Sétima e penúltima halachá do Perek Guimel de Massechet Shabbat, Kirá. A Mishná ensina que se move no Shabat uma vela nova, mas não uma velha; e Rabi Shimon diz que todas as velas se movem, exceto a que está acesa no Shabat. A guemará traz a baraita de Rabi Meir, Rabi Yudá e Rabi Shimon; as duas versões, em nome de Rabi Yochanan, sobre o que é destinado ao proibido e o que foi designado para ele; as objeções da liteira com moedas, da pedra sobre o barril e do cesto dos pintinhos; a quem segue a halachá; a vela sobre a mesa e a vela atrás da porta; o copo, a tigela e a lanterna; o braseiro de Rabi Romanos; o tarkos, a cadeira e a escada; e a menorá pequena. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 44a.
Mishná: Move-se no Shabat uma vela nova, mas não uma velha, que já foi acesa. Rabi Shimon diz: todas as velas se movem no Shabat, exceto a vela que está acesa no Shabat, pois enquanto arde não se pode tocá-la.
Na Mishná: “Move-se uma vela nova, mas não uma velha” etc. Objetou Rabi Chiya bar Ada: e acaso não ensinamos na Mishná (Shabbat 18:2): “Vira-se de boca para baixo um cesto diante dos pintinhos, para que subam nele e para que desçam”? Eis um objeto que está em sua forma e, uma vez dado aos pintinhos, não está em sua preparação! Disseram: esta é a exceção de Rabi Yochanan, a única coisa que, segundo a sua regra, está em sua forma e não está em sua preparação.
Pois ensinou-se numa baraita: “Todas as velas se movem no Shabat, exceto a vela que está acesa no Shabat; estas são palavras de Rabi Meir. Rabi Yudá diz: uma vela nova, é permitido movê-la; e uma velha, já usada, é proibido movê-la. Rabi Shimon diz: todas as velas se movem, exceto a vela que está acesa no Shabat; se se apagou, é permitido movê-la.”
Rabi Yirmeyá e Rabi Ba, os dois em nome de Rabi Yochanan. Um disse: segundo as palavras de Rabi Meir, tudo o que é meyuchad leissur (destinado, por sua natureza, a um uso proibido no Shabat) é proibido de mover. E o outro disse: tudo o que alguém yichado leissur (designou expressamente para um uso proibido) é proibido. E não sabemos quem disse isto e quem disse aquilo. Mas do que disse Rabi Chanina se sabe: Rabi Yirmeyá perguntou: este libená (tijolo) não é como um objeto destinado ao proibido? Logo, ele, Rabi Yirmeyá, é quem disse: tudo o que é destinado ao proibido é proibido. Quem diz meyuchad proíbe, com mais razão, o que alguém yichado; e quem diz yichado, eis que o que é apenas meyuchad não é proibido.
Uma Mishná diverge daquele que disse: tudo o que é destinado ao proibido é proibido; pois ensinamos lá (Kelim 18:2): “A muchni (a base com rodas) dela, da liteira, quando se solta, não é considerada ligada a ela, e não é medida com ela, e não protege com ela na tenda do morto; e não se arrasta no Shabat quando há dentro dela moedas.” E ensinou-se sobre ela numa baraita: se havia moedas sobre ela e caíram, ela pode ser arrastada; ora, para quem diz que o destinado ao proibido é proibido, ela deveria continuar proibida. Disse Rav Sheshet: essa baraita é de Rabi Shimon, pois Rabi Shimon diz: “se se apagou, é permitido movê-la.”
Disseram: por que não a explicamos como opinião de todos, no caso de quem esqueceu ali as moedas? Não podes, pois ensinamos lá: “E se não se solta, é considerada ligada a ela, e é medida com ela, e protege com ela na tenda do morto; e arrasta-se no Shabat, ainda que haja dentro dela moedas.” Há como dizer aqui: é a opinião de todos, no caso de quem esqueceu? Pois, para quem proíbe o destinado ao proibido, nem mesmo assim se poderia arrastá-la.
Uma Mishná diverge daquele que disse: tudo o que é destinado ao proibido é proibido; pois ensinamos (Shabbat 21:2): “A pedra que está sobre a boca do barril: inclina-o sobre o seu lado, e ela, a pedra, cai.” Ora, o barril serve de base à pedra, e ainda assim se pode movê-lo. Rabi Ba em nome de Rabi Chiya bar Ashi: Rav a explicou no caso de quem esqueceu ali a pedra. E também do que vem depois dela, na mesma Mishná: “Se estava entre os barris, levanta-o e o inclina sobre o seu lado, e ela cai”; também esta cláusula Rav a explicou no caso de quem esqueceu.
