Terceira halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el (pede emprestado). A Mishná ensina que no Shabat não se contratam trabalhadores, nem se pede a outro que os contrate; que não se faz machshichin al hatechum (esperar o escurecer junto ao limite de Shabat) para contratar trabalhadores e trazer frutos, mas espera-se o escurecer ali para guardar os frutos, e então se trazem frutos na mão; e a regra de Abba Shaul: tudo o que se pode dizer no Shabat, pode-se esperar o escurecer por ele. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.
Mishná: Uma pessoa não contrate trabalhadores no Shabat, nem diga uma pessoa ao seu companheiro que contrate trabalhadores para ela depois do Shabat. E não se espera o escurecer junto ao techum (limite de Shabat) para contratar trabalhadores e para trazer frutos do campo; mas espera ele o escurecer para guardar os seus frutos, e traz frutos na sua mão ao voltar. Uma regra disse Abba Shaul: tudo aquilo que eu tenho o direito de dizer no Shabat, tenho permissão de esperar o escurecer junto ao limite por causa dele.
Como em todo o Perek Kaf-Guimel, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 150a.
Esta é a terceira halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 23:3 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: o Yerushalmi diz וְאֵין מַחְשִׁיכִין, com vav, onde a avulsa diz אֵין מַחְשִׁיכִין; diz בַּשַּׁבָּת, com o artigo, onde a avulsa diz בְּשַׁבָּת; e escreve יִשְׂכּוֹר, לַחֲבֵירוֹ, לִשְׂכּוֹר, פֵירוֹת, לִשְׁמוֹר e כָּל, onde a avulsa escreve יִשְׂכֹּר, לַחֲבֵרוֹ, לִשְׂכֹּר, פֵרוֹת, לִשְׁמֹר e כֹּל; a avulsa tem também cinco vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; logo no início da Mishná, antes de לֹא יִשְׂכּוֹר, há um marcador embutido do início da coluna 18a da edição de Veneza, que também tiramos, sem mexer em nenhuma letra; não há colchetes nem parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 150a, e diz בְּשַׁבָּת e אֵין מַחְשִׁיכִין, como a avulsa, e לִשְׂכּוֹר לוֹ פּוֹעֲלִים, “contratar trabalhadores para si”, onde o Yerushalmi e a avulsa não têm לוֹ. A guemará começa ali mesmo, em 150a: Rav Papa diz que o companheiro é um gentio, e Rav Ashi objeta que dizer a um gentio é proibido pelos Sábios; por isso, Rav Ashi diz que, mesmo sendo o companheiro um israelita, a Mishná ensina que não se diz “contrata-me trabalhadores”, mas se diz “veremos se ficas comigo à tarde”, como Rabi Yehoshua ben Korchá. Rabá bar bar Chana diz em nome de Rabi Yochanan que a lei é como Rabi Yehoshua ben Korchá, porque está escrito מִמְּצוֹא חֶפְצְךָ וְדַבֵּר דָּבָר, “de buscar o teu interesse e de falar palavra”, em Yeshayahu 58:13: o falar é proibido, o pensar é permitido.
Observações de leitura. A Bartenura traz o mesmo versículo de Yeshayahu para a proibição de contratar trabalhadores. Esperar o escurecer junto ao limite é, segundo a Bartenura e o Rambam, andar no Shabat até o fim do techum e ficar ali até o Shabat sair, para estar perto dos trabalhadores ou do pomar logo que escurecer; o que é proibido fazer no Shabat, é proibido esperar o escurecer por ele. Mas guardar os seus frutos é permitido no Shabat, e por isso se espera o escurecer para isso; e traz os frutos na mão, diz a Bartenura, porque a sua intenção principal não era essa. A regra de Abba Shaul, segundo a Bartenura, permite esperar o escurecer para uma mitzvá (preceito), como trazer caixão e mortalhas para o morto, assunto da Mishná seguinte; e a lei é como ele. O Rambam explica que todos concordam que se pode dizer ao companheiro “guarda os meus frutos que estão no teu limite, e eu guardarei os teus”, e que, como se pode pedir a guarda, pode-se esperar o escurecer para guardar; e que o que é preceito, como os casamentos dos jovens e o ensinar os filhos, se pode tratar no Shabat. “Depois do Shabat”, “do campo”, “os seus frutos”, “ao voltar”, “no Shabat” e “junto ao limite” completam a frase, conforme a Bartenura e o Rambam. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz אֵין מַחְשִׁיכִין עַל הַתְּחוּם por “one does not wait for nightfall at the Sabbath boundary”, como nós, “não se espera o escurecer junto ao limite”, e remete, como a Bartenura, a Yeshayahu 58:13. Ele traduz כָּל שֶׁאֲנִי זַכַּאי בַּאֲמִירָתוֹ por “anything which I am permitted to talk about”; mantivemos “tudo aquilo que eu tenho o direito de dizer”.
A Mishná seguinte, Shabbat 23:4, na numeração do Sefaria, começa מַחְשִׁיכִין עַל הַתְּחוּם לְפַקֵּחַ עַל עִיסְקֵי כַלָּה, “espera-se o escurecer junto ao limite para cuidar dos assuntos de uma noiva”; no Bavli, ela está em Shabbat 151a.