Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Dalet · Halachá 2
שַׁבָּת

Tomnin bishlachin: as peles e os tosões de lã, e o que se pode mover no Shabat

Perek Dalet, Bameh Tomnin, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Segunda halachá do Perek Dalet de Massechet Shabbat, Bameh Tomnin. A Mishná ensina que se pode guardar a panela quente em peles cruas, que se movem no Shabat, e em tosões de lã, que não se movem; para tirar a panela dos tosões, sacode-se a cobertura, e eles caem; Rabi Elazar ben Azariá manda inclinar o cesto sobre o seu lado, e os sábios permitem tirar e devolver. A guemará distingue as peles e os tosões do dono da casa dos que estão no depósito; traz a esteira estendida sobre os tijolos, o ovo posto no yom tov e o lençol sobre o enxame de abelhas; as redes estendidas ao sol e a intenção de Rav; as pontas de troncos na casa de estudo de Bar Ulla; o que se precisa pensar ou amarrar para mover felpas, vigas, peles e ramos de palmeira; a barca do Jordão, que ninguém soube explicar em Yavne; e termina com as pedras lisas de Chamat Gader e os pares de opiniões. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 49a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

טוֹמְנִין בַּשְׁלָחִין וּמְטַלְטְלִין אוֹתָן בְּגִיזֵּי צֶמֶר וְאֵין מְטַלְטְלִין אוֹתָן. כֵּיצַד עוֹשֶׂה נוֹעֵר אֶת הַכִּסּוּי וְהֵן נוֹפְלוֹת. רַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה אוֹמֵר קוּפָּה מַטָּהּ עַל צִידָּהּ וְנוֹטֵל שֶׁמָּא יִטּוֹל וְאֵינוֹ יָכוֹל לְהַחֲזִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים נוֹטֵל וּמַחֲזִיר.

Mishná: Pode-se guardar a panela quente em shelachin (peles cruas), e elas se movem no Shabat, pois servem também para outros usos; e pode-se guardá-la em gizei tzemer (tosões de lã), e não se movem, porque são matéria-prima posta de lado. Como faz quem quer tirar a panela guardada nos tosões? Sacode a cobertura da panela, e eles caem por si. Rabi Elazar ben Azariá diz: a kupá (o cesto em que a panela está guardada), inclina-a sobre o seu lado e tira a panela, pois talvez a tire e não possa devolvê-la, porque o lugar dela se fecha. E os sábios dizem: tira e devolve, mesmo sem inclinar o cesto.

A Halachá · הֲלָכָה ב

01As peles do dono da casa e as do depósito
Yerushalmi · Shabbat 4:2
טוֹמְנִין בַּשְׁלָחִין וּמְטַלְטְלִין אוֹתָן. רִבִּי יוּדָה בֶּן פָּזִי בְשֵׂם רִבִּי יוֹנָתָן. הָדָא דְתֵימַר בִּנְתוּנִין אֶצֶל בַּעַל הַבַּיִת. אֲבָל בִּנְתוּנִין בָּאַפּוֹתֵיקֵי לֹא בְדָא. בְּגִיזֵּי צֶמֶר וְאֵין מְטַלְטְלִין אוֹתָן. רִבִּי יוּדָה וְרִבִּי יוֹחָנָן. הָדָא דְתֵימַר בִּנְתוּנִין בָּאַפּוֹתֵיקֵי. אֲבָל בִּנְתוּנִין אֶצֶל בַּעַל הַבַּיִת לֹא בְדָא.

Na Mishná: “Guarda-se em shelachin, e movem-se.” Rabi Yudá ben Pazi disse em nome de Rabi Yonatan: isto que dizes vale para as peles que estão postas junto ao baal habayit (o dono da casa, que as usa para sentar-se); mas para as que estão postas na apotiki (o depósito, onde se guardam para a venda), não é assim, e elas não se movem. Na Mishná: “Em gizei tzemer, e não se movem.” Rabi Yudá e Rabi Yochanan disseram: isto que dizes vale para os tosões que estão postos na apotiki; mas para os que estão postos junto ao baal habayit, não é assim, e eles se movem.

02A esteira sobre os tijolos
Yerushalmi · Shabbat 4:2
רַב יִרְמְיָה בְשֵׁם רַב. פּוֹרְשִׂין מַחֲצֶלֶת עַל גַּבֵּי שַׁיָיפוֹת שֶׁלְלְבֵינִים בַּשַּׁבָּת.