Uma Mishná diverge daquele que disse: tudo o que é destinado ao proibido é proibido; pois ensinamos (Shabbat 18:2): “Vira-se de boca para baixo um cesto diante dos pintinhos, para que subam e para que desçam.” E ensinou-se sobre ela numa baraita: se subiram nele por si mesmos, é proibido movê-los; ora, ninguém o destinou nem o designou para isso. Disse Rabi Bun bar Chiya diante de Rabi Zeira: explica-a no caso de um cesto repugnante, que por isso já não serve a outro uso. Disse-lhe: e não ensinou Rabi Hoshayá: “mesmo um se'á, mesmo um tarkav” (cestos que servem de medida)? Tens como dizer que o se'á e o tarkav são repugnantes?
Rabi Yirmeyá em nome de Rav: a halachá é como Rabi Meir. Shmuel disse: a halachá é como Rabi Yehudá. Rabi Yehoshua ben Levi disse: a halachá é como Rabi Shimon. Perguntaram a respeito disso diante de Rabi Yochanan: tu, o que dizes tu? Disse-lhes: eu não tenho outra coisa senão a Mishná: “Todas as velas se movem, exceto a vela que está acesa no Shabat”, palavras que a Mishná traz e que são também as de Rabi Meir. Rabi Shimon ben Lakish ensinou na prática em Atarabulis (Trípoli): uma menorá pequena, é permitido movê-la no Shabat.
Rabi Chelbo e Rabi Abahu: diante de Rabi Chelbo não removiam a vela apagada; diante de Rabi Abahu removiam a vela. Rabi Yassa subiu à casa de Rabi Tanchum bar Chiya; quis removê-la diante dele. Disse-lhe: diante de nós? Rabi Yossi Galilaya (o galileu) subiu diante de Yossi ben Chanina; quis removê-la. Disse-lhe: quem te permitiu? Acha-se assim que Rav e Rabi Yochanan, estes que proíbem, são uma só opinião; Rabi Yehoshua ben Levi e Rabi Shimon ben Lakish, estes que permitem, são uma só opinião.
Rabi Elazar bar Chanina: aconteceu, e moveram um pamot (o suporte de metal da vela) de debaixo da vela no Shabat. Em que caso estamos? Se como Rabi Meir, mesmo o pamot seria proibido, pois serviu de base à vela. Se como Rabi Shimon, mesmo a vela seria permitida, uma vez apagada. Antes, assim estamos: como Rabi Yudá, pois Rabi Yudá é quem diz: a vela usada é repugnante; o pamot não é repugnante.
Ensinou-se numa baraita: uma vela que está posta sobre uma tavlá (mesa): tira-se a tavlá, e a vela cai. Disse Rabi Yochanan: este está perto de chegar à obrigação de chatat (o sacrifício de expiação): se a inclina para a frente, por ser mavir (quem acende); se a inclina para trás, por ser mechabe (quem apaga). Shmuel bar Aba diante de Rabi Yassa: trata-se de quando se apagou. Disse-lhe: que a tua mente repouse, pois resolveste a dificuldade. Em que caso estamos? Se como Rabi Meir, mesmo a tavlá seria proibida, porque foi base da vela ao entrar o Shabat. Se como Rabi Shimon, mesmo a vela seria permitida. Antes, aqui é como Rabi Yudá, pois Rabi Yudá diz: a vela é repugnante; a tavlá não é repugnante.
Ensinou-se numa baraita: se fez condição a respeito dela, antes do Shabat, de mover a tavlá depois que a vela se apagasse, será permitido. Em que caso estamos? Se como Rabi Meir, mesmo que tenha feito condição a respeito dela, é proibido. Se como Rabi Shimon, mesmo que não tenha feito condição a respeito dela, será permitido. Antes, assim estamos: como Rabi Yudá, pois Rabi Yudá diz: a vela é repugnante; a tavlá não é repugnante.
Que viste para dizer que estamos como Rabi Yudá? É que se ensinou numa baraita: uma vela que está posta atrás da porta: abre-se e fecha-se a porta no Shabat, contanto que não tencione nem apagar nem acender. Rav e Shmuel a explicam no caso de quem esqueceu ali a vela, e amaldiçoam quem faz assim: “Que o Eterno corte o homem que fizer isto, o que vigia e o que responde” (Malachi 2:12).
