Terceira halachá do Perek Kaf-Dalet de Massechet Shabbat, Mi Shehechshich (aquele sobre quem escureceu). A Mishná ensina que no Shabat não se empanturra o camelo nem se lhe empurra a comida pela garganta, mas se lhe põe a comida na boca; que não se cevam os bezerros, mas se lhes põe a comida na boca; que se dá a comida às galinhas e se põe água sobre o farelo, mas não se amassa; e que não se põe água diante das abelhas nem das pombas do pombal, que a encontram por si mesmas, mas põe-se diante dos gansos, das galinhas e das yonim herodosiot (pombas herodianas). Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.
Mishná: Não se empanturra o camelo, nem se lhe empurra a comida pela garganta, mas se lhe põe a comida na boca. Não se cevam os bezerros, mas se lhes põe a comida na boca. Dá-se a comida às galinhas para que a apanhem, e põe-se água sobre o farelo, mas não se amassa a mistura; e não se põe água diante das abelhas nem diante das pombas do pombal, mas põe-se água diante dos gansos e das galinhas e diante das yonim herodosiot (pombas herodianas).
Como em todo o Perek Kaf-Dalet, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 155b.
Esta é a terceira halachá do Perek Kaf-Dalet de Massechet Shabbat, Mi Shehechshich, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 24:3 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: o Yerushalmi diz אֵין מַמְרִין, sem o vav, onde a avulsa diz וְאֵין מַמְרִים; diz מַלְעִיטִין אוֹתָן, “põe-se-lhes na boca”, onde a avulsa diz só מַלְעִיטִין; diz מְהַלְקְטִין, sem o vav, onde a avulsa diz וּמְהַלְקְטִין; diz עַל גַּבֵּי הַמּוּרְסָן, “sobre o farelo”, onde a avulsa diz לַמֻּרְסָן, “ao farelo”; diz יוֹנִים שֶׁל שּׁוֹבָךְ, onde a avulsa diz יוֹנִים שֶׁבַּשֹּׁבָךְ; e diz יוֹנִים הֵירוֹדּוֹסִיּוֹת, onde a avulsa diz יוֹנֵי הָרְדְּסִיּוֹת. Diz também לַתַּרְנְגוֹלִים e, no fim, וְתַרְנְגוֹלִין, onde a avulsa tem as terminações trocadas; e escreve אֲוָוזִים, onde a avulsa escreve אֲוָזִים; a avulsa tem também cinco vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. Em גוֹבְלִן, o Sefaria traz a palavra sem o yod, onde a avulsa tem גוֹבְלִים, “amassam”; reproduzimos o texto como está. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 155b, e diz וְאֵין מַאֲמִירִין, com álef, לַמּוּרְסָן, גּוֹבְלִין, שֶׁבַּשּׁוֹבָךְ, אֲווֹזִין e יוֹנֵי הַרְדִּיסָיוֹת; como a avulsa, não tem o אוֹתָן. A guemará está ali mesmo, em 155b: o que é “não se empanturra”? Rav Yehuda diz que não se faz um cocho dentro do ventre do camelo, e Rav Yirmeya de Difti conta que viu um árabe que deu ao seu camelo um kor (grande medida de grãos) de comida e o carregou com outro kor. E qual é a diferença entre cevar e pôr na boca? Rav Yehuda diz que cevar é pôr a comida num lugar de onde o animal não pode devolvê-la, e pôr na boca é pô-la num lugar de onde pode; Rav Chisda diz que ambos são num lugar de onde não pode devolvê-la, mas cevar é com um utensílio, e pôr na boca é com a mão.
Observações de leitura. Segundo a Bartenura, empanturrar é fazer-lhe um cocho dentro do ventre, dando-lhe de comer à força; empurrar a comida é empurrá-la para dentro da garganta, ainda que menos do que empanturrar; e pôr na boca é pôr a comida num lugar de onde o animal pode devolvê-la. Cevar é engordar, da mesma raiz de וְחֵלֶב מְרִיאִים, “e a gordura dos animais cevados”, em Yeshayahu 1:11; e é enfiar a comida para dentro da garganta, onde não se pode devolvê-la. Para as galinhas, a Bartenura explica que se lhes põe a comida dentro da boca, num lugar de onde podem devolvê-la; o Rambam explica que se lhes põe a comida na mão e elas a apanham, e é a leitura que seguimos. Não se amassa o farelo com a água. Não se põe água diante das abelhas, porque o seu sustento não depende do dono: saem e comem no campo, e acham água nos lagos. As pombas herodianas, segundo ambos, são as que se criam em casa, e têm esse nome por causa do rei Herodes, que as criava no seu palácio. O Rambam liga também מַלְעִיטִין a הַלְעִיטֵנִי נָא, “deixa-me engolir”, em Bereshit 25:30. “A comida pela garganta”, “a comida”, “a”, “a mistura” e “água” completam a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz אוֹבְסִין por “stuff”, דוֹרְסִין por “force-feed” e מַלְעִיטִין por “puts food in its mouth”, e מְהַלְקְטִין por “hand-feeds”, mais perto do Rambam; mantivemos “empanturra”, “empurra a comida pela garganta”, “põe a comida na boca” e “dá-se a comida para que a apanhem”. A sua tradução não traz o “mas não se amassa”. Ele diz em nota que a sua tradução de הֵירוֹדּוֹסִיּוֹת por “Herodes pigeons” é muito incerta, e que não se sabe que tipo de pombas eram criadas em gaiolas e precisavam ser alimentadas todos os dias.
A Mishná seguinte, Shabbat 24:4, na numeração do Sefaria, começa מְחַתְּכִין אֶת הַדְּלוּעִין, “cortam-se as abóboras”; no Bavli, ela está em Shabbat 156b.