Rav Yirmeyá disse em nome de Rav: estende-se uma esteira sobre as shayafot (fileiras) de tijolos no Shabat, para sentar-se sobre ela, embora os tijolos sejam material de construção, pois os tijolos mesmos não são movidos.

03O ovo posto no yom tov
Yerushalmi · Shabbat 4:2
אָמַר רִבִּי שִׁמְעוֹן בֵּרִבִּי. אֲנִי לֹא שָׁמַעְתִּי מֵאַבָּא. אֲחוֹתִי אָמְרָה לִי מִשְּׁמוֹ. בֵּיצָה שֶׁנּוֹלְדָה בְיוֹם טוֹב סוֹמְכִין לָהּ כֶּלִי בִּשְׁבִיל שֶׁלֹּא תִּתְגַּלְגֵּל. אֲבָל אֵין כּוֹפִין עָלֶיהָ אֶת הַכֶּלִי. וּשְׁמוּאֵל אָמַר. כּוֹפִין עָלֶיהָ כֶלִי. אָמַר רִבִּי מָנָא. וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יְהֵא הַכֶּלִי נוֹגֵעַ בְּגוּפָהּ שֶׁלְּבֵיצָה.

Disse Rabi Shimon beRabi: eu não o ouvi diretamente do meu pai; minha irmã me disse em nome dele: um ovo que foi posto num yom tov (dia de festa), e que por isso não pode ser movido, encosta-se a ele um recipiente de lado para que não role; mas não se emborca sobre ele o recipiente, porque não se move um recipiente por causa do que não se pode mover. E Shmuel disse: ao contrário, emborca-se sobre ele um recipiente. Disse Rabi Mana: e somente com a condição de que o recipiente não toque no corpo do ovo, para que o ovo mesmo não seja movido.

04O lençol sobre o enxame de abelhas
Yerushalmi · Shabbat 4:2
תַּנֵּי רִבִּי הוֹשַׁעְיָה. נָחִיל שֶׁלִּדְבוֹרִין פּוֹרְסִין עָלֶיהָ סַדִּין בַּחַמָּה מִפְּנֵי הַחַמָּה וּבַגְּשָׁמִים מִפְּנֵי הַגְּשָׁמִים. מַה כְרָב. כִּשְׁמוּאֵל. כָּאן מִלְּמַעֲלָן כָּאן מִלְּמַטָּן.

Ensinou Rabi Hoshayá: quanto a um nachil (enxame) de abelhas, estende-se sobre ele um lençol, no calor, por causa do calor, e nas chuvas, por causa das chuvas, embora as abelhas não possam ser movidas. Isto é como quem? Como Rav, que permite estender a esteira sobre os tijolos? Como Shmuel, que permite emborcar o recipiente sobre o ovo? Aqui, o enxame está por cima, pendurado; ali, o ovo está por baixo, no chão, e a diferença de posição distingue os casos.

05Os rolos do tear e as redes estendidas ao sol
Yerushalmi · Shabbat 4:2
רִבִּי בִּיסְנָא בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בַּר חֲנִינָה. חֲפֵי לְסוֹטוֹת אָסוּר לְטַלְטְלָן. מְצַדְתְּא הֲוָא פְרִיסָן וְהָדֵין מִשְׁטָרְפָן גַּו שִׁימְשָׁא. אַתּוֹן וְשָׁאֲלוּ לְרַב. מָהוּ מְטַלְטְלָתְן. אֲמַר לוֹן. חַשְׁבוֹן עֲלֵיהֹן מִתְנִינָן תּוֹחְתֵי רֵשֵׁיכוֹן וְשָׁרִי לְכוֹן מְטַלְטָלְּתָן.

Rabi Bisna disse em nome de Rabi Yossi bar Chanina: os chafei lessotot (segundo Guggenheimer, os rolos do tear de tecido fino), é proibido movê-los no Shabat. Certa vez, as redes de caça estavam estendidas, e elas se estragavam ao sol. Os donos vieram e perguntaram a Rav: o que é quanto a movê-las? Disse-lhes: pensai sobre elas, com a intenção de pô-las debaixo das vossas cabeças, e vos é permitido movê-las, porque assim se tornam travesseiros.

