em nome de Shimon bar Chiya: o cão sai com o seu soguer (focinheira). Se é para esperar com ele, é proibido; se é para que o cão não coma o seu afsar (cabresto), é permitido.

07A vaca de Rabi Elazar ben Azariá e o dever de protestar
Yerushalmi · Shabbat 5:4
גָּנִיבָה אָמַר. הֲלָכָה הִיא הָיָה מְלַמֵּד וּבָא. כְּדָא דִתְנָן. שֶׁלֹּא כִּרְצוֹן חֲכָמִים. תַּנֵּי רִבִּי יוּדָה בַּר פָּזִי רַב דְּלָיָיה. אָמְרוּ לוֹ. אוֹ עֲמוֹד מִבֵּינוֹתֵינוּ אוֹ הַעֲבֵר רְצוּעָה מִבֵּין קַרְנֶיהָ. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן. שֶׁהָיָה מַתְרִיס כְּנֶגְדָּן. אָמַר רִבִּי חֲנַנְיָה. פַּעַם אַחַת יָצְאָת וְהִשְׁחִירוּ שִׁינָּיו מִן הַצּוֹמוֹת. אָמַר רִבִּי אִידִי דְּחוּטְרֵיהּ. אִשְׁתּוֹ הָיָית. וּמְנַיִין שֶׁאִשְׁתּוֹ קְרוּיָה עֶגְלָה. לוּלֵא חֲרַשְׁתֶּם בְּעֶגְלָתִי לֹא מְצָאתֶם חִידָתִי. תַּמָּן אָמְרִין. שְׁכֵינָתוֹ הָיְתָה. וְיֵשׁ אָדָם נֶעֱנַשׁ עַל שְׁכֵינָתוֹ. אָמַר רִבִּי קִירִיס דִּידְמָא. לְלַמְּדָךְ שֶׁכָּל מִי שֶׁהוּא סֶפֵּיקָא בְיָדוֹ לִמְחוֹת וְאֵינוֹ מַמְחֶה קַלְקָלָתוֹ תְלוּיָה בוֹ.

Ganiva disse: como halachá ele vinha ensinando isto. Mas então, como se entende isto que ensinamos: “contra a vontade dos Sábios”? Ensinou Rabi Yudá bar Pazi, em nome de Rav Delayá: disseram-lhe: ou retira-te do meio de nós, ou tira a correia do meio dos seus chifres. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: disseram-lhe isso porque ele se escudava contra eles, desafiando-os abertamente. Disse Rabi Chananiá: uma vez ela saiu assim, e escureceram os seus dentes por causa dos jejuns que ele fez em penitência. Disse Rabi Idi deChutrei: era a sua mulher, e não uma vaca. E de onde se aprende que a sua mulher é chamada “novilha”? Do versículo: “Se não tivésseis lavrado com a minha novilha, não teríeis achado o meu enigma” (Shoftim 14:18). Lá, na Babilônia, dizem: era a vaca da sua vizinha. E acaso um homem é punido por causa da sua vizinha? Disse Rabi Kiris deDidma: isto vem para te ensinar que todo aquele que tem a possibilidade nas suas mãos de protestar e não protesta, a ruína que o outro causa fica pendurada nele.

Nota

Esta é a quarta e última halachá do Perek Heh de Massechet Shabbat, Bameh Behemá, e corresponde à Mishná Shabbat 5:4 da Mishná avulsa, que é também a última Mishná do capítulo. A halachá anterior terminou com a baraita do palmo de corda e com a palavra de Rabi Yochanan bar Maryá: quem quer agir corretamente conduza o animal como se conduz o cavalo sarakaya. Esta encerra a lista do que o animal não pode levar ao sair no Shabat: arreios soltos, adornos, sinais de dono e remédios que não o protegem de um perigo. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 54b, e o capítulo Bameh Behemá termina ali em Shabbat 56b.