Quem sustenta: tudo o que é destinado ao proibido é proibido? Não é Rabi Meir? Logo, quem ensinou a baraita: se fez condição a respeito dela, é permitido? É Rabi Shimon. Mas o copo, e a tigela, e a ashashit (lanterna), quando usados como velas, ainda que se tenham apagado, é proibido tocar neles. Rabi Tavi em nome de Rav Chisda: mesmo segundo Rabi Shimon, que diz lá que é permitido, ele admite aqui, a respeito do copo, da tigela e da lanterna, que é proibido; pois, se lhe disseres que é permitido, ele também os apagará no Shabat e se servirá deles.
Disse Rabi Mana: no início pensávamos dizer: onde discordam os tannaim, a respeito da tavlá sob a vela? Naquela que se apagou: quando os ratos arrastaram o pavio, ou na afutzá (a vela de boca estreita, que aperta o pavio). Mas podes dizer mesmo que os ratos não arrastaram o pavio, e podes dizer mesmo que não se trata da afutzá: trata-se de quando há dentro dela azeite, que se pode aproveitar.
Lá ensinamos (Shabbat 21:1): “Uma pessoa toma o seu filho, e a pedra está na mão dele; e o cesto, e a pedra está dentro dele.” E ensinou-se na casa de Rabi: “a pedra e os alimentos dentro dele”, isto é, só se no cesto há também alimentos. Assim, não estaríamos dizendo nada com a explicação da vela apertada, pois Rabi Romanos tirou uma machtá (braseiro) da casa de Rabi, cheia de brasas, no Shabat. Tens como dizer, a respeito das brasas, que estão apertadas? Antes, trata-se de quando há dentro dela azeite, algo permitido junto ao proibido. Disse Rabi Abahu: eu a confirmei: grãos de bossem (incenso aromático) havia nela.
Rabi Ba bar Chiya em nome de Rabi Yochanan: o tarkos (um assento alto, a que se sobe por degraus), é proibido movê-lo no Shabat. Rabi Imi ensinou na prática: é permitido. Rabi Yirmeyá os viu movendo-o dentro da grande sidra (a casa de estudo), e não protestava contra eles. Os da casa de Rabi Yannai dizem: até três degraus, é como cadeira; daí em diante, é como escada. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: quem permite segue como Rabi Shimon, pois ensinou-se numa baraita: “Não arraste uma pessoa a cama, nem a cadeira, nem o banco, nem a katedra (poltrona) no Shabat, porque ela faz um sulco no chão; e Rabi Shimon permite.”
Rabi Ba em nome de Rabi Chuná, Rabi Chagai em nome de Rabi Zeira, Rabi Yossi em nome de Rabi Ila: os sábios concordam com Rabi Shimon a respeito de uma cadeira cujos pés estão afundados na lama, que é permitido movê-la no Shabat. Assim como tu dizes que é permitido movê-la, do mesmo modo também é permitido devolvê-la ao seu lugar. Disse Rabi Yossi: também nós ensinamos na Mishná (Kilayim 1:9), sobre os nabos e os rabanetes escondidos sob a videira: “e podem ser tomados no Shabat”, ainda que a terra se mova. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: essa Mishná é de Rabi Shimon. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: uma Mishná diz assim (Beitzah 2:10): “Nenhum dos utensílios se arrasta no chão, exceto a carroça, porque ela comprime a terra, e não abre um sulco.”
Rabi Chuná em nome de Rabi: em relação ao Shabat foi dita a distinção entre cadeira e escada. Chizkiyá em nome dos da casa de Rabi Yannai: em relação às chazakot (presunções de posse) foi dita. Rabi Yossi em nome dos da casa de Rabi Yannai: em relação à tumá (impureza) foi dita. Rabi Acha bar Chinena, Rabi Yassa em nome de Rabi Yochanan: uma menorá pequena, é permitido movê-la. Mas não é ela um kli (objeto)? E não é tudo o que está na casa do muchan (o que está preparado para o Shabat)? Por que, então, era preciso dizê-lo? Disse Rabi Yossi beRabi Bun: explica-o no caso em que ele a levou consigo como mercadoria, ou em que ela chegou na véspera do Shabat, ao escurecer; e não aprendeste dela coisa alguma para o caso comum.
Esta é a sétima halachá do Perek Guimel de Massechet Shabbat, Kirá, e a penúltima do perek. A sua Mishná corresponde à segunda parte da Mishná Shabbat 3:6 da Mishná avulsa: a primeira parte, a do recipiente sob a vela para receber o azeite, foi a Mishná da halachá anterior, 3:6; a última, a do recipiente sob a vela para receber as faíscas, abre a halachá seguinte, 3:8. A halachá anterior terminou com a objeção de Rabi Nasa sobre o muktze, os figos que secaram no telhado, e com a resposta de que ali se tratava de objetos, e na regra de Rabi Yochanan, de alimentos. Esta passa às velas que se podem mover no Shabat. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 44a, onde a guemará traz a mesma baraita com outra distribuição das opiniões: ali, a vela nova e não a velha é a opinião de Rabi Yehudá; Rabi Meir proíbe apenas a vela em que se acendeu no Shabat; e Rabi Shimon proíbe a vela acesa no Shabat e a permite depois de apagada.