06As pontas de troncos no sidra de Bar Ulla
Yerushalmi · Shabbat 4:2
רִבִּי זְעִירָא בְשֵׁם רִבִּי יִרְמְיָה. רָאשֵׁי כְלוֹנְסִיּוֹת שֶׁחִישֵּׁב עֲלֵיהֶן מֵאֶיתְמֹל מוּתָּר לְטַלְטַלָן. רִבִּי יוֹנָה וְרִבִּי יוֹסֵי סָלְקוֹן לְסִדְרָא דְבַר עוּלָּא דַּהֲוָה רָבְעָה תַמָּן וַהֲוָה תַמָּן רָאשֵׁי כְלוֹנְסִיּוֹת. אַתּוּן וּשְׁאָלוּן לֵיהּ מָהוּ לְטַלְטַלָן. אֲמֻר לוֹן. אִם חָשַׁבְתֶּם עֲלֵיהֶן מֵאֶיתְמֹל מוּתָּר לְטַלְטַלָן. וְאִם לָאו אֵין אַתֶּם מוּתָּרִים לְטַלְטַלָן.

Rabi Zeira disse em nome de Rabi Yirmeyá: as pontas de kelonsiot (troncos, vigas) sobre as quais alguém pensou desde a véspera, para usá-las no Shabat, é permitido movê-las. Rabi Yona e Rabi Yossi subiram ao sidra (a casa de estudo) de Bar Ulla, pois havia ali uma revaá (uma reunião; segundo Guggenheimer, um banquete), e havia ali pontas de kelonsiot. Uns vieram e perguntaram-lhe: o que é quanto a movê-las? Disseram-lhes: se pensastes sobre elas desde a véspera, é permitido movê-las; e, se não, não vos é permitido movê-las, porque são muktze.

07Pensar e amarrar: felpas, vigas, peles e ramos de palmeira
Yerushalmi · Shabbat 4:2
תַּנֵּי רִבִּי חֲלַפְתָּא בַּר שָׁאוּל. מוּכִּין שֶׁחָשַׁב עֲלֵיהֶן מֵאֶתְמוֹל מוּתָּר לְטַלְטַלָן. תַּנֵּי רִבִּי יוֹסֵי בֶּן שָׁאוּל. צֶבֶר שֶׁל קוֹרוֹת שֶׁחִישֵּׁב עֲלֵיהֶן מֵאֶתְמוֹל מוּתָּר לְטַלְטַלָן. רִבִּי יוֹסֵי רִבִּי חֲנִינָה בְשֵׁם רִבִּי יִשְׁמָעֵאל בֵּירִבִּי יוֹסֵי. רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אִידִי רִבִּי חֲנִינָה בְשֵׁם רִבִּי יִשְׁמָעֵאל בֵּירִבִּי יוֹסֵי. אַבָּא שַׁלְחָא הֲוָה וַהֲוָה אָמַר לָנוּ קָשְׁרוּ לָכֶם רָאשֵׁי גִיזִּיּוֹת וְאַתְּם מוּתָּרִין לְטַלְטְלָן לְמָחָר. חִזְקִיָּה אָמַר. אֲפִילוּ מַלַּן. רַב אָמַר. חֳרִיּוּת שֶׁגִּידְעָן לִשְׁכִיבָה אֵינָן צְרִיכוֹת קִישּׁוּר. לָאֹהָלִין צְרִיכוֹת קִישּׁוּר. רַב אַבָּא בַּר חָנָה אָמַר. בֵּין לִשְׁכִיבָה בֵּין לָאוֹהָלִין צְרִיכוֹת קִישּׁוּר. אָמַר רִבִּי חִזְקִיָּה. וְלָא דָמִי קִישּׁוּרֵיהּ דְּרַב בָּאוֹהָלִין לְקִישּׁוּרֵיהּ דְּרַב אַבָּא בַּר חָנָה בַכֵּלִים. קִישּׁוּרֵיהּ דְּרַב בָּאוֹהָלִין. עַד שֶׁיִּקְשׁוּר אֶת כָּל הַקּוֹצִין. קִישּׁוּרֵיהּ דְּרַב אַבָּא בַּר חָנָה בַכֵּלִים. עַד שֶׁיִּהְיֶה עֲלֵיהֶן תּוּאָר כֶּלִי. אִם אוֹמֵר אָתְּ. עַד שֶׁיִּקְשׁוּר אֶת הַקּוֹצִין. אֵין מַעֲשֶׂה גָּדוֹל מִזֶּה.

