Quarta halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el (pede emprestado). A Mishná ensina que se espera o escurecer junto ao techum (limite de Shabat) para cuidar dos assuntos de uma noiva e dos assuntos do met (morto), para lhe trazer caixão e mortalhas; que, se um gentio trouxe flautas no Shabat, um israelita não as usa no lamento fúnebre, a não ser que tenham vindo de um lugar próximo; e que, se um caixão e uma sepultura foram feitos para o gentio, pode ser sepultado ali um israelita, mas, se foram feitos por causa de um israelita, ele não será sepultado ali jamais. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.
Mishná: Espera-se o escurecer junto ao techum (limite de Shabat) para cuidar dos assuntos de uma kalá (noiva) e dos assuntos do met (morto), para lhe trazer caixão e tachrichin (mortalhas). Um gentio que trouxe chalilin (flautas) no Shabat: não lamente com elas um israelita pelo morto, a não ser que tenham vindo de um lugar próximo. Se fizeram para ele, o gentio, um caixão e lhe cavaram uma sepultura, seja sepultado ali um israelita; e, se foi por causa de um israelita, não seja sepultado ali jamais.
Como em todo o Perek Kaf-Guimel, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 151a.
Esta é a quarta halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 23:4 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: o Yerushalmi diz בַּשַּׁבָּת, com o artigo, onde a avulsa diz בְּשַׁבָּת; escreve עִיסְקֵי, duas vezes, e יִסְפּוֹד, onde a avulsa escreve עִסְקֵי e יִסְפֹּד; e a avulsa tem também seis vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 151a, e diz וְתַכְרִיכִים, com mem final, onde o Yerushalmi e a avulsa dizem וְתַכְרִיכִין, e בְּשַׁבָּת, como a avulsa. A guemará está ali mesmo, em 151a: o que é “de um lugar próximo”? Rav diz que é de um lugar realmente próximo, e Shmuel diz que se receia que tenham pernoitado fora da muralha. Sobre o caixão e a sepultura, a guemará pergunta por que não se espera, também aqui, o tempo de fazê-los, e Ulla responde que se trata de uma sepultura à beira da estrada principal.
Observações de leitura. Segundo a Bartenura, cuidar dos assuntos da noiva é examinar e averiguar as suas necessidades; o Rambam diz que é perguntar e averiguar. Isto vem da regra de Abba Shaul, na Mishná anterior: o que se pode dizer no Shabat, por ser preceito, pode-se esperar o escurecer por ele. As flautas são, segundo a Bartenura e o Rambam, instrumentos ocos cujo som desperta o choro e o luto; o israelita não lamenta com elas, como multa, porque é evidente que foram trazidas por causa dele, a não ser que se saiba com clareza que vieram de dentro do limite. O caixão, diz a Bartenura, o gentio fez para si, para ser sepultado nele, ou para vender. O Rambam acrescenta que, se foram feitos por causa de um israelita, ele não será sepultado ali jamais, porque a coisa ficou conhecida por todos na cidade; e que tudo o que se permitiu do que os gentios fizeram no Shabat só se permite depois de esperar, ao sair o Shabat, o tempo que se leva para fazê-lo. “Pelo morto”, “se”, “o gentio” e “foi” completam a frase, conforme a Bartenura. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz חֲלִילִין por “fifes”, לֹא יִסְפּוֹד בָּהֶן por “should not use them for dirges” e יִשְׂרָאֵל por “a Jew”; mantivemos “flautas”, “não lamente com elas” e “um israelita”. Ele entende o “para ele” de עָשׂוּ לוֹ אָרוֹן como o gentio, como nós e a Bartenura, e explica o lugar próximo como de dentro do limite de Shabat.
A Mishná seguinte, Shabbat 23:5, na numeração do Sefaria, começa עוֹשִׂין כָּל צָרְכֵי הַמֵּת, “fazem-se todas as necessidades do morto”; no Bavli, ela começa em Shabbat 151a.