Na seção 01, Rabi Chiya bar Ada objeta com a Mishná Shabbat 18:2, que permite virar um cesto diante dos pintinhos. Guggenheimer explica que, desde que o cesto passa a fazer parte do galinheiro, já não se pode movê-lo no Shabat; e observa, seguindo Saul Lieberman, que o texto precisa de rearranjo: a citação da Mishná está fora do lugar; a resposta “aqui se trata de objetos”, dada no fim da halachá anterior, convém a esta pergunta; e a resposta que aqui se lê, “esta é a de Rabi Yochanan”, convém aos figos muktze, a única exceção da regra de Rabi Yochanan. A tradução segue o texto como está. Na seção 02, a baraita tem paralelo na Tosefta Shabbat 4:9 (na edição de Lieberman, 3:13; Guggenheimer remete a 3:15, que trata de outro assunto), onde, como no Bavli, a vela nova é a opinião de Rabi Yehudá, e Rabi Meir proíbe a vela acesa naquele Shabat. Para Rabi Yudá, explica Guggenheimer, a vela usada é repugnante, e o repugnante é muktze; Rabi Shimon, diferentemente de Rabi Meir, permite mover a vela depois de apagada.
Na seção 03, Guggenheimer explica as duas versões: o meyuchad é o objeto que por sua natureza serve a um trabalho proibido no Shabat; o yichado é o que alguém escolheu expressamente para isso. A palavra libená pode ser lida como tijolo, material de construção; Guggenheimer, seguindo Lieberman, adota a leitura do manuscrito da Guenizá, que ele identifica com o grego lychnos, lâmpada, e entende que Rabi Yirmeyá pergunta por que Rabi Meir permite mover uma lâmpada que não foi acesa, se ela é feita para um uso proibido. Pela mesma testemunha, ele lê Rabi Chananya onde o hebraico diz Rabi Chanina, porque Rabi Chanina é da primeira geração de amoraim, e Rabi Yirmeyá, da quarta. A tradução segue o hebraico.
Na seção 04, a Mishná é Kelim 18:2: a liteira, caixa de madeira em que se transportavam pessoas, e a sua muchni, a base com rodas; se a base se solta, é um objeto à parte. As moedas não se movem no Shabat, e por isso a base que as contém também não. A mesma Mishná de Kelim é trazida no Bavli, em Shabbat 44b e 46a. Na seção 05, a Mishná é Shabbat 21:2; no Bavli, em Shabbat 142b, a Mishná está ali, e Rav Huna, em nome de Rav, ensina que ela trata de quem esqueceu a pedra, mas quem a pôs fez do barril base para o proibido; Guggenheimer remete a Shabbat 125b, onde a mesma explicação aparece em nome de Rabi Yochanan. O hebraico diz Rabi Chiya bar Ashi; Guggenheimer, pelo manuscrito da Guenizá, lê Rav Chiya bar Ashi, o nome que aparece também no Bavli, Shabbat 142b. Na seção 06, a Mishná é Shabbat 18:2; no Bavli, em Shabbat 43a, as baraitot sobre o cesto dos pintinhos ensinam que é proibido movê-lo. O hebraico diz “movê-los”, no plural; Guggenheimer entende o cesto. O se’á e o tarkav são medidas de grãos; o tarkav, três kav, é meio se’á.
Na seção 07, as atribuições no Bavli, Shabbat 45b e 46a, são diferentes: ali, em uma das versões, Rabi Yochanan diz que a halachá é como Rabi Yehudá, e Rabi Yehoshua ben Levi, como Rabi Shimon; o ensinamento de Reish Lakish, Rabi Shimon ben Lakish, sobre a menorá é situado em Tzidon; e conta-se que Rabi Yossi Galilaya moveu uma vela no lugar de Rabi Yossi beRabi Chanina, que se aborreceu, e que Rabi Abahu movia a vela no lugar de Rabi Yehoshua ben Levi, mas não no de Rabi Yochanan. Atarabulis é, segundo Guggenheimer, Trípoli, no Líbano. Ele traduz a frase de Rabi Elazar bar Chanina como “moveram uma lâmpada de metal em lugar da vela de barro”; o hebraico diz que moveram um pamot de debaixo da vela, e assim se traduziu. Guggenheimer explica que o barro absorve o azeite e não se limpa, enquanto o metal se limpa e brilha; por isso a vela usada é repugnante, e o pamot não.