Ensinou Rabi Chalafta bar Shaul: mochin (felpas) sobre os quais alguém pensou desde a véspera, para usá-los no Shabat, é permitido movê-los. Ensinou Rabi Yossi ben Shaul: um tzever (monte) de vigas sobre as quais alguém pensou desde a véspera, é permitido movê-las. Rabi Yossi, Rabi Chanina, em nome de Rabi Yishmael beRabi Yossi; Rabi Yaakov bar Achá, Rabi Yaakov bar Idi, Rabi Chanina, em nome de Rabi Yishmael beRabi Yossi, transmitem todos o mesmo: meu pai era shalcha (curtidor de peles), e nos dizia: atai para vós as pontas das giziot (peles com a sua lã), e vos é permitido movê-las amanhã, no Shabat, porque o nó mostra que as destinastes a sentar-se. Chizkiyá disse: mesmo se só malan (as prendeu frouxamente, sem nó firme). Rav disse: chariyot (ramos de palmeira) que alguém cortou para deitar-se sobre eles não precisam de amarração; para tendas, precisam de amarração. Rav Abba bar Chana disse: tanto para deitar-se como para tendas, precisam de amarração. Disse Rabi Chizkiyá: e não se assemelha a amarração de Rav, nas tendas, à amarração de Rav Abba bar Chana, nos utensílios. A amarração de Rav, nas tendas, só vale quando ele amarra todos os espinhos. A amarração de Rav Abba bar Chana, nos utensílios, vale quando há sobre eles a forma de um utensílio. Se tu dizes que também ali é preciso que amarre os espinhos, não há maasé (feitura) maior do que esta, pois isto já seria fabricar um utensílio completo, e não uma simples indicação.

08A barca do Jordão e os ramos de palmeira
Yerushalmi · Shabbat 4:2
רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אִידֵי בְשֵׁם רִבִּי יוֹנָתָן. לְעוֹלַם אַל יִמְנַע אָדָם עַצְמוֹ מִלֵּילֵךְ לְבֵית הַמִּדְרַשׁ. שֶׁהֲרֵי כַמָּה פְעָמִים נִשְׁאֲלָה הֲלָכָה זוֹ בְיַבְנֶה. עֲרֵיבַת הַיַּרְדֵּן לָמָּה הִיא טְמֵאָה. וְלֹא אָמַר אָדָם דָּבָר. עַד שֶׁבָּא רִבִּי חֲנִינָה בֶּן אַנְטִיגֳנָס וּדְרָשָׁהּ בְּעִירוֹ. עֲרֵיבַת הַיַּרְדֵּן לָמָּה הִיא טְמֵיאָה. מִפְּנֵי שֶׁמְמַלִּין אוֹתָהּ פֵּירוֹת וּמוֹלִיכִין אוֹתָהּ מִן הַיָּם לַיַּבָּשָׁה וּמִן הַיַּבָּשָׁה לַיָּם. וְעוֹד דָּבָר אַחֵר דָּרַשׁ. חֳרִיּוּת שֶׁגִּדְעָן בֵּין לִשְׁכִיבָה בֵּין לָאוֹהָלִין צְרִיכוֹת קִישּׁוּר. הָתִיבוּן. הֲרֵי נָדִירַיָיא דְּאַשְׁקְלוֹן. אָמַר רִבִּי יִצְחָק בַּר לָעְזָר. שַׁנְיָיא הִיא. שְׁמִּקְצָתָן בַּיָּם וּמִקְצָתָן בַּיַּבָּשָׁה.

Rabi Yaakov bar Idi disse em nome de Rabi Yonatan: jamais se impeça um homem de ir à casa de estudo, pois eis que muitas vezes foi perguntada esta halachá em Yavne: a arevat haYarden (a barca do Jordão, um barco pequeno de barro), por que ela é impura, se um barco é puro? E ninguém disse coisa alguma, até que veio Rabi Chanina ben Antigonos e a expôs publicamente na sua cidade: a arevat haYarden, por que ela é impura? Porque a enchem de frutos, como um recipiente, e a levam do mar para a terra seca, e da terra seca para o mar, e por isso ela é também um recipiente de terra, e não só um barco. E ainda outra coisa expôs ali: os chariyot que alguém cortou, tanto para deitar-se como para tendas, precisam de amarração, para que se possam mover no Shabat. Objetaram a ele: eis os nadirayya (palavra de sentido incerto; segundo Guggenheimer, os barcos raros) de Ashkelon, que não são impuros! Disse Rabi Yitzchak bar Elazar: é diferente, pois parte deles está no mar e parte deles na terra seca, e por isso não se comparam.