Referências conferidas. Na seção 01, a baraita do passeio no pátio está na Tosefta Shabbat 5:5 e no Bavli, em Shabbat 53a, mas ali o passeio no pátio é dito do sino tapado; aqui o hebraico diz “com ela”, no feminino, que combina com a mardaat, e traduzimos assim. A baraita do ikuf está na Tosefta Shabbat 5:2, onde o primeiro tanna proíbe o ikuf mesmo amarrado e Raban Gamliel o permite quando amarrado, para aquecer o jumento, contanto que não ate a cilha nem passe a correia debaixo da cauda; o Bavli, em Shabbat 53a, traz a mesma permissão em nome de Raban Shimon ben Gamliel. As montanhas suspensas por um fio de cabelo estão na Mishná Chaguigá 1:8. A proibição do amuleto comprovado para o animal e a permissão da atadura sobre a ferida e dos kishushin sobre a fratura estão juntas na Tosefta Shabbat 5:5, que segue, portanto, os tanaim que permitem; a Tosefta Shabbat 5:9 define o amuleto comprovado como o que curou uma, duas e três vezes. Guggenheimer cita a Tosefta pela edição de Lieberman, capítulo 4; no Sefaria, a numeração é a do capítulo 5. Na seção 02, a expressão “faz um sulco” aparece também no Bavli, em Beitzá 23b, a respeito de arrastar objetos sobre o chão. Na seção 03, o Bavli, em Shabbat 54b, traz outras explicações de chanunot, entre elas a de Rav Huna: uma árvore chamada yachnun, da qual se põe uma lasca no focinho da ovelha. Na seção 04, os versículos são Yeshayahu 58:5 e Shmuel I 1:24; o Bavli, em Shabbat 54b, também traz Rav Huna, “bar nirá”, e Rabi Elazar com o versículo “curvar como um junco a sua cabeça”. Na seção 05, o Bavli, em Shabbat 54b, explica a pele de ouriço de outro modo: para que as sanguessugas não a suguem. Na seção 06, a naká com o chatam é da Mishná Shabbat 5:1; o Bavli, em Shabbat 52a, traz a disputa de Rav e Shmuel sobre a correia entre os chifres, se é proibida tanto como enfeite quanto para guardar o animal, ou só como enfeite; ali também se ensina que a cabra cujos chifres foram entalhados sai com o afsar, e que o jumento de mau comportamento sai com a perumbiá, conforme Chananiá; e em Shabbat 51b Chananiá diz que o animal sai com o soguer. Na seção 07, o versículo é Shoftim 14:18; o Bavli, em Shabbat 54b, ensina que a vaca não era dele, mas da sua vizinha, e que, por ele não ter protestado, foi chamada pelo seu nome; e logo depois ensina que quem pode protestar contra a gente da sua casa e não protesta é apanhado pela culpa deles.

Observações de leitura. As seções 06 e 07 aparecem também no Yerushalmi, Beitzá 2:8, com algumas diferenças. Na seção 06, ali se lê “Rabi Ba: Rav e Shmuel, ambos dizem”, e aqui “Rabi Ba e Rabi Shmuel, ambos dizem”; ali o cão é proibido “se é para bater com ele”, e aqui o hebraico diz “para esperar com ele”, que traduzimos como está; ali a cadeia é Rabi Ila e Rabi Yehudá, e aqui o hebraico escreve “Rabi Liyá”, forma abreviada de Ila, que traduzimos Rabi Ila, e Rav Yehudá. Ali também há um ensino a mais, o do jumento de mau comportamento com a perumbiá. Na seção 07, ali Rabi Yona de Botzra pergunta: se como halachá ele vinha ensinando, é isto que ensinamos, “contra a vontade dos Sábios”? Aqui não há nome nem pergunta introduzida, e por isso traduzimos sem atribuir a pergunta a ninguém. Ali se lê “Bar Delayá”, “Chutra”, “Irmá” e “dos jejuns e do jejum”; aqui o hebraico diz “Rav Delayá”, “deChutrei”, que soa como “do seu bastão”, e “deDidma”, e mantivemos esses nomes como estão. Na seção 06, o hebraico escreve “Rabi Zeirá” com he no fim, e na seção 07 “kirtzon” com kaf, onde a Mishná diz “birtzon”. A Mishná do Yerushalmi escreve “gimun” com shuruk e “kupad” com dalet, onde a Mishná avulsa e o Bavli dizem “gimon” e “kupar”; na halachá, o hebraico diz “gimon”. Na seção 04, a última frase liga “gimon” a Rav Chisdá e “gimol” a Abba bar Rav Huna e a Rav Huna, embora o pequeno jugo de Rav Huna seja o que faz curvar a cabeça; Guggenheimer observa que o copista escreveu primeiro “Huna” e o corretor o trocou; traduzimos o hebraico como está.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Nas seções 06 e 07, Guggenheimer corrige o texto pelo de Beitzá e traduz as leituras corrigidas; traduzimos o hebraico desta halachá e registramos as diferenças acima. Na seção 01, ele entende que a resposta sobre as montanhas suspensas é de Rabi Zeira; o hebraico não diz quem responde, e não acrescentamos o nome. Na seção 03, ele propõe ler Rabi Yassa no lugar de Rabi Yossi, e entende que a raiz não é comida, e por isso fica pendurada como amuleto; mantivemos Rabi Yossi. Na seção 04, a tabuinha e o espeto seguem a sua explicação: pinaksá é a palavra grega pínax, e o espeto, como a tabuinha, pendia do pescoço do bezerro para desmamá-lo. Na seção 06, ele entende o chifre kedudá como pontudo e perigoso, de modo que a correia é uma precaução; o hebraico diz “perfurado”, e traduzimos assim. Na seção 07, ele entende que o pedido para retirar-se veio porque Rabi Elazar ben Azariá desafiava abertamente a opinião da maioria.

A Mishná seguinte, Shabbat 6:1, abre o Perek Vav, Bameh Ishá: “Com que sai a mulher, e com que não sai”, isto é, que adornos e roupas a mulher pode levar ao sair no Shabat.

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Heh de Massechet Shabbat, Bameh Behemá (בַּמֶּה בְּהֵמָה).