Na seção 08, a Tosefta Shabbat 4:9 traz a vela sobre a tavlá: inclina-se a tavlá, e a vela cai. No Bavli, em Shabbat 120b, a baraita diz que se sacode a tavlá e a vela cai, e, se se apagou, apagou-se; e os da casa de Rabi Yannai ensinam que isso vale só para quem esqueceu. Guggenheimer explica a advertência de Rabi Yochanan: inclinando a tavlá para a frente, o azeite corre para o pavio e a chama aumenta; para trás, o azeite se afasta e a chama diminui. “Que a tua mente repouse” é expressão de aprovação. Na seção 09, o Bavli, em Shabbat 120b, traz a vela atrás da porta: abre-se e fecha-se como de costume, e, se se apagou, apagou-se; ali se conta que Rav amaldiçoou essa regra. O versículo é Malachi 2:12.
Na seção 10, a Tosefta Shabbat 4:9 e o Bavli, Shabbat 44a, trazem o copo, a tigela e a lanterna que se apagaram: não se movem do seu lugar. Guggenheimer explica que o copo e a tigela eram cheios de azeite e usados como velas, e que a lanterna, vazia, poderia servir como recipiente de vidro. Na seção 11, segundo Guggenheimer, Rabi Mana pergunta sobre a tavlá sob a vela; quando os ratos levam o pavio, já não há vela; na afutzá, a vela de boca estreita aperta o pavio, e a tavlá é base da vela, não da chama; e o azeite que sobra é comestível, e por ele se pode mover a vela. Na seção 12, a Mishná é Shabbat 21:1: pode-se carregar o que é muktze junto com o que se pode mover. A expressão “podes dizer mesmo”, na seção 11, é, segundo Guggenheimer, aramaico da Babilônia, e não do Yerushalmi.
Na seção 13, o sentido de tarkos é incerto. Na halachá 1:1, segundo Guggenheimer, traduziu-se como recipiente de couro; aqui, ele cita a proposta de Kohut de ler a palavra como o grego thronos, assento, porque o contexto fala de um assento a que se sobe por degraus. A baraita da cama e da cadeira e a frase da cadeira na lama aparecem também na halachá 3:3, e no Yerushalmi Beitzah 2:10. As Mishnayot citadas, Kilayim 1:9 e Beitzah 2:10, foram conferidas; na Mishná avulsa Beitzah 2:10, a frase sobre a carroça é de Rabi Yehudá. Guggenheimer explica que as rodas da carroça comprimem a terra e não a deslocam para os lados. Na seção 14, segundo Guggenheimer, a distinção entre cadeira e escada vale para o Shabat, porque a cadeira é um objeto e a escada é parte da casa; para as chazakot, a presunção de posse por três anos; e para a tumá, porque a cadeira se torna impura pela pressão de quem tem fluxo, e a escada não. Ele observa, seguindo Lieberman, que parece faltar ali uma frase, porque a regra da menorá pequena é a de Rabi Shimon ben Lakish, a quem Rabi Yochanan se opõe na seção 07.
Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi apresenta grafias próprias, conservadas no hebraico: “haneirot” e “mitaltelin” com yod, onde a Mishná avulsa escreve “hanerot” e “metaltelin”; “hadalek”, onde a avulsa diz “hadolek”; e “bashabat”, com artigo. Na seção 02, o hebraico alterna grafias com e sem yod em “neirot” e em “mitaltelin”; o hebraico escreve “pomot” e depois “pamot”; “ha’achbarim” com sheva sob o he; “afilu” com sheva sob o alef, na seção 10; “assur” sem vogal no vav, na mesma seção; e “Chiya” com he final no nome de Rabi Ba bar Chiya. O nome de Rabi Yossi Galilaya, na seção 07, é escrito “Yussé”.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer escreve “Rebbi Abba” onde o hebraico diz Rabi Ba, “Rebbi Abun bar Ḥiyya” onde diz Rabi Bun bar Chiya, “Rebbi Jehudah” onde diz Rabi Yudá, e “Rebbi Eleazar bar Ḥanina” onde diz Rabi Elazar bar Chanina. Ele verte a menorá pequena como “small light”, a ashashit como “lantern”, o tarkav como “three-qab”, a katedra como “fauteuil”, e os grãos de bossem como “cuts of fragrances”; e, nas palavras de Rabi Yudá, nas seções 07, 08 e 09, escreve “pottery light”, a vela de barro, onde o hebraico diz apenas “vela”.