09As pedras lisas de Chamat Gader e os pares de opiniões
Yerushalmi · Shabbat 4:2
אַתְיָיא דְרִבִּי בָּא בַּר חָנָא כְּרִבִּי חֲנִינָא. דָּמַר רִבִּי חֲנִינָא. עוֹלִין הָיִינוּ עִם רִבִּי לְחַמַּת גָּדֵר וְהָיָה אוֹמֵר לָנוּ. בָּחֲרוּ לָכֶם חֲלָקֵי אֲבָנִים וְאַתֶּם מוּתָּרִין לְטַלְטְלָן לְמָחָר. רִבִּי זְעִירָא אָמַר. עַד שֶׁיְּקַרְדֵּם. חֲבֵרַיָיא אָמְרֵי. עַד שֶׁיְּשַׁפְשֵׁף. צִיפּוֹרָאֵי אָמְרִין. עַד שֶׁיַּחְשׁוֹב. רִבִּי יוֹחָנָן אָמַר. עַד שֶׁיְּהֵא עֲלֵיהֶן תּוֹאַר כֶּלִי. אַשְׁכָּחַת אֲמַר רַב חָנָה בַּר אַבָּא וְרִבִּי יוֹחָנָן וְרִבִּי יוֹנָתָן חָדָא. רַב וְרִבִּי זְעִירָא וְרִבִּי יִשְׁמָעֵאל בֵּירִבִּי יוֹסֵי חָדָא. צִיפּוֹרָאֵי וְרִבִּי יוֹסֵי בֶּן שָׁאוּל וְרִבִּי חֲלַפְתָּא בֶּן שָׁאוּל חָדָא. חֲבֵרַיָיא לֵית לְהוֹן זוּג.

A opinião de Rabi Ba bar Chana vem conforme Rabi Chanina, pois disse Rabi Chanina: subíamos com Rabi (Rabi Yehudá HaNassi) a Chamat Gader (as fontes quentes de Gadara), e ele nos dizia: escolhei para vós chalakei avanim (pedras lisas), e vos é permitido movê-las amanhã, no Shabat. Rabi Zeira disse: só quando ele as desbastar com o machado. Os chaveraya (os companheiros, os estudiosos) dizem: só quando ele as polir. Os Tzipporaei (os sábios de Tzipori) dizem: basta quando ele pensar sobre elas. Rabi Yochanan disse: só quando houver sobre elas a forma de um utensílio. Tu encontras que se pode dizer: Rav Chana bar Abba, Rabi Yochanan e Rabi Yonatan têm uma só opinião; Rav, Rabi Zeira e Rabi Yishmael beRabi Yossi, uma; os Tzipporaei, Rabi Yossi ben Shaul e Rabi Chalafta ben Shaul, uma; os chaveraya não têm zug (par).

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Dalet de Massechet Shabbat, Bameh Tomnin, que corresponde à primeira parte da Mishná Shabbat 4:2 da Mishná avulsa. A Mishná avulsa 4:2 prossegue com a regra de quem não cobriu a panela enquanto ainda era dia e com a jarra que se põe debaixo do travesseiro; no Yerushalmi, essas cláusulas abrem a halachá seguinte, 4:3. A halachá anterior terminou com a estopa de linho e a serragem de carpinteiros, das quais se disse que esta é aquela e aquela é esta. Esta passa das peles e dos tosões de lã em que se guarda a panela à pergunta sobre o que se pode mover no Shabat: o que não foi preparado para uso antes do Shabat é muktze e não se move; mas basta, em muitos casos, que o dono tenha pensado desde a véspera em usá-lo, ou que lhe tenha feito um sinal, como um nó, para que possa ser movido.

