Quinta e última halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el (pede emprestado). A Mishná ensina que no Shabat se fazem todas as necessidades do met (morto): unge-se e lava-se o corpo, contanto que não se mova nele um membro; retira-se a almofada de debaixo dele, para que o corpo se conserve sobre a areia; amarra-se o queixo, para que não continue a se abrir, e assim também se apoia a viga que se quebrou, para que não continue a ceder; e que não se fecham os olhos do morto no Shabat, nem em dia comum no momento da saída da alma, porque quem os fecha nesse momento é como quem derrama sangue. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná. Com ela se encerra o Perek Kaf-Guimel, Sho'el; o tratado continua no Perek Kaf-Dalet, Mi Shehechshich.
Mishná: Fazem-se todas as necessidades do met (morto): unge-se com óleo e lava-se com água, contanto que não se mova nele um membro. Retira-se a almofada de debaixo dele, e assim deita-se o corpo sobre a areia, para que se conserve. Amarra-se o queixo, não para que suba, mas para que não continue a se abrir. E assim também uma viga que se quebrou: apoia-se com um banco ou com as traves compridas da cama, não para que suba, mas para que não continue a ceder. Não se fecham os olhos do morto no Shabat, nem em dia comum no momento da saída da alma; e todo aquele que os fecha no momento da saída da alma, eis que derrama sangue.
Como em todo o Perek Kaf-Guimel, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 151a.
Esta é a quinta e última halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 23:5 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria, a última do capítulo. As diferenças: o Yerushalmi diz יָזוּז, “se mova”, onde a avulsa diz יָזִיזוּ, “movam”; diz מְאַמְּצִין e הַמְאַמֵּץ, com álef, onde a avulsa diz מְעַמְּצִין e הַמְעַמֵּץ, com áyin, ambos “fechar os olhos”; diz וְכָל הַמְאַמֵּץ, “e todo aquele que fecha”, onde a avulsa diz וְהַמְעַמֵּץ, “e o que fecha”; e diz עִם יְצִיאַת הַנֶּפֶשׁ, com o artigo, na primeira vez, onde a avulsa diz עִם יְצִיאַת נֶפֶשׁ nas duas. Diz também בַּשַּׁבָּת e בַחֹל, onde a avulsa diz בְּשַׁבָּת e בְחֹל; e escreve הַחוֹל e בַאֲרוּכוֹת, onde a avulsa escreve הַחֹל e בַּאֲרֻכּוֹת; a avulsa tem também nove vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, esta Mishná está dividida em duas: a primeira começa em Shabbat 151a e termina no início de 151b, com a viga quebrada; a segunda, sobre o fechar dos olhos, está em 151b. O Bavli diz יָזִיז, קוֹשְׁרִין e מְעַצְּמִין, com as letras trocadas, e וְהַמְעַצֵּים, como a avulsa, sem “todo”. A guemará da primeira parte está em 151b: “todas as necessidades” vem incluir o que ensina uma baraita, que se trazem utensílios que esfriam e utensílios de metal e se põem sobre o ventre do morto, para que não inche, e se tapam as suas aberturas, para que o ar não entre. A guemará da segunda parte também está em 151b: uma baraita compara quem fecha os olhos no momento da saída da alma a quem põe o dedo sobre uma vela que se está apagando, e ela logo se apaga; e Raban Shimon ben Gamliel ensina como fazer para que os olhos do morto se fechem por si mesmos.
Observações de leitura. Segundo a Bartenura, unge-se com óleo e lava-se com água; não se move o corpo nem se levanta a mão, o pé ou as pálpebras, porque é proibido mover o morto ou um dos seus membros no Shabat, ainda que seja permitido tocá-lo. Retira-se a almofada, e o corpo fica sobre a areia, mas não se move o corpo para deitá-lo ali; o Rambam diz o mesmo. O “para que se conserve” é, segundo a Bartenura, para que o corpo não se deteriore pelo calor dos lençóis e das almofadas. Amarra-se o queixo do morto cuja boca vai se abrindo, não para fechar o que se abriu, o que seria mover um membro, mas para que não continue a se abrir. A viga se apoia com um banco, porque ele é um utensílio, mas não para levantá-la, o que seria construir. Não se fecham os olhos do morto no Shabat, mesmo depois da saída da alma, porque seria mover um membro; e quem os fecha no momento da saída da alma, diz a Bartenura, aproxima a morte com uma coisa pequena. “Com óleo” e “com água” seguem a Bartenura; “assim” e “o corpo” seguem o Rambam; “a se abrir”, “a ceder”, “os olhos” e “os” completam a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz בִּשְׁבִיל שֶׁיַּמְתִּין por “so he can wait” e explica em nota que é para que o corpo seja esfriado; mantivemos “para que se conserve”. Ele traduz מְאַמְּצִין por “close the eyelids” e שֶׁלֹּא יוֹסִיף por “lest it descend”; mantivemos “fecham os olhos” e “para que não continue a se abrir”, conforme a Bartenura. Para quem fecha os olhos no momento da morte, ele dá uma razão própria, de que isso sinalizaria ao moribundo que já o consideram morto; seguimos a Bartenura, que diz só que aproxima a morte.
A Mishná seguinte, Shabbat 24:1, na numeração do Sefaria, abre o Perek Kaf-Dalet, Mi Shehechshich, o último de Massechet Shabbat: מִי שֶׁהֶחְשִׁיךְ בַּדֶּרֶךְ נוֹתֵן כִּיסוֹ לַנָּכְרִי, “aquele sobre quem escureceu no caminho entrega a sua bolsa ao gentio”. No Bavli, essa Mishná está em Shabbat 153a, no início do capítulo Mi Shehechshich, פֶּרֶק מִי שֶׁהֶחֱשִׁיךְ. Também para ela o Yerushalmi não traz guemará.
Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el (שׁוֹאֵל).