Segunda halachá do Perek Kaf-Dalet de Massechet Shabbat, Mi Shehechshich (aquele sobre quem escureceu). A Mishná ensina que no Shabat se desatam diante do animal os pekiei amir (feixes de cereal atados), e se espalham os kifin (ramos frescos), mas não os zirin (feixes de três nós); que não se esmagam nem a forragem nem as alfarrobas diante do animal, seja miúdo, seja graúdo; e que Rabi Yehudá permite as alfarrobas para o animal miúdo. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.
Mishná: Desatam-se os pekiei amir (feixes de cereal atados) diante do animal, e espalham-se os kifin (ramos frescos), mas não os zirin (feixes de três nós). Não se esmagam nem a shachat (forragem verde) nem as alfarrobas diante do animal, seja o animal miúdo, seja graúdo. Rabi Yehudá permite esmagar as alfarrobas para o miúdo.
Como em todo o Perek Kaf-Dalet, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 155a.
Esta é a segunda halachá do Perek Kaf-Dalet de Massechet Shabbat, Mi Shehechshich, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 24:2 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças são só de grafia: o Yerushalmi escreve הַכִּיפִין e הַזִּירִין, onde a avulsa escreve הַכֵּפִין e הַזֵּרִין; e רִבִּי, onde a avulsa escreve רַבִּי; a avulsa tem também três vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 155a, e diz וּמְפַסְפְּסִין, com nun, onde o Yerushalmi diz וּמְפַסְפְּסִים, e בֵּין דַּקָּה וּבֵין גַּסָּה, com o vav; escreve, com o Yerushalmi, הַכִּיפִין e הַזִּירִין. A guemará começa ali mesmo, em 155a, com duas explicações. Rav Huna diz que os pekiin (feixes) e os kifin são a mesma coisa, aqueles de dois nós e estes de três, e que os zirin são de ramos de cedro; Rav Yehuda diz que os pekiin e os zirin são a mesma coisa, aqueles de dois nós e estes de três, e que os kifin são de ramos de cedro. Rav Chisda explica que, para Rav Huna, pode-se ter trabalho com o que já é alimento, mas não tornar alimento o que não é; e Rava explica que, para Rav Yehuda, é o contrário.
Observações de leitura. A Bartenura segue a explicação de Rav Yehuda. Os feixes de cereal atados, enquanto estão atados, não são alimento para o animal, e por isso se desatam, para torná-los alimento; mas não se espalham, porque espalhá-los, para que o animal sinta o seu cheiro, é só um agrado, e não se tem trabalho com o que já é alimento. Os kifin são ramos frescos de cedro, que sem espalhá-los não são alimento, e por isso se espalham. Os zirin são como os feixes de cereal, mas com um terceiro nó no meio, e deles só se desatam os nós, sem espalhá-los. Não se esmaga a shachat, a erva do cereal que serve de forragem, porque é um trabalho desnecessário. Rabi Yehudá permite as alfarrobas para o animal miúdo, porque os seus dentes são finos e as alfarrobas lhe são duras; e a halachá não segue Rabi Yehudá. O Rambam explica os feixes da mesma maneira: os pequenos, de dois em dois, e os grandes, de três em três; diz que espalhar é esfregá-los entre as mãos, que esmagar é cortar, e que a halachá não segue Rabi Yehudá. Sobre a shachat, ele remete a Amos 7:1, “depois dos cortes do rei”. Na tradução, glosamos os kifin e os zirin conforme a Bartenura. “O animal” e “esmagar” completam a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz פְּקִיעֵי עָמִיר por “bundles of straw”, הַכִּיפִין por “packages” e הַזִּירִין por “sheaves”, e הַשַּׁחַת por “green stalks”; mantivemos os termos hebraicos com as glosas da Bartenura, porque a própria guemará discute o que eles são. Ele explica, como a Bartenura, que o animal miúdo não consegue mastigar as vagens duras da alfarroba, e por isso esmagá-las para ele é como desatar os feixes para o gado.
A Mishná seguinte, Shabbat 24:3, na numeração do Sefaria, começa אֵין אוֹבְסִין אֶת הַגָּמָל, “não se empanturra o camelo”; no Bavli, ela está em Shabbat 155b.