Referências conferidas. Na seção 01, o Bavli, em Shabbat 49a, pergunta se a Mishná fala das peles do dono da casa ou das do artesão, e Rabi Chanina bar Chama traz ali, em nome de Rabi Yishmael beRabi Yossi, a frase “meu pai era curtidor de peles”, que se lê também na seção 07; em Shabbat 50a, Ravina diz que a Mishná fala dos tosões do depósito, e a baraita que o apoia está na Tosefta Shabbat 4:11: os tosões de lã do depósito não se movem, mas, se o dono da casa os preparou para usá-los, movem-se. As seções 02 a 05 aparecem também no Yerushalmi Beitzá 5:1. A esteira sobre os tijolos e o lençol sobre a colmeia estão no Bavli, em Shabbat 43a e em Beitzá 36a; ali, Rabi Yitzchak ensina, como Rabi Shimon aqui, que não se emborca um recipiente sobre o ovo. Na seção 07, o Bavli, em Shabbat 50a, traz a discussão de Rav, que exige amarrar, de Shmuel, que exige pensar, e de Rav Assi, que permite sentar-se mesmo sem uma coisa nem outra, e a baraita, ensinada ali por Rabá bar bar Chana, dos ramos de palmeira cortados para lenha, que precisam de amarração, contra Raban Shimon ben Gamliel; a mesma baraita está em Shabbat 125b. Na seção 08, o paralelo está em Kohelet Rabá 1:15, onde a frase é dita por Rabi Yaakov bar Achá em nome de Rabi Yochanan, o sábio que explica é Rabi Chanina ben Akavia, os de Ashkelon são chamados “os que descem a Ashkelon”, e a resposta é de Rabi Elazar ben Yossi; e no Bavli, em Shabbat 83b, Rabi Chanina ben Akavia explica que a barca do Jordão é impura porque é carregada em terra e descida à água, e a frase “jamais se impeça um homem de ir à casa de estudo” é dita ali por Rav Yehudá em nome de Rav. Que o barco é puro está na Mishná Shabbat 9:2, a partir do versículo “o caminho do navio no meio do mar”, Mishlei 30:19; e a Mishná Kelim 2:3 conta o barco de barro entre os utensílios de barro que são puros. Na seção 09, o Bavli, em Shabbat 125b, traz em nome de Rabi Chanina que Rabi encontrou uma fileira de pedras e disse aos seus alunos: “ide e pensai sobre elas, para que nos sentemos sobre elas amanhã”.

Observações de leitura. Na Mishná, o hebraico desta edição diz “noer”, sacode a cobertura, onde a Mishná avulsa diz “notel”, tira a cobertura; e diz “keitzad osse”, como faz, sem a palavra “hu”. Na seção 01, a segunda frase vem em nome de “Rabi Yudá e Rabi Yochanan”; Guggenheimer propõe ler, como na primeira, Rabi Yehudá ben Pazi em nome de Rabi Yonatan; mantivemos o hebraico. Na seção 03, o hebraico diz “Rabi Shimon beRabi”; o paralelo do Yerushalmi Beitzá 5:1 diz “Rabi Shimon beRabi Yanai”, e Guggenheimer acrescenta o nome a partir dali. Na seção 05, o paralelo de Beitzá traz antes da resposta de Rav as palavras “é proibido tocar nelas”, que Guggenheimer acrescenta; o hebraico desta edição não as tem, e não as traduzimos. Na seção 06, Guggenheimer observa que deveria ser Rabi Zeira em nome de Rav Yirmeyá, ou o inverso; e o hebraico diz “perguntaram-lhe”, no singular, e “disseram-lhes”, no plural, sem dizer quem respondeu. Na seção 07, o hebraico chama Rabi Chalafta “bar Shaul”, e na seção 09, “ben Shaul”. Na seção 09, o hebraico diz “Rabi Ba bar Chana” e depois “Rav Chana bar Abba”; Guggenheimer entende os dois como o Rav Abba bar Chana da seção 07. Ainda na seção 09, a opinião de Rabi Yonatan é a da seção 08, transmitida em seu nome por Rabi Yaakov bar Idi: os ramos de palmeira precisam de amarração tanto para deitar-se como para tendas.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 05, Guggenheimer traduz “metzadta” como os caçadores, e nós, com o hebraico, as redes. Na seção 08, o hebraico diz “em nome de Rabi Yonatan”, onde Guggenheimer traduz Rabi Yochanan; e o hebraico diz “do mar para a terra seca, e da terra seca para o mar”, na ordem que seguimos, onde Guggenheimer põe a ordem inversa; ele entende “nadirayya” como os barcos raros de Ashkelon, e a resposta de Rabi Yitzchak bar Elazar no sentido de que ali uns barcos ficam sempre no mar e outros sempre em terra. Na seção 04, ele explica que, segundo Shmuel, aqui se permite porque o enxame está pendurado num galho, e não pousado no chão como